Terça-feira, 16 de Julho de 2013

Ainda há esperança?

 

PSD, CDS e PS reúnem, com o alto patrocínio do Aníbal, para negociar coisa nenhuma. Cada um deles leva uma mão cheia de nada, provavelmente irão passar até umas tardes agradáveis a tentar revogar a irrevogável certidão de óbito deste Governo. Uma boa hipótese será embalsamá-lo, pelo menos até ao Verão de 2014. Já que aí vem mais um sequestro, ou resgate como lhe chamam, mais vale o ónus ficar com Passos e os seus. 

 

São incompreensíveis os danos que estas pessoas têm causado ao País. Já não bastava a política de terra queimada que exerceram, tinham de juntar esta destruição também da Democracia, era a cereja que faltava no bolo rei.

 

Não compreendem que as pessoas estão fartas de jogos, estão fartas de egos e estão, acima de tudo, fartas de imbecis e de boçais. 

Estes jogos, pagos com os nossos impostos, pagos com a aniquilação do estado social e do próprio Estado, estão a lavrar o terreno para o autoritarismo corporativo surgir. 

 

Feliz ou infelizmente, como dizia Orwell no seu "1984": "A esperança está nos proles". 

A minha esperança também a depositei no povo, no povo que espero que quando surgir a ditadura a saiba repelir, saiba dizer não e escolher a liberdade.

É uma esperança desesperada, porque falamos do mesmo povo que deixou o País chegar até aqui. A questão não é se irá ou não surgir essa onda autoritária pela Europa fora, a questão é quando, porque tudo está a ser feito para a alimentar.

Espero que o povo português saiba estar à altura. A bem da nação.

publicado por Francisco da Silva às 00:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Domingo, 14 de Julho de 2013

Da vergonha alheia

(aqui

 

 

 

O PS junta-se assim ao PCP e BE que já manifestaram a sua intenção de votar a favor da moção do PEV. Carlos Zorrinho adiantou ao PÚBLICO que o PS o fará "com toda a naturalidade" uma vez que "há muito que o PS censura este Governo".

 

Se a desfaçatez pagasse impostos, os políticos portugueses já tinham resolvido o problema da Dívida Pública.

 

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 17:12
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Vamos a Belém - 25 de Maio






publicado por rms às 11:53
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 16 de Abril de 2013

Carta a Amélia



A Amélia não me conhece e, se calhar, nunca lerá estas linhas. Não faz mal. Escrevo-a num acto egoísta, se calhar nem é tanto pela Amélia. Escrevo porque tenho isto guardado entre o fígado e o coração desde domingo, quando vi esta reportagem da SIC, que há-de ser uma entre tantas que não chegam às televisões.


Não faz mal. As televisões têm critérios e agendas, tal como os jornais e as rádios. Não faz mal, por isso temos os blogues, que são alternativa e complemento. A história da Amélia revolta-me tanto quanto é a vontade que tenho de lutar ainda mais. Há muitas Amélias espalhadas por este país fora, e voltamos à questão central aqui que, quanto a mim, ao contrário do que é referido pelo jornalista, não é a pobreza envergonhada; é sim a pobreza dos trabalhadores, que, mesmo tendo emprego, não escapam à pobreza. Isto deve fazer a Amélia pensar. Por que raio é que a Amélia trabalha e, mesmo assim, o que recebe não chega para viver?


O caso da Amélia traz-me à memória coisas da minha vida, dos idos anos 80. Depois do fecho da FACAR, em Leça da Palmeira, que viria a dar lugar ao que são as famosas torres de Leça, deixando sem trabalho cerca de 1000 pessoas, o meu pai ficou desempregado, com quatro filhos para criar. A minha mãe era então empregada têxtil. O meu pai concorreu para cantoneiro de limpeza na Câmara Municipal de Matosinhos, onde entrou, foi varredor e, posteriormente, o que então se designava por lixeiro. Simultaneamente, trabalhava em transitários e, ao fim-de-semana, entregava gás ao domicílio. E eu aproveitava para ir com ele. Era, na verdade, mais algum tempo que eu podia passar com ele. Mas não fazia mal, porque éramos quatro filhos para criar.


Isto eram os anos 80, início dos anos 90, que a Amélia conhecerá bem melhor que eu. Mas, Amélia, passaram 30 anos desde então. Temos o direito e, mais que isso, a obrigação de exigir mais. O amor pelos filhos é incondicional e está acima de tudo, sei-o porque também sou pai. Compreendo que a vida me roubou tempo com o meu pai, porque eu precisava de sobreviver e de crescer, porque também sou filho.


Não, Amélia, não há gente vive muito pior. Isso é o pior pensamento que pode ter, porque é o da resignação. A Amélia, como os outros, tem o direito a viver, mais do que a sobreviver, tem o direito a receber a retribuição justa pelo seu trabalho, que lhe permita viver, mais que sobreviver. Isso é o pensamento Isabel Jonet, Amélia, que em Portugal não há fome, fome há em África.


A Amélia tem o direito e o dever querer mais do que lhe é oferecido. De perguntar-se por que é que a Amélia trabalha e o que recebe não chega para as despesas e há quem ocupe cargos onde sobram dez ou mais salários como os da Amélia, depois de pagar todas as despesas. Mais, Amélia, é preciso ânimo e força para lutar, porque, ao que parece, os despedimento no sector do Estado que querem levar avante começam, precisamente, pelos trabalhadores menos qualificados.


A partir de agora, a Amélia, mesmo não sabendo, vai comigo a todas as lutas em que puder participar. Começando já no 25 de Abril, que nos deu a liberdade, e no 1.º de Maio, que é o Dia do Trabalhador, não é do colaborador, ou do agradecimento ao patrão por ter um emprego, mesmo que seja mal pago. Não. É o Dia do Trabalhador, esteja ele desempregado ou não.




Um beijo.
sinto-me:
publicado por rms às 12:02
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Terça-feira, 19 de Março de 2013

Demissão já

 

Porque não sou eu que tenho de emigrar, são eles. Chega desta vergonha, não dá mais para fingir que não sabemos todos para onde nos estão a levar.
Ou nós ou eles. A bem ou a mal. Mais cedo ou mais tarde. 

Rua com estes miseráveis que nos sugam a alegria, a vida, o futuro e o país. 

Já aderiste?  

https://www.facebook.com/demissao

publicado por Francisco da Silva às 00:02
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 14 de Março de 2013

O PS tem problemas em fazer gráficos

O último tempo de antena do PS traz uma novidade para os estudiosos de estatísticas.

Uma barra para demonstrar o desemprego que tem uma escala que desafia as leis da matemática (e quem sabe, se não for demasiado, da decência). Segundo a "barra do PS", o desemprego em Portugal já passou os 50%.

 

Compreendo os problemas que haverá em assumir a responsabilidade pelo trabalho recente que fizeram enquanto Governo, mas é escusado enganar as pessoas. Continuam os macaquinhos no sótão.
publicado por Nuno Moniz às 02:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 6 de Março de 2013

Hasta Siempre Comandante


Obrigado Comandante Chávez pela tua ousadia, pela tua força, exemplo e visão alternativa.
Obrigado por teres tido coragem de ser contrapoder, de referendar as alterações à constituição, e de demonstrar que com vontade é possível fazer o Mundo mudar.

E para todos os haters:

 

 

publicado por Francisco da Silva às 11:35
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 4 de Março de 2013

O medo mudou de lado

Estive na manifestação de 2 de Março. Não contem, ao longo deste texto, com guerras de números. O que se sentiu na rua não é mensurável - e é isto que algumas pessoas parecem não perceber, ou não querem mesmo perceber.

 

No Porto, esta foi das maiores manifestações em que estive, juntamente com a anterior, convocada pela CGTP, em Fevereiro. Na primeira reunião do movimento Que Se Lixe a Troika, em que fui convidado a participar, em Lisboa, houve uma coisa que me impressionou: o medo. Toda a gente falava no medo que o povo tinha. Era preciso vencer o medo. Não concordei com as análises, mas respeitei-as. Não acho que o povo estivesse com medo. Acho que o povo estava atordoado e intoxicado. Por aqueles que, mesmo antes da manif, anunciaram o seu fracasso. Que seria mais pequena, que não teria efeitos práticos. Que não teria efeitos políticos. Por aqueles que, diariamente, nas televisões, jornais e rádios dizem que a miséria é inevitável e que o único caminho para lá da miséria é mais miséria. Não é. Não pode ser.

 

Houve gente que li nas redes sociais e blogues em tentativas desesperadas de menorizarem a dimensão da manifestação, que não foi apenas no Porto e em Lisboa. Foi em 40 cidades, portuguesas e não só. Não sei o que os move, e, sinceramente, não me interessa. Quero lá saber o que dizem. Que fiquem, juntamente com o especialista em multidões do Expresso, a contar quadradinhos. E juntem-lhe o jornalista do Público que fez a peça de ontem.

 

O que importa o que eles dizem? Zero. Quem lá esteve sabe bem o que foi. Uma Praça da Batalha à pinha, a abarrotar, com gente de todas as cores e idades. De vários partidos, incluindo militantes do PSD, de partido nenhum e outros que se estrearam numa manifestação.

 

O que nós vimos, pá, eles nunca verão. As lágrimas de emoção de ver a Praça da Liberdade, ao longe, já cheia, quando a cabeça da manifestação estava ainda longe. E a multidãonos passeios que se juntava e engrossava as fileiras.

 

Eles nunca verão os rostos de novos, velhos, empregados, desempregados, precários, pequenos empresários, pá. Aqueles rostos que espelhavam um misto de sentimento de que algo está a acontecer e de uma raiva contida, que ninguém sabe até quando durará. Porque não podemos engolir tudo; quando transborda vem cá para fora. E veio para a rua. E virá de novo.

 

Cada um de nós, que lá esteve, que viu e sentiu a Grândola como nenhuma daquela gente que vê tudo pelo filtro que vai directo dos olhos ao umbigo viu ou sente. E há umbigos maiores do que a manifestação de 2 de Março. E a Grândola, e os cravos, e a Grândola.

 

A Grândola, caramba, que cantámos três vezes, duas delas antes de chegar à Praça. A Grândola, caramba, que devíamos estar a celebrar e estamos, afinal, a defender. A Grândola, porra, que o Zeca nos deu para abrir caminho à liberdade, à educação, à igualdade, ao trabalho com direitos. A Grândola, caramba.

 

E a Grândola das 18h30, que o país cantou. Foi a Grândola mais bonita dos meus 30 anos de vida. Os punhos, os cravos, a raiva que saía de cada verso, o braço dado com a pessoa do lado que nem se sabia quem era. As vozes já roucas, caramba, que a manifestação ia longa, mas era preciso que a Grândola se ouvisse em todo o país, porra. Novos e velhos, pá, com o peso da Grândola nos ombros, que quem a sente sabe o que pesa. A Grândola, caramba!

 

Menorizem, caramba. Desprezem, pá. A próxima será maior. E a seguinte e a outra. Porque vai cair. Este governo e a troika vai cair, porque cai ele ou caímos nós. E um povo que se deixa cair não é um povo, é uma massa que se deforma e deixa de ser aquilo que é. E nós somos o melhor povo do mundo, não somos? Somos, mas não da forma que eles querem. Fazei tudo para nos afrontar ainda mais, que o vosso estrondo, quando vocês caírem, será maior, caramba, e cantaremos a Grândola bem alto, aos vossos ouvidos, que decorareis a letra a bem ou a mal. E o conteúdo. O conteúdo da Grândola, corja de lacaios. Esse, que nem sentis nem sabeis. Vai cair. Ides cair com estrondo, caramba, a bem ou a mal.

 

O que nós vimos, eles não verão.

 

Eles engolem em seco, sabem, mas não dizem: o medo mudou de lado.

 

publicado por rms às 00:36
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

Hoje foi assim no Chiado

 

Os profissionais das diversões estão no seu 35º dia de luta e não desistem.

Não desistam, vocês também.

publicado por Francisco da Silva às 16:16
link do post | comentar | favorito

Grândola nas galerias do Parlamento

Passos ouviu, de cabeça baixa, engasgou-se e passou à frente. O Povo cantou, de cabeça erguida.

 

 

 

Amanhã há luta e continua no dia 2 de Março.





Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!


Esta manhã mais de 40 pessoas intervieram na Assembleia da República, a meio da Sessão Plenária, cantando “Grândola, Vila Morena” durante a intervenção do primeiro-ministro. 

Esta acção de protesto levou para dentro da Assembleia da República o descontentamento generalizado que se sente nas ruas perante a situação inadmissível em que este governo e a troika internacional colocaram este país, em queda livre com o maior desemprego de sempre e com uma recessão acima dos 3%! 

O protesto apela à participação nas próximas manifestações de dia 16 de Fevereiro, assim como a manifestação de dia 2 de Março em todo o país, sob o lema “Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!”.


Com mais de um milhão de desempregados, uma recessão profunda e todas as previsões de governo e troika mais uma vez falhadas, para pior, hoje levou-se ao Parlamento o descontentamento popular. A música de José Afonso foi a escolhida para transportar de volta ao local onde se legisla para todos o sentimento de que é necessário outro caminho, que é necessário que haja uma democracia que corresponda às necessidades do povo e não das instâncias internacionais a comandar os destinos do país.  
A mobilização popular é urgente para mudar o rumo de destruição e de austeridade que foi escolhido por governo e troika. Apelamos à participação nos grandes protestos que se avizinham, quer já amanhã no Príncipe Real, que no próximo dia 2 de Março em todo o país e no estrangeiro. A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas.  


A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!

 

publicado por rms às 12:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013

Sismo Social

 

Hoje há uma notícia que vai ficar na história do nosso país:

1 em cada dois jovens está desempregado.

Fora os que emigraram e os que não estão inscritos no centro de emprego. 

 

Em termos gerais, atingimos perto dos 17% de desemprego oficial, mais uma vez, fora os que já cá não moram e os que já não têm vontade nem esperança para se inscreverem nos centros de (des)emprego.

Aliás, é doentio continuar a denominar os ditos centros assim, quando o que oferecem é exactamente o contrário.

 

Desta enorme fatia da nossa população, deste exército de desempregados, cerca de 57% não recebem subsídio. 

Aumentam a carga fiscal para quem trabalha e nem quem mais precisa tem apoio?

É para esta sociedade do cada um por si que andamos a pagar impostos? 

Mais vale então assumir de uma vez que isto não é uma sociedade, é uma selva, onde cada um luta pelo seu bocado.

Assuma-se isso, e deixem de nos roubar com mais impostos para financiarem os bancos e os negócios obscuros entre os amigos do partido e os do avental.

 

É aterrador pensar que cada vez que me cruzo com um jovem na rua, provavelmente ele está desempregado, porque ainda tenho a sorte de fazer parte da metade que tem emprego.

Pensem nisto, porra, um em cada dois dos nossos jovens, dos vossos filhos, irmãos, amigos, netos, o que quer que seja, estão desempregados.

Podemos fechar os olhos e fingir que não é connosco. No entanto, se continuamos a tolerar esta política de miséria, brevemente, o desemprego jovem passa de metade a três quartos da população, e um dia é o nosso dia de engrossar as estatísticas.

 

Declare-se o estado de calamidade pública e invoque-se o mesmo para renegociar a dívida e acabar com esta miséria, já.

publicado por Francisco da Silva às 21:51
link do post | comentar | favorito
Sábado, 9 de Fevereiro de 2013

"António Costa e Pina Moura de costas voltadas"

 

Ou de como os Pina Moura de antigamente são os Antónios Costas de amanhã, e vice versa:

 

Na passada quinta-feira, durante uma reunião do grupo parlamentar o líder da bancada socialista criticou o comportamento ético do deputado. O tom foi duro e a troca de palavras entre António Costa e Pina Moura deixou bem vincada a distância entre a actual direcção e o antigo ministro de António Guterres.

Na reunião do grupo parlamentar socialista e a propósito da discussão sobre um consenso em matéria de consolidação das finanças públicas, o líder parlamentar abriu as hostilidades com referências ao facto de Pina Moura ter participado na redacção do documento, subscrito por 33 personalidades.

Para além disso António Costa criticou o comportamento ético de Pina Moura pelo facto deste ter ponderado usar os dez minutos a que todos os deputados têm direito por sessão legislativa sem ter informado previamente a direcção da bancada.

António Costa soube-o pelo próprio presidente da Assembleia e não gostou. A verdade é que Pina Moura admitiu falar durante o debate de passada quarta-feira no caso de discordar da postura assumida pelos socialistas.

 

João Ribeiro, aqui, falava de uma "deslealdade nunca vista no PS", esquecendo-se de quando António Costa se queixava do mesmo em relação a Pina Moura: 

 

As relações entre António Costa e Pina Moura azedaram depois do líder parlamentar do PS ter acusado o antigo ministro de Guterres de «deslealdade». Pina Moura foi um dos mentores do documento assinado por vários notáveis.

 

Amanhã, decorre a reunião onde António Costa deixa orfãos os já orfãos de Sócrates que procuravam uma família política de acolhimento.

Costa nunca poderia ser candidato a secretário-geral do PS antes de ganhar, novamente, a Câmara de Lisboa. Há uma coisa que se chama aparelhismo, e que nos diz que há muitas e muitos apoiantes de Costa cuja possibilidade de fazer carreira política e campanha por este, depende do seu emprego nesta Câmara, que é um dos maiores empregadores do país.

 

Como diz o Jorge Coelho: "há falta de memória na política", mas o Google não esquece.

 

 

Actualização: O Rodrigo Saraiva também sabe usar o Google, temos isso em comum.

publicado por Francisco da Silva às 22:02
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

PS - Agência de emprego

Na semana passada, o PS de Matosinhos voltou a ser notícia na comunicação social. Muito por culpa do candidato do PS à autarquia matosinhense, que diz que parece que disse uma coisa, mas não disse, mas afinal disse mesmo, como se vê no vídeo abaixo, disponibilizado pelo blog Aventar.

 

 

 

Mas não é apenas este facto que tem alimentado algumas colunas de jornais. O afastamento de Guilherme Pinto também surge em algumas páginas e o facto é simples: o PS funciona como uma agência de emprego onde políticos profissionais encontram espaços para ganhar a vida. Por isso, José Luís Carneiro, líder da Distrital do PS do Porto, reuniu-se com Guilherme Pinto para convidá-lo a integrar as listas do PS à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu. Assim, à escolha do freguês. Guilherme Pinto não está, para já, inclinado a aceitar o convite, tendo António Parada já manifestado o seu apoio a uma possível migração do actual presidente da CM Matosinhos. Não é difícil perceber: António Parada é - ainda - candidato do PS à CM Matosinhos, com Guilherme Pinto fora do caminho, apenas tem de se preocupar com Narciso Miranda, que adiou para Abril uma posição sobre as autárquicas.

 

Muita gente desconhecia até então António Parada. Mas isso é apenas falta de memória. Parada ficou conhecido depois dos acontecimentos da lota nas eleições Europeias de 2004, que opôs duas facções do PS de Matosinhos, que se confrontaram na lota. Nessas eleições, António Costa era segundo na lista do PS e Manuel Seabra ascendeu a presidente da Câmara, sucedendo a Narciso Miranda, que deixou a autarquia e rumou a uma secretaria de Estado. Avizinhavam-se as autárquicas e o regressado Narciso Miranda disputava a candidatura à CM Matosinhos, pelo PS, com Manuel Seabra, que recusou abandonar o cargo após o regresso de Narciso.

 

Ora, Narciso regressou pouco tempo depois mas já foi tarde. Francisco Assis havia já lançado Manuel Seabra, avisando mesmo sobre o que viria a suceder passados alguns anos: "A concelhia tem um excelente presidente. Mas não é só Matosinhos que tem os olhos postos em ti, é grande parte do PS nacional".

 

Em 2008, quando o processo interno do PS aos acontecimentos da lota estava já no esquecimento, o ex-presidente da CM Matosinhos rumou a Lisboa, para ser chefe de gabinete de António Costa. Sim, o mesmo António Costa que era segundo nas lista do PS às Europeias de 2004.

 

Em 2009, cumpriu-se uma vontade antiga de Assis e Seabra foi candidato à Assembleia da República. Antiga de 2004: "A inclusão de Seabra na lista será uma forma de reabilitação política do vereador, depois das conclusões do inquérito aos incidentes na lota de Matosinhos, que lhe vedaram a candidatura àquela autarquia. A hipótese já terá sido abordada num contacto com Assis".

 

Ainda em 2004, o PS abriu então um inquérito interno aos acontecimentos da lota, a cargo de Almeida Santos, Vera Jardim e Jorge Lacão. Daí concluiu-se, em forma de proposta, que nem Manuel Seabra nem Narciso Miranda poderiam ser candidatos à autarquia, o que veio a verificar-se:

 

"2. Delibere, desde já, em face das conclusões do presente inquérito e ainda que com reconhecimento do diverso grau de responsabilidade e culpa nele evidenciados, que nem Narciso Miranda nem Manuel Seabra estão em condições de poderem integrar as listas de candidatura do PS aos órgãos do Município de Matosinhos, nas próximas eleições autárquicas."

 

A comissão de inquérito interna não tem poder deliberativo, mas sim propositivo, ficando as possíveis sanções a cargo dos órgãos jurisdicionais do PS, que acabaram por apreciar apenas a suspensão de um funcionário do PS, no caso, Domingos Ferreira. De resto, para além do bom senso que prevaleceu ao impedir as candidaturas de Narciso e Seabra, não houve mais consequências.

 

E assim surge Guilherme Pinto, delfim de Narciso Miranda, cuja ambição era maior do que pensava o seu mentor. Narciso acreditou que Guilherme Pinto cumpriria apenas um mandato e sairia de cena. Mas não foi assim. Guilherme Pinto quis manter-se como candidato, em 2009, e Narciso avançou como independente.

 

Voltando a António Parada, são várias as referências que merece no inquérito interno, de que se extraem alguns excertos:

 

"8. Logo nos primeiros momentos da chegada à lota, pouco depois das 8.30 h. (XXI, 97; XXX, 134), teve lugar um primeiro impacto com o candidato, com destaque para o comportamento de um dos principais responsáveis da recepção, o coordenador da secção do PS de Matosinhos, António Parada, o qual, em atitude de envolvimento impetuoso, de imediato pretendeu afastar o Professor Sousa Franco de Narciso Miranda, dado que aquele se encontrava agarrado a este para melhor poder ser conduzido".

"Vários desses depoimentos avultam ainda no sentido de considerar que essa manifestação de hostilidade foi especialmente encorajada ou até orquestrada pelo principal agente coordenador da acção da visita à lota, o Presidente da secção de Matosinhos do PS, António Parada, que aliás trabalha para uma empresa de segurança que presta serviços à lota de Matosinhos."

"(...) os ânimos voltaram a recrudescer com os gritos de "Seabra, Seabra" e, menos, de "Narciso, Narciso", mais uma vez, com um grupo de mulheres, que vários e impressivos testemunhos dizem ter visto ser orientadas por António Parada, em atitude expressivamente hostil e injuriosa para Narciso Miranda."

"Do conteúdo revelador das declarações então prestadas vale a pena reter, da parte de António Parada, da secção de Matosinhos, em relação a Narciso Miranda: "Há mais de 20 anos que andei a fazer esse trabalho para o Narciso Miranda. As mobilizações aconteceram graças a mim, mas agora ele nada está a fazer, pelo menos em articulação com a concelhia de Matosinhos do partido"

"4.3.- Que as movimentações de António Parada, coordenador da secção de Matosinhos, muito auxiliado por outros militantes (...) particularmente junto do grupo de vendedeiras externas (aquelas que mantêm um conflito arrastado com a Câmara Municipal e o Presidente Narciso Miranda); e, com especial destaque, para o já descrito comportamento impetuoso"

"Ao abrigo do Artigo 100.º, n.º1 dos Estatutos, proceda à suspensão preventiva, com efeitos imediatos, de António Parada, da sua condição de militante do PS e, consequentemente, de Secretário Coordenador da Secção do PS de Matosinhos. Com base nas responsabilidades que lhe são imputadas, submeta de imediato a deliberação da suspensão do militante António Parada à ratificação da Comissão Nacional de Jurisdição bem como para efeitos de abertura do competente processo disciplinar com vista à determinação da sanção definitiva susceptível de aplicação, incluindo a possibilidade da sua exclusão do PS."

