Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

De cavalo para burro


Time: Portugal's case study is of some interest to lawmakers in the U.S., confronted now with the violent overflow of escalating drug gang wars in Mexico.

Al-Jazeera: The pragmatism built into Portuguese drug policy eliminated the adoption of solutions and interventions based on unscientific, coercive, menacing drug war lies and hype. An unapologetic harm reduction approach is embedded at every level of the system, from the understanding of the causes of addiction (poverty, social isolation) to the variety of drug treatment options available (mobile methadone vans and non-12-step drug treatment.)

The most revolutionary aspect of Portuguese drug policy is the Comissao Para A Dissuasao Da Toxicodependencia(CDT), (Commission for the Dissuasion of Drug Addiction.)

The Scientific American: "Drug decriminalization did reach its primary goal in Portugal," of reducing the health consequences of drug use, he says, "and did not lead to Lisbon becoming a drug tourist destination."

Rádio Renascença: Hoje, é o último dia da vida do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Parte das competências do instituto transitam para as administrações regionais de Saúde, outra parte para um novo organismo, que ainda não tem dirigentes nomeados. Paira a incerteza. (...) Garantidos parecem estar os problemas de financiamento...


Expliquem-me como se eu fosse muito Passos Coelho que por mais voltas que dê não consigo compreender.
 

publicado por Francisco da Silva às 13:04
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Queres feriado? Toma!



O que nos diz a Wikipédia sobre o 5º de Outubro:

A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, o partido republicano apresentava-se como o único que tinha um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.


Quando Portugal está subjugado aos interesses coloniais Alemães, os gastos dos Boys continuam a ser mais que muitos, a rotatividade entre dois partidos no poder, a ditadura da Troika, e a incapacidade de o País se adaptar aos novos tempos faz sentido comemorar a Implantação da República? 
Quando "O Aníbal" é o presidente eleito, faz sentido comemorar a Implantação da República? 

Do mesmo modo, vejamos o 1º de Dezembro:

Portugal, na prática, era como se fosse uma província espanhola, governada de longe. Os que ali viviam eram obrigados a pagar impostos que ajudavam a custear as despesas do Império Espanhol que também já estava em declínio.

Foi então que um grupo de nobres - cerca de 40 conjurados - se começou a reunir, secretamente, procurando analisar a melhor forma de organizar uma revolta contra Filipe IV de Espanha.


Basta substituir Império Espanhol por Império Franco-Alemão (mais Alemão que Franco diga-se), Filipe IV por Angela Merkel, que ficamos logo sem qualquer razão para continuar a comemorar também esta data.

É uma questão de respeito para com a memória dos homens e mulheres que deixaram estes dois dias na história que não tenhamos o desplante de os comemorar, fingindo que continuamos uma República soberana.
Aqui sou obrigado a concordar com o governo: para quê ofender assim homens e mulheres, que ao contrário de nós não se deixaram subjugar?
Podemos voltar um dia a celebrar estes feriados, mas para isso é preciso que os partidos que fazem de Miguel de Vasconcelos sejam corridos pelos portugueses, de preferência pela porta.

Miguel de Vasconcelos e Brito foi secretário de Estado (primeiro ministro) da duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, em nome do Rei Filipe IV de Espanha (Filipe III de Portugal). Era odiado pelo povo por, sendo português, colaborar com a representante da dominação filipina. Foi a primeira vítima da Revolução, tendo sido defenestrado da janela do Paço Real de Lisboa para o Terreiro do Paço. Assim como previa a revolução, o povo, que aguardava no Terreiro do Paço, só saberia que a revolução tinha sido bem sucedida quando Miguel Vasconcelos fosse defenestrado.

Cada povo tem os feriados que merece.

publicado por Francisco da Silva às 12:19
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Totalitarismos



O jornalista Pedro Rosa Mendes não duvida que o fim da crónica semanal que mantinha na Antena1 se tenha ficado a dever a um acto de censura. Pedro Rosa Mendes lembra que a crónica, crítica do regime angolano e da situação que se vive em Angola, teve repercussão também em Luanda e classifica o cancelamento do espaço de opinião de «patético».

