Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

É só saúde

Entre 2001 e 2004 foi administrador da Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde, S.A. (Médis).


O aumento de 2,25 para cinco euros e de 9,60 para 20 euros do custo de uma consulta no centro de saúde e de uma ida à urgência do hospital é "injusto" e "desmesurado" e "há o risco de fazer com que algumas pessoas da classe média se sintam seduzidas pelos seguros de saúde e se transfiram para os privados".

Os portugueses têm um hábito há muito diagnosticado e conhecido: recorrerem às urgências hospitalares sempre que precisam de uma consulta de especialidade no menor curto espaço de tempo possível.

Obviamente que este hábito necessita de ser mudado, não podemos continuar a ter as urgências entupidas com consultas que são tudo menos uma urgência.

As taxas moderadoras servem para isso, desencorajar o recurso indevido e despesita aos cuidados de saúde estatais.

No entanto o entendimento deste governo é outro: as taxas moderadoras vão financiar o tão demonizado monstro do SNS.
Ora o SNS é supostamente financiado através dos impostos, ou seja, representa salário indirecto dos cidadãos que é retríbuido em serviços pelo Estado.

Se é sub-financiado? Sim, há muito tempo. Se há lobbys que impedem a formação de uma central de compras nacional para a saúde? Sim, diversos lobbys operam nesta àrea de modo muito eficaz.

 

Mas não é isso que se discute aqui. O que eu questiono é como uma "consulta" (porque é assim que o recurso às urgências é erradamente visto pela maioria dos cidadãos) no SNS pode ser mais cara que no privado?
Se o objectivo fosse o de "moderar" o recurso desnecessário às urgências pela parte dos utentes, ainda poderia ser discutível. Agora a ideia é tornar o acesso às consultas particulares inseridas em planos de seguros, mais acessíveis que as do SNS.
Se os cidadãos cada vez mais impostos como pode o Estado querer cortar mais os serviços públicos, literalmente roubando no salário indirecto, naquilo que é (ou era) o contrato entre governo e cidadãos? 
A ideia que me fica é que mais do que um bando de incompetentes, este governo está empenhado firme e fanaticamente em mostrar aos olhos dos cidadãos que não há necesidade da existência do Estado. 
Esvaziando-o do seu papel, construindo uma imagem de parasita do cidadão, vai empurrando as pessoas para os seguros privados, as escolas privadas, as faculdades privadas...


Mais uns anos e não somos portugueses, chineses ou venezuelanos, mas sim propriedade da empresa que detém o nosso trabalho.
 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 16:54
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