Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Perestrello faz Relvas sair mais reforçado desta história


A revista Visão noticía, hoje, o seguinte:


Relvas, enquanto administrador da consultora Finertec, reuniu-se, pelo menos duas vezes, com Silva Carvalho para falarem de negócios. Uma das vezes na própria sede da Ongoing, na companhia de Nuno Vasconcellos, chairman da empresa, e de Braz da Silva, presidente da empresa de Relvas.

Os contactos entre as duas empresas resultaram num "memorando de entendimento" para "prospecção de mercado em várias áreas de negócio". Objectivos: Angola e Brasil.

A assinatura deste acordo, que Silva Carvalho e Relvas negociaram pessoalmente, foi feita no dia 21 de junho de 2011, no mesmo dia em que Relvas tomou posse como ministro. Já não era, há um mês, administrador da Finertec.

 

O que a Visão se "esqueceu" de mencionar:

Miguel Relvas, era até à altura da sua nomeação como ministro, "empregado" da Finertec. Após ter deixado este cargo, foi nomeado para o seu lugar o líder da distrital de Lisboa do PS, Marcos Perestrello. 
Se há dúvidas sobre as ligações entre Miguel Relvas, Silva Carvalho e a Finertec, penso que o ex-secretário de estado da defesa e agora deputado, Marcos Perestrello, poderia explicar ao Parlamento como funciona esta empresa. Certamente o "memorando de entendimento" assinado por Relvas continuará em vigor sob a batuta de Perestrello não? 

 

A Comissão Parlamentar de Ética deu parecer favorável para que o deputado do PS Marcos Perestrello possa ser administrador da empresa Finertec, grupo ligado ao sector energético por onde passou Miguel Relvas.

Outro pormaior que existe em toda esta questão e que começa a fazer-me confusão, é o esquecimento constante dos jornalistas e bloggers que escrevem sobre a Finertec, em mencionar a ligação profissional do líder da distrital de Lisboa do PS a esta empresa.

Já referi, em posts anteriores, começa a parecer que não há interesse em confrontar o socialista com estas questões. 

Espero sinceramente que não se confirmem os negócios de Silva Carvalho, Relvas, Ongoing e Finertec.
Das duas, três: ou Marcos Perestrello deixa a Finertec, ou deixa o seu lugar de deputado e líder da Distrital de Lisboa do PS, caso contrário, não resta nenhuma legitimidade ao PS para questionar Miguel Relvas ou Silva Carvalho, pelos seus comportamentos alegadamente menos correctos.

 

Sem dúvida que Relvas sai reforçado desta vez, pois o suposto maior partido da oposição é o seu melhor seguro de vida. Tudo isto, alegadamente, claro.


publicado por Francisco da Silva às 16:44
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Risco sistémico

 

Infelizmente, o assunto não passa do mesmo: Miguel Relvas. Ele está presente no caso das secretas, nas censuras e nas pressões aos jornalistas. A busca de protagonismo está a sair-lhe cara, é esse mesmo protagonismo que leva a que a opinião pública exerça pressão no sentido de o ministro apresentar a sua demissão. Para mim Miguel Relvas não está agarrado ao lugar de nº2 de Passos Coelho, pelo contrário, Passos é que está agarrado a Miguel Relvas. É este quem, alegadamente, representa o lobby Angolano, que, alegadamente terá também interesse em financiar o PSD. 
Como nas autarquias não há obras, consequentemente não há sacos azuis para financiar as eleições internas dos partidos. Assim, os partidos do arco do poder viraram-se para o capital angolano, o que explica a arrogância de Miguel Relvas em relação ao que anteriormente era a base do PSD: os autarcas. 

Há também dentro do PSD oposição interna, embora discreta. Paula Teixeira da Cruz e Miguel Macedo, são alegadamente os inimigos mais sonantes de Relvas e da sua facção e modus operandi. Não que sejam uns santinhos, apenas representam interesses diferentes. Se Miguel Relvas cai, Passos Coelho fica à mercê do aparelho do PSD. Se Relvas deixa de o controlar, imaginem o quão frágil se torna a posição de Passos... Por isso, penso que esta demissão não irá existir, nem se por hipótese, o próprio a quisesse. Ângelo Correia e os seus não vão deixar o partido à mercê da linha do Balsemão, depois de tanto esforço para conquistar o aparelho para o seu lado, não estou a ver uma oferta de mão beijada.