«A crónica chocou vários media em Luanda, note-se. E Luanda não é propriamente conhecida por ser a capital da liberdade de imprensa.



Hannah Harendt tem uma passagem neste livro que penso que é de reter nos tempos que correm:

"A afirmação de que o metropolitano de Moscovo é o único no Mundo só é falsa enquanto os bolchevistas não destruirem todos os outros."¹

Este governo tem tido mais actividade de propaganda que política o que é preocupante. 
Por um lado, a nossa situação de protectorado Alemão não lhes permite ser muito mais do que fiéis caseiros, cumprindo à risca as ordens dos seus senhores enquanto eles estão fora.
Por outro lado, no meio da sua lufa-lufa diária têm aproveitado para cercear a pluralidade de opinião e a instituição do pensamento único, a um nível que começa a ser demasiado preocupante.

Se tivermos em atenção, cada notícia tem logo um painel de comentadores de seguida para explicar e ajudar o espectador a entender melhor o que o rodeia. Em português correcto isto chama-se doutrinar.

O exemplo mais flagrante será o da SICN mas sendo o "chefe" é mais PSD que muito Catroga que por aí anda, nada há a apontar.
Aliás Balsemão é para mim uma das pessoas mais sinceras no reino da comunicação em Portugal: O anúncio que passa na TV "Expresso há x anos a FAZER OPINIÃO" é de uma honestidade de louvar. Informar é diferente de fazer opinião e o Expresso assumir-se como semanário de propaganda só demonstra o fair-play do senhor.

Portanto o problema não é o Balsemão, o problema é haver um qualquer cromo claramente com mais poder do que devia, que decide que a RTP deve ir fazer programas neo-coloniais para Luanda e que a RDP é a sua casa de campo.
Terminar um programa de rádio onde o homem só disse o que mais de meio mundo pensou é grave. Mais grave que o tal programa que foi ofensivo para mim enquanto português e certamente para muitos angolanos. Pior só mesmo este governo prestar-se a branquear o regime angolano da maneira que o faz, tal como certamente fará com o regime chinês. 


Já estou a ver o Passos dizer com aquele ar muito solene com que ele fica quando pões os óculos:
"A afirmação de que há ingerências pollíticas na RDP só é verdadeira, enquanto não calarmos os que levantam essa questão."
 

Entretanto Mário Crespo, sim esse que levou uma t-shirt para o parlamento e armou o maior escândalo porque o queriam calar, responde a um dos seus convidados que a confirmar-se a censura é uma questão da administração da RDP e não da tutela...

Ele que bradava aos céus para que houvessem consequências políticas, agora rebola de barriga para o ar cada vez que o Relvas lhe dá um biscoito.
Crespo exercia a sua actividade num meio de comunicação social privado, imagine-se se fosse na RTP.
Se continuas a sonhar com o teu lugar em Washington seria melhor deixares de ser o melhor porta-voz do governo Mário, conselho de amigo.Assim ficas por cá que estás a fazer um excelente trabalho. 

 

Também acham que é uma questão da administração da RDP, ou trata-se de uma questão política de contornos demasiado sinistros para quem preza a sua liberdade? 





¹ARENDT, Hannah, "As origens do totalitarismo", pg.463, D. Quixote, Lisboa, 4ª Edição, Novembro 2010

 

publicado por Francisco da Silva às 00:24
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

D. Aníbal, o reformado

Dizia eu que "O Aníbal" há muito tempo que não abria a boca, o que prejudica em muito a blogoesfera.
Quando "O Aníbal" decide dar um ar da sua graça, dá para escrever mil e um posts. Aliás, seria um bom estudo ver quantos blogs foram criados nos minutos após as declarações da criatura.
Eu sinceramente não me escandalizo com muita coisa, já vivo há alguns anos em Portugal para saber que aqui tudo é possível.