 

O tempo passou e, desde então, muita coisa mudou:

  • Narciso Miranda foi expulso do PS após a candidatura "independente" à CM Matosinhos;
  • Guilherme Pinto é presidente da CM Matosinhos e, não sendo o candidato oficial do PS, se não avançar como "independente", tem à espera a cadeira que preferir, seja no Parlamento Europeu ou na Assembleia da República;
  • António Parada é o presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos desde 2005 e candidato do PS à CM Matosinhos;
  • Francisco Assis é deputado foi líder parlamentar do PS na era Sócrates;
  • Manuel Seabra foi chefe de gabinete de António Costa na CM Lisboa e é actualmente deputado na AR.

 

 

Com o previsível avanço de António Costa para a liderança do PS, mais cedo ou mais tarde, caso este ocorra antes das Autárquicas de Outubro, é previsível que as lutas internas se reacendam em vários concelhos do país, com especial relevo para Matosinhos. Com estas novelas, lutas de poleiros e sede de poder dentro do PS, o concelho Matosinhos perdeu peso político, estrutural, identidade, submeteu-se a interesses particulares e o progresso ficou esquecido. O concelho merece mais e melhor.

publicado por rms às 17:16
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Qual é a pressa?

 

Os SoCretinos lançaram um ataque feroz ao Seguro. Aliás, os SoCretinos mais do que um ataque ao Seguro, estão a levar a direita em ombros - daí o sufixo cretinos.

Numa altura em que o governo deveria estar no centro da agenda política, com os cortes e aumentos que tem feito em prol de continuar a pagar à Banca o favor que nos fez a todos em falir, quem está sob ataque cerrado é o inofensivo Seguro. 

O inofensivo Seguro que herdou a miserável bancada que todos conhecemos com Silvas Pereiras, deputados que roubam gravadores, Galambas e afins, tem inexplicavelmente subido nas sondagens.

Aliás, eu próprio estou surpreendido: só pode ser pelo factor de ser o "não Passos", tal como Passos foi o "não Sócrates".

 

No meio desta luta pelo gamelão, aparece o Messias Costa, herói de longa data de uma certa "esquerda", pois é dito como o homem capaz de fazer pontes e unir a esquerda toda.

Pela parte que me toca, Costa nem rotundas sabe construir direito quanto mais pontes. Costa faz parte de um daqueles grupos que acham que são donos de Portugal. Controla a comunicação como poucos, tem financiamento (o chamado "aparelho") e tem o apoio de alguns mercenários que fazem enterismo pela Esquerda.

Costa sonha candidatar-se à Câmara de Lisboa, a Secretário Geral do PS e a Primeiro-Ministro. Nem é uma dobradinha, é logo triplete.

Como diz o povo, e bem, quem tudo quer tudo perde. Como ainda é o povo que vota, Costa podia ponderar bem antes de se lançar nesta deriva que acabará por esfrangalhar o PS e reeleger Passos Coelho.

Na minha opinião o Costa não ganha sequer as eleições internas no partido, quanto mais as legislativas... até ganhar a Câmara de Lisboa se começa a afigurar dificíl depois disto.

Esta situação que muitos querem ver clarificada, já o foi: Costa mostrou bem o que é, e o que o move. Não é o interesse dos portugueses, não é o interesse sequer do seu próprio partido: o que move Costa é o poder, e o poder a qualquer custo. Gente dessa não presta para governar. Presta para governar-se. 

O que o PS deveria estar a discutir neste conselho, seria como potenciar uma aliança de Esquerda, não quem é que vai figurar nos próximos cartazes de campanha. 

 

Quando se diz que o BE e o PCP não querem uma coligação com o PS eu pergunto: Mas como será possível ter esta discussão antes de o PS se coligar consigo próprio? 

 

Enquanto não se decidirem, o Passos e o Relvas vão continuando alegremente a desmontar o Estado Social.

O relógio está a contar, mas não tenham pressa.

 

publicado por Francisco da Silva às 21:36
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

Fome - estudo de época

 

Todos os anos, sazonalmente, surgem estudos de época que visam apenas legitimar ou, pelo menos, tirar o peso da consciência de determinados actos. Por exemplo, no Verão, surgem estudos que dizem que uma cerveja por dia faz bem à saúde e que nem sequer engorda. Lá mais para a Páscoa deverá sair outro a dizer que os doces beneficiam os dentes bonitos. Ninguém sabe quem encomenda estes estudos. Mas a impensa noticia-os como verdades.

 

Hoje, surgiu um novo estudo de época, bem mais grave do que todos os que visam acentuar o consumo deste ou daquele produto numa determinada época. Parece que a fome melhora a memória. Fome, que é uma coisa diferente de carências alimentares, segundo os mandamentos da Madre Jonet. O estudo foi feito em moscas. Moscas, sim, mas parece que pode aplicar-se a seres humanos e até será publicado na revista Science. Há um senão: têm de estar sem comer mais de 20 horas, ou o efeito é inverso.

 

Na prática, quem quiser ter uma memória melhor, deverá estar sem comer, pelo menos, 20 horas e 1 segundo. Este também é um estudo de época. Vivemos em tempos de fome e miséria, ainda que alguns teimem em dizer que é tudo normal, ou perguntem apenas "qual é a pressa"? Há cada vez mais fome e cada vez mais miséria, e a tendência é acentuar-se.

 

Novos pobres e novas formas de pobreza. Os pobres que precisam de dizer aos filhos para venderem as senhas de almoço para terem algum dinheiro e os pobres que precisam de comprá-las, porque por meia-dúzia de cêntimos não têm direito a apoios sociais. Depois deste estudo, fiquem descansadas as mais de 10.000 crianças que chegam à escola com fome, porque lhes beneficia a memória. Há aquele detalhe de poderem desmaiar, mas, pelo menos a história e geografia, terão boas notas. E saberão a tabuada. Não tarda, estarão a decorar as linhas férreas das ex-colónias.

 

Não vou ao extremo de dizer que este estudo serve para legitimar opções políticas. Tem pelo menos uma aplicação prática que poderá ser benéfica para todos. Ficar mais de 20 horas sem comer antes de votar. Vamos ver se ajuda mesmo a memória.

publicado por rms às 10:40
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013

Unicer - Democracia é um conceito estranho

 

A Unicer é uma das empresas líder em Portugal, exporta para vários mercados e tem tudo para continuar no bom caminho. No entanto, a entrada em vigor do novo código laboral, com a simpatia da UGT, colocou os trabalhadores em situação complicada.

 

2012

Em Agosto, aquando da entrada em vigor das alterações ao Código do Trabalho, a empresa preparava-se para adoptar os novos valores de remuneração do trabalho extraordinário. A Comissão de Trabalhadores tomou então a iniciativa de pedir à comissão intersindical que agendasse um plenário para discutir o assunto. Saiu o pedido de reunião urgente à administração da empresa para esse mesmo dia, onde ficou acordado que a Unicer pagaria o trabalho extraordinário pelo mesmo preço até ao fim do ano.

 

Negociação?

Nesse compromisso, a empresa garantia também que iniciaria em Setembro as negociações com os sindicatos com vista à renegociação do Acordo Colectivo de Trabalho, uma vez que os sindicatos pretendiam incluir pontos que menorizassem os efeitos das condições para despedimento com justa causa previstas no código do trabalho. Apesar disso, e dos vários contactos dos sindicatos, a administração nunca se mostrou disponível e só em Dezembro deu a conhecer que pretendia abordar alguns pontos. Assim, os sindicatos reuniram o plenário no início do ano e os trabalhadores decidiram aderir ao pré-aviso de greve decretado pela FESAHT.

 

Laboração contínua

Desde 3 de Janeiro que os trabalhadores estão em greve, não obstante as constantes pressões das chefias sobre os trabalhadores. Entretanto a empresa partiu de forma agressiva com a “proposta” para os trabalhadores em regime de laboração normal aderirem à laboração continua, ameaçando de que quem não aceitasse seria encostado a um canto.

 

Chantagem e ilegalidade
Há duas semanas, em reunião previamente marcada para negociação da tabela salarial para 2013, a empresa limitou-se a informar os sindicatos que suspendia todas as negociações enquanto vigorasse a greve ao trabalho extraordinário, questionando antecipadamente os trabalhadores quem iria fazer greve no fim-de-semana seguinte, tendo contratado trabalhadores precários a uma empresa de trabalho temporário para substituir os trabalhadores em greve.

 

Novo plenário

Realizou-se, então, um novo plenário, onde se condena a atitude da empresa em pressionar os trabalhadores para abandonarem a greve sob ameaça de não haver aumento salarial; a atitude dos responsáveis da empresa em interpelar antecipadamente os trabalhadores acerca da adesão à greve; a pressão no sentido de aderirem ao sistema de laboração contínua sob ameaça de colocação na prateleira. A mesma moção determina mandatar os sindicatos para que a suspensão da greve se verifique apenas se a empresa repuser os pagamentos do trabalho extraordinário nos moldes anteriores e mandata os sindicatos para que, numa situação de inexistência de atitude diferente por parte da empresa, adoptem medidas mais duras de luta que poderão passar pela greve às primeiras e ultimas horas dos turnos.

 

“Alô? É da administração”.

Na sexta-feira passada semana, assistiu-se a um episódio insólito, inédito e ilegal. Altos responsáveis da Unicer telefonaram para os trabalhadores que nem sequer se encontravam nas instalações da empresa dizendo-lhes para trabalharem no sábado seguinte.

 

 

O CEO (estrangeirismo para patrão/administrador) da Unicer é Pires de Lima, presidente do conselho nacional do CDS. CDS que, aproveito a oportunidade, tem procurado passar por entre os pingos de chuva neste Governo desastroso e desastrado que temos à frente do país. Pires de Lima, que anda tão preocupado com as fugas de informação no governo, devia preocupar-se mais com a empresa que gere. Por exemplo, o que já significa para a Unicer o custo com ex-SCUT e com as novas que por aí virão, pela mão do governo do qual o seu partido faz parte.

publicado por rms às 15:10
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

Na refunda

 

 

O Governo decidiu reunir meia dúzia de opinion-makers para fazer aquilo que em política se chama "dar linha política".

Assim, ao longo de dois dias, reúnem com uns vaidosos da nossa praça em troca de lhes dar importância, tempo de antena, almoços, jantares e cocktails.

Depois desta conferência, chamemos-lhe assim para não ser deselegante, os apóstolos estão preparados para evangelizar os portugueses na TV, nas rádios, nos jornais e redes sociais.

Entretanto, decidiram exercer o direito a silenciar os jornalistas presentes na sala, para que os nomes não sejam associados às declarações e se possa debater o futuro de Portugal à vontade. 

Como disse, e bem, uma jornalista da SIC da qual não me recordo o nome, a organização vai distribuir cerca de dois minutos de imagens seleccionadas e editadas por si, ou seja, pelo Governo.

 

Resumindo, neste debate da sociedade civil percebem-se 3 coisas:

 

A primeira é que para o Governo nós somos o resto, a sociedade civil está lá, quem está de fora não conta. OK, grande novidade.

 

A segunda é que o Governo está com dificuldades em uniformizar o discurso e a linha política, e precisa de chamar os fantoches de serviço directamente, porque não confia nos intermediários. Ou seja, há uma clivagem enorme entre o que é o Governo e o que é o PSD, o aparelho não está a funcionar e foi preciso realizar um bypass.

 

A terceira, e mais importante, é que o Relvas já não tem os jornalistas na mão. Os despedimentos no Público e na Lusa acordaram esta classe há muito adormecida e aburguesada na vida fácil de assessor de imprensa do Poder instituído, fosse ele qual fosse, salvo raras e honrosas excepções. Faço questão de de me curvar perante essas pessoas, porque sei que ser jornalista a sério não é fácil. Ainda sou do tempo em que o Relvas ia ao ISCSP e dizia aos "jornas" avençados na sua lista de mimos o que podiam ou não publicar. Esses dias acabaram.

 

Não posso deixar de mencionar a Sofia Galvão. Conheço-a há algum tempo, vale a pena verem quem é, ou melhor, o que é que ela representa.

O caríssimo Carlos Moedas, não vá ele sentir-se ostracizado, também merece a minha atenção: Sou só eu que acho que o Moedas e o Nilton são siameses? Tanto no aspecto físico, como na profunda indigência intelectual que pova aqueles dois espíritos? 

 

Desperdiçam dinheiro público com cada idiotice...

 

 

publicado por Francisco da Silva às 22:59
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013

O Relatório do FMI não é uma Bíblia, mas o Governo já canta os seus salmos

Dois dos fortes deste Governo são a mentira e a ilusão. Geralmente a ilusão primeiro, seguido da mentira.

Um dos pontos que o famoso Relatório do FMI referia é o aumento de propinas no Ensino Superior. Sendo mais exacto, diz o seguinte:

 

Increase student fees for tertiary education. Higher university fees, taking into account the cost of supplying tertiary education and the market value of the degrees offered, would aid cost recovery and reduce the extent of redistribution to the betteroff. In 2012, the public university system spent about €1.6 billion, of which about €1.0 billion was financed from the education budget, €0.3 billion from enrollment fees, and the remainder from other sources. It seems sensible for the public tertiary education to contribute to the ongoing adjustments in the education system, including through further increases in tuition fees that could help to achieve significant and lasting budgetary savings. However, a stronger emphasis on cost recovery should not come at the expense of access to tertiary education, and may require support for low-income students.

 

Dizia Passos Coelho: "o Relatório do FMI “não é a 'bíblia'", nem o “ponto de chegada” do Governo. Primeiro, a ilusão. Depois, a mentira: Propinas do superior sofrem segundo maior aumento da década (http://economico.sapo.pt/noticias/propinas-do-superior-sofrem-segundo-maior-aumento-da-decada_160141.html). É já a partir de Setembro.

Caso para dizer, se o Relatório do FMI não era um ponto de chegada este Governo está a chegar lá. Ou então, se o Relatório não era para ser uma Bíblia, este Governo já está a cantar os seus salmos.

publicado por Nuno Moniz às 02:30
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013

Cortar pelo picotado

Parece simples. Dá-se meia volta à chave e o rádio liga-se, numa espécie de ritual diário que serve para fazer companhia até ao trabalho. Sim, ainda tenho trabalho. A Antena 3 faz-me companhia até à hora das notícias.

 

No entanto, desde há uns anos que se tornou penoso fazê-lo e, se o faço, é só mesmo porque o trabalho assim obriga. Ouço a TSF, normalmente, e não há dia em que não haja uma relvice, uma declaração estúpida de um secretário de Estado, de um ministro ou o anúncio de novos cortes, sejam eles elaborados pelo FMI ou pelo governo.

 

Hoje não foi excepção. E pouco tempo depois de PSD e CDS comprarem o BANIF, à semelhança do que o PS havia feito com o BPN, o Negócios apresenta-nos as propostas do FMI para reduzir a despesa em 4.000.000.000 de euros (peço desculpa por algum zero a mais ou a menos). Estamos a falar do mesmo FMI que, em Outubro do ano passado, chegou à conclusão que a austeridade tem um efeito no PIB mais recessivo que o previsto. E, já agora, do mesmo FMI que, habituado a mandos e desmandos, se esqueceu de que - ainda - há por estas bandas uma Constituição. É com este cuidado que os "especialistas" que têm no actual governo PSD-CDS, com as abstenções violentas do PS, os cães de fila, gerem o país.

 

O que é proposto no mais recente estudo do FMI vai no sentido de continuação da mais violenta agressão de que há memória ao povo português. Para o FMI, o subsídio de desemprego continua a ser demasiado longo e elevado, o despedimento de 50.000 professores e pessoal auxiliar permitiria poupar 710 milhões, é necessário subir (outra vez e ainda mais) as taxas moderadoras, alterar os sistemas de pensões dos militares e polícias, aumentar as propinas no ensino superior, aumentar a idade da reforma, retirar abonos, aumentar o horário de trabalho e diminuir o valor das horas extraordinárias na função pública, diminuição do salário mínimo na função pública, diminuir os subsídios de maternidade e paternidade e acabar com o subsídio de morte.

 

Por partes:

O FMI considera que o subsídio de desemprego é demasiado elevado (máximo de 1.045 euros mensais) e dura demasiado tempo, pelo que o valor máximo deverá ser reduzido e, após 10 meses sem trabalho, o desempregado passaria a ganhar o valor do subsídio social (419,22) euros.

 

O despedimento de 50.000 professores e auxiliares far-se-ia através da sua colocação no regime de mobilidade e, após dois anos nesse regime, o recurso ao despedimento. Ainda na educação, mas no ensino superior, o FMI considera que fica mais barato o estado pagar a privados - e PS e PSD sabem bem como o ensino privado pode ser de excelência. O FMI vai mais longe e alarga a fórmula ao ensino básico e secundário.

 

O FMI conclui também que há margem para subir mais as taxas moderadoras na saúde, por exemplo, dos actuais 20 euros cobrados nas urgência para 33,62 euros.

 

Estes são apenas alguns dos pontos revelados hoje, ao longo de 11 longas e dolorosas páginas do Negócios.

 

O ataque às funções essenciais do Estado está agora num novo patamar. Independentemente de este estudo poder ser apenas para o governo dizer, mais tarde, que não foi tão longe como o FMI queria, a verdade é que estão aqui propostas gravíssimas para um povo que já não vive, sobrevive, num país rasgado pela austeridade cega, pela miséria, pela fome, empurrados para a indignidade por quem vê o país em folhas de excel para depois vir recomendar-nos pão e água.

 

O que está a suceder agora nos países do sul da Europa não é novo, aconteceu no século passado na América Latina, com os resultados desastrosos que são conhecidos. Um fosso astronómico entre ricos e pobres, a desigualdade, as oligarquias. Por lá, os povos demoraram a perceber que têm o poder nas mãos e assistimos a uma viragem à esquerda em muitos dos países. Por cá, ainda estamos na fase de deixar bater no fundo.

 

Veremos o que querem os portugueses. É este povo que terá de escolher o lado da barricada, quer em eleições, quer nas ruas. Não creio que estejamos em tempo de andar a brincar às oposições ou, sequer, de empurrar com a barriga a necessidade de eleições. Este governo tem de sair já. A bem ou a mal.

 

 

Artigo 21.º
Direito de resistência

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.


Artigo 22.º
Responsabilidade das entidades públicas

O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem.

 

Constituição da República Portuguesa

publicado por rms às 09:38
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 29 de Dezembro de 2012

A comunicação obscura do amigo Pedro

O Governo de Passos, Portas e Associados está entusiasmado com a sua cruzada em chegar aos 5% de défice.

Tem sido um bom exercício para se perceber o quanto isso é mais importante do que tudo o resto: não importa como, interessa é lá chegar. Os efeitos? Tratamos disso depois, ou não tratamos simplesmente.

O amigo Pedro foi a Coimbra e segundo a imprensa disse: "O nosso convencimento é que é possível chegar à meta dos cinco por cento".

Primeiro, "convencimento de que é possível" é das coisas mais obscuras e nada certas que o Pedro pode dizer neste assunto. Mas de tanto se enganar, é de esperar essa postura.

Mas vamos à parte interessante: o efeito disso.

 

"Passos Coelho convicto de que Portugal atingirá défice de 5%" (Público)

"Passos Coelho garante que meta do défice de 2012 será alcançada" (Jornal de Negócios)

"'É possível chegar à meta de 5%' no final do ano" (DN)

 

Engraçado né?

No Público há convicção, no Jornal de Negócios há garantia e no DN há possibilidade.

Doces para todos os gostos neste fim de ano.

 

Entendamo-nos, o Pedro falou em convicção de possibilidade. Que em outras palavras quer dizer "espero muito muito muito".

Estaremos cá para ver.

publicado por Nuno Moniz às 18:22
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Ricos ganham nove vezes mais que os pobres


 

 

É a brilhante conclusão a que chegou o INE.

Os ricos não estão a ficar mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Não, a história agora é outra: os ricos estão a ficar mais ricos à custa de existirem agora mais pobres, porque há um limiar a partir do qual o pobre já não pode ser mais expoliado.

 

Conseguem perceber, agora, qual a razão da "austeridade" e do "empobrecimento" serem o desígnio deste governo em particular, e da Europa em geral?
É que para haver mais ricos é preciso haver mais pobres.

 

Simples, não é? 

publicado por Francisco da Silva às 18:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

LIBERTAD ALFON!

Nesta Europa a andar para trás, os sinais de perseguição a quem divirja da ideologia dominante são cada vez mas alarmantes. A Greve Geral europeia de dia 14 de Novembro teve importantes acontecimentos em todos os países. Desta vez, vamos até Espanha, mais propriamente Vallekas, em Madrid, capital do reino espanhol.

 

Vallekas mantém ainda hoje as suas tradições antifascistas, num bairro com cerca de 300.000 habitantes. O bairro dos subúrbios madrilenos foi um importante espaço de resistência à ditadura de Franco, o que lhe valeu o apelido de "pequena Rússia". O orgulho de classe continua a ter uma marca profunda e tem o seu expoente nos adeptos do clube do bairro operário, o Rayo Vallecano. Os Bukaneros, claque do Rayo, são um grupo assumidamente antifascista e, na última Greve Geral, pagaram por isso. Como poderão ver nas imagens que ilustram o texto, os Bukaneros utilizam a curva, 'la grada', para enviar mensagens políticas e sociais, pelo que começam a ser incómodos para todos os poderes.

 

 

 

Espanha: estado opressor

 

Nos últimos tempos a repressão acentuou-se generalizadamente na Europa, particularmente no país vizinho. Das detenções arbitrárias no País Basco, às acusações de apologia ao terrorismo do poeta e rapper Pablo Hasel e do produtor Marc Hijo de Sam, que lhes valeram vários dias na prisão.

 

Na noite de 13 para 14 de Novembro, Alfonso Fernández, de 21 anos, saiu de casa com a namorada para participar num piquete de greve. Perto de casa foram ambos detidos e levados para uma esquadra sem motivo aparente. Seguiram-se interrogatórios por polícias de cara tapada, ameaças a familiares e, para surpresa do próprio, uma acusação de posse de explosivos, que pode resultar numa ena de prisão entre quatro e oito anos. E mais ameaças e pressão para uma autoconfissão.

 

Nas diligências efectuadas em casa de Alfon nada foi encontrado. Alfon serviu também de desculpa para uma invasão policial de um dos pontos onde os Bukaneros costumam reunir-se. E, mais uma vez, nada de incriminatório foi encontrado.

 

 

Acabar com os Bukaneros?

 

É convicção generalizada entre os membros dos Bukaneros que Alfon está a servir de bode expiatório para uma possível ilegalização do grupo de adeptos. Estes têm-se destacado na denúncia da corrupção do futebol moderno, contra os horários absurdos dos jogos do campeonato espanhol e os jogos do campeonato às quintas-feiras. Tudo a bem do interesse económico das televisões e das direcções dos clubes e contra o que o futebol deve ser: uma festa de adeptos para os adeptos.

 

 

 

Marcha proibida

Os Bukaneros, a IU, associações sindicais e movimentos sociais organizaram uma série de eventos de solidariedade, que culminariam com uma marcha, no dia 15 de Dezembro, até aos estabelecimento prisional onde está Alfon. A marcha foi considerada ilegal e acabou por não se realizar. Alfon estava proibido de efectuar telefonemas desde a quarta-feira anterior. Curiosamente, no sábado, a sua mãe recebeu um telefonema. Era Alfon. Avisava a sua mãe que, caso a marcha se realizasse, seria enviado para as Canárias... O direito de manifestação está ameaçado também em Espanha.

 

 

 

Alfon continua detido

Alfon está ainda hoje detido, em prisão preventiva. É o único detido em toda a Europa por eventos relacionados com a Greve Geral. Primeiro, devido a pressões de altas instâncias judiciais, o argumento utilizado era a possibilidade de fuga, que foi depois descartada. Agora, continua detido por, supostamente, ser uma ameaça à paz social. Todo o contacto que tem com familiares, amigos e mesmo advogados tem a presença de elementos policiais. O amigos que lhe escreveram para a cadeia estão a ser perseguidos e investigados pela polícia.

 

 

Silêncio mediático, UE calada

Parece incrível mas estamos a falar de um estado da União Europeia, que deveria ser o farol das liberdades e garantias dos seus cidadãos. Que não o é já todos sabemos. Só não estávamos habituados a que não o fosse tão descaradamente. Os media mainstream também não dão importância ao caso. Apenas blogs e redes sociais vão impedindo que este caso caia no esquecimento e que um jovem permaneça na cadeia por ter consciência de classe, por ser inconformado, por não se resignar.

 

Pablo Hasel, também ele ex-detido, fez este poema em homenagem a Alfon, onde consta também o testemunho da mãe do jovem.

 

 

 

Toda a informação aqui: LIBERTAD ALFON!

