Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Serviços pouco secretos

 

A notícia de que os serviços de intelligence portugueses puseram sob vigilância um jornalista do jornal “Público” tem sido o escândalo da semana.

Resumidamente, um jornalista tinha acesso a fontes internas do serviço de informações e segurança, informações essas que usava a seu belo prazer.

Ora o procedimento habitual de um serviço secreto passa por distribuir informações erradas aos agentes suspeitos, de modo a conseguir isolar o agente que está a divulgá-las.

Claro que colocar o jornalista sob vigilância é um modo mais fácil, mais eficiente e sem dúvida mais rápido de resolver o problema da fuga de informações. Não será o mais correcto.

No entanto, qual o escândalo em um serviço de informações secretas utilizar este tipo de métodos?
Não são eles pagos pelo contribuinte para espiar?


O jornalista não foi posto sob escuta para atingir objectivos político-partidários, não o foi porque alguém queria saber as notícias do seu jornal um dia antes de saírem. Foi vigiado para acabar com uma falha de segurança dos serviços secretos, que poderia comprometê-los bem como ao Estado Português.

Que se queira fazer disto um caso de polícia política ou de cerceação da liberdade de expressão, não só é lamentável como mostra uma mentalidade demasiado hollywoodesca, para quem os nossos agentes deviam andar a beber martinis, conduzir aston martins e engatar agentes duplas russas.

No fundo, todo este ruído à volta das secretas tem um objectivo: limpar de cima a baixo toda a estrutura directiva dos serviços de informação, colocando lá pessoas próximas às novas cores governamentais.

Tem sido sempre assim, esta é uma das razões da incompetência reinante nos serviços: sempre que muda o governo, há uma alteração da estrutura directiva dos serviços secretos.

 

Ao que consta, desta vez irá para director Viseu Pinheiro: diplomata de carreira e braço direito de Durão Barroso, mais conhecido por ter sido o principal responsável da organização da cimeira das Lajes que levou à tristemente célebre invasão do Iraque. Já tem o aval de Cavaco Silva e integra-se numa estratégia mais ampla de preparar o regresso de Barroso à vida política nacional, mais propriamente, a sua candidatura a Presidente da República.

Resumindo, pode-se questionar a existência de um serviço de intelligence, não se pode questionar se espiam ou não, porque é essa a sua missão: recolher informações.

 

publicado por Francisco da Silva às 10:45
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7 comentários:
De Renda de Bilros a 30 de Agosto de 2011 às 16:16
"Um espião como Eu" - é o título que dou ao seu texto.
Só pode!Bem informado como só um espião, desarmadilha com uma facilidade estonteante aquilo que ao comum dos leitores e crítica, "opinion makers" e demais observadores parece ser uma intromissão abusiva e pidesca na vida profissional de um jornalista.
Sugiro, pois, ao Nuno Simas que peça desculpa e confesse o crime que cometeu mancomunado com essa corja de gente que teceu a teia que narrou.
Surpreendente, não fôsse cómico-trágico!!!
De Dom Ricardo Corleone a 30 de Agosto de 2011 às 16:18
Depois o ocidente vive em democracia...Isto das escutas tem de acabar, não dos jornalistas que ao contrário do que pensam não são especiais nem devem sê-lo, mas sim dos cidadão em geral! Afinal isto é um Estado de Direito Democrático ou é o quê? É a PJ! É os serviços secretos! Mas andamos a ser espiados pelo Estado?! Uma vergonha! E para que servem os serviços secretos? Para combater o crime já temos a PJ e a PSP, e que eu saiba não andamos em guerra com ninguém! Os serviços secretos são coisa de estados autoritários e imperialistas tipo EUA, Russia, Israel ou Alemanha Nazi!! São pagos para espiar...mas não deviam...
De Anónimo a 30 de Agosto de 2011 às 21:36
Pois... não estamos em guerra com ninguém e também não temos atentados terroristas em mercados e praças.

Queres continuar assim? Então precisas da secreta porque a PSP e a PJ tratam dos crimes depois de cometidos, a secreta trata de impedir que os crimes sejam sequer cometidos.
De Luis a 30 de Agosto de 2011 às 17:21
Não posso concordar com o raciocínio pelo seguinte: como diz, e muito bem, a técnica normal das secretas seria passar informação falsa para isolar. Ora, se a questão se coloca no fato do referido jornalista ter acesso a informação interna e exclusiva dos serviços, então o normal seria lançar a "casca de banana" de dentro para fora. Ou seria de esperar que o jornalista fosse referir o nome do informador enquanto fala ao telefone? Principalmente tratando-se de alguém ligado às secretas?!
De Armindo a 30 de Agosto de 2011 às 22:46
Agora já se percebe as escutas ao Sócrates.Não as oficiais do processo de Aveiro, mas sim outras!!!!
Ongoing, Moniz,diretor das secretas,Manuela Moura Guedes, parece que está tudo ligado.
A ida para a Ongoing de um tal senhor , não seria um pagamento de favores?
De Jose a 30 de Agosto de 2011 às 23:01
O SIS, GNS, e a secreta militar serve, actualmente para fins do governo...

Nos ultimos anos basicamente andava a espiar a oposição..

Não há nada que justifique a sua existência.

As atribuições relevantes do SIS, aquelas pensadas inicialmente passem para a PJ.
E acabem com o SIS.

Por menos do que isso , a BT da GNR foi extinta....

Neste momento, o SIS e os inergumes dos seus agentes não servem para nada.... Têm a mania que são james bond.. mas são uns amadores...

acabem com isso.. e dêem as suas atribuições à PJ...
De Marócas a 30 de Agosto de 2011 às 23:16
Aqui os entendidos em paleios secretos, chumbavam todos no exame de admissão para mulheres (ou homens) a dias lá dos Serviços... é incrível as coisas que vocês sabem... Super bem informados... até fiquei pequenino e com inveja de não ser como vocês... A pátria, a Republica, a ordem, o poder, a finança, os cuscos, os ratos, o jornalismo sério e imparcial... e a prima da vizinha da senhora que me passa a roupa, necessitam urgentemente de vocês !!! inscrevam-se, as portas estão abertas, e o terrorismo económico anda anémico...

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