Fiquei quase chocado quando após anos e anos de Cavaquismo terem destruído este país e fomentado uma verdadeira máfia que se estende da junta de freguesia mais perdida, até ao mais alto cargo da Nação, os meus concidadãos decidiram eleger "O Aníbal" presidente desta agremiação republicana.
Diga-se em abono da verdade que apenas 23% dos cidadãos eleitores votaram na criatura... enfim é a democracia e tem coisas boas e más: "O Aníbal" é das piores diga-se de passagem.

Como a democracia também pode e deve evoluir, porque não establecer um patamar mínimo de votação para que um cargo deste nível tenha algum... nível? Por exemplo, a votação poderia seria vinculativa a partir nem que fosse dos 25%.
Um presidente de "todos os portugueses" não devia ter legitimidade eleitoral inferior a 1/4 dos cidadãos eleitores e 1/4 já é estar a ser bonzinho... Aliás "O Aníbal" se tivesse algum nível não aceitava o cargo mas como isto está mau para todos um extra sempre ajuda a pagar as despesas.

Voltamos então à questão das despesas e às coisas que não me chocam mas espantam: Como é que não houve um único jornalista que perguntasse:
OK "O Aníbal" até dou de barato que a reforma não chegue para as despesas, mas diz lá então que despesas são essas? Vives no palácio de Belém, presumo que não pagues renda. Tens cama mesa e roupa lavada, carro e ajudas de custo para a Maria ir ao Bingo... Tem o IMI da casa da Coelha e do famoso andar com marquise para pagar, mas que mais despesas terás tu "O Aníbal" para que as reformas milionárias não te cheguem? Terás tu comprado um daqueles famosos veículos "papa-reformas" a crédito? É uma questão de preocupação, até porque com notícias como esta eu fico em sobressalto.

Imagino o que seria se "O Aníbal" tivesse uma vida a sério como nós. 



publicado por Francisco da Silva às 14:09
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

O capataz



Passaram-se dias e continuava sem ter a cabeça fria necessária para conseguir dar a minha opinião sobre o assunto sem correr o risco de receber críticas de um dos sectores mais representativos dos trabalhadores em Portugal: os Trabalhadores Sociais Democratas.

Tendo eu noção que o PSD é o maior empregador do país, o seu sindicato merece todo o meu respeito, até porque assim que o João Proença foi alvo de críticas, os TSD vieram logo ao terreno defender este proeminente trabalhador do PSD, sendo um exemplo de como um sindicato deve funcionar.

Como não sou uma pessoa das literaturas lembrei-me do Jack London, que tem uma descrição que assenta que nem uma luva ao João Proença, intitulada "the scab"(tradução literal - a crosta), que me poupa assim ao aborrecimento de ter os TSD aqui à porta a fazerem uma manif de apoio ao companheiro Proença. Aqui vai:

 

"After God had finished the rattlesnake, the toad, and the vampire, he had some awful substance left with which he made a scab. A scab is a two-legged animal with a corkscrew soul, a water brain, a combination backbone of jelly and glue. Where others have hearts, he carries a tumor of rotten principles. When a scab comes down the street, men turn their backs and Angels weep in Heaven, and the Devil shuts the gates of hell to keep him out...."

 

publicado por Francisco da Silva às 13:21
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Onde está o Wally?

O Governo garante que 77% das nomeações que fez até agora foram reconduções de pessoas que já estavam nos mesmos cargos

No entanto eu procurei, procurei e procurei... a única coisa que encontrei é que as pessoas que aparecem na página das nomeações do Governo como "transitou do Governo anterior" não foram reconduzidas.
Umas são pessoas que estão a acabar comissões de serviço já este ano, ou no próximo. Outras são pessoas cujas comissões de serviço já acabaram e ainda não foram nomeados os seus substitutos... não encontro uma única recondução feita por este governo no DR.