Também no Facebook: ALFON LIBERTAD!

 

Espero, em breve, ver nas curvas portuguesas uma tarja que seja a solidarizar-se com Alfon.

 

Partilha e divulga!

publicado por rms às 10:05
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

Aníbal, o sarrafeiro

 

"Não comento declarações de outros membros do Governo"

 

Se o Passos deu uma "canelada" no Aníbal, este brindou-o com uma entrada a pés juntos.

 

Sei que estamos em Portugal e já vimos de tudo, mas um Presidente da República assumir-se como membro do governo, é coisa que não lembra a ninguém. Infelizmente, os jornalistas começaram a deixar de prestar atenção aos pormenores, já ninguém repara na fina ironia do Sr. Bolo-Rei.

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:48
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012

Isto é Portugal


Clica na imagempara ver a reportagem - Na imagem, a jovem tem 19 anos e um filho de 16 meses. Todas as noites percorre, com o filho, 16 contentores do lixo à procura de roupas.


Ontem a RTP fez serviço público. Esta reportagem de 40 minutos é o reflexo de um país a que fechamos os olhos. Eu obrigaria todos a verem esta reportagem. Querem fazer cidadania? Vejam esta reportagem. E pensem. Não consigo escrever ou descrever mais sobre o que vi ontem.

A reportagem foi também ouvir Isabel Jonet. E cada um que tire as suas conclusões. Eu tirei as minhas e continuam a corroer-me por dentro.

Isabel Jonet: "Eu penso que é mais correcto falar-se em carências alimentares, porque há que relativizar até a situação que se passa nos países mais desenvolvidos e o que se passa nos países subdesenvolvidos, como África. E, portanto, temos que relativizar e falarem carências alimentares".

Jornalista: "Mas estas mães que encontrámos nas escolas falam-nos em fome..."

Isabel Jonet: "Pois, porque é tudo um olhar relativo sobre a situação que tinham previsto ter. Se for para África, há pessoas que não comem mais do que uma tigela de arroz por dia. De facto, esses têm fome. Há muitas famílias cá em Portugal que não têm uma refeição completa por dia. Há mutitos idosos, nomeadamente idosos, que vivem sozinhos, que não comem uma refeição completa todos os dias".

Jornalista: "Mas isso não é fome..."

Isabel Jonet: Isso não é fome. Mas são os idosos. No caso das crianças, todas aquelas crianças que podem ir às cantinas escolares ou que são apoiadas... que frequentam ATL, Instituições de Solidariedade Social, ATL, cheches, etc, é-lhes garantida uma refeição na, na , na insituição durante o dia. Muitas chegam a casa e já não jantam.

Jornalista: "Mas isso é uma carência alimentar, não é fome..."

Isabel Jonet: Não é. Eu acho que é uma carência alimentar.

publicado por rms às 11:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Soares no seu labirinto

 

Que me perdoe Gabo, que nem Soares é Bolívar, nem eu sou Gabo, mas o labirinto em que Mário Soares se move é digno de um romance. É um personagem dado a sentimentos extremos, de todos os quadrantes. Amado ou odiado. Dentro e fora dos vários PS, entre o que levantou Alegre e o que o apoiou com Sócrates. Soares tem debitado tudo o que lhe vem à cabeça seja na página cheia de caracteres que tem no DN, seja em entrevistas que, de vez em quando, vai dando por aí.

 

Nós temos esta coisa de condescender os mais velhos. Deve ser do fado. A culpa é do fado. "Abaixo o fado", já dizia Vasco Santana, n'A Canção de Lisboa. Nós temos, mas eu não gosto, nem condescendo. Soares tem demasiadas responsabilidades para que possa fazê-lo.

 

Ontem voltou a dar cartas numa entrevista à TVI24 e o que fica não é digno de quem foi Presidente da República durante dez anos, Primeiro-ministro e deputado no Parlamento Europeu, e, mais que isso, de alguém que terá combatido o fascismo de Salazar.

 

Dizer que "nem no tempo de Salazar viu tanta fome no país" é mentiroso. E perigoso. Não perigoso no sentido em que pode incendiar ainda mais os ânimos - para mim, o ponto de ruptura estará em 2013 -, mas no sentido de banalizar aquilo que foi o regime de Salazar. Soares acordou agora de um sono profundo da era Sócrates, em que os amanhãs cantavam e o país prosperava, mas isso não pode dar-lhe o direito de dizer tudo.

 

Não nos equivoquemos: eu tenho tanta simpatia por este governo como Mário Soares. É, de facto, um governo criminoso, económica e socialmente, a miséria é real e aprofunda-se diariamente. Hoje mesmo, com a indemnização por despedimento a baixar para 12 dias por ano de trabalho. Ou seja, quando se pretende baixar a despesa com as funções sociais do Estado, empurram-se as pessoas para essa dependência.

 

Soares não se lembra de não haver gente sem dinheiro para o pão no tempo de Salazar, como não se lembrará do que significou para o país a entrada na UE e o fim de tudo o que era produção nacional. Mais grave, Soares não se lembra de que era Primeiro-ministro nas duas anteriores intervenções do FMI em Portugal, em 1977 e 1983. Na altura, como hoje, o que existiu foram redução de salários, subida de impostos, cortes no subsídio de Natal, entre outras medidas que hoje já não nos parecem estranhas. O que foi a fome em todo o país e particularmente na península de Setúbal naqueles anos.


Soares faz agora o papel de Alegre com Sócrates. A diferença é que o PS não está no poder e não quer eleições, particularmente num ano como 2013. Não quer porque tem Seguro e Seguro não é visto como um líder, e António Costa, ao recandidatar-se a Lisboa, parece estar mais interessado em ser Presidente da República do que líder do PS para candidato a Primeiro-ministro; não quer porque é um ano de autárquicas e as lutas internas pelo poder em cada quintal vêm ao de cima.


Então, para que serve o palavreado de Soares se não é escutado dentro do seu próprio partido?


Se é certo que temos de olhar em frente, não podemos esquecer o que está para trás na história recente do país. E os vários PS, incluindo o de Soares, não estão isentos de culpas.

 

Soares está cansado e nós estamos cansados de Soares.

publicado por rms às 10:42
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

1907 - 2012

tags:
publicado por rms às 09:58
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

O miúdo veste o quê?

 

O Tiago já deixou aqui uma compilação dos artigos dedicados pelos opinadores do Expresso ao XIX Congresso do PCP. Se as respostas dadas por mim e pelo Francisco respondem ao Daniel Oliveira e ao Henrique Monteiro, vi hoje um novo artigo relacionado com o Centro de Trabalho Vitória.

 

Com o sugestivo título "O PCP veste Prada... e Gucci!", o miúdo ali em cima, de nome João Lemos Esteves, debita uma série de lugares-comuns e factos errados que, tendo em conta o facto de escrever num blog do Expresso, poderá valer-lhe um grande futuro no grupo de Balsemão.

 

Por pontos, o escriba dedica-se a espeular sobre os comunistas; o que são, os seus Centros de Trabalho, como vivem e o que vestem. Vamos, assim, responder ponto por ponto.

 

Ponto 1 - "As crenças de criança" estão em todo o artigo. O autor ignora o facto de o PCP, quando adquire um imóvel, não poder controlar a vizinhança. É mais ou menos como nos blogs. Eu não controlo, e ainda bem, porque me divertem, os disparates que se escrevem noutros blogs. O "partido marginal" no panorama político e social é mais uma "crença de criança" do miúdo.

 

Ponto 2 - O PCP convive na Avenida da Liberdade com quem passou a existir ao seu lado. Sem qualquer preconceito que os preconceituosos anti-comunistas acham que os comunistas têm. Ao "luxuoso edifício" iremos mais à frente.

 

Ponto 3 - O miúdo acha que os Centros de Trabalho do PCP não devem ter televisão, menos ainda Sport TV. Pode parecer-lhe estranho, mas os Centros de Trabalho do PCP até têm - imagine-se - computadores com internet! Os Centro de Trabalho que reúnem condições para tal são espaços onde os militantes e não-militantes convivem. Não, ao contrário do que pensa o miúdo, a vida dos comunistas não se resume ao Partido. Até porque o Partido está em tudo o que os seus militantes fazem. No futebol também. Pode passar pela Catedral da Luz e por lá verá artigos de comunistas sobre - espante-se - futebol.

 

Ponto 4 - O miúdo delira.

 

Ponto 5 - O miúdo gostava que assim fosse.

 

Ora, voltando ao CT Vitória, a ignorância do miúdo é algo de tão atroz que serve para explicar tudo o mereceu ser replicado acima - pontos houve que só existem na cabeça do autor. Assim, aqui fica para informação:

 

Adquirindo o edifício em 1984 (graças à campanha «60 mil contos para o Vitória»), o PCP empreendeu desde então diversas obras de recuperação e reintegração do edifício no seu desenho original, bastante degradado sobretudo a partir dos anos 60. Nas obras dos anos 80 é feito um restauro de toda a fachada, repondo a pala circular sobre a entrada, que fora destruída, e reconstruindo a pérgola do terraço, que ruíra no sismo de 1969. Nas obras dos anos 90 todo o piso térreo é recuperado na base dos elementos decorativos de origem. Com a passagem a Centro de Trabalho Vitória o edifício não só ganhou uma nova e intensa vida, como recuperou toda a dignidade de um dos mais singulares edifícios da cidade de Lisboa.


Ou seja, no PCP não há Somagues, Modernas, sobreiros, submarinos, financiamentos que passam pelo Brasil, Tecnoformas, etc. O PCP votou contra a Lei dos Partidos por entender que estes devem viver através da militância e empenho dos seus membros, com receitas próprias.


Por fim, alguém diga ao miúdo que o PCP não só tem um Centro de Trabalho na Avenida da Liberdade, em Lisboa, como tem outro na Avenida da Boavista, no Porto, e, pasme-se, uma quinta na Amora!


Aprender, aprender... sempre!

tags: ,
publicado por rms às 12:29
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012

O Ensino obrigatório já é pago

 

 

O camarada Henrique Monteiro escreveu um artigo intitulado: "O Ensino obrigatório pode ser pago? Pode!"

Pensando um pouco sobre o assunto, acho que ninguém no seu perfeito juízo, poderá discordar da afirmação. O Aníbal não conta, eu disse: "perfeito juízo".

 

O ensino obrigatório pode e deve ser pago, não haja qualquer dúvida sobre isto, e quanto maior for a qualidade deste, maiores terão de ser os investimentos nesta área.

A questão é que o ensino já é pago. É pago com os nossos impostos, ou pelo menos deveria ser e se assim não acontece, temos de saber o porquê.

 

É necessário as pessoas começarem a perguntar-se para onde está a ir o dinheiro dos nossos impostos. Os aumentos que nos estão constantemente a aplicar, não são para manter a escola pública, não são para manter o sistema nacional de saúde, nem sequer são para contribuir para a sustentabilidade da segurança social. Se fossem, até seria discutível o assalto fiscal que nos tem sido feito.

 

O Henrique Monteiro diz também no seu artigo, e bem, o seguinte:

 

"Não é verdade que criámos sociedades em que as famílias tinham dinheiro para bens nada básicos e beneficiavam da gratuitidade da educação para os filhos? Não é verdade que temos um sistema em que os filhos dos mais ricos estão em colégios e depois passam para Universidades públicas onde pagam pouco, ao passo que os filhos dos mais pobres, estudando em escolas públicas, têm mais dificuldade em entrar nas universidades do Estado e vão pagar propinas mais altas nas privadas? Não é verdade que, depois dos três anos de Bolonha (que é mais ou menos o mesmo que ter o liceu quando eu era novo), o Estado se desobriga de qualquer apoio nos graus mais elevados (Mestrados, Doutoramentos) que são pagos a peso de ouro? "

 

Concordo, quase na totalidade, novamente com o que o camarada diz. Criaram sim senhor toda esse sistema perverso associado aquilo que era suposto ser a escola pública. Criaram-na a mando dos iluminados "lá de fora" que aqui os saloios sempre respeitaram porque eram os "senhores do estrangeiro", tal como agora estão a criar uma sociedade cada vez mais miserável e sem rumo aparente para os nossos jovens do que o crime ou a emigração. Criaram este novo país agora em nome dos iluminados "senhores da Troika".

 

O Henrique refere ainda que "Há 10 anos ainda havia recursos para se fazer uma reforma com jeito. Agora esses recursos escasseiam. Se deixarmos tudo ficar na mesma, a situação só tende a piorar, até ao ponto da total degradação da escolas do Estado e consequente discriminação de quem tem menos recursos."

 

Concordo, mais uma vez. Se tudo ficar como está, ou seja, se Passos e restante quadrilha da Tecnoforma continuarem no governo, não haverá escolas do Estado, haverá sim uma reconversão das escolas e universidades em reformatórios, prisões e campos de trabalho forçado.

 

Com as medidas que estão a ser tomadas e mais do que pensar no que irá escrever daqui a 10 anos, peço-lhe que reflicta sobre a quantidade de jovens analfabetos que não conseguirão entender aquilo que o Henrique escreveu. O preço da ignorância é muito maior do que qualquer orçamento para a educação. Podemos voltar ao tempo em que os miúdos faziam sapatos, trabalhavam na agricultura ou da célebre frase "não dá para a escola, vai para as obras". Hum, afinal nem isso podemos, não há indústria, nem agricultura, nem obras... só mesmo o crime ou a educação para poderem emigrar é que aparentam ser solução. E a emigração é para os ricos, que puderam estudar.

 

O que vale é que tudo o que está a ser feito por este governo tem volta, não tenha dúvidas disso.

 

publicado por Francisco da Silva às 21:55
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

O funcionário de António Costa

 

Não costumo dar protagonismo a certas e determinadas personagens que vivem de vender a sua imagem, até porque há muito que percebi que as pessoas têm a importância que nós lhe damos.

No entanto, li hoje uma vergonhosa conjugação de letras, com o vergonhoso título de "O Partido dos funcionários". Chamo-lhe conjugação de letras porque não passa disso, tal como uma lista das páginas amarelas pode ser lida mas não é um livro.

Não querendo tentar responder à altura, até porque para isso teria de me agachar um bocado para ficar ao nível do passeio, tentarei apenas deixar umas pequenas considerações sobre o acima referido aglomerado de caracteres.

 

Ora diz o burguês que no PCP ou são todos funcionários, ou não podia haver maneira de os delegados do PCP começarem o seu congresso à sexta-feira.

Nesta atoarda percebe-se a ideologia da ave rara que não sabe o que é prescindir de um dia de trabalho em prol de uma causa em que se acredita, na volta porque nunca acreditou em nenhuma... 

Esta personagem, que sempre que realizou trabalho em prol do partido fê-lo como funcionário, claramente não entende nem entenderá nunca o que é ser-se militante. Escusava era de insultar todos aqueles que já o fizeram, que o fazem ou que o virão a fazer.

Tal como em dia de greve se prescinde de um dia de salário, há quem prescinda de um dia ou mais de férias para lutar por aquilo em que acredita, como o Ricardo explicou e bem no post abaixo.

Provavelmente esta ave rara nunca terá feito uma greve, há que o desculpar.

 

Tudo isto passar-me-ia ao lado, não fosse uma questão que me ficou a remoer a consciência. Na altura em que tanto se fala num governo de Esquerda, porquê vir insultar gratuitamente os delegados ao congresso do PCP?

Rapidamente me lembrei dos inúmeros caracteres que a mesma personagem tem dedicado a António José Seguro, tentando ao máximo arrasar com a sua imagem no espaço mediático, ao mesmo tempo que advoga a união das Esquerdas, em particular do Bloco de Esquerda, com o PS.

 

A resposta é simples e tem um Ricardo Costa pelo meio. Se estiverem recordados da convenção do Bloco, Ricardo Costa disse vezes sem conta que essa ave teria feito o trinado da noite, empolando exponencialmente um discurso vazio, ideologicamente e formalmente, que esteve longe de empolgar os delegados bloquistas, nos quais eu me incluía.

A tal coligação de esquerda que a ave rara defende não é com o PS, não é com o PCP, não é sequer com os militantes destes partidos. A coligação que defende é com António Costa, irmão de um dos bosses (no sentido Ostrogoskiano) do grupo Impresa, e da comunicação em Portugal. Alegadamente, claro, porque eu já conheço bem o que a casa gasta.

 

Resumindo e concluindo, Costa tem um funcionário que o ajuda a ir marcando a agenda. Já tinha o Sá Fernandes, juntou também à equipa outro oportunista de serviço. O mesmo que se apresenta como líder da oposição interna do Bloco mas que não vai na lista da moção que escreveu e subscreveu porque tem desprezo por esse detalhe democrático de ir a votos. 

O mesmo que tem grande proximidade com um dos mais antigos funcionários do Bloco de Esquerda, que só interrompeu o seu regime de funcionário para assumir o lugar de deputado, e que ainda hoje é funcionário do partido e que só por isso, poderia ter tido algum decoro e respeito.

Poderia ter tido algum respeito pelos inúmeros funcionários do Bloco de Esquerda que têm todo o mérito e todo o orgulho no seu trabalho, e merecem esse respeito. Mas respeito é coisa que a ele não lhe assiste. 

 

O burguês fala do funcionário como se fosse alguém de somenos importância, como o patrão fala do escravo. Fala dos funcionários como pessoas que não podem ter opinião política, como o escravo que não pode opinar contra o patrão com medo de levar umas chibatadas.

Lá que uns tenham sido toda a vida a voz do dono, não se devem indignar porque outros não o são... 

Podia ter algum respeito por si próprio e pelo seu próprio trabalho, ser funcionário de um partido não é vergonha nenhuma. Vergonha é andar a servir o senhor que se segue ao mesmo tempo que se tenta encurtar a vida ao actual senhor.

Na sua cegueira asna não consegue sequer vislumbrar que António e Ricardo Costa o descartarão assim que tiverem o que querem. Comporta-se como a amante que acredita anos e anos a fio que o seu amor se vai separar da mulher, deixar os miúdos e juntar-se a ela para cumprir o conto de fadas.

 

É pena que numa altura em que se fazem esforços para unir a Esquerda, altura histórica em que o país, a Europa e o Mundo precisam dessa união, ande por aí uma V Coluna a minar os esforços de convergência.

Da minha parte resta-me em nome pessoal, como militante do Bloco de Esquerda, pedir desculpa e dizer aos camaradas do PCP que felizmente este sectarismo é cada vez menor no seio do partido no qual milito. 

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 22:39
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito

O Daniel não percebe

 

 

O Daniel Oliveira, que era há uns tempos a vanguarda da esquerda livre e democrática na blogosfera, não percebe como é que o PCP pode começar um congresso a uma sexta-feira, sendo um dia de semana. Ou melhor, percebe e conclui:

 

"Só de uma forma: se uma parte significativa desses delegados trabalharem para o partido, forem eleitos para cargos políticos com disponibilidade a tempo inteiro ou forem assalariados de organizações que lhe são próximas".

 

Há muita coisa que o Daniel Oliveira não percebe, mas, centrando-me apenas nesta, eu explico:

 

É possível começar com o exemplo da Festa do Avante!. Como podem os comunistas construir uma evento político, cultural, artístico daquela dimensão? Pela lógica do Daniel, seria através de funcionários do Partido ou de organizações que lhe são próximas. Qualquer pessoa que conheça a Festa do Avante! sabe que tal seria impossível. Então, como se faz?

 

Chama-se militância. É encarado como dever dos comunistas logo que aceitam o Programa e Estatutos do Partido. Eu utilizo dias de férias para ajudar a construir a Festa do Avante!, como fazem centenas de outros camaradas meus. Da mesma forma, muita gente utilizou um ou mais dias de férias para poderem estar no XIX Congresso.

 

Parecerá estranho ao Daniel que o tempo de cada um seja utilizado da forma que pretende, no caso, para participar num acto de cidadania que é a militância política activa?

 

Explica-se assim, de forma simples, uma mentira absoluta tida como verdade certa pelo Daniel.

 

Já agora, como foi possível organizar tantas assembleias e reuniões para que fossem discutidos o programa, estatutos e teses? Eu explico também. Por milhares de trabalhadores, estudantes, reformados que consideram importante estar na discussão do que queremos que seja o Partido.

 

Não era preciso ser muito inteligente para perceber isto. Mas estamos a falar do Daniel Oliveira.

tags:
publicado por rms às 11:51
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

XIX Congresso do PCP - em directo

Clica na imagem

tags:
publicado por rms às 10:23
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

Ao trabalho!

Bom dia, povo leitor.

 

RMS, nascido e criado em Leça da Palmeira, filho de pai e mãe e pai de uma filha. Sem CV de relevo. Militante do PCP. Benfiquista. Com fama de chamar os bois pelos nomes e abusador de interjeições nortenhas.

 

O atraso na apresentação deve-se contexto que vivemos: manifestações, greves e o XIX Congresso do PCP, que começa amanhã, e leva o tempo livre quase todo.


Foi convidado pelo Francisco para vir aqui debitar caracteres, concorde-se ou não com eles. É o que faço noutros sítios. É o que farei aqui também.

 

Conseguiu efectuar a sua apresentação toda na terceira pessoa, tendo um certo toque de Jardel no jogo de cabeça. Quando jogava à bola, era lateral esquerdo.

 

Volta dentro de momentos.

tags:
publicado por rms às 10:09
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

A convergência à Esquerda

 

 

 

Depois de tanta gente perguntar qual a alternativa a este governo criminoso, aqui está ela: a convergência à Esquerda.

 

Ricardo M. Santos, um tal comuna de um tal de blog,  junta-se à equipa do Artigo58. Se já achavam que isto era um blog de Esquerda, nem imagino o que vão achar agora.

 

Bem-vindo a bordo, camarada! 

publicado por Francisco da Silva às 00:11
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Já chegámos à Madeira?

 

A 15 de setembro um milhão de pessoas saiu à rua em dezenas de cidades portuguesas, respondendo ao apelo lançado por um grupo de 15 cidadãos: «Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas». Foi uma das maiores manifestações pós-25 de Abril e desencadeou um movimento de protesto contra o plano de austeridade que está a ser aplicado no país. Dois meses e meio depois, sabe-se que uma das organizadoras da manifestação foi constituída arguida. Mariana Avelãs, conhecida ativista social e uma das caras deste movimento, foi constituída arguida no dia 8 de novembro pelo «crime» de organização de manifestação não comunicada, e encontra-se, neste momento, com Termo de Identidade e Residência.

 

Como já disse várias vezes, caminhamos para a instauração de um estado autoritário, de cariz policial, em nome da Democracia. 

A Lei serve para proteger a Democracia, mas quem a protege da Lei? 

 

publicado por Francisco da Silva às 12:17
link do post | comentar | favorito

Aníbal in the sky with diamonds

 

 

“Até aqui, boa parte dos portugueses pensava que o Presidente da República estava a meditar, a reflectir sobre a próxima visita a Portugal da senhora já bem conhecida de todos, amada por muitos, a que carinhosamente os portugueses chamam de ‘troika’, outros estariam a pensar que o Presidente da República estava a reflectir sobre se o aumento de impostos era enorme ou gigantesco, outros pensariam que o Presidente da República estava a..." 

 

Confesso que, no meu caso, estava a pensar que raio de drogas anda o Aníbal a tomar.

 

foto nacionalizada aqui

 

publicado por Francisco da Silva às 00:36
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

Até amanhã, Catarina



 

 

Não és só tu que não tens tempo para escrever, o Nuno também não e eu idem, mas estava a faltar este post.

Regressando às raízes, só te posso desejar "muita merda" neste novo palco em que estás prestes a entrar.
 

Estamos cá para o café ao fim da tarde, mas pagas tu.

publicado por Francisco da Silva às 23:25
link do post | comentar | favorito
Domingo, 28 de Outubro de 2012

tomamos café um destes fins de tarde

e pomos a conversa em dia. Que por agora, mais vale reconhecer o óbvio: não consigo parar por aqui.

Até já, Catarina

publicado por Catarina Martins às 21:40
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

Parem o país que o governo tem de sair

 

 

 

Circulam rumores que António Cerejo terá sido despedido do Público. No estado a que o país chegou, é uma hipótese a pôr em cima da mesa, por muito abstruza que seja ou que pareça. 

 

O caso do jornal Público é o reflexo da individualidade e egoísmo da sociedade que estamos a permitir que seja construída. Entrou em minha casa, diariamente, com o fim do Diário de Lisboa: dia trágico para o meu avô, que ainda andou indeciso entre o DN e o Público. Confesso que o amor à primeira vista que senti pela BD no final do Calvin & Hobbes, ajudou o meu velhote a decidir-se.
Com ele fui aprendendo a ler, lembro-me de um senhor com um nome esquisito que era o Wemans, e fui assim conhecendo melhor o país e a política.