O primeiro-ministro foi eleito por interposta pessoa, sem base da apoio ou financiamento próprios, está a representar dois papéis: o de capataz de Merkel e o de porta voz de Ângelo Correia. Mais depressa sai de cena o Passos Coelho que o Relvas, de qualquer modo, com estes jogos de bastidores quem perde somos nós. Sem dúvida que Relvas deveria ter-se demitido, tal como fez António Vitorino quando houve suspeitas de irregularidades fiscais, que se vieram a provar erradas. Como disse o bifeahcasa no twitter: o Relvas é "too big to fail". Há o risco sistémico de a demissão se alargar aos restantes membros do governo, por isso será difícil que saia da sua cadeira antes de Passos Coelho. 

 

Tudo isto tem um lado positivo: se corrermos com o Relvas vamos correr com o Passos. 

Tentar não custa...

 

 

publicado por Francisco da Silva às 00:53
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

#RuaRelvas



É continuar a pressionar. Como diria o Bocage: "Ele há-de sair."

 

publicado por Francisco da Silva às 01:56
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Pressionem o Relvas



Já passaram alguns dias sobre o caso Relvas. Como é usual, nada se passou de relevante: Relvas continua ministro e a direcção do Público não teve a vergonha necessária para se demitir. Assim sendo, resta utilizar este método, mais dentro daquilo que é o Estado de Direito, ou então entrar no jogo: Todos os jornalistas, sem excepção, deveriam promover um boicote aos ministros e ameaçar divulgar pormenores da vida privada do Relvas até ele se demitir.

Duvidam que resultava?

publicado por Francisco da Silva às 23:27
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

O Álvaro coiso




Temos um governo saído da liga dos últimos, como podem ver aqui. Descubram as diferenças.

publicado por Francisco da Silva às 16:30
link do post | comentar | favorito

Do Fascismo


"Em geral, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação que é caracterizado: pela monopolização da representação política por parte de um partido único de massa, hierarquicamente organizado; por uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo; por objetivos de expansão imperialista, a alcançar em nome da luta das nações pobres contra as potências plutocráticas; pela mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime; pelo aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror; por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa;por um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado; pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais."¹


Segundo a definição dos autores, temos sete condições necessárias para que se possa caracterizar o fascismo. Há cinco delas que merecem especial destaque:

 

  • uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo
  • mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime

  • um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado

  • um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa 
  • pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações económicas, sociais, políticas e culturais.


Passos é o homem do momento, aquele a quem toda a gente presta vassalagem com medo de represálias via Relvas. Isto porque o emprego hoje, muitas vezes, depende de ficar ou não de boca fechada. Todos os cargos que dependem de nomeação política alinham neste diapasão, tal como dentro do PSD. Passos está de certa forma a vingar-se de quem o excluiu da política tanto tempo, agora o palco é seu e só seu. O contabilista Gaspar, o bobo Álvaro e o mercenário Relvas, completam a corte do Reino de Portugal.
Há um tentativa de mobilização das massas contra o inimigo externo: a dívida. É uma maneira fácil de unir as tropas, e ao ter como inimigo um unicórnio, garante-se um estado de excepção permanente. Será impossível, desta forma, derrotar a dívida. A guerra durará eternamente.
Pede-se ao povo que colabore com as elites, para todos de mãos dadas em paz e harmonia, continuarmos a encher os bolsos aos mesmos de sempre, às corporações que dominam o Estado.
O próprio Estado está a ser reorganizado, vai passar a existir um serviço nacional de saúde para os pobres, como há o passe para os pobres, e demais serviços similares. Faz sentido, pois se há coisa que este governo está a criar, é pobreza. A divisão social vai passando a existir institucionalmente, em vez do "Judeu não entra" ou "Preto não entra", pouco faltará para passarem a existir sítios onde se poderá ler "Pobre não entra" (oficialmente, porque não oficialmente já existem mais que muitos).
O Estado nada mais faz que dar directivas económicas, interferindo assim, numa economia que supostamente é baseada no mercado livre. Apregoam a não intervenção do Estado na economia, no entanto, todos os dias tentam de um modo ou de outro, interferir na mesma.
Relvas, que recebia informações de Silva Carvalho, é também o ministro da propaganda. Bate certo com o terceiro ponto acima citado, retirado da definição de fascismo. Controla as informações e controla a comunicação social mais mainstream, acabando com os programas que não lhe interessam e promovendo aqueles que bajulam quem o mantém no poder. 
Quanto ao último ponto, acho que o Catroga e o António Borges, são excelente exemplo do que é a total integração de uma lógica de controle do estado pelo partido.

Quero com isto dizer que este governo é fascista? Não, longe de mim dizer uma coisa dessas, pois apenas são factuais cinco em sete das condições para poder afirmar tal coisa. Podemos é concluir que se não são, para lá caminham, a Passos de Coelho. 
 


____________________________________________________________
¹ BOBBIO, MATTEUCCI, PASQUINO, Dicionário de Ciência Política, Brasília, Universidade de Brasília, 11ª Edição, 1998, pg. 466