Provavelmente fui eu que não procurei bem. 

publicado por Francisco da Silva às 12:14
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

blog revelação 2011

publicado por Francisco da Silva às 10:53
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

psdempregos.com


 

 

Subscrevo @JPPir

publicado por Francisco da Silva às 14:00
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a pedido de várias famílias: porque é que o BE não apoia o #pl118

Já existe uma lei da cópia privada. Em toda a Europa existe. Considera-se esta uma forma de devolver aos autores uma parte da riqueza que criam e que nunca lhes é paga. Porque existir criação “cultural, artística, académica” alimenta uma séria de indústrias (reprografia, informática, etc.) que não remuneram essa mesma criação. Se é o mais correto? Não. Porque o caminho é um investimento público forte na cultura e na ciência. Infelizmente, o caminho seguido tem sido o oposto. E é num quadro em que tudo está mal que somos chamados a pensar sobre uma má solução. Um exercício complicado, mas vamos a ele.

 

Antes de mais, e porque muito tem sido dito misturando diversos assuntos, talvez valha a pena explicar que, tendo a legislação sobre cópia privada impactos amplos, esta não passa da discussão sobre como aplicar e distribuir uma taxa. O Bloco de Esquerda tem defendido que a taxação associada à cópia privada só tem sentido como contrapartida à liberdade de partilha (que é, obviamente, diferente da contrafação e outros usos abusivos). Mas não é na legislação da cópia privada que se decidem muitos dos aspetos essenciais sobre forma como se lida hoje com a partilha de conteúdos protegidos por direito de autor ou com a distribuição da remuneração pelos autores. Em Portugal há muitos autores que não conseguem ser ainda representados por nenhuma entidade de gestão coletiva de direitos de autor e que gostariam de o ser. E uma pessoa continua a poder ser presa por partilhar conteúdos via internet. O que não tem sentido nenhum, mas também não tem nada que ver com esta lei. E é nestas matérias que teremos mais iniciativas, aprofundando o debate dos “Direitos contra Direitos” e retirando desse debate propostas concretas.

 

Voltemos, pois, à cópia privada. Existe uma lei que está desatualizada porque o mundo avança. O que fazer agora? Acabar com ela ou atualizá-la? Acabar com ela é tentador, mas atualizá-la aparece como a única solução sensata neste momento. E por isso, a atualização já tarda. Fica agora a segunda parte da pergunta: atualizá-la como?

 

O projeto de lei que o PS apresenta é uma atualização feita à medida das entidades de gestão coletiva de direitos de autor. E esta é uma lei com implicações muito para lá da gestão coletiva de direitos de autor; reduzi-la a esse universo é condená-la e acaba por não servir sequer os autores. Destaco problemas de três tipos:

 

1. Para atualizar a lei da cópia privada é preciso começar por compreender o que não funciona na legislação atual sobre cópia privada. E o que não funciona é que o Código do Direito de Autor e Direitos Conexos prevê o direito à cópia privada, mas os mecanismos que a lei prevê para garantir esse direito, face aos instrumentos que a indústria tem criado para impedir cópia privada, não funcionam. Veja-se a incapacidade para lidar com o DRM, que não só impede a cópia como chega a obrigar ao uso de um determinado software para se ter acesso ao conteúdo que se comprou. E portanto, para se atualizar a lei da cópia privada é essencial assegurar o direito à cópia privada, com mecanismos como a legalização da circunvenção do DRM e outros (e falar com quem se preocupa com estes problemas é bem importante para os resolver). Não se pode exigir que a cópia privada seja paga ao mesmo tempo impossibilitar a cópia privada.

 

2. Uma vez que o objetivo é servir os autores, é necessário pensar quem são esses autores e o que querem. Há autores que não querem nunca ser remunerados pelo seu trabalho e estão no seu direito. Para esses esta lei não levanta problemas. Ficam de fora, um pouco como alguém que paga impostos e nunca recorre à Escola Pública ou ao Serviço Nacional de Saúde. É um direito. Mas há autores que, em trabalhos diferentes, tomam opções diferentes. Podem optar por colocar uma obra imediatamente em domínio público, disponibilizar um outra com uma licença Creative Commons, mas, num outro caso, querer ser remunerados pelo seu trabalho. Mas em Portugal não existe ainda uma solução que compatibilize o recente universo dos diferentes tipos de autoria e a gestão coletiva de direitos de autor, pelo que muitos autores são excluídos sem o desejarem. E, como este projeto de lei não aborda esse problema acaba por restringir abusivamente o universo de autores que têm acesso à “distribuição equitativa de valor” que se anuncia.