Entretanto fui crescendo e percebendo melhor algumas coisas. Quando aterrei aos vinte na assembleia municipal de Oeiras e comecei a ter contacto com o mundo do jornalismo e toda a sua relação com a política, conheci também o Cerejo.

 

O homem não é meu amigo do peito, nem nunca foi. Mas dentro dos jornalistas que conheci na mesma altura, era o que tinha o critério mais apertado para se dedicar a investigar uma notícia: tinha de ser notícia. Não fazia favores, que seja do meu conhecimento, mas também não os pedia. 

Fui conhecendo vários, alguns que ganharam todo o meu respeito pelo igualmente exemplar comportamento, outros que apenas merecem o meu desprezo, pelo tão baixo que conseguem descer. Se acham que há políticos que não prestam para nada, haviam de conhecer alguns jornalistas.

 

Entre os amigos que ficaram sempre fui dizendo que me custava vê-los fazerem o papel de assessores de comunicação deste ou daquele governo. Claro que compreendia, porra se um gajo está a recibos verdes e o patrão diz que é não, é não. Não os censuro, de todo. Não era eu quem lhes ia dar de comer, e a ideologia alimenta a cabeça mas o corpo pede pão.

No entanto, sempre lhes disse: "Quando isto estiver bem encaminhado, vocês vão ser todos corridos, vão deixar de ser precisos. Estão apenas a adiar o inevitável." 

 

Claro que para além dos que são obrigados, há uma certa classe nojentinha que invade as redacções: as mulas. Os que carregam as notícias deste gabinete, daquela agência, do outro que é tio de não sei quem... em troca de almoços, jantares, promoções, integrações posteriores nos gabinetes de comunicação de um qualquer governo ou agência, e as famosas e adoradas comitivas oficiais e festarolas VIP.

Não se vendem por dinheiro, disso não conheci muito, diga-se em abono da verdade. Prostituem-se por uns bilhetes para a bola, por exemplo, coisas banais e presentinhos que vão constantemente recebendo. Por serem coisas pequenas não é visto nem como corrupção, nem como tráfico de influências... é tipo a lista de prendas do Manuel Godinho, não menos, não mais.

 

Estes miseráveis, que andaram a branquear tudo o que os governos foram fazendo às pessoas, são os que não vão ser despedidos. Seja no Público, na Lusa ou no Correio de Curral de Moinas, os bons e incómodos vão ser corridos. As prostitutas vão ficar lá todas. 

Belmiro vai fechar o seu Avante, a situação corre-lhe de feição, não precisa mais de um veículo de modelação de informação e de fazer opinião pública. Onde muitos viam prejuízo, Belmiro sabia que era um instrumento de poder bem mais barato do que poderia parecer, agora já pode prescindir dele.

 

Mas anda tudo preocupado é com as PPP´s, com o Sócrates, com o Paulo Campos. Claro que preocupa, aliás, preocupa-me que o líder do gang da Coelha seja Presidente da República. Mas, não é tempo de ajustes de contas com o passado, é tempo de impedir que o presente continue a acontecer. 

A doença está lá, cada vez mais forte, cada vez alastra mais pelo corpo da nossa Nação, que somos todos nós. Em vez de tratar a doença continuamos preocupados com os sintomas, e aberrações como esta da limpeza que se está a fazer ao que resta do jornalismo têm de nos fazer parar. Aliás, têm de fazer parar tudo: redacções, rotativas, estúdios e emissões. Está na altura de todos os jornalistas que ainda sobram usarem o imenso poder que têm para parar isto. 

 

Dizem que não há alternativa? A alternativa é juntarem-se à luta quando já estiverem todos no desemprego...

publicado por Francisco da Silva às 23:32
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 2 de Outubro de 2012

A utilidade da geometria

O PS descobriu uma nova forma de decidir as suas votações.

Ora aí está. Boa sorte para eles e elas.

 

publicado por Nuno Moniz às 23:53
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

I will not work [just] for food

 


O novo governo socialista francês está a planear uma nova lei de trabalho que aumente o custo dos despedimentos. A medida estará pronta dentro de meses, segundo anunciou hoje o ministro do Trabalho, após a notícia do aumento da taxa de desemprego para 10%.

 

Entretanto, em Portugal, onde a taxa de desemprego real ultrapassa em muito os 16% oficiais:

 

Governo quer voltar a reduzir indemnizações por despedimento

 

Ainda têm dúvidas que a ideia deste governo é criar mão-de-obra escrava? 

 

publicado por Francisco da Silva às 13:57
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Crónica de uma miséria anunciada

 

 

 

As políticas do Governo estão a dar resultados: Os salários em Portugal baixaram em termos absolutos pela primeira vez em 14 anos.

 

Para quem ainda acha que os actuais ministros são um bando de incompetentes, pensem de novo. O Passos, o Álvaro, a Cristas... sim, há ali muita incompetência e muita indigência intelectual. Todos esses incompetentes servem para mascarar um programa de engenharia social que está a transformar a forma como vivemos. Ninguém acredita que tal bando de energúmenos tenha capacidade para pensar em algo assim. A ideia é mesmo essa, a criação de todo um programa que passa despercebido à maioria das pessoas. 

 

Isto não são políticas de redução de despesa pública: ela não tem sido reduzida. Não são políticas para colocar as finanças na ordem... são políticas de empobrecimento, de manipulação grosseira do valor do preço da mão-de-obra, e por arrasto, dos "mercados".

Estes liberais, que defendem que o estado tem de deixar o mercado trabalhar, estão a baixar o valor que cada trabalhador cobra pelo seu suor. É esta a solução que encontraram para combater as deslocalizações para a Ásia: se não os podemos vencer, juntamo-nos a eles.

 

Os números estão aí e demonstram-no irrefutavelmente: 

 

O número de empresas que concluiu processos de despedimento colectivo até Agosto aumentou 74% face a igual período de 2011, eliminando 5.843 empregos, segundo dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho

Todas estas políticas que visam o despedimento criam pressão sobre aqueles que trabalham fazendo com que aceitem regressões nos seus direitos e cortes nos seus salários. O recurso aos estágios é outra ferramenta de pressão, miúdos acabados de sair da faculdade, alguns deles no caso da universidade católica, têm inclusivé de pagar para ter um estágio, isto é, pagam para trabalhar. 

 

Basta! A crise tem sido uma desculpa. É preciso recentrar a discussão onde ela é importante: qual a resposta alternativa que o ocidente tem para competir com a Ásia, sem adoptar as mesmas políticas de pobreza, escravidão e miséria? A pergunta essencial é esta, o resto é folclore. Só quando houver resposta para esta pergunta é que vamos poder resolver estruturalmente o problema da crise. Já vimos que com este governo o caminho é igualar os salários na Indonésia ou na Birmânia. Precisamos de um novo governo que queira abrir os olhos às pessoas, reunir com os seus parceiros europeus, e dizer claramente que não vai salvar as grandes empresas europeias em nome da Asiatização dos seus trabalhadores. Precisamos de um governo que queira procurar outro caminho, que esteja disposto a desistir deste capitalismo autoritário alimentado a sangue, que é promovido na China e é apregoado pelo mundo fora como o exemplo da produtividade. 

Vamos continuar a enfiar a cabeça na areia e continuar preocupados em tratar os sintomas em vez de tratar a doença? 

publicado por Francisco da Silva às 21:14
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Utopia






Sempre que alguém me diz que isto de ser comunista é ser utópico, eu sorrio. 

Não consigo deixar de achar piada, confesso, a alguém que acredita que o Capitalismo é um sistema bonzinho e amiguinho das pessoas, e que se todos nos esforçarmos muito vamos ser todos ricos. Só não são ricos os mandriões, claro, só esses serão pobres para sempre. Uma espécie de castigo do deus "mercado" por trincarem a maçã da preguiça.

 

Estas pessoas acreditam que vivemos numa meritocracia, mas mais grave que isso: vendem essa ilusão aos nossos jovens. Dizem que "se estudares e trabalhares muito, um dia serás rico como o senhor António Borges". Acreditam que há uma divindade, o "mercado", que nos protege de todos os males e de todos os excessos de ganância que possam corromper o sistema. Tal como na pré-história, se isto tudo falhar, a culpa é nossa que de alguma forma atraímos a ira do "mercado" sobre nós. Sim, porque "ele" é perfeito, nós somos as suas criaturas e o resto da história vocês já sabem...

 

Voltando ao início, são estas pessoas que me acusam de querer construir uma Utopia. Estas mesmas pessoas que acreditam que a austeridade abate-se sobre nós porque pecamos, que acreditam que a TSU vai criar emprego, e que reduzir a nossa existência ao conceito de "mão de obra" é solução.

 

Não é com desdém ou escárnio que sorrio para elas, nem sequer de um modo paternalista. Sinceramente sorrio porque penso: "E o utópico aqui sou eu?!"

 

publicado por Francisco da Silva às 22:11
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

Passos, não sou teu escravo

 

O primeiro-ministro reformista Marquês de Pombal aboliu a escravidão em Portugal e nas colônias da Índia a 12 de Fevereiro de 1761, pelo que Portugal é considerado pioneiro no abolicionismo. Contudo, nas colônias portuguesas da América e África continuou sendo permitida a escravidão. Junto com a Grã-Bretanha, no começo do século XIX proibiu o comércio de escravos e em 1854 por decreto foram libertos todos os escravos do Estado nas colônias. Dois anos mais tarde, também foram libertos todos os escravos da Igreja nas colônias. A 25 de Fevereiro de 1869 produziu-se finalmente a abolição completa da escravidão no império português.

 

Finalmente, as pessoas começam a acordar para a farsa que é este governo. Em nome de sanear as contas provocam miséria, com a política da austeridade. Assim, têm mais razões para implementar mais e mais austeridade, entrando num ciclo vicioso que acaba quando Portugal for um entreposto de escravos. 

Uns dizem que é o karma: tantos escravos vendemos que acabamos a ser vendidos. Eu chamo-lhe engenharia social, ou como disse e bem o Paulo Pereira de Almeida, é o neo-feudalismo. 

 

A ideia é:  através do medo conseguir criar uma vasta população miserável, que esteja desesperada o suficiente para fazer qualquer trabalho a qualquer preço. Como muitos não irão aguentar essa situação sem se revoltarem, vamos ter um estado autoritário e militarizado, como tem a Grécia nos dias que correm. Se houver tentativas de golpe de estado, ou revoluções, melhor ainda: está justificada a lei marcial e a ditadura militar. Quando chegarmos a este ponto, é fácil de conceber que o ser humano voltará a ser vendido como qualquer outra mercadoria. "É o mercado a funcionar, estúpidos."

 

E se cada um de nós, que ainda está empregado, acha que está a salvo, desengane-se. Eles têm um plano no qual eu e tu estamos incluídos. Por muitas cunhas que tenhas, amigos, primos, cartões de partidos, isto só vai chegar para muito poucos. Foi assim na América Latina, foi assim nas ditaduras militares na Ásia, é e continuará a ser assim na China. 

 

Nós, dos vários países escolhidos no ocidente, fomos aquele que melhor tem reagido aos resultados das experiências de laboratório do Gaspar e dos seus amigos importantes na Alemanha. Melhor no sentido em que temos sido a espécie de ratos mais mansa de todo este ensaio. Ou rebentamos agora com as gaiolas, ou vamos acabar a fazer ténis numa fábrica qualquer na China, quando formos vendidos em contentores como força de trabalho. 

Se os chineses fizeram isso aos próprios não o fariam a nós? Desenganem-se, a realidade tem sido sempre mais dura que a ficção.

 

Ou isto pára aqui, pára a curto prazo e pára de vez, ou os nossos filhos irão ser gado. Estou cansado de o dizer, mas lutarei até ao fim para que não aconteça. Tal como os mais velhos esperavam viver até ao dia em que o Salazar morresse e acabasse a ditadura, também o meu sonho é ver chegar o dia em que estes bandidos paguem por toda a violência que nos têm inflingido. Mãos à obra para tornar este sonho realidade.

 

publicado por Francisco da Silva às 21:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Arrastão

 

Paulo Macedo voltará a ter um orçamento mais curto no próximo ano. Educação e Segurança Social também terão corte na dotação.

 

 

A carga fiscal tem aumentado, no entanto, a saúde e a educação têm sofrido enormes cortes no seu orçamento. A isto, juntamente com a segurança social, o governo de Direita chama: "as gorduras do Estado". 

O problema já nem é o total desinvestimento nos cidadãos, isso há muito tempo que vimos a alertar. O problema é que se trata de roubo, ou melhor, trata-se de crime organizado, para ser mais correcto.

 

Nós pagamos vários e variados impostos com um propósito: ter esse retorno em educação, saúde, segurança social, justiça, entre outros. Quando o governo está a cobrar esses impostos e nada nos dá em troca, é altura de perguntarmos porquê. Então se cada vez pago mais impostos, faz sentido receber cada vez menos em salário indirecto? Para que raio pagamos impostos então? 

Esse dinheiro, que devia estar a ser investido em serviços públicos, está a ser desviado de uma forma desonesta e trapaceira para pagar juros de uma dívida que não fomos nós que a contraímos.

 

Esse dinheiro, está a servir para pagar inúmeros boys do PSD e do CDS, para pagar uns submarinos cuja única contrapartida visível, parece ter sido para os cofres do CDS, para dar empregos a Catrogas, filhos de Catrogas e netos de Catrogas.

Isto é roubo e é roubo organizado, aliás, mais parece um arrastão. 

Esta quadrilha leva tudo o que pode, tudo o que lhe aparece à frente e distribui entre os seus. Paulo Macedo tem sido um dos rostos mais visíveis desta bandidagem, juntamente com o Crato e Paulo Portas. 

 

Estamos a falar de criminosos da pior espécie, daqueles que não se importam de roubar medicamento necessários aos nossos doentes, nem educação e consequentemente o futuro, aos nossos jovens. Roubam os idosos com a mesma falta de escrúpulos, roubam casas, sonhos, vidas... E, no entanto, é a esta gente que nós confiamos o leme do país.

 

Isto não é um governo, mais uma vez digo que é um arrastão que se estendeu ao país todo, e só se safa quem tem cartão do PSD ou do CDS. Não há polícia que nos valha, está do lado dos bandidos, tal como aquela coisa distante a que costumávamos chamar justiça. 

 

A revolução ainda demora muito? 

 

publicado por Francisco da Silva às 23:32
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

Financiamento partidário






desapareceram os documentos com os registos das posições assumidas pela antiga equipa ministerial de Paulo Portas, que foi quem negociou o negócio concretizado, em 2004, quando Durão Barroso era primeiro-ministro e Portas ministro de Estado e da Defesa nacional.


O que vale é que o Portas tirou fotocópias.

 

 

Actualização

 

Esta ainda é melhor: "o papel? mas qual papel?"

José Pedro Aguiar-Branco, questionado pelos jornalistas, respondeu com outra pergunta: «quais documentos?»

 

publicado por Francisco da Silva às 13:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012

Só não vê quem não quer






"O PSD e o CDS suspenderam o grupo de trabalho que procurava aprovar medidas de apoio às famílias e desde essa decisão unilateral do PSD e do CDS mais de 1200 famílias ficaram sem condições de pagar a sua prestação e arriscam-se a ficar sem casa"

 

PSD e CDS, os mesmos que tiveram a bênção do Aníbal na lei que veio facilitar os despejos, decidem agora acabar com um grupo de trabalho que era suposto ajudar as principais vítimas das suas políticas. 

Esta deriva da direita não tem como objectivo reduzir a dívida, colocar as contas públicas em dia, endireitar o país. Esta política tem como objectivo criar uma revolução de mentalidades.  

A ideia é lançar o maior número possível de portugueses no desespero e na miséria, para que estejam dispostos a trabalhar por um quarto de uma carcaça e um copo de água. 

 

O desemprego bate records atrás de records: o número de casais desempregados subiu cerca de 81% no último ano, e o governo facilita os despejos, os despedimentos e agora acaba com um grupo de trabalho que poderia ajudar 1200 famílias a não perder a sua casa? 

Mas que tipo de gente somos nós portugueses, que permitimos que estes gansters continuem a governar? Até quando vamos fingir que os nossos avós, os nossos pais, os nossos filhos, os nossos irmãos, os nossos primos, vizinhos e colegas, continuem a sofrer com medidas destas, que visam apenas destruir a dignidade das pessoas?

Primo Levi na sua obra "Se isto é um homem" explica bem esta fórmula: roubam a dignidade ao ser humano, até ele ser incapaz de qualquer revolta, incapaz de se sentir mais do que uma besta de carga. 

Claro que Primo Levi falava do campo de concentração onde passou parte da sua vida a aumentar a produtividade da indústria Alemã, que tinha um letreiro à porta a dizer "o trabalho liberta".

Mais um ano destas políticas e nenhuma dignidade restará ao português comum.
Sem hipótese de ter o seu modo honesto de ganhar a vida, o seu tecto e comida na mesa para a sua família, o mais forte dos homens verga. Rende-se, e aceita tudo o que lhe cair em cima. 

Não me canso de escrever que trata-se de uma luta pela nossa dignidade como pessoas, sem ela, todo o tipo de escravidão é possível. 


Sim, já chegou a este nível, temos andado distraídos. 

publicado por Francisco da Silva às 00:18
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012

Ensino privado: reservado o direito de admissão


O financiamento do ensino privado por parte do estado vai continuar sem cortes. Quando se fala neste tipo de financiamento, vem logo ao de cima o superior interesse dos alunos, a quem os proprietários dos colégios privados fazem o favor de providenciar ensino. Digo ensino e não educação, porque são duas coisas distintas e que não devem ser confundidas.
Se não fosse este apoio que o estado dá aos colégios, os miúdos não poderiam lá estudar, como se de uma escola pública se tratasse. Bem hajam estes mercadores do ensino, certo? Errado. Primeiro, quem explora uma instituição de ensino privada tem um negócio, tão legítimo como qualquer outro. Logicamente, o seu objectivo é o lucro e não providenciar o melhor ensino possível, o que também é perfeitamente legítimo. O que não faz sentido aqui é o estado pagar um valor "x" para cobrir as despesas do aluno, acrescidas de um "y" que representa lucro. O estado está a pagar mais do que apenas o ensino do aluno, ou seja: sai mais caro providenciar este ensino via privado, do que apostar na escola pública.

Mas há mais...o sinistro Crato propõe um novo incentivo, porque esta malta de direita fala mal dos subsídios mas não pode viver sem eles. O incentivo do estado não é consoante a qualidade do ensino dos alunos, como seria de esperar, mas sim para as escolas "cujo projecto educativo favoreça a estabilidade e empregabilidade do corpo docente". O estado vai então majorar o subsídio aos colégios que mantiverem os seus professores, o mesmo estado que, no ensino público, está a despedir milhares de professores. Vai subsidiar o emprego dos professores no privado, ao mesmo tempo que os despede no ensino público.

 

Se isto não é destruir a escola pública, substituindo-a por empresas cujo objectivo é fazer dinheiro e não dar instrução aos nossos alunos, não sei o que é. 

Na educação, como na saúde, como no estado em geral, este governo tem um objectivo: destruir tudo o que é público e mostrar que o estado não é necessário. O objectivo é deixar-os de ser portugueses para sermos animais de trabalho, propriedade da ganadaria Champalimaud, da ganadaria Espírito Santo, da ganadaria José Eduardo dos Santos... A ideia é tornar isto tão mau, que ninguém consiga olhar em volta e perceber qual a utilidade do estado. Estão no bom caminho, as pessoas cada vez menos olham para o estado como "pessoa de bem". Olham para o estado como ladrão, corrupto, corporativista e manietado por aqueles que financiam os partidos que nos governaram desde Abril de 74. 

 

Lembrem-se que uma vez destruído o estado, vamos depender da caridadezinha do Soares dos Santos e do Belmiro de Azevedo. As pessoas não parecem muito preocupadas: tanta gente que está a perder tudo, casas incluídas, vão achar um luxo as sanzalas que estes feitores estão a preparar para nós. 

No meio disto tudo, Passos, Crato, Gaspar, Paulo Macedo e companhia, são apenas capatazes. São a face visível do chicote destes senhores. Há que lhes arrancar estes chicotes das mãos e dar caça a quem realmente manda neste país.
 

publicado por Francisco da Silva às 23:33
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Terça-feira, 31 de Julho de 2012

Produtividade é isto


CMVM identifica um gestor com lugar em 73 administrações

Este homem merece uma condecoração, aliás, merece toda uma parada em seu louvor.
A notícia diz que a CMVM não identifica o senhor, é pena. Todos deviam saber quem é este génio que veio redefinir a ubiquidade. A bem da nação, é imperativo que se saiba quem é este proletário incansável que merece a medalha de Lenine (ou uma fatia de bolo-rei que os tempos agora são outros).

 

Só não me surpreende porque é em Portugal.


 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:30
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Um grande salto em frente






A nova lei das rendas foi promulgada pelo Aníbal.
Doravante estão facilitados os despejos, o que faz todo o sentido. Já se facilitaram os despedimentos, facilitam-se agora os despejos, para que as pessoas se sintam, realmente, à mercê da caridadezinha.

Não me hei-de esquecer do sinistro Relvas, numa conferência no ISCSP, dizer qualquer coisa como isto: "hoje os jovens estão dispostos a aceitar condições de trabalho que há um ano atrás rejeitavam".

 

Não são só os jovens que são as vítimas, o plano desta revolução cultural é extenso e abrangente. Ao facilitar despedimentos e despejos, todos os portugueses, daqui a um ano ou menos, estarão dispostos a trabalhar por condições que não iriam aceitar de outra forma. 

Só o desespero leva a aceitar o que há, o desespero de ter um tecto para a família, de ter comida para lhes dar, de lhes conseguir pagar os transportes e os livros para escola. 

 

Portugal está uma miséria de país. É impossível continuar cada um a tentar safar-se por si, por muito que o instinto de sobrevivência nos leve a tal. É tempo de compreender que todos nós que não somos Dias Loureiros, Oliveiras e Costas, Cavacos Silvas, devemos juntarmo-nos em torno de uma causa comum: a dignidade e o direito a existir. Estes indigentes que governam têm apenas em mente uma ideia: roubar-nos o pouco que ainda temos e entregar-nos à boa vontade dos nossos credores, que já olham para nós como a China da Europa. Portugal vai voltar ao tempo das crianças a trabalhar na indústria, ao tempo do miserável mas honrado, ao tempo de Salazar. 

 

É esta revolução cultural que nos estão a querer impôr. Ou os paramos por aqui, ou isto não vai acabar nada bem.

  

publicado por Francisco da Silva às 23:28
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Que se lixe o Passos, quero o meu país de volta

 

"Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal", declarou Pedro Passos Coelho, durante um jantar do grupo parlamentar do PSD para assinalar o fim desta sessão legislativa, na Assembleia da República.

 

Passos Coelho, num jantar com os deputados do PSD, utilizou novamente uma expressão rasca no seu discurso, para dar um toque de populismo.

Não surpreende na forma, nem no conteúdo. Este é um primeiro ministro rasca, de um governo rasca, dirigindo-se a uma das mais rascas bancadas que o PSD teve a infelicidade de eleger para a Assembleia da República.

 

São estes os indigentes que chamam ao investimento na educação, justiça e saúde públicas: "gorduras do estado". Apresentam orgulhosamente esse cortes e dizem "estamos a reduzir a despesa pública". Cortam nos salários dos professores, médicos, enfermeiros e demais funcionários públicos, mas não cortam nas consultorias às sociedades de advogados dos seus correlegionários. Cortam nos nossos direitos para continuar a pagar contratos pornográficos de parcerias público privadas às empresas que sustentam as reformas dos senadores do seu partido.
São capazes de inventar as mais dúbias alterações à legislação para que os "seus" continuem a receber os subsídios que cortaram a todos. Sempre viveram à conta do estado e criam um clima de hostilização dos desempregados que recebem subsídio, para o qual descontaram do seu trabalho. Esta gentalha não presta, é do pior que Portugal produziu, e vêm sem vergonha nenhuma falar no interesse de Portugal? Confudem Portugal com as suas empresas, com os seus negócios e com as suas corrupções. Como disse um dia Sá Carneiro: "Portugal não é isto, nem tem de ser isto."

Primeiro foi a "geração rasca", seguiu-se a "à rasca", culminando tudo num governo rasca e num país enrascado que não sabe para onde se virar. Parem o país que o governo tem de sair.

 

publicado por Francisco da Silva às 22:55
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Gaspar sempre a facturar


Para atingir o teto máximo de deduções de 250 euros no IRS, aprovado hoje em Conselho de Ministros, é necessário reunir faturas de hotelaria, oficina ou cabeleireiro, no montante de 2280 euros por mês, o que se traduz em 26.739 euros por ano, segundo as contas do Expresso.

Mais uma vez, a incompetência a vir ao de cima: se o governo tem suspeitas que estes sectores fogem aos impostos, deveria arranjar uma solução para combater a evasão fiscal. Transformar os cidadãos em agentes do fisco, dando em troca uma dedução de 250€?

É incompetência porque o governo assume-se incapaz de cobrar estes impostos. Também é incompetência, porque é uma medida sem qualquer sentido, que não vai funcionar. Gaspar acredita que alguém que gaste quase 30.000€ numa oficina, por exemplo, quando confrontado com a conhecida frase: "com factura é mais X", vai pedir a respectiva, só para receber 250€ e cumprir o seu dever para com este "governo corrupto"? 

 

Se o governo é incapaz de cobrar os devidos impostos a uma oficina, a um cabeleireiro, ou a um restaurante, imagino o grau de incapacidade para cobrar impostos às maiores fortunas do país... É esta gente que nos continua a governar? A sério? 

publicado por Francisco da Silva às 22:21
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 16 de Julho de 2012

UMP faz campanha pelo governo de Passos Coelho

Aqui vai uma cacha, para os nossos media, aproveitem que é de graça:


Passos foi hoje vaiado em Borba
. Os jornalistas fizeram questão de dizer que os manifestantes, mais uma vez, eram da CGTP.

 

Esqueceram-se de referir, que da parte da União de Misericórdias Portuguesas, havia uma excursão de trabalhadores voluntariamente forçados a estar presentes, na visita do Passos Coelho.

Segue-se mail interno, enviado a todos os colaboradores da UMP, a que tive acesso:

"A todos os colaboradores da UMP,

 

Boa tarde,

 

Na sequência do e-mail enviado anteriormente, vimos por este meio informar que a UMP fechará os seus serviços na Sede no próximo dia 16 de Julho com motivo da Cerimónia do Lançamento da 1ª Pedra do novo Centro de Apoio a Deficientes “Luis da Silva” em Borba.

 

Relembramos que é muito importante que todos estejamos no dia 16 de Julho, na Sede às 8:00 horas para evitarmos atrasos na viagem e podermos chegar pontualmente à Cerimónia.

 

Os colaboradores que se desloquem para a Sede no seu carro particular, nesse dia, poderão deixar o mesmo dentro da zona de estacionamento, para seguir no transporte facilitado pela UMP para o evento.

 

Atentamente

 

Com os melhores cumprimentos,

XXXXXX XXXXXXX "


O nome e contacto de quem assina está no email, vem do departamento de recursos humanos da UMP. 

É interessante verificar que o apoio ao "Querido Líder" Passos Coelho é encenado. Fala-se que a CGTP organiza protestos, manifestações... não se fala que o governo, seguindo a melhor tradição norte-coreana, obrigas as pessoas a ir prestar homenagem ao guia espiritual da nação.

 

Como diria o Fernando Pessa: "E esta hein?" 
 

publicado por Francisco da Silva às 15:27
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Médicos em greve



 


by @ricardomsantos 


Paulo Macedo, é aquele iluminado, que saiu do privado para vir ganhar rios de dinheiro para o sector público, devido à sua elevada competência e mérito. Na altura, todos diziam (incluindo o próprio) que se queríamos os melhores no sector público era necessário pagar e bem por isso.

 

Já em relação aos médicos, quanto piores as condições de trabalho e a remuneração melhor. Continua a fazer sentido, afinal de contas, nem este governo nem este ministro, querem os melhores no serviço nacional de saúde. Pelo contrário, querem degradá-lo de tal maneira, que daqui a cinco anos a qualidade seja tão miserável que não haja oposição dos cidadãos, ao seu encerramento.

Entretanto, inúmeras manifestações de inveja social têm sido promovidas: "os médicos são uns previligiados", "ganham muito", entre outras alarvidades. 

Este pensamento mesquinho de "eu estou mal, logo o outro tem de estar como eu" é miserável, mas dá frutos. É uma propaganda que pega bem, sem dúvida. 


Ainda não ouvi ninguém falar do salário e regalias dos gestores hospitalares, nomeados politicamente e com resultados para lá de duvidosos. Ainda não ouvi reclamar sobre todo os cêntimos que pagamos ao incompetente do Passos Coelho, serem cêntimos pagos a mais. 

Ouço reclamarem com os médicos, os mesmos que após um turno de 24 horas, e ao contrário do que está na lei, são obrigados a fazer mais um turno na enfermaria, para os doentes não ficarem ao abandono. 

Quando Gaspar erra nas contas públicas, diz que foi um lapso; quando um médico erra, leva um processo da ordem das centenas de milhares de euros... mas faz sentido que reclamem com os médicos. Façam um altar aos banqueiros, ou aos Mexias, Catrogas, Dias Loureiros e afins! Esses sim são os que nos tratam da saúde e fazem serviço público. 

 

Que país é este, sinceramente? Paulo Macedo veio dos grupos privados da saúde, para continuar a trabalhar para eles. Repararam que desta vez, ao contrário de quando foi para cobrador de impostos, ele não exigiu um salário milionário? Alguém duvida que, à boa imagem de outros ex-ministros, ele será premiado com uma cadeira dourada, assim que acabar o seu servicinho?

Paulo Macedo está a angariar clientes para o privado e a destruir o serviço nacional de saúde, para benefício dos seus ex e futuros patrões. Os médicos viram isso a tempo, e não querem acabar em mão de obra barata para a Médis, Multicare e afins.

 

Quem, no seu juízo perfeito, os pode censurar?  

 

publicado por Francisco da Silva às 13:51
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Terça-feira, 10 de Julho de 2012

Realmente é notável

"Em termos gerais, podemos dizer que o programa de ajustamento (português) decorre como o previsto, apesar das enormes dificuldades relacionadas com a conjuntura internacional. É verdade que o que temos visto em Portugal em termos de implementação é notável", declarou aos jornalistas Praet, membro do Comité Executivo do Banco Central Europeu (BCE), após uma conferência em Lisboa.

É notável a taxa de desemprego, a miséria, o desmantelamento peça por peça de tudo o que é serviço público. São notáveis os baixos salários, os cortes anti-constitucionais... Vivemos uma época em que o estado serve de capataz dos mercados, fornecendo bestas de carga. 

Há uns tempos dizia Relvas, numa conferência organizada pelo ISCSP, que "o governo realizou uma grande revolução a nível cultural: há um ano atrás nenhum jovem estaria disposto a trabalhar pelas condições que aceita hoje." Estou a citar de cor, mas as palavras não andaram muito longe disto.

Depois dessa frase levantei-me e saí. A outra opção seria dar com uma cadeira na cabeça do Relvas. Por muita tolerância que uma pessoa tenha, há limites. Esta gente está a criar um modelo miserabilista e ainda se dá ao luxo de gozar com isso. 

 

Quanto tempo mais vão continuar a baixar a cabeça e a embarcar na conversa do "estamos todos juntos nesta causa de salvar Portugal da dívida"?

Realmente o que temos visto em Portugal é notável, sinceramente, é mesmo digno de nota. Um povo que não se cansa de ser expoliado nos seus rendimentos directos e indirectos, um povo que vê o governo vender o seu país às peças, que desiste dos seus cidadãos e que os relega à miséria.

 

Este governo não serve, e é notável que os portugueses ainda não tenham aberto os olhos para isso. Já faltou mais. 

 

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 00:46
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

Os violadores de S. Bento



A Constituição da República Portuguesa foi violada... outra vez. Aliás, começa a ser uma não-notícia, como diria o Passos. 

Desta vez, foram os cortes nos subsídios dos funcionários públicos, que o governo promoveu, a serem considerados anti-constitucionais. 

 

Já não posso aturar a CRP. Faz tudo e mais alguma coisa para dar nas vistas. É uma provocadora, anda sempre com aquele seu ar dengoso, a rebolar as ancas, com micro-saias ou micro-calções e grandes decotes... O que é que um governo pode fazer? Também não é de ferro. A gaja estava a pedi-las, dia após dia, sempre com insinuações que as pessoas têm direitos, que há uma coisa chamada serviço nacional de saúde, outra chamada ensino tendencialmente gratuito... até diz que há um artigo referente ao direito ao trabalho, vejam lá vocês o absurdo! 

Não, a gaja merecia, as vizinhas já ao tempo que o andavam a dizer. "Muitos direitos, liberdade e garantias é o que é", ou então "um dia, alguém ainda vai ter que dar uma lição a essa flausina".

 

Diziam que eram precisos 2/3 dos deputados para a colocar na ordem, para a rever e tornar mais conservadora, para deixar de ser tão oferecida. Passos, Relvas e companhia, manietaram a Constituição. Cada um deles, à vez, foi violando este e aquele artigo, sem pudor, sem remorsos, sem sequer a olhar nos olhos. De nada valeram os esforços dos deputados da esquerda, não tinham força suficiente para o evitar. 

Deixaram-na, quase sem vida, na escadaria de S. Bento. 

 

Alguns deputados de esquerda encontraram-a e levaram-na o mais rapidamente possível ao hospital constitucional. Alguns fizeram-no contra a vontade do seu partido, e bem, como se pode constatar.
Hoje recebemos os primeiros relatórios médicos: ela está viva, mais conservadora em resultado do trauma, mas sobreviverá. Perdeu muitos artigos, muitas alíneas tiveram de ser cortadas para evitar a propagação de infecções, mas parece que se irá recompor. 

Boas notícias, dentro do possível... vamos ver como recupera. 

Será uma violação que não vai passar impune, pelo contrário. O tribunal já decretou que todos os que andaram a beneficiar dos prazeres que esta flausina lhes dava, terão de ser afectados por igual, sejam eles figuras públicas ou privadas. O gangue de S. Bento esfrega as mãos de contente, embora com algum receio. Pelos vistos, Passos, Relvas, Gaspar e Macedo, foram todos identificados na queixa que apresentada à polícia, pela Constituição. Há testemunhas também dos actos, há até, inclusivé, filmes feitos com telemóveis.

 

As vizinhas estão indignadas, dizem que a Constituição foi violada, porque não colaborou: "Afinal de contas, uma flausina daquelas podia ter feito o jeitinho, ninguém me convence que ela não gostou."

Quem não vai deixar passar isto em claro é o marido dela, o povo. Está a preparar a sua vingança, com calma, com classe e acima de tudo, com sentido de justiça. Esperem para ver. 


publicado por Francisco da Silva às 01:01
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 4 de Julho de 2012

Abriu a caça ao Coelho



“Nem tem coragem para nos ouvir”, gritava, visivelmente irritada, uma mulher de camisola branca, junto à porta lateral da reitoria da Universidade do Minho, em Braga. Junto dela, quase uma dezena de desempregadas da indústria têxtil envergavam a mesma indumentária: t-shirt estampada com a imagem de um coelho sob uma mira. E uma mensagem: “Está aberta à caça ao coelho”. Aguardavam o primeiro-ministro, mas Pedro Passos Coelho evitou, mais do que uma vez, os protestos.

Como estas mulheres, algumas dezenas de desempregados esperaram o primeiro-ministro para fazer ouvir a sua contestação às medidas de austeridade. Entre dirigentes sindicais e trabalhadores de empresas em dificuldades na região, o protesto juntou cerca de uma centena de pessoas.

Para Passos Coelho, dirigentes sindicais, trabalhadores, desempregados e cidadãos que protestam são todos comunistas. Na Madeira de Jardim, esta táctica tem sido habitual, tal como foi habitual o recurso a ela por parte de Salazar e de outros ilustres fascistas.

“Aquilo que tem observado são manifestações organizadas que estão prontas a deslocar-se em função da deslocação de membros do Governo. Gostaria de deixar bem claro a todos os sindicatos ou a todas as organizações que estão a promover esse tipo de intervenção que nunca deixarei de aparecer no país e de contactar com os portugueses em face de protestos que queiram exercer”

 

Sempre que há manifestações ou acções de protesto, o governo diz que é a CGTP, braço do PCP, e como tal não são para serem levadas a sério.

Dou por mim a pensar: para este governo, ser um trabalhador sindicalizado na CGTP, equivale a uma redução dos direitos liberdades e garantias? Aliás, pergunto-me até se ser da CGTP é crime? Por uma pessoa ser sindicalizada, pertencer a um partido ou movimento social, não pode ter opinião política e expressá-la publicamente? A sua opinião não é válida? O seu protesto não é justo e honesto? 

 

A única coisa boa que retiro das palavras e acções de Passos Coelho é que ele tem medo. Tem medo dos que protestam, tem medo dos trabalhadores, tem medo dos desempregados, tem medo dos sindicalistas e sindicalizados, tem medo dos comunistas... é um cobarde. Aliás, já a sua postura em relação aos restantes líderes europeus o tinha denunciado. 

E é bom que ele tenha medo, que ele sinta que as pessoas querem a sua pele. As pessoas também têm medo do governo e das suas políticas, têm medo por si, pelos seus pais, filhos e netos; têm medo de não conseguir pagar a renda, as propinas, a comida e a saúde. Têm medo de perder o emprego, medo de se manifestarem, medo da polícia...

Essas mesmas pessoas começam a ultrapassar o medo, o desespero tem destas coisas, e a situação caótica que se vive no país por causa da austeridade, tem levado muita gente ao desespero. 

 

Passos devia ter cuidado quando faz este tipo de generalizações. Olhando para as notícias, os cidadãos também poderiam dizer que todos os corruptos são do PSD, que todos os que vivem à conta do tacho, são do PSD. Afinal de contas, foi o PSD que produziu políticos como: Aníbal Cavaco Silva, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima, Valentim Loureiro, Alberto João Jardim, António Preto, Isaltino de Morias, Macário Correia... e muitos muitos mais. Foi no PSD de Cavaco que nasceu uma certa cultura, uma certa forma de fazer política, responsável pelos maiores desfalques e compadrios, por práticas mais que duvidosas e censuráveis. 

 

No entanto, há pessoas honestas no PSD, que não merecem serem apelidadas de ladrões, corruptos, vigaristas e afins. Tal como nas manifestações e protestos, há mais do que comunistas, ou pessoas da CGTP. Passos, há pessoas com fome para que tu e os teus compadres das empresas e da banca tenham a mesa farta. Chega de tentar fazer as pessoas de parvas, feliz ou infelizmente, nem todos os que protestam são comunistas. Há pessoas das mais diversas ideologias, crenças e clubes. Todas têm uma coisa em comum: querem a tua pele. Isso é o que devias dizer à comunicação social. Foges porque tens medo, sabes que a situação de desespero é tão grande, que se te apanham cozinham-te para terem algo que comer. 

 

Não tenhas vergonha de o assumir, é bom sinal teres medo, significa que começas a ter alguma noção da realidade. 

 

publicado por Francisco da Silva às 17:38
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 3 de Julho de 2012

Relvas por um canudo


Miguel Relvas voltou a estar na ordem do dia. Desta vez, é o seu percurso académico que está em causa. Não me espanta a caça ao Relvas, pelo contrário, sou até apologista da modalidade e praticante regular. Mas há coisas que me fazem espécie, uma delas é o homem exercer cargos políticos de relevo há anos e anos, e só agora, se lembraram de questionar o seu percurso académico... Mais, os primeiros a atirar pedras foram os que na altura da licenciatura ao domingo, estavam indignados com a "baixa política" e a "pulhice" que estava a ser orquestrada, para caluniar José Sócrates. 

 

Tal como no caso das pressões aos jornalistas do Público, Relvas sai ilibado de toda e qualquer confusão à conta dos erros do passado. As pessoas dizem: "olha mais um, este é como o outro", e dizem-no com razão. 

O seguro de vida deste governo são as alarvidades feitas no governo anterior. O maior partido da oposição está preso a essas amarras, que condicionam em muito, a sua legitimidade em criticar este governo. Não é só o memorando de entendimento que vincula o PS ao governo PSD CDS; é toda uma cultura e uma forma de fazer política. 

 

Há questões que gostaria de ver melhor explicadas pelos media, no percurso de Miguel Relvas: como é que chegou onde chegou, que interesses ele representa, quais os jornalistas que tem "na mão", de onde veio o seu financiamento...? Isso sim, seria jornalismo de investigação.

Gostaria de ver as mesmas questões respondidas por políticos como Ricardo Rodrigues, Marcos Perestrello, Mário Lino, António Preto, Rui Rio e tantos tantos outros. Gostaria de saber quem recebeu dos submarinos, dos blindados, das PPP´s, dos sobreiros e de outros assuntos parecidos. Mas em Portugal, jornalismo de investigação é ir para o cabeleireiro ouvir os diz-que-disse e vender isso em prime time. O que interessa ninguém investiga, mandam-nos estas poeiras para os olhos, para o povo pensar que "afinal o Relvas não condiciona assim tanto os jornalistas, senão a notícia não saía" e que "os poderosos não estão imunes ao escrutínio da imprensa". Tretas, Relvas vai continuar a pressionar e os jornalistas vão continuar a ceder, tal como no governo anterior, e no outro antes, e no outro antes desse...

 

Há muito por onde pegar, nesta e noutras personagens da política portuguesa. Recomendo que se pegue pelas coisas que interessam, não por fait-divers que só servem para distrair as pessoas da questão essencial. Notícias destas reforçam a posição do Relvas, devido ao que o PS fez anteriormente. Há que questionar a quem serve esta agenda, é que aos portugueses não serve... Quero lá saber como é que o Relvas acabou o curso, gostava é de saber como é que acabou em Ministro.
 

publicado por Francisco da Silva às 18:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Trabalhadores da limpeza ganham demasiado


Os cerca de 70 enfermeiros subcontratados a partir de hoje pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo receberão apenas mais 93 cêntimos à hora do que os empregados da limpeza abrangidos pelo contrato coletivo de trabalho deste setor que prevê, desde 2010, o pagamento do ordenado mínimo nacional.

Aos enfermeiros é proposto 3,96 euros à hora, sete horas por dia, cinco dias por semana, o que dá 554,40 euros por mês, enquanto um empregado da limpeza receberá 3,03 euros à hora, oito horas por dia, nos mesmos cinco dias por semana, ou seja, 485 euros por mês.

já escrevi, aqui, que um parquímetro tem melhor qualidade de vida, do que um trabalhador, que receba apenas o salário mínimo. Por isso, começo por dizer, que o salário que um trabalhador do sector da limpeza, é demasiado baixo.

A comparação entre estes e os enfermeiros é feita, penso eu, porque um é um trabalho indiferenciado e com baixo grau de responsabilidade, enquanto o outro é especializado e envolve risco de vida. 

 

Paulo Macedo está a fazer, a mando do governo, uma limpeza na saúde. Os auxiliares de acção médica, vão ser despedidos e substituídos pelos enfermeiros, reduzindo o salário destes últimos. Os médicos, vão passar a ganhar como enfermeiros, e fazer também algum do trabalho que estaria anteriormente destinado a estes. A ideia é retirar qualidade ao serviço nacional de saúde, e transferir esses profissionais, para o sector privado. Quando a qualidade do serviço nacional de saúde passar a ser miserável, haverá justificação para dizer que não faz qualquer sentido mantê-lo. A ideia é transformar os até agora doentes em clientes: da Médis, Multicare e afins. Aliás, Paulo Macedo tem feito um excelente trabalho neste sentido: encarece o sistema nacional de saúde para os utentes e tira-lhe qualidade. Há que reconhecer que é meio caminho andado para o encerrar. 

Perguntem aos profissionais do sector o que acham... são os primeiros a reconhecer o trabalho notável, que o governo está a fazer, para encerrar de vez este serviço público. Os médicos vão entrar em greve e é curioso que nesta altura, começam a aparecer na comunicação social imensas notícias sobre fraudes ao serviço nacional de saúde. É daquelas coisas que nos faz pensar que há uma agenda bem preparada, até ao nível da comunicação e propaganda... ou então o verão é propício à descoberta de fraudes na saúde. 

Outra coisa que me preocupa nesta notícia é a reacção do governo: vão de certeza propor a renegociação do contrato colectivo de trabalho dos trabalhadores do sector da limpeza, para baixarem o seu salário. Afinal de contas, é inadmissível ganharem o mesmo que um enfermeiro. 

 


publicado por Francisco da Silva às 18:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Quando o governo te insulta...

 

 


 

Hoje, o Álvaro foi à Covilhã insultar a democracia. Digo insultar porque o pastel tentou, por portas e travessas, escapar ao confronto com os cidadãos que desesperam com as políticas do seu governo. Este gusano depois de não ter resposta para dar, fugiu dos cidadãos que o confrontavam e entrou no carro rapidamente, como um bandido a fugir da lei. A democracia não se esgota no voto. Quando somos representantes políticos e estamos num cargo de natureza política, temos o dever de prestar todo e qualquer esclarecimento, que o mais humilde do cidadão nos peça. É duro? Seguramente, não é fácil; chama-se servir os cidadãos. Há quem veja esta questão ao contrário, como é o caso do Álvaro: um cargo político é para se servir dele, usando e abusando da oportunidade que lhe é dada por milhares e milhares de pessoas com o seu voto. 

É bom andar de falcon e mercedes, e de outra forma nunca teria na vida hipótese de o fazer. É mau passar 10 minutos a ouvir as reclamações das pessoas a quem tem destruido a vida, uma maçada. 

 

Depois de se meter no carro, há uma mulher que se põe à frente do mesmo. O que acontece é vergonhoso: o motorista continua a avançar, empurrando a mulher com o pára-choques do carro. A dada altura, um homem põe-se também à frente do carro. A história repete-se, um carro pago pelos contribuintes, com um motorista pago pelos contribuintes, com um ministro lá dentro, pago adivinhem lá por quem, avança sobre... isso mesmo: um contribuinte. Contribuinte esse que é arrancado de cima do carro por um polícia à paisana, escusado será dizer quem lhe paga o salário. 

 

É a imagem perfeita deste governo: um governo disposto a atropelar os cidadãos, um governo cobarde, excepto quando está protegido pela blindagem dos seus carros e pelos seus esbirros. Um governo que não quer nem saber quantos portugueses vão ficar pelo caminho, com estas políticas de miséria, de fome e de destruição.

Os manifestantes tentaram fazer-se ouvir de forma pacífica! Para a próxima, o pastel pode não ter essa sorte. Se é com violência cobarde que responde a um protesto pacífico, arrisca-se a ter o troco na mesma moeda.

 

Pensa nisso, Álvaro.

 

publicado por Francisco da Silva às 18:54
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Mercado de transferências

Um dos mais proeminentes esquerdinos, até agora um jogador livre, acaba de assinar pela equipa da capital

Começou a época de transferências, vamos ver quais serão os restantes reforços. 


publicado também aqui.

publicado por Francisco da Silva às 03:04
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 26 de Junho de 2012

O pilha-gravadores





Ricardo Rodrigues exerce as seguintes funções:

 

Deputado na X Legislatura

Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS
Membro do Conselho Superior do Ministério Público eleito pela Assembleia da República
Membro da Comissão Permanente da Assembleia da República

Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias [Coordenador GP]
Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública [Suplente]
Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação [Suplente]

O mesmo Ricardo Rodrigues, foi hoje condenado por atentado à liberdade de imprensa. 

 

Espero que renuncie aos cargos que ocupa, por manifesta falta de condições políticas para os continuar a exercer. A alternativa, é colocar o deputado a questionar Miguel Relvas, quando este se deslocar ao parlamento no âmbito das pressões realizadas junto dos jornalistas do Público.

Se o senhor não renunciar, espero que o PS tenha o bom senso de pedir o seu afastamento, demarcando-se desta maneira de estar na política. Ter um vice-presidente de bancada condenado por atentar contra a liberdade de imprensa, é inaceitável. São estes casos, que vão permitindo ao governo atropelar a democracia, sem censura da opinião pública. "São todos iguais" e "os outros fazem o mesmo", são expressões cada vez mais em voga no léxico dos portugueses. Que legitimidade tem o PS de condenar as acções (igualmente inaceitáveis) de Miguel Relvas, se mantiver este senhor na sua bancada? 

Pelo contrário, se o PS se dignar a pedir a sua excelência que renuncie ao mandato, reúne algum capital político para voltar ao caso Miguel Relvas. 