 

3. O que está em causa, além da distribuição, é, obviamente, a taxa que se cobra. A lei atual prevê uma taxa de 3% sobre fotocópias, CDs, DVDs e alguns outros equipamentos; o projeto de lei do PS prevê alargar o tipo de equipamentos taxados e que a taxa passe a ter montantes fixos que, nalguns casos, são muito elevados (por exemplo: um disco rígido com 1TB passa a pagar 20? de taxa). O que é proposto representa um aumento de custos de tal forma desproporcionado de uma série de equipamentos que acaba por vedar o acesso de quem tem menos recursos económicos a bens, que hoje são essenciais, como discos duros ou impressoras. E, como não prevê sequer a isenção da taxa para profissionais, só para entidades coletivas, facilmente imaginamos que alguém que cria música, fotografia ou software irá pagar taxas exorbitantes para contribuir para o que deveria ser uma “distribuição equitativa”. O montante das taxas previstas acaba assim por prejudicar tanto os consumidores como os autores.

 

Dito isto, acrescento duas palavras sobre dois problemas laterais que este projeto de lei aborda e bem:

 

1. Reforça a impossibilidade de um autor, por contrato, ser obrigado a prescindir dos seus direitos. Ou seja, nenhuma produtora de música ou televisão, nenhuma editora ou empregador, pode forçar um autor a abdicar dos seus direitos. O que é muito importante, porque é uma luta grande e desigual com que muitos autores e intérpretes defrontam todos os dias. E o próprio Partido Socialista, até há pouco tempo e ao arrepio do Código do Direito de Autor e Direitos Conexos, atacava os autores e intérpretes quando, na legislação sobre contratos de trabalho para o setor do espetáculo e audiovisual, incluía uma cláusula que permitia que o intérprete abdicasse da gestão coletiva dos direitos conexos. Ora, a menos que estejamos a imaginar, por exemplo, um ator em casa a contar quantas vezes passa a dobragem que fez e a telefonar à televisão a cobrar os seus direitos, percebemos que esta era uma forma de negar os direitos. E o Bloco de Esquerda lutou (e conseguiu convencer o resto da oposição) para acabar com esta norma. Foi um avanço que é agora reforçado.

 

2. Inclui uma alteração à legislação relativa às penhoras, fazendo os direitos de autor equivaler a salário. É muito importante, porque os direitos de autor são, na realidade, o salário de muitos autores. E até agora, em caso de penhora, podiam penhorados na totalidade ficando o autor sem capacidade de sobrevivência. É um erro que esta proposta corrige.

 

Finalmente, uma palavra sobre o percurso deste projeto de lei do Partido Socialista e que começou por ser uma proposta de lei do Governo Socialista que nunca foi apresentada. Foi feita com as associações representadas na secção de direito de autor do Conselho Nacional de Cultura, o que é um bom princípio. Mas não se ouviu mais ninguém, o que é péssimo. Depois esteve dois anos na gaveta e foi finalmente apresentada já em pré-campanha numa sessão na sede da SPA, para chegar agora ao Parlamento, sem mais nenhuma reflexão. Uma desgraça.

A Lei da Cópia Privada é muito mais vasta do que a defesa dos direitos de autor ou dos direitos dos consumidores. É, claramente, muito mais vasta do que os interesses das entidades de gestão coletiva de Direitos de Autor. Pensar que se pode legislar ouvindo só uma pequena parcela do que está em causa, é um erro. O projeto de lei não ter sido votado, e ter baixado à comissão para audições amplas, é uma vitória do bom senso. Falta o resto.

 

 

publicado aqui

publicado por Catarina Martins às 02:30
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

É a crise...





A taxa de desemprego em Portugal agravou-se para 13,2% 


Alemanha atinge em 2011 nível máximo de emprego desde reunificação

Humm... Mas isto da crise não era uma coisa com empobrecimento inevitável, diminuição do crescimento económico, do emprego etc e tal? 
Cada vez percebo menos, sinto-me um verdadeiro Álvaro a olhar para a economia como um boi para um palácio.

Actualização:

Estados Unidos criaram 200.000 empregos em Dezembro.

publicado por Francisco da Silva às 11:48
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Quem não sabe é como quem não vê...

O PS pela voz da Gabriela Canavilhas lembrou-se que chegou à altura do ano para dar algo ao sector cultural.

Então apresentou um projecto de lei que considero ser uma verdadeira nulidade como projecto político.

Para que não caia na qualidade do "só fala mal" gostava de deixar claro porque acho que é uma verdadeira nulidade como projecto político.

 

A Gabriela Canavilhas diz que só há produtos culturais enquanto os autores e produtores desses conteúdos forem remunerados e lembra que "não podem ser só os vários intermediários desses produtos culturais a ter lucros". Também diz "Como pessoa da cultura" (coisa a reforçar claro...) "preocupo-me essencialmente com os direitos de autor, mas admito que um deputado da área da economia pense de outra forma. E por isso há disponibilidade para fazer acertos à proposta de lei no debate da especialidade.".

 

Fora concordar ou não, o problema da deputada são os vários intermediários. Isso torna-se confuso para mim, olhando para a proposta: "O modo concreto de permitir a efectivação de uma compensação equitativa a favor dos titulares de direitos é o de fazer incidir taxas sobre o preço de venda ao público dos equipamentos e suportes que permitem a reprodução de obras protegidas."

 

A Gabriela Canavilhas devia ter conversado com um estudante de Economia, porque isso bastava. Esse teria explicado algo que presumo já saber. O intermediário inclui essa taxa no preço e paga o consumidor final.

 

Então, este projecto representará, a ser aprovado, a subida de preços nos artigos que estão nas últimas páginas do projecto de lei, aliás, a notícia da Exame Informática já faz esses cálculos. Ou seja, tudo fica igual ou pior: o problema da Canavilhas com os lucros dos intermediários não é resolvido e os consumidores finais pagam um preço maior.

 

Para mim esta lei tem um problema de princípio: trata toda gente que compre um dos artigos referenciados como uma pessoa infratora. É um problema já da anterior legislação. Acho que é um castigo colectivo pela incompetência ou falta de interesse de algumas pessoas em pensar novas maneiras de organização e funcionamento do sector cultural (...outra discussão), para adequar-se exactamente ao que está descrito na iniciativa como "evolução tecnológica". Esta proposta mantém e reforça esta discriminação. E não é só Portugal.

A já costumeira "as taxas agora apresentadas não deverão ter impacto na aquisição de equipamentos informáticos pelo consumidor doméstico" não pega porque as contas são francamente simples: um disco externo pode passar de 70€ para 91,48€. Uma diferença de 21€ nestes valores não é propriamente algo residual. E isso é só taxa.

 

Acho que este projecto de lei morre pela boca de quem o apresenta. Mas para quem faz questão de se apresentar como alguém da Cultura, fica bem dizer "quem não sabe é como quem não vê". Show-off para a "Cultura", preços mais elevados para quem compra um disco externo, por exemplo. Boa.

 

... Vai daí: nulidade.

 

edit: outra questão é o efeito nas obras Creative Commons que podem ver aqui

publicado por Nuno Moniz às 01:28
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

alerta vermelho

Um novo blog chegou à nossa praça, tem o nome de "O Ouriço" e podem encontrá-lo aqui.
Há que divulgar o mais possível, porque quanto mais pessoas conhecerem as suas ideias, menos votos terá a direita em Portugal.


Resta-me desejar boa sorte ao João Gomes de Almeida em mais um dos seus projectos.

publicado por Francisco da Silva às 13:56
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

isto para mim é chinês

 

A EDP não podia ser do Estado português porque isso era contrário às leis de mercado... no entanto foi vendida a uma empresa estatal chinesa.


Faz sentido.

publicado por Francisco da Silva às 15:38
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