A alternativa é o normal acordo de "cavalheiros(?)" entre PS e PSD: eu não falo neste assunto e tu não falas no outro. Nós ficamos calados em relação ao Rodrigues, vocês não insistem com a ida do Relvas ao Parlamento.

Vamos ver se há consequências políticas, ao contrário do que acontece habitualmente: uma mão lavar a outra e as duas lavarem o rosto.

 

Esta é uma boa hipótese para começar a credibilizar uma Assembleia da República, que é cada vez mais mal vista pelos cidadãos, por culpa deste bloco central de interesses. É bom que não a desperdicem, podem não haver muitas mais. 

 

Podem enviar, rapidamente, um e-mail ao deputado Ricardo Rodrigues a pedir a sua renúncia, ou até sensibilizar pela mesma via, António José Seguro e Carlos Zorrinho, para que hajam consequências políticas. Caso queiram contactar por telefone o grupo parlamentar, poderão encontrar o número aqui.

publicado por Francisco da Silva às 16:14
link do post | comentar | favorito

A esquerda, livre de comunistas

Passos Coelho disse hoje, a propósito da moção de censura do PCP, o seguinte:

 

"Trata-se, portanto, mais do que uma moção de censura ao Governo,  de uma moção de censura ao mundo, de uma moção de censura à realidade"

 

 Dou por mim a concordar com o homem, coisa rara. Esta moção é sem qualquer dúvida uma moção de censura a esta realidade que Gaspar e os seus amigos estão a criar. O número recorde de desempregados merece censura. O aumento recorde do número de casais desempregados, que subiu mais de 81% no último ano, merece censura. 

Os cortes nos subsídios de férias e de Natal, nas férias e nos feriados, a facilitação dos despedimentos, o desmantelamento do serviço nacional de saúde, o fim da escola pública, os cortes na bolsas... enfim, há um sem número de razões que justificam uma censura a este governo.

Aliás, Pedro Silva Pereira no seu discurso de hoje no parlamento, enumerou bem diversas razões que justificavam a apresentação desta moção. No entanto, todas essas razões, serviram apenas para justificar mais uma abstenção violenta. 

 

O PS perdeu hoje uma excelente hipótese de promover uma coligação de esquerda, contra esta política devastadora do governo PSD/CDS. Ouço vezes sem conta dirigentes do PS falarem da impossibilidade de coligações à esquerda, que os partidos não estão disponíveis para se juntarem ao PS. Leio também outros tantos da esquerda livre, afirmarem o mesmo... No entanto, quando o PS tem essa oportunidade o que é que faz? Refugia-se no colo da direita. Claro, que nem uma linha virá escrita sobre sectarismo da parte dos socialistas, nem uma voz virá clamar contra as constantes posições políticas do PS, que indo muitas vezes contra o que é o sentimento geral da sua base, dos seus eleitores e militantes, prefere juntar-se à direita.

 

Assim, infelizmente, perde-se aquele que poderia ser o maior partido da oposição. Perde-se mais uma oportunidade de a esquerda se unir, sob a justificação sectária que "o PCP apresentou uma moção de censura ao PS, por isso não votamos favoravelmente a deles". Claro que debaixo dessa justificação, esconde-se um partido ideologicamente à deriva. Um partido que não só não tem homem do leme, como nem sequer tem leme. 

Os inúmeros votos que o PS conquistou mereciam mais respeito. As pessoas que votaram PS, mereciam mais que ter eleito uma bancada que nas questões essenciais abstém-se. Um partido cuja linha política é o não comprometimento, não é um partido. Os portugueses não mandataram os deputados do PS para serem figurantes neste filme realizado e produzido pelo PSD e CDS. 

 

Quando o maior partido da oposição está no governo, só significa que nós deste lado vamos ter de correr mais, trabalhar o dobro e suar o triplo. Nada que não se faça, já estamos habituados. Enquanto o PS não se resolver internamente, vai continuar a somar abstenções atrás de abstenções. Uns meses antes das eleições, irão representar de novo o papel de oposição e dizer que os do PSD são todos uns malandros... é uma estratégia que tem funcionado, mas as pessoas começam a ficar fartas. A começar pelos próprios militantes socialistas que olham para o seu partido entretido em guerras internas de controle de estruturas dirigentes, como um partido inútil na assembleia da república.

Seguro está a estender uma passadeira vermelha para o senhor que se segue, nem sequer vai ser preciso tirar-lhe o tapete, ele cede-o de bom grado. Tal como cedeu o seu papel de líder do maior partido da oposição, que está aí para quem o quiser interpretar. 

A direita ter um aliado como o PS no parlamento é perigoso: dá-lhes toda a liberdade para aplicarem na totalidade as políticas este processo reaccionário em curso. 

 

O PCP fez política hoje, quanto mais não seja, merece ver esse mérito reconhecido. Já tinha saudades de ver fazer política no parlamento. A política de corredores, de mesas de restaurante, de sacristia ou maçonaria já enjoa... 



publicado por Francisco da Silva às 01:48
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Governação violenta




 

 

Número de casais desempregados sobe 81% num ano

 
Entre os 609.273 desempregados inscritos nos centros de emprego, em maio, estavam registados 7.940 casais sem emprego, o que corresponde a um aumento de 81% relativamente ao mesmo mês de 2011.

Segundo o IEFP, desde julho de 2011 que se regista um aumento em cadeia do número de casais desempregados

 

 

 Quem dá a cara perante estes casais desempregados? A menina Cristas, o menino Mota Soares, os senhores das famílias numerosas e das associações anti-aborto? São eles que vão lá a casa dar uma forcinha: "aguentem-se mais uns anos sem emprego, estamos quase lá, o país agradece." 

O Gaspar, o Álvaro e o Passos, mais o supra-ministro Relvas vão ter de responder por isto, tal como quem quiser continuar a ser conivente com as suas políticas.

 

Uma abstenção, perante as políticas deste governo não é violenta, nunca será. Violenta é esta governação! Violenta com os seus cidadãos, violenta com as famílias, com os idosos, com os jovens... Continuar a dar a mão a este governo é ser cúmplice. É ser cúmplice com a miséria, com a injustiça, com a degradação das condições de vida e dos direitos. 

 

Que mais razões serão precisas para censurar este governo? 

 

publicado por Francisco da Silva às 00:48
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 20 de Junho de 2012

Jornaleiros

 


 

O jornalismo, em geral, que me perdoem os poucos mas bons jornalistas que ainda sobrevivem, é absolutamente miserável. Isto não começou agora com o Relvas, isto já vem de longe. Muitos jornalistas vivem em perfeito conluio com os políticos. Aliás, é costume as grandes figuras da política dividirem os jornalistas entre "os seus" e os outros. Estes jornalistas "ganham-se" com almoços e jantares em sítios caros e na moda, pagos usualmente com despesas de representação do político, ou seja, com os nossos impostos. Também se conseguem recrutar muitos através da sua integração nas comitivas que vão ao "estrangeiro". Por último e menos divulgado, há o método de pagamento directo, em favores, informação e até dinheiro ou presentes. 

Temos, também, muitos jornalistas na lista de pagamentos de diversas agências de comunicação, embaixadas, marcas, clubes desportivos... enfim, tudo o que precisa de um espacinho na imprensa. Os métodos de pagamento não mudam, são os mesmos a que os políticos recorrem. 

Falo disto a propósito do caso Relvas, mas este não é um caso isolado. As pressões políticas sobre os jornalistas são constantes, aceites como práticas normais, tanto pelos agentes do poder como pelos próprios jornalistas. 

 

A pergunta que falta fazer é: porque é que os políticos pressionam os jornalistas?

Se a questão é simples de colocar, também a resposta é simples: porque funciona. 

 

Há sempre um jantar a cobrar, uma viagem, um emprego que se proporcionou... há sempre alguém que conhece não sei quem, que sabe que este jornalista andou a receber daqui, dali e de além. Um primo, um irmão, um colega de infância que trabalha nesta ou naquela redacção, enfim, vocês são portugueses como eu e sabem do que estou a falar. 

Criou-se uma cultura de cadeias de pequenos favores que, todos somados, depois dão frutos. E nesta situação grande parte da culpa é dos jornalistas que entram no jogo. 

 

Dá-me náuseas ouvir certos jornalistas e outros profissionais que vivem dentro deste círculo de favores, a falar sobre o quão corrupta é a política e os políticos. Escrevem como se fossem os D. Quixotes da ética, moral e bons costumes. No entanto, são os primeiros a entrar abertamente neste tipo de esquemas, abertamente e sem qualquer tipo de vergonha na cara, com um ar de que "eu posso porque sou impoluto". Ora estes senhores e estas senhoras têm muita culpa no estado a que o país chegou. Gostam de fazer capas com quanto gastam os nossos governantes. Não se recordam é do quanto é gasto a pagar os seus almoços e jantares, nos restaurantes mais caros do país. Não se recordam de quanto o estado gasta, quando paga as suas viagens e estadias nas comitivas que organiza. Não se lembram da corrupção, quando são eles que beneficiam, nem se lembram de falar em pressões, quando os pressionantes são os que na semana passada, lhes deram uma notícia que fez capa. 

Tal como a classe política, também a jornalística está entranhada de um cheiro a podre. Tanto de um lado, como do outro, há pessoas sérias, firmes, com carácter e bem intencionadas. Vão é sendo cada vez menos... o sistema sente-os como uma ameaça e rejeita-os, como se de um corpo estranho se tratasse.

 

Quero eu com isto desculpar o Relvas? Não... apenas explanar algumas das razões pelas quais o Relvas se vai mantendo: porque muita gente tem comido da sua mão. Pessoas sem qualquer carácter, asquerosamente mercenários, pois servem quem quer que seja, desde que lhes paguem o preço certo. São também eles responsáveis pelo estado a que chegámos. Assobiam para o lado, chamam corruptos e ladrões a todos e vão gozando o fruto do saque. 

 

Há quem lhes chame "Presstitutes", penso que é uma designação que lhes assenta bem. 

 

publicado por Francisco da Silva às 01:20
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

Da Grécia, com amor

 

Ontem, foi dia de jogo grande na Grécia: ganhou a Nova Democracia, por meio a zero, mas ganhou. Ganhou a chantagem financeira, que pretende continuar a espremer a Grécia até à última gota. Ganhou o editorial do Financial Times, e outros tipos de chantagens e pressões, que foram exercidas sobre a opinião pública grega, ao longo destes últimos tempos. 

Ganhou o medo da população mais idosa, que ainda tem algo a perder, e por isso votou maioritariamente na Nova Democracia. Ganhou Samaras, aquele em quem, há um ano, Merkel não acreditava na sua palavra, apesar de serem ambos membros do mesmo partido europeu. 

 

Quem perdeu? Perdeu a SYRIZA, ao ficar em segundo lugar, por meio a zero, mas perdeu. Perdeu a esperança de um presente diferente para a Grécia e para os gregos. Perderam os jovens, que na sua maioria votaram SYRIZA, perdeu Tsipras e a esquerda. Perdeu o pensamento diferente, fora do unanimismo generalizado. 

 

Há mais para além disto, muito mais. Senão, vejamos:

 

A europa toda tem, hoje, noção do que não existia há uns meses: uma alternativa. O tal "medo que o medo acabe" começa aqui, as pessoas já aceitam que não há só um caminho coisa que há um ano atrás não existia. Boa ou má? Ainda não se debruçaram o suficiente sobre ela, mas saber da sua existência, é meio caminho andado para o medo acabar. Olham para Tsipras como um louco? Ok, até podem olhar, mas respeitam-no e o seu nome é agora conhecido, desde o Cabo da Roca até Moscovo. Atravessou o atlântico, via entrevista do NYTimes, o seu nome andou nas bocas de todos, bem como o nome da SYRIZA e a ideia de "um outro caminho é possível".

 

Tentaram colar a extrema esquerda à extrema direita, como se fosse comparável uma política pelo fim da austeridade, com uma política de ódio, de um partido que inclui nas suas práticas militantes, o assassinato de imigrantes.

Tsipras saiu sempre por cima, mostrou ao mundo que os comunistas não são um grupo de velhos bolorentos, que se reúnem numa cave aos domingos, para comer criancinhas. Tsipras acreditou e as pessoas acreditaram com ele, levando a SYRIZA a um patamar de apoio, expresso em votos e mandatos, inigualável. Acredito, sinceramente, que a vitória teria tido um impacto benéfico para os cidadãos gregos, assim como aliviaria a pressão sobre o resto dos países intervencionados, com medo que algo de parecido se passasse. Acredito também que a Grécia não iria sair da zona euro: é o poder da Alemanha que está em causa, com a desagregação deste sistema monetário, Merkel e os alemães sabem-no.

 

Não acredito no entanto, que fosse a solução dos nossos problemas, como portugueses. Estivemos juntos, estamos juntos e estaremos juntos, na maratona contra esta europa, sem dúvida alguma. Agora, se quisermos mudar a nossa realidade, não será por bandwagon. 

Há muitas diferenças a ter em conta, sendo para mim a maior, a consciência do que são estes empréstimos. 

Na Grécia, tal como em Espanha ou na Irlanda, as pessoas têm a noção clara que vivem pior, para salvar os bancos. Em Portugal, a estratégia foi melhor: a ideia que passou é que o empréstimo foi feito para o Zé Povinho pagar os copos que andou a beber fiado.

A SYRIZA teve um papel fundamental em desmistificar esta questão, em criar no gregos, consciência de classe. A própria frase de Tsipras, espelha esta ideia: "se ganharmos, vamos segunda-feira a Bruxelas renegociar". 

Com esta frase, ele explica sucintamente que isto não é uma questão de Alemanha vs. Grécia, ou vs. Portugal, Espanha e Irlanda. Trata-se de uma questão de uma parte da sociedade europeia, contra a outra, de gregos contra gregos, portugueses contra portugueses, e por aí fora.

 

Há dois tipos de países na zona euro: os intervencionados, e os por intervencionar. É preciso fazer crescer a consciência, que em cada país, são sempre os mesmos a pagar. Não há guerra entre Norte e Sul da Europa, mas sim, entre topo e base da pirâmide social, em cada país. 

Tsipras consegui isso, a SYRIZA conseguiu isso, ganharam onde a toda a esquerda tem falhado redondamente: na comunicação. 

Não se puseram com as desculpas habituais, que a comunicação social não ajuda, que o campo é inclinado... não. Cerraram os dentes, usaram as armas ao seu dispor e foram à guerra. Temos muito que aprender com eles em termos de comunicação, em vez de pensarmos que basta ganharem lá, que passados uns tempos ganhamos nós cá também. Mais uma vez, o avanço da história, está a ser feito pela guerra entre exploradores e explorados. Os fait-divers de luta de civilizações são apenas areia, para que tudo fique na mesma, é preciso manter os olhos na bola. 

 

Resumindo, tal como Portugal contra a Alemanha, o SYRIZA jogou bem mas perdeu. Agora, resta levantar a cabeça e dar o seu melhor nos próximos jogos, porque quando há trabalho feito, a vitória não tarda a aparecer. 

 

Deixo-vos uma citação de memória, de um velho camarada, comunista daqueles que metem medo:

 

"Há por aí uns armados em Che Guevara, que dizem que querem fazer a revolução... mudar isto tudo, fazer coisas bonitas. Lembrem-se que o Che não andava por aí a dar palestras e conferências enquanto mudava o mundo, não andava na televisão a dizer: "olhem para mim que estou a mudar o mundo". Querem fazer coisas bonitas camaradas? Querem mudar o mundo? Trabalhem para isso porra! Quando acabarem o vosso trabalho, aí sim, olhem para trás e vão ver que fizeram coisas bonitas, vão ver que mudaram o mundo."

 

 

publicado por Francisco da Silva às 22:04
link do post | comentar | favorito
Sábado, 16 de Junho de 2012

Moção de salvação nacional


O PS tem de fazer uma opção e não pode continuar em cima do muro.

O PCP, manifestou esta semana, a intenção de apresentar uma moção de censura ao governo. António José Seguro, classificou esta intenção como inoportuna, e que poderia criar uma crise política. Afirmou o líder socialista:

O secretário-geral do PS reforçou a sua oposição à abertura de uma crise política, considerando que isso seria "completamente inoportuno" neste momento, estando Portugal "a viver uma situação difícil, sob assistência financeira", com "compromissos que têm de ser satisfeitos", e quando estão prestes a ser tomadas "grandes decisões no seio da União Europeia".

 

Há várias razões pelas quais esta moção é apresentada, não só com oportunidade, mas com um excelente timming. O governo, ao fim de um ano, conseguiu excelentes resultados, com as suas medidas. O desemprego bate records, os impostos idem, bem como o custo de vida. O retorno dos impostos é cada vez menor: estão a acabar com o SNS, com a escola pública e com as universidades públicas e a justiça... enfim, a justiça anda pelas sarjetas da rua da amargura.
Uma moção a censurar estas políticas e este governo, faz todo o sentido, para um partido que sempre se manifestou contra estas políticas. Obviamente, só depois de haver resultados da implementação das políticas é que se torna oportuno censurar um governo, caso contrário, seria ridículo. 

A somar a isto, saiu esta semana uma sondagem favorável à esquerda, que o PCP consegue de certa forma capitalizar com esta moção de censura. Apresenta-se assim como o partido que radicaliza a luta contra o governo, tomando a iniciativa política, em relação aos restantes.

 

Juntando a isto, as eleições que de norte a sul têm decorrido para os orgãos distritais e concelhios do PS, o PCP acertou na mouche: a direcção do PS terá que responder perante estas novas caras que preparam a sua ascensão na cadeia de poder do partido. Terá de decidir se continua a apoiar o governo PSD/CDS, ou se pelo contrário, decide juntar-se aos partidos de esquerda para fazer oposição ao governo. 

Se por um lado, o PS assinou o acordo com a Troika e como tal vê-se obrigado a cumprir com o que assinou, por outro, este governo tem ido "muito além da Troika", como Passos e Cª não se fartam de afirmar. 

 

Seguro tem aqui uma oportunidade de ouro, dificilmente terá outra, de ser primeiro-ministro e de calar os seus opositores internos, mais propriamente António Costa. Se apoia a moção do PCP, passa a ter a iniciativa política à esquerda, passando o PS a ser o maior partido da oposição. Certamente que perderá o apoio dos socráticos da sua bancada... Como esse apoio nunca existiu, atrevo-me a dizer, que não perde grande coisa. No entanto, conseguiria unir o partido e abrir portas a um governo à esquerda. 

 

Se como diz, não vê oportunidade na moção, Seguro precisa de trocar a graduação dos seus óculos. Quando diz que o país não precisa de uma crise política está errado, o país precisa de uma crise política, porque este governo está a criar uma crise social que demorará gerações a reverter. O custo de uma crise política é superado largamente, pelo benefício geral das condições de vida dos portugueses. 

Com a mudança que se perspectiva na europa, com o afastamento de Sarkozy e com a subida da esquerda na Grécia, o PS afirmar-se como não estando mais ao lado de um governo que condena os portugueses à miséria, daria mais um sinal a Bruxelas e a Berlim. Mostrava que nós já estamos fartos e que um outro modelo é necessário e imperativo. A votação favorável desta moção, é a melhor hipótese que Portugal e os portugueses têm, para reverter este processo reaccionário em curso que a direita está a implementar. Teria repercurssões a nível europeu, e seria importante este sinal: Portugal deixou de ser "o bom aluno de Merkel".

 

Fazer política é isto, é comprometer-se, é tomar decisões, fazer escolhas e responder por isso. Quando os políticos deixam de se comprometer, de fazer política, o poder económico toma as rédeas. E todos sabemos o que é que isso significa. Espero que o PCP escreva um texto simples, que não dê qualquer argumento para que o PS se esquive desta votação. Sugeria, até, que o texto fosse discutido pelos líderes dos partidos de esquerda, para que não ficasse qualquer aresta por limar que possa impedir este sinal que é necessário dar à Europa: o de uma oposição unida contra as medidas de empobrecimento, de uma oposição forte e capaz de fazer frente a este governo. Chega de querer mostrar aos mercados, à senhora Merkel e afins que somos bem mandados. Está na altura de mostrar que queremos um caminho diferente, viver assim não é viver. 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:04
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 14 de Junho de 2012

Até já, comandante




Nascido em 14 de Junho de 1928. Assassinado a 9 de Outubro de 1967.


Marzo 1965

A mis hijos, Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Celia y Ernesto:

Si alguna vez tienen que leer esta carta, será porque yo no esté entre ustedes. Casi no se acordarán de mí y los más chiquitos no recordarán nada. Su padre ha sido un hombre que actúa como piensa y, seguro, ha sido leal a sus convicciones. Crezcan como buenos revolucionarios. Estudien mucho para poder dominar la técnica que permite dominar la naturaleza. Acuérdense que la Revolución es lo importante y que cada uno de nosotros, solo, no vale nada. Sobre todo, sean siempre capaces de sentir en lo más hondo cualquier injusticia cometida contra cualquiera en cualquier parte del mundo. Es la cualidad más linda de un revolucionario. Hasta siempre hijitos, espero verlos todavía. Un beso grandote y un gran abrazo de Papá

Aqui 
 

tags:
publicado por Francisco da Silva às 17:45
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 12 de Junho de 2012

Incompetentes ou mentirosos?





Vítor Gaspar, hoje, no parlamento, disse aos portugueses: 


Desconhecer as condições em que foi feito o empréstimo de cem mil milhões de euros ao setor bancário espanhol.

 

«No quadro do Eurogrupo, não foi sequer claro qual o mecanismo europeu que será utilizado», adiantou Vítor Gaspar, que explicou que ainda é preciso «algum tempo adicional» para se saber quais os montantes, taxas e os prazos deste empréstimo.

No entanto, Passos Coelho, tinha dito que Gaspar esteve presente na reunião onde o resgate foi decidido e acordado... 

Passos Coelho referiu que o Eurogrupo analisou, no sábado, «um eventual pedido da Espanha para proceder à recapitalização da banca em Espanha» e que nessa reunião o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, transmitiu a opinião do Governo português.

E Bruxelas sublinha ainda que Portugal aceitou as condições propostas... será que houve algum erro de tradução e Vítor Gaspar não sabia o que estava a ser decidido na reunião? Ou simplesmente, tentou ludribiar os Portugueses, como tem sido o seu estilo até agora? 

 

Bruxelas lembrou hoje que Portugal participou no Eurogrupo de Sábado, aceitou o tipo de resgate espanhol e vai ter direito de voto na aprovação do memorando espanhol, podendo contribuir para as modalidades de crédito e condições a Espanha.


A questão do empréstimo espanhol está a atrapalhar deveras o nosso governo... lendo estas notícias encontra-se mais uma pérola. Passos Coelho, acha que somos todos parvos, e após ser pressionado pela oposição, mente deliberadamente aos portugueses. 

Passamos pela vergonha de ouvir um porta-voz de Bruxelas, arrasar o primeiro-ministro do nosso país. Ora vejam:

 

Passos Coelho este fim-de-semana disse que o país estava "atento" ao "programa específico para a banca espanhola" e, "se houver alguma condição excepcional que deva ser partilhada com os outros países que estão sob assistência, não tenho dúvida de que isso acontecerá".

 

A declaração causa estranheza entre responsáveis europeus. "Não sei o que o primeiro-ministro português tinha em mente quando fez essa declaração", disse um responsável esta manhã.


Resumindo, estamos entregues a incompetentes ou a mentirosos. Ainda não consegui perceber bem, qual das opções será a mais correcta. 

Na volta, dá-se o caso de serem tão incompetentes que nem mentir sabem...

 

 

publicado por Francisco da Silva às 20:03
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

Perestrello has left the building

 

 Marcos Perestrello deixou a Finertec devido a pressões.



Questões que ficam:

Porque é que a comunicação social encobriu todo este caso até agora? 

Porque é que os blogs, que falavam do caso Relvas e Finertec, nunca mencionaram o envolvimento de Marcos Perestrello?

Ainda a procissão vai no adro... aguardem as cenas dos próximos capítulos. 
 

publicado por Francisco da Silva às 01:07
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 5 de Junho de 2012

...

publicado por Catarina Martins às 00:46
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Um ano de governo PSD/CDS



 

Quando vi esta foto, lembrei-me dos cartazes de propaganda dos anos 30. Mas é pior, muito pior. 

Esta é toda uma caricatura deste país, tresanda a ideologia, mas tem coisas curiosas de observar.

 

Já repararam que destes 11, apenas dois jogam em Portugal e que todos os outros emigraram, porque este país não lhe oferece futuro? 

Mesmo esses dois, estão em vias de dar o salto para outro país, porque realmente os baixos salários em Portugal em comparação com a média europeia, não os satisfaz? Sabem também que, em Portugal, dificilmente terão hipótese de serem reconhecidos a nível europeu, por muito bons que sejam... Outra curiosidade: Pepe, o brasileiro melhor recebido em Portugal, como todos os seus compatriotas que imigraram para cá deveriam tê-lo sido, já saiu em busca de um futuro melhor noutras paragens. Com pena, certamente, porque tal como muitos dos brasileiros que cá estavam, adorava o país e a vida em Portugal.

 

Se este é um retrato do país? Sim, sem dúvida, mas não é o retrato do país. O retrato do país, ao fim de um ano de governo PSD/CDS, teria que incluir em cada onze, três desempregados. Dos restantes, dois deveriam aparecer de recibo verde na mão, ou em alternativa, um contrato de trabalho precário.

Provavelmente, dos seis que sobravam, 4 estariam a jogar em troca das refeições e do passe como se faz com os estagiários. 

 

Os outros dois que restam, é isso mesmo que estão a pensar: teriam contrato milionário, isenção de impostos, viveriam do dinheiro dos contribuintes e seriam destacados militantes partidários: um do PSD, outro do CDS. 
 

Onze por todos e todos por onze? Poupem-me que eu já estou velho para correr atrás da bola.

Pergunta para queijinho: quantos deles pagam impostos em Portugal? 

publicado por Francisco da Silva às 15:38
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Tsipras e Zizek




Slavoj Žižek, Alexis Tsipras e Kostas Douzinas.
publicado por Francisco da Silva às 02:57
link do post | comentar | favorito
Domingo, 3 de Junho de 2012

Gigolo profissional



via Correio da Manhã


O economista e ex-dirigente do PSD António Borges, conselheiro do Governo para as parcerias público-privadas, defendeu, esta sexta-feira, em entrevista à Económico TV, que diminuir os salários não é uma política mas "uma urgência" e acusou o Estado de ser "um mau gestor".

Há um verbo que me ocorre:

chular 
(chulo + -ar

v. tr.
1. Viver às custas de alguém, aproveitando-se dele. 
v. tr. e intr.
2. Obter lucros indevidos ou de forma pouco lícita.

Quando se fartarem disto, avisem, é que ainda o mês passado pagámos dos nossos impostos, o salário deste iluminado
 
publicado por Francisco da Silva às 02:23
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Bilderberg 2012




The 60th Bilderberg Meeting will be held in Chantilly, Virginia, USA from 31 May - 3 June 2012. The Conference will deal mainly with political, economic and societal issues like Transatlantic Relations, Evolution of the Political Landscape in Europe and the US, Austerity and Growth in Developed Economies, Cyber Security, Energy Challenges, the Future of Democracy, Russia, China and the Middle East.
Approximately 145 participants will attend of whom about two-thirds come from Europe and the balance from North America and other countries. About one-third is from government and politics, and two-thirds are from finance, industry, labor, education, and communications. The meeting is private in order to encourage frank and open discussion.



Os artistas portugueses convidados, para a reunião de Bilderberg 2012, são:


PRT Amado, Luís Chairman, Banco Internacional do Funchal (BANIF)

PRT Moreira da Silva, Jorge First Vice-President, Partido Social Democrata (PSD)

PRT Balsemão, Francisco Pinto President and CEO, Impresa; Former Prime Minister


Veja a lista completa aqui
 

publicado por Francisco da Silva às 02:36
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Perestrello faz Relvas sair mais reforçado desta história


A revista Visão noticía, hoje, o seguinte:


Relvas, enquanto administrador da consultora Finertec, reuniu-se, pelo menos duas vezes, com Silva Carvalho para falarem de negócios. Uma das vezes na própria sede da Ongoing, na companhia de Nuno Vasconcellos, chairman da empresa, e de Braz da Silva, presidente da empresa de Relvas.

Os contactos entre as duas empresas resultaram num "memorando de entendimento" para "prospecção de mercado em várias áreas de negócio". Objectivos: Angola e Brasil.

A assinatura deste acordo, que Silva Carvalho e Relvas negociaram pessoalmente, foi feita no dia 21 de junho de 2011, no mesmo dia em que Relvas tomou posse como ministro. Já não era, há um mês, administrador da Finertec.

 

O que a Visão se "esqueceu" de mencionar:

Miguel Relvas, era até à altura da sua nomeação como ministro, "empregado" da Finertec. Após ter deixado este cargo, foi nomeado para o seu lugar o líder da distrital de Lisboa do PS, Marcos Perestrello. 
Se há dúvidas sobre as ligações entre Miguel Relvas, Silva Carvalho e a Finertec, penso que o ex-secretário de estado da defesa e agora deputado, Marcos Perestrello, poderia explicar ao Parlamento como funciona esta empresa. Certamente o "memorando de entendimento" assinado por Relvas continuará em vigor sob a batuta de Perestrello não? 

 

A Comissão Parlamentar de Ética deu parecer favorável para que o deputado do PS Marcos Perestrello possa ser administrador da empresa Finertec, grupo ligado ao sector energético por onde passou Miguel Relvas.

Outro pormaior que existe em toda esta questão e que começa a fazer-me confusão, é o esquecimento constante dos jornalistas e bloggers que escrevem sobre a Finertec, em mencionar a ligação profissional do líder da distrital de Lisboa do PS a esta empresa.

Já referi, em posts anteriores, começa a parecer que não há interesse em confrontar o socialista com estas questões. 

Espero sinceramente que não se confirmem os negócios de Silva Carvalho, Relvas, Ongoing e Finertec.
Das duas, três: ou Marcos Perestrello deixa a Finertec, ou deixa o seu lugar de deputado e líder da Distrital de Lisboa do PS, caso contrário, não resta nenhuma legitimidade ao PS para questionar Miguel Relvas ou Silva Carvalho, pelos seus comportamentos alegadamente menos correctos.

 

Sem dúvida que Relvas sai reforçado desta vez, pois o suposto maior partido da oposição é o seu melhor seguro de vida. Tudo isto, alegadamente, claro.


publicado por Francisco da Silva às 16:44
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Risco sistémico

 

Infelizmente, o assunto não passa do mesmo: Miguel Relvas. Ele está presente no caso das secretas, nas censuras e nas pressões aos jornalistas. A busca de protagonismo está a sair-lhe cara, é esse mesmo protagonismo que leva a que a opinião pública exerça pressão no sentido de o ministro apresentar a sua demissão. Para mim Miguel Relvas não está agarrado ao lugar de nº2 de Passos Coelho, pelo contrário, Passos é que está agarrado a Miguel Relvas. É este quem, alegadamente, representa o lobby Angolano, que, alegadamente terá também interesse em financiar o PSD. 
Como nas autarquias não há obras, consequentemente não há sacos azuis para financiar as eleições internas dos partidos. Assim, os partidos do arco do poder viraram-se para o capital angolano, o que explica a arrogância de Miguel Relvas em relação ao que anteriormente era a base do PSD: os autarcas. 

Há também dentro do PSD oposição interna, embora discreta. Paula Teixeira da Cruz e Miguel Macedo, são alegadamente os inimigos mais sonantes de Relvas e da sua facção e modus operandi. Não que sejam uns santinhos, apenas representam interesses diferentes. Se Miguel Relvas cai, Passos Coelho fica à mercê do aparelho do PSD. Se Relvas deixa de o controlar, imaginem o quão frágil se torna a posição de Passos... Por isso, penso que esta demissão não irá existir, nem se por hipótese, o próprio a quisesse. Ângelo Correia e os seus não vão deixar o partido à mercê da linha do Balsemão, depois de tanto esforço para conquistar o aparelho para o seu lado, não estou a ver uma oferta de mão beijada.

O primeiro-ministro foi eleito por interposta pessoa, sem base da apoio ou financiamento próprios, está a representar dois papéis: o de capataz de Merkel e o de porta voz de Ângelo Correia. Mais depressa sai de cena o Passos Coelho que o Relvas, de qualquer modo, com estes jogos de bastidores quem perde somos nós. Sem dúvida que Relvas deveria ter-se demitido, tal como fez António Vitorino quando houve suspeitas de irregularidades fiscais, que se vieram a provar erradas. Como disse o bifeahcasa no twitter: o Relvas é "too big to fail". Há o risco sistémico de a demissão se alargar aos restantes membros do governo, por isso será difícil que saia da sua cadeira antes de Passos Coelho. 

 

Tudo isto tem um lado positivo: se corrermos com o Relvas vamos correr com o Passos. 

Tentar não custa...

 

 

publicado por Francisco da Silva às 00:53
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

#RuaRelvas



É continuar a pressionar. Como diria o Bocage: "Ele há-de sair."

 

publicado por Francisco da Silva às 01:56
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Pressionem o Relvas



Já passaram alguns dias sobre o caso Relvas. Como é usual, nada se passou de relevante: Relvas continua ministro e a direcção do Público não teve a vergonha necessária para se demitir. Assim sendo, resta utilizar este método, mais dentro daquilo que é o Estado de Direito, ou então entrar no jogo: Todos os jornalistas, sem excepção, deveriam promover um boicote aos ministros e ameaçar divulgar pormenores da vida privada do Relvas até ele se demitir.

Duvidam que resultava?

publicado por Francisco da Silva às 23:27
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

O Álvaro coiso




Temos um governo saído da liga dos últimos, como podem ver aqui. Descubram as diferenças.

publicado por Francisco da Silva às 16:30
link do post | comentar | favorito

Do Fascismo


"Em geral, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação que é caracterizado: pela monopolização da representação política por parte de um partido único de massa, hierarquicamente organizado; por uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo; por objetivos de expansão imperialista, a alcançar em nome da luta das nações pobres contra as potências plutocráticas; pela mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime; pelo aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror; por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa;por um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado; pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais."¹


Segundo a definição dos autores, temos sete condições necessárias para que se possa caracterizar o fascismo. Há cinco delas que merecem especial destaque:

 

  • uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo
  • mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime

  • um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado

  • um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa 
  • pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações económicas, sociais, políticas e culturais.


Passos é o homem do momento, aquele a quem toda a gente presta vassalagem com medo de represálias via Relvas. Isto porque o emprego hoje, muitas vezes, depende de ficar ou não de boca fechada. Todos os cargos que dependem de nomeação política alinham neste diapasão, tal como dentro do PSD. Passos está de certa forma a vingar-se de quem o excluiu da política tanto tempo, agora o palco é seu e só seu. O contabilista Gaspar, o bobo Álvaro e o mercenário Relvas, completam a corte do Reino de Portugal.
Há um tentativa de mobilização das massas contra o inimigo externo: a dívida. É uma maneira fácil de unir as tropas, e ao ter como inimigo um unicórnio, garante-se um estado de excepção permanente. Será impossível, desta forma, derrotar a dívida. A guerra durará eternamente.
Pede-se ao povo que colabore com as elites, para todos de mãos dadas em paz e harmonia, continuarmos a encher os bolsos aos mesmos de sempre, às corporações que dominam o Estado.
O próprio Estado está a ser reorganizado, vai passar a existir um serviço nacional de saúde para os pobres, como há o passe para os pobres, e demais serviços similares. Faz sentido, pois se há coisa que este governo está a criar, é pobreza. A divisão social vai passando a existir institucionalmente, em vez do "Judeu não entra" ou "Preto não entra", pouco faltará para passarem a existir sítios onde se poderá ler "Pobre não entra" (oficialmente, porque não oficialmente já existem mais que muitos).
O Estado nada mais faz que dar directivas económicas, interferindo assim, numa economia que supostamente é baseada no mercado livre. Apregoam a não intervenção do Estado na economia, no entanto, todos os dias tentam de um modo ou de outro, interferir na mesma.
Relvas, que recebia informações de Silva Carvalho, é também o ministro da propaganda. Bate certo com o terceiro ponto acima citado, retirado da definição de fascismo. Controla as informações e controla a comunicação social mais mainstream, acabando com os programas que não lhe interessam e promovendo aqueles que bajulam quem o mantém no poder. 
Quanto ao último ponto, acho que o Catroga e o António Borges, são excelente exemplo do que é a total integração de uma lógica de controle do estado pelo partido.

Quero com isto dizer que este governo é fascista? Não, longe de mim dizer uma coisa dessas, pois apenas são factuais cinco em sete das condições para poder afirmar tal coisa. Podemos é concluir que se não são, para lá caminham, a Passos de Coelho. 
 


____________________________________________________________
¹ BOBBIO, MATTEUCCI, PASQUINO, Dicionário de Ciência Política, Brasília, Universidade de Brasília, 11ª Edição, 1998, pg. 466

publicado por Francisco da Silva às 02:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Salário mínimo



No dia em que só se fala nos números do desemprego, o governo anunciou, de um modo semi-encapotado, que não vai haver aumento do salário mínimo. Isto porque, dizem eles, há o risco de ninguém querer empregar pessoas a receber salários baixos, se estes aumentarem um pouco. Um salário de 500 euros equivale a receber cerca de 3 euros por hora de trabalho. O governo acha que é muito.
A política PSD/CDS é uma aposta forte na redução do custo da mão-de-obra. Querem Portugal a competir com a China, Taiwan, Vietname e outros que tais. Querem que o país volte ao tempo das crianças a trabalharem nas fábricas, um regresso à cultura laboral da escravidão e da miséria. Enquanto isso, a maior parte da comunicação social, qual rádio Relvas, faz eco de tudo o que o governo diz, sem questionar ou confrontar os decisores com o que é a realidade:


"O aumento do salário mínimo tem um efeito negativo no emprego de trabalhadores com salários baixos." Esta é uma das conclusões apontada pelo Governo no documento sobre a actualização da remuneração mínima para 2012, enviada aos parceiros sociais para discutir esta sexta-feira, em concertação social.

O texto refere dois estudos que sustentam, segundo o Governo, que há poucas vantagens no crescimento da remuneração mínima para 500 euros, sobretudo ao nível da manutenção do emprego dos trabalhadores com baixos salários. 

 

 

Pesquisando na web encontrei dois artigos que dizem o oposto. Não poderiam os senhores jornalistas confrontar o governo com outros estudos, alternativas políticas, e questões pertinentes, em vez de se limitarem a copiar e colar os press-releases que recebem? 


Ficam aqui excertos dos abstracts:


This paper shows that, in an overlapping generations, model with endogenous growth, minimum wage legislation does not necessarily has negative consequences on economic performance. Such legislation can have positive effects on growth by inducing more human capital accumulation. More precisely, a low demand for unskilled labor, induced by a minimum wage, may create an incentive for workers to accumulate human capital. Moreover, it is possible that a decrease in the minimum wage lowers the welfare of each agent in the economy. 

Our computational exercises suggest that redundancy transfers and administrative dismissal restrictions have negligible unemployment effects when wages are flexible or when the minimum wage is low, but a dramatic positive impact on unemployment when there is a high minimum wage. 


publicado por Francisco da Silva às 23:55
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 15 de Maio de 2012

O governo está a obter resultados



Banco de Portugal confirma que o ajustamento promovido pela “troika” deixou marcas na economia no ano passado. O relatório do banco central considera que o processo de ajustamento está a ser bem sucedido, mas com um preço alto, especialmente quanto ao desemprego.

No entanto, esta correcção chegou com um preço: o desemprego atingiu um pico, perto dos 13%, e ainda não parou de subir, mais de metade é considerado desemprego de longa duração e quase um terço atinge os jovens.

O ano passado terminou nos 13%... entretanto já vamos nos 15 e ainda não chegámos a meio do ano:

"A taxa de desemprego subiu para 15 por cento em fevereiro, e deverá aumentar mais ainda este ano", preveem ainda os técnicos de Bruxelas.

Ou seja, o governo de direita do PSD CDS, conseguiu aumentar este ano o desemprego em 2%. Andam-se a esforçar, os rapazes. 

Obrigado ao João Vale pela correcção. 

publicado por Francisco da Silva às 14:50
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Anticonstitucional

 

Constituição: (também chamada de lei fundamental, lei suprema, lei das leis, lei maior ou magna carta) é um conjunto de normas de governo, que pode ser ou não codificada como um documento escrito, que enumera e limita os poderes e funções de uma entidade política. Essas regras formam, ou seja, constituem, o que a entidade é. No caso dos países (denominação coloquial de Estado soberano) e das regiões autônomas dos países, o termo refere-se especificamente a uma Constituição que define a política fundamental, princípios políticos, e estabelece a estrutura, procedimentos, poderes e direitos, de um governo. Ao limitar o alcance do próprio governo, a maioria das constituições garantem certos direitos para as pessoas.



A alarvidade do dia, é grave. Não podemos continuar a rir das idiotices que o Passos diz e faz, pois estamos a rir-nos de nós próprios, da nossa democracia.
Obviamente que temos a noção que ele é incapaz de governar um país, é uma marionete na mão do Relvas e do Gaspar. Mas isso não pode servir de desculpa para as palermices que ele diz. Não são só palermices, têm consequências graves e têm peso ideológico.
As declarações de hoje são insultuosas, é mais uma clara prova que não existe qualquer respeito pela lei neste país.
Mas, como é Portugal, segue tudo dentro da anormalidade do costume. 

O primeiro-ministro defendeu hoje que estar desempregado tem de "representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade"

Tem, por outro lado, de representar uma oportunidade para “mudar de vida”. Isto porque “nós não temos emprego para a vida inteira, como não temos empresas para a eternidade”



Como lembra, e bem, o professor Maltez, as declarações do primeiro-ministro acima referidas, violam a constituição da república portuguesa:


Artigo 58.º
Direito ao trabalho

 
1. Todos têm direito ao trabalho.
 

2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:

a) A execução de políticas de pleno emprego; 
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais; 
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.
 

 

Se não estamos perante um Processo Reaccionário em Curso, estamos sem dúvida no caminho certo rumo a um regime autoritário. A constituição tem sido ignorada em nome da crise, vamos estar em estado de excepção pelo menos até 2015... há que parar este governo antes que concluam o retrocesso civilizacional de 40 anos que estão a implementar alegremente.
Temo que em 2015 já seja tarde demais.


 

publicado por Francisco da Silva às 20:58
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Mocidade portuguesa






“Sobretudo à mocidade alemã, é que nos dirigimos.” ¹


Vítor Gaspar, ao melhor estilo dos regimes autoritários, vai apresentar um livro encomendado certamente por si para explicar a crise às crianças.
Há uns anos tempos fiz um artigo sobre a juventude Hitleriana, comparada aos novos escuteiros americanos, após ter lido esta notícia surreal:
Scouts Train to Fight Terrorists, and More. Para além de encontrar demasiadas similaridades, concluí que todos os regimes autoritários tendem a doutrinar as suas crianças, de modo a perpetuarem-se no poder, através da propagação de um pensamento absolutamente monista. Hitler fez isso, Mao, Salazar, Mussolini... é prática corrente em regimes destes e tem sido aplicada com relativo sucesso. 
 

Gaspar é bom no que faz e assume-se como o ideólogo deste governo, ou melhor, o enviado europeu para espalhar a ideologia tecnocrática que baseia o valor de cada homem e de cada sociedade na sua produtividade. Nada contra, pelo contrário, é bom quando um político se assume. 
Escondendo-se no papel de contabilista, vem agora explicar às crianças que independentemente de esquerda ou direita há só uma linha de pensamento: a sua. Sobre o livro diz-se o seguinte:

A peculiaridade reside no facto de a explicação ser dada de acordo com a ideologia favorita de cada leitor: se prefere as justificações defendidas pela esquerda começa a ler o livro por um lado, se prefere as justificações defendidas pela direita começa a ler o livro por outro

Ou seja, no manual do Gaspar para a mocidade portuguesa cabem todas as respostas, anulando assim qualquer crítica do livro estar inquinado de ideologia. Como bem sabemos, a não ideologia também é ideologia, e há uma "ideia por detrás da ideia" de apresentar um livro assim: mostrar às crianças que acima das opções políticas de esquerda ou de direita, o que interessa é a visão do contabilista, do tecnocrata.
A tecnocracia tem aberto o seu caminho para o poder através de diversos métodos, sendo este o mais eficaz: a tentativa de demonstrar que as opções políticas não o são, mas sim, as únicas escolhas possíveis. 

Não é por ser de direita que este governo está a desmantelar o Estado Social... não, eles até gostam dele. É porque não há alternativa. Não é por ser de direita que o governo está a reflectir a crise no empobrecimento dos trabalhadores em vez de a reflectir nos lucros cada vez maiores dos patrões... eles bem queriam, mas não há outra hipótese.
Agora esta semente do pensamento único vai ser plantada nas nossas crianças, vai ser uma iniciativa louvada por todos os comentadores habituais da praça. Outra vez, não é por os comentadores serem de direita... é porque os miúdos precisam de saber o que é a crise, e se for pela boca do Gaspar, melhor ainda. Como diria o Sr. Ford: "os miúdos podem escolher a ideologia que quiserem, desde que esta seja a do Gaspar".

As ditaduras chegam devagarinho, sem se dar por elas. Um dia, quando repararmos e quisermos colocar um travão a isto será provavelmente tarde demais. Por isso, não posso deixar de escrever agora, antes que seja tarde.
 

 

____________________________


¹ HITLER, Adolf, A Minha Luta - Mein Kampf, Afrodite, Lisboa, 1976


publicado por Francisco da Silva às 14:18
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Sem compromisso


Vítor Gaspar disse hoje que a hipótese de repor 25% dos subsídios em 2015 é uma mera "perspectiva técnica" e não "um compromisso"
Eu diria mais, é uma miragem, uma utopia ou uma alucinação.


 

 

publicado por Francisco da Silva às 13:22
link do post | comentar | favorito

Quem tem medo da democracia?




“Democracy means a form of government in wich, in contradistinction to monarchies and aristocracies, the people rule.” ¹

Na Grécia, é chegado o momento do Syriza tentar constituir governo. Quem não andou distraído sabe com que programa se candidataram, sabem também que foi esse programa que lhes garantiu o lugar de segundo partido mais votado.
Por cá, e um pouco por toda esta europa do pensamento único, não falta quem grite "aqui del rei" que vem aí a esquerda radical. Aquela esquerda que defende que as pessoas não são escravos dos números, que quer uma vida digna para os seus cidadãos.

 

Para muitos "democratas", a escolha política só é válida enquanto se vota nos partidos do costume. Quando os cidadãos se atrevem a votar fora do sistema é porque estão a condenar-se à miséria e por aí fora. Estes mesmos democratas, são aqueles que não se incomodam por Portugal ter um partido de extrema direita no governo. Desde que seja para servir de muleta do PS ou do PSD, dão vivas ao CDS.

O Syriza tem reunido com partidos, eleitos e não eleitos, sindicatos, e diversos outros representantes sociais. Ao contrário dos nossos governantes, recusam-se a rasgar o programa eleitoral com o qual foram eleitos em troca de governar. Recusam trair a confiança do eleitorado grego que viu nas suas ideias uma alternativa. Provavelmente, é a seriedade com que encaram esta tarefa difícil, numa conjuntura para lá de desfavorável, que faz confusão a estes nossos "democratas" de pacotilha. Não estão habituados a pessoas sérias na política, com ideias claras e com consciência do que é um contrato eleitoral. Espero, sinceramente que consigam formar governo. Um governo radical, radicalmente contra a escravatura da dívida, radicalmente contra a vergonha que tem sido a política na Grécia, radicalmente contra venderem os seus ideais e princípios.

Se não resultar, temos sempre a hipótese de voltar a dar a voz ao povo, que numa democracia verdadeira, é quem tem a palavra. 

 

_____________________________
¹  HELD, David, Models of Democracy, Stanford University Press, California, 2006

publicado por Francisco da Silva às 00:09
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

A austera idade

A Europa já passou por várias idades históricas e chegou à idade austera. É uma espécie de idade média, tanto no fechamento às ideias e à cultura, como nas relações laborais. Neste contexto tivemos duas eleições recentes em França e na Grécia, cujos resultados estão a ser escalpelizados e dissecados por tudo o que é adivinho político. Vamos então por partes:

Na Grécia, o governo era de um certo modo autoritário com alguns raros laivos democráticos, havendo a esperança que o povo legitimasse a vontade exterior nestas eleições, para que não se tenha de continuar a impor pela força, as directivas da política de austeridade.
O parlamento continua a ser o local de decisão política por excelência, embora cada vez mais o poder pareça resvalar para as ruas.
A Grécia, é hoje um estado no qual os cidadãos perderam quase toda a confiança no sistema político, porque este não consegue dar resposta aos problemas das pessoas.

Em França, o poder continuou a ser democrático, apesar de Sarkozy não esconder a sua veia autoritária em termos de política externa. O poder não está em risco de cair nas ruas, nem há uma desconfiança nas instituições sequer parecida com a que existe na Grécia.
As pressões de Merkel, a meu ver, beneficiaram o candidato vencedor. Num país onde a extrema direita tem tanto peso político, a conivência com interferências externas é penalizador, logo Sarkozy só tinha a perder com a proximidade a Merkel.

O que muda com estas eleições?

 

Na Grécia, a não constituição de um governo e a possibilidade de novas eleições, arrasará a pouca confiança no sistema político que ainda resta aos cidadãos. Provavelmente, haverá condições para discutir uma alteração radical da forma do poder e será com certeza a rua a ter a última palavra. Quem conseguir mobilizar os gregos irá definir o que se passará posteriormente.

Em França, pouco mudará no essencial. Provavelmente, teremos uma austeridade de rosto humano, mais carinhosa para com os PIGS, mas no fundo continuará a existir uma "cooperação estratégica" entre Paris e Berlim. É uma aposta na dupla bem sucedida do "polícia bom e do polícia mau", cabendo a Hollande o papel de bonzinho. Deixará de se ouvir "ou é assim ou são corridos do Euro", haverá antes uma versão mais soft do estilo "claro que irão cumprir, visto ser a única alternativa para se manterem no euro."
Em termos de política interna francesa, dizem que este senhor acredita no estado social... pois, o Cavaco também diz que acredita. Aliás, acreditar nunca fez mal a ninguém, mas não é por eu acreditar no pai natal que ele passa a existir. É preciso que haja políticas no sentido de garantir o estado social, portanto será um ver para crer. Para mim, parece que se confirma a velha frase: "é sempre preciso mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma".

Em Portugal, o PS vê o Hollande como o Messias da esquerda, ou seja, reconhece que de Seguro pouco esperam. Esqueceram-se também de dar um apoio aos seus camaradas do PASOK, o que provavelmente explicará o desaire deste último nas eleições gregas. Ficou-lhes mal.
O PSD, no seu lambe-botismo provinciano do costume, apressou-se a adular o novo senhor do poder e as políticas que ele promete não vá isto dar para o torto. Passos é um bom capataz ao serviço do eixo Paris-Berlim e está disposto a esforçar-se ao máximo para o provar.
 

A Oeste nada de novo.

publicado por Francisco da Silva às 22:30
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 5 de Maio de 2012

Parabéns pá!


O artigo58, nasceu e cresceu na Rua Arbat, mas foi há um ano no Estoril que tudo começou.





Gosto de vos ter por cá. 
 

publicado por Francisco da Silva às 17:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Tenham medo




"Young people in search for politicall freedom and economic opportunity, weary of waking up to the same tedium day after day, rose up against their sclerotic masters." ¹

Lendo e relendo diversos artigos sobre a Primavera Árabe, vem-me à ideia aquela velha e sábia teoria que em política não há espaços vazios.
Nos países da primavera, a queda das ditaduras que foram ao longo de muitos anos pedras basilares da "pax americana", criaram um vazio.
Os jovens não tinham liberdade, dignidade, emprego, nem perspectivas de um futuro melhor. Apenas eram donos de um imenso vazio que eram os seus dias. Foram preenchendo esse espaço das suas vidas com pensamento, com querer, com ambição. Nos dias acelerados que vivemos, raramente temos tempo para ler toda a informação que está disponível e reflectir sobre ela. Daí muitas vezes se dizer que o povo é sereno, manso ou outros adjectivos parecidos. No entanto, com a taxa de desemprego a bater recordes todos os dias, os jovens começam a ter mais tempo para parar e pensar o tipo de sociedade em que vivem e o modelo desigual em que esta se baseia.

Não estou a fazer um elogio do "quanto pior melhor", longe disso. Constato apenas factos que esta devastação económico-social tem produzido. A alienação é sempre mais fácil quando há uma cenoura para o burro ir seguindo. Estes governantes, inebriados pelo poder e pela sua prepotência pensam que apenas o pau lhes bastará para continuar a conduzir a sociedade rumo ao precipício. Não basta! Há vários e variados exemplos que o aparelho repressivo do estado nao chega para manter a ordem, quando se vivem dias de desespero, de tédio e de inacção.
É contrário à natureza dos jovens a inércia, é preciso mantê-los ocupados para que não abram os olhos para a condenação a uma condição de vida miserável. 
Sim, temos medo dos bastões da polícia, das suas armas e dos seus cães. Mas temos muito mais medo de não ter futuro e de viver com medo a vida inteira.

Governantes esclerosados, tenham noção que o vosso dia chegará.

___________________
¹ AJAMI, Fouad, The Arab Spring at Once, A year of Living Dangerously, Foreign Affairs, volume 91, number 2, March/April 2012  

publicado por Francisco da Silva às 01:07
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 1 de Maio de 2012

1º de Maio


Hoje, passei pela Alameda, como outros milhares de pessoas, tendo como certeza que a comunicação social apenas iria dar notoriedade a outro evento.
Tanto me dá, honestamente, farto de ir a manifestações que não têm o mínimo de eco nos media estou eu. 
Aproveitei para dar e receber uns abraços, beber um copo e comer umas bifanas com um amigo de direita que quis ir ver as vistas e pensar um bocado sobre o significado deste dia, ou melhor, o significado que este dia tem para mim.

1º de Maio para mim é "A Mãe" do Gorki, é subir a Almirante Reis a caminho da Alameda e também é encontrar o pessoal com o qual partilhei lutas, e beber um copo com eles, celebrando um reencontro alegre. Normalmente quando estamos juntos é em greves, em plenários, a "fazer política", situações de tensão, crispação... Neste dia paramos todos um bocado, celebramos mais um ano em que estivemos do lado dos nossos, da nossa classe.

Sempre preferi o 1º de Maio ao 25 de Abril, desde miúdo. O 25 de Abril era aquela cerimónia respeitosa para com todos os que tombaram pela nossa liberdade, já o dia do trabalhador era isso mesmo: um dia de festa, um dia em que os trabalhadores se aburguesam e sentam-se na relva a comer bifanas, sardinhas, chouriços e azeitonas. Tudo regado a tinto, daquele das festas populares que todos dizemos mal, mas do qual temos saudades assim que saímos por uns dias do país. É dia de festa, de celebrar os dias que passaram e os dias que aí vêm e não vão ser fáceis, mas é o nosso dia. 

Nós, que nos assumimos como proletários, aqueles cuja única posse é a sua prole, temos um dia que é de festa.
Os outros 364 são de luta, de exploração, de cortes os salários, de roubo nos subsídios e salário indirecto, de injustiça e de prepotência.

Fica-me sempre algo na cabeça neste dia: os desempregados, aqueles que não têm um único dia para celebrar.
São cada vez mais e não há políticas de criação de emprego, o governo a única resposta que tem é "habituem-se"
Não dá, não é possível habituarmo-nos a isto.


publicado por Francisco da Silva às 23:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 28 de Abril de 2012

Opções políticas



A política deste governo tal como ela é:

As resoluções da Assembleia da República, publicadas esta sexta-feira em Diário da República e assinadas pela presidente Assunção Esteves, recomendam ao Governo que «pondere a criação de instrumentos que garantam o acesso ao pequeno-almoço aos alunos mais carenciados do ensino obrigatório» e «garantam o acesso a uma refeição matinal aos alunos cuja situação de carência lhes impede o acesso em casa»


A política, tal como devia ser:

As resoluções da Assembleia da República, publicadas esta sexta-feira em Diário da República e assinadas pela presidente Assunção Esteves, recomendam ao Governo que pondere a criação de instrumentos que garantam uma vida digna aos portugueses, em especial o acesso a uma remuneração decente aos pais cuja situação de carência lhes impede de satisfazer as necessidades básicas da sua família.
Ao mesmo tempo, são revogados todos os processos que os parasitas do PSD CDS e PS têm usado ao longo de 35 anos, para roubar os recursos do Estado para a acção social e demais serviços públicos. 

publicado por Francisco da Silva às 13:59
link do post | comentar | favorito

Quem é Vítor Gaspar?


"Os custos do trabalho estão a ser reduzidos para melhorar a competitividade", disse Vítor Gaspar


"Que ninguém pense que as empresas portuguesas conseguirão afirmar, de forma sustentada, a sua competitividade no mercado internacional à custa de salários baixos. Existem sempre outros países que terão salários mais baixos do que Portugal", disse o Presidente da República.


No tempo do Sócrates, amanhã, em todos os jornais aparecia em gordas "Fim da cooperação estratégia entre Belém e São Bento".

Num país a sério, ou o presidente dissolvia o governo já que afirma categoricamente que o ministro das finanças não é ninguém, ou o Gaspar demitia-se por manifesta falta de confiança na sua competência pelo "presidente de todos os portugueses".

Entretanto, como gosto de dizer, segue tudo dentro da anormalidade do costume.

publicado por Francisco da Silva às 02:51
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Amanhã não vou à missa

 

"Better to do nothing than to engage im localised acts the ultimate function of which is to make the system run more smoothly (acts such as providing space for the multitude of new subjectivities).
The threat today is not passivity, but pseudo-activity, the urge to "be active", to "participate", to mask the nothingness of what goes on. People intervene all the time "do something"; academics participate in meaningless debates and so on. The truly difficult thing is to step back, to withdraw.
Those in power often prefer even a "critical" participation, a dialogue, to silence - just to engage us in "dialogue", to make sure our omnious passivity is broken. The voters´ abstention is thus a true politicall act: it forcefully confronts us with the vacuity of today´s democracies. 
If one means by violence a radical upheaval of the basic social relations, then, crazy and tasteless as it may sound, the problem with historical monsters ho slaughtered millions was that they were not violent enough.
Sometimes doing nothing is the most violent thing to do." ¹

Eu tenho uma posição muito própria sobre o dia de amanhã. Ainda mais própria no que toca à manifestação que vai descer a avenida da Liberdade e espero ferir algumas susceptibilidades porque a altura do politicamente correcto já lá foi. 
Amanhã, seria dia de celebrar o golpe militar que teve o intuito de devolver Portugal aos portugueses, tirá-lo das garras de umas poucas famílias que nos escravizavam e nos tratavam como o seu gado, para o devolver a quem de direito: aos cidadãos.
38 anos depois, Portugal é um protectorado cuja elite continua a ser a mesma de há 38 anos, apenas com a diferença que presta vassalagem a um diferente senhor.

Há exactamente 38 anos, o golpe de estado levado a cabo pelos militares teve como um dos objectivos acabar com a censura. Hoje, temos um governo que cala jornalistas a mando do ditador angolano José Eduardo dos Santos. O golpe foi também feito para acabar com as condições de vida miseráveis a que os portugueses estavam condenados: a guerra e a fome que forçavam a emigração. Hoje, a emigração é recomendada pelos nossos governantes com um ordinário "quem está mal mude-se".
 
Os exemplos são mais que muitos... por isso, amanhã não consigo, pela primeira vez em muitos anos continuar a enganar-me e a fingir que está tudo bem. Não vou descer a avenida cujo nome não poderia ser mais irónico: da Liberdade.
Participar amanhã na manifestação é legitimar o que estes animais que nos governam estão a fazer. Desfilar amanhã a celebrar o 25 de Abril, quando temos um governo que está a ajustar contas com as conquistas que foram feitas e a arrasar a constituição que resultou de Abril, é imoral, indecente e colaboracionista, a meu ver. É ajudar a branquear um governo autoritário que actua contra o seu povo com uma violência sem precedentes na história do nosso Portugal "democrático". 
Fazer alguma coisa amanhã, alguma coisa que realmente marcasse, seria ficar em casa e deixar as ruas vazias. Se esta ideia se espalhasse teríamos todos os meios de comunicação internacionais a noticiar "Portugal atravessa um período tão grave que os seus cidadãos recusaram-se a celebrar o 25 de Abril, feriado que assinala o dia em que a ditadura acabou." 
Mas não, amanhã temos mais um dia em que as pessoas vão para a rua, enganadas, a servir o propósito do governo: sentirem que já fizeram algo contra esta ditadura dos mercados e da austeridade. Entram em diálogo social com o poder dizendo: "Podem-nos tirar tudo o que Abril nos deu, desde que nos deixem continuar a fingir que vivemos livres".
Não é este o meu sentimento, não é esta a minha vontade. Não entro em diálogo com fundamentalistas que espalham o terror da pobreza, do desemprego e da miséria pela sociedade. Esta gente tem de ser combatida, de novo, como há 38 anos alguns bravos o fizeram. Na altura houve quem lhes chamasse loucos, mas eles não ligaram e continuaram o seu caminho. Sejamos também nós loucos, passados 38 anos, e amanhã honremos a sua memória não sendo coniventes com a mentira de que as portas que Abril abriu não foram emparedadas.

Em cada esquina um desempregado, em cada rosto a desigualdade, Grândola Vila Morena, que é feito de ti oh cidade? 


_____________________

¹ ZIZEK, Slavoj, Violence, Picador, New York, 2008, pp. 216-217

publicado por Francisco da Silva às 21:06
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

E depois do adeus, um abraço



publicado por Francisco da Silva às 19:01
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Restos não são uma política saudável



Surgiu uma ideia, que aliás não é nova, de dar as sobras de comida aos mais necessitados. A ideia não é nova porque já foi experimentada e com pouco sucesso: um restaurante que tenha imensas sobras é um restaurante falido a curto prazo. Pelo que esta ideia é uma mistificação. Em Oeiras alguns restaurantes aderiram a esta ideia, ressalvando que poderiam oferecer um número X de refeições mas preparadas propositadamente para o efeito. Os proprietários referiram na altura, que não tinham sobras porque isso é gerir mal um restaurante.

Para além deste pequeno pormenor que os propagandistas do regime esquecem sempre de referir, temos a ideologia da caridadezinha sempre presente.
Os mesmos que exploram as pessoas e são responsáveis por salários de miséria e redução dos rendimentos das famílias, são aqueles que ao fim-de-semana recolhem as sobras das suas fortunas e decidem distribuir umas migalhinhas pelos pobres.
Nunca distribuem o suficiente para estes deixarem de ser pobres atenção, isso daria cabo do seu desporto de fim de semana e acabaria com a necessidade dos mais pobres aceitarem trabalhar a qualquer custo e sob quaisquer condições nas suas empresas.
A caridade é uma indústria nos dias de hoje. Não faltam incentivos ao consumo de produtos que contribuem com 1 cêntimo para uma causa qualquer, num país distante de nós. Sentimos que ao comprar estamos a fazer o bem... a contribuir para algo mais que o bolso de quem produz o que compramos.

Zizek chama-lhe o Capitalismo Cultural e explica-o bem aqui.

Eu estou contra esta ideia de dar os restos aos mais necessitados. Como explicamos que na sociedade em que vivemos há anúncios de comida para cão onde é dito que "restos não são uma alimentação saudável" e ao mesmo tempo vem meio mundo defender que para os pobres já serve? 

Nem do ponto de vista da Igreja é defensável: as escrituras dizem claramente para dar o que temos, tudo o que temos e não só o que nos sobra e não nos faz falta.
Sou a favor que hajam salários dignos, condições de vida dignas e criação das condições socias para acabar com a miséria. Sou totalmente contra estas soluções nojentas de propaganda mesquinha que pretendem menorizar as pessoas e forçá-las a uma vida de joelhos, de subserviência e de sujeição.
Isto é ideologia, formatação social para a criação de um modelo que remonta à altura em que o rei vinha passear de carruagem e atirarava comida aos pobres.
O governo está a atirar milhares de pessoas para a pobreza com a anuência da oposição violenta, não é darem umas migalhas às pessoas que vai mudar isso. Não roubem o salário aos portugueses, não lhes roubem os subsídios a que têm direito e para os quais descontaram e ponham a vossa caridadezinha lá onde o sol não brilha.

As pessoas agradecem.

 

publicado por Francisco da Silva às 13:49
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Ser solidário é ser humano?


Quando o Nuno Miguel Guedes lançou o desafio de escrever um texto para um jornal chamado "Lisboa Capital República Popular"¹ não podia recusar. O tema é "Ser solidário é ser humano?" e o jornal está a ser distríbuido pela zona do Cais Sodré onde decorrerá este evento que pretende celebrar Abril de uma maneira mais voltada para a cultura.
Amanhã às 18:00 vou debater este tema com o Pedro Marques Lopes no Povo, ali ao lado do MusicBox.
Estão todos convidados a aparecer e beber solidáriamente um copo antes, durante ou depois do debate. 




__________________

¹O festival Lisboa Capital República Popular recupera o nome dos quatro jornais vespertinos já desaparecidos — Diário de Lisboa, A Capital, República e Diário Popular —, que eram apregoados pelos ardinas nas ruas de Lisboa, por esta ordem, sobretudo durante os anos de ditadura, num desafio às autoridades e aos agentes da PIDE, a polícia política, em particular.


publicado por Francisco da Silva às 15:50
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Passos Coelho ama-te!




Só não te mando à merda Joana porque és uma senhora.

Os 10 Bloggers a quem envio esta corrente são:

Isabel CruzAna Matos Pires, José Maria Barcia, Ana Firmo Ferreira, Tiago Mota Saraiva, Ana Santiago, José Simões, Paulo Coimbra, Francisca AlmeidaNuno Gouveia.

A ver quais serão as respostas!
 

publicado por Francisco da Silva às 13:28
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 10 de Abril de 2012

O silêncio do poder


"Um dos documentos importantes para o analista, sobretudo da conjuntura, é o silêncio do Poder. Aquilo de que os agentes do Poder sistematicamente não falam, ou impedem que se fale, é frequentemente o mais importante dos factos a tomar em consideração."¹

A intenção concretiza-se, agora, após um processo que correu sem conhecimento público.

Diploma foi publicado esta tarde em Diário da República, depois de ter sido promulgado hoje mesmo por Cavaco Silva, concluindo um processo que decorreu no maior sigilo.

O processo de congelamento das reformas antecipadas decorreu em quatro dias úteis e em total sigilo.

Aqui o "analista" deu por si a questionar o porquê desta medida. Ao ler várias e variadas notícias sobre a questão do fim das reformas antecipadas houve algo que me chamou a atenção, um denominador comum em todas elas: o secretismo da medida. 
Ora como diz e bem o autor acima citado, o facto político mais importante sobre este assunto será a questão de ter sido apresentada em total secretismo.
A explicação mais fácil a que a maior parte dos analistas e jornalistas (que já não se limitam a dar notícias mas também a interpretá-las nos dias que correm) procuraram foi a de "evitar uma corrida às baixas".
Faz algum sentido, claro. Mas é demasiado fácil, é a tal resposta posta ali à espera de ser descoberta.

O que este governo tem preparado no maior secretismo é uma revogação da anterior constituição. Tem-no feito em quase todos os domínios da governação recorrendo a medidas anticonstitucionais validadas pelo carácter temporário das mesmas, pelo menos tem sido essa a razão invocada pelo TC para as permitir.
Sem recorrer a um processo claro e transparente de revisão constitucional, tem aniquilado as conquistas que inscrevemos na lei suprema da nossa Nação. Têm banalizado a sua violação e desconsiderado o seu papel e a sua importância na definição do que é um Estado, neste caso o Português.
Quando a um país que não tem soberania, como é actualmente o nosso caso em que estamos sob um regime de protectorado, se junta o fim do papel da lei geral que institucional e formalmente é o que mais nos distingue dos demais países, podemos dizer que acabou.

Portugal como o país que todos tivemos o prazer de conhecer acabou. Vai ser uma província da alemanha, vai ser colónia americana, capital do V império... quem sabe? O que sabemos é que a constituição está a ser tratada como aquele parente velho e demente que o governo vai aturando lá em casa apenas para lhe ficar com a reforma.

Não sou constitucionalista, não é a minha àrea, aliás com o andar dos dias parece-me cada vez mais uma especialidade em vias de extinção, portanto deixo-vos com a opinião de quem mais estuda estes assuntos: 

A suspensão imediata das reformas antecipadas, publicada quinta-feira em Diário da República (DR), pode levantar dúvidas de constitucionalidade, sobretudo na frustração de expectativas, consideram os juristas ouvidos pela Lusa.
Tanto os constitucionalistas Paulo Otero como Bacelar Gouveia consideraram, em declarações à Lusa, que a medida pode levantar dúvidas sobre a frustração das expectativas criadas nos cidadãos.

Como ultrapassar, então, esta cortina de fumo que diariamente é colocada entre os cidadãos e o seu governo por iniciativa deste? 

"A possibilidade, rara, de examinar os projectos de declarações e de os confrontar com os textos finalmente publicados também ajuda consideravelmente a ultrapassar o silêncio e a mentira razoável no sentido de apreender o facto significativo."¹

Que tipo de pessoas e que estão no governo que tomam medidas às escondidas dos cidadãos que são a sua entidade empregadora? Segundo o novo código de trabalho isto não dá direito a despedimento por justa causa? 

 

 

_______________

¹ MOREIRA, Adriano, Ciência Política, 4ª Ed., Almedina, Coimbra,Novembro 2009, pg. 142

publicado por Francisco da Silva às 21:02
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Paneleirices

Há textos que ferem o orgulho machista de um gajo, este do Saraiva é um deles:

À minha frente, no elevador, está um rapaz dos seus 16 ou 17 anos. Pelo modo como coloca os pés no chão, cruza as mãos uma sobre a outra e inclina ligeiramente a cabeça, percebo que é gay.

Ao olhar esse jovem que ia à minha frente no elevador, pensei: será que há 20 anos ou 30 anos ele teria a mesma atitude, assumiria tão ostensivamente a sua inclinação? E, indo mais longe, se ele tivesse sido jovem nessa altura seria gay?

Ao observar aquele rapaz tive a percepção clara de que a sua forma de estar, assumindo tão evidentemente a homossexualidade, correspondia a uma atitude de revolta.

Mas olhando para aquele adolescente que ia à minha frente no elevador da FNAC, percebi que era isso que o movia quando fazia uma pose ostensivamente feminina. Ele dizia aos companheiros de elevador: «Eu sou diferente, eu não sou como vocês, eu recuso esta sociedade hipócrita, eu assumo-me».


Um gajo que fica a mirar um puto num elevador e vai para casa escrever um texto destes é um rebarbado, aliás é um velho porco do mesmo tipo daqueles senhores com um ar muito composto que mal deixam os filhos na escola, buzinam e mandam bocas javardas a todas as miúdas que passam dos 8 aos 88 anos. Quase que se consegue sentir o ódio que só a rejeição a um amor não correspondido alimenta. A maneira deliciada e gulosa como o Saraiva descreve o puto e toda a envolvente da "cena gay" que imagina, é totalmente fetichista.
Se fosse o meu puto que estivesses a mirar assim, gay ou não, levavas duas lamparinas para não te pores com ideias.
Por momentos pensei que estava a ler um conto erótico, ou uma espécie de Lolita com uma prosa que nem aos calcanhares da antiga Gina chega. Tive de parar porque a minha alma conservadora não se coaduna com este tipo de paneleirice. São gajos como tu Saraiva que vão levar a que qualquer dia haja uma "Slut Walk" versão gay.

O puto não se vestiu para ti, não colocou os pés no chão, nem cruzou as mãos uma sobre a outra e inclinou ligeiramente a cabeça para ti. O puto provavelmente nem sequer olhou para ti, confessa lá que foi essa rejeição que te fez escrever este texto ressabiado.
Como dizia um professor meu daqueles engenheiros machões a sério:
 

"Um arquitecto é um gajo que não é o homem o suficiente para ser engenheiro, nem maricas o suficiente para ser decorador de interiores."  

Os aquirtectos que não me levem a mal mas o Saraiva encaixa bem nesta definição.

 

publicado por Francisco da Silva às 00:44
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Domingo, 8 de Abril de 2012

Excessos da páscoa




 a necessidade de os pobres "fazerem um esforço para se libertarem da pobreza, através do trabalho".


Eu não tenho de levar com isto, nem eu nem ninguém. Não em pleno século XXI caro D. José Ortiga. 

publicado por Francisco da Silva às 19:16
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.autores

.pesquisar

.posts recentes

. Ainda há esperança?

. Da vergonha alheia

. Vamos a Belém - 25 de Mai...

. Carta a Amélia

. Demissão já

. O PS tem problemas em faz...

. Hasta Siempre Comandante

.arquivos

. Julho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

.tags

. todas as tags

.subscrever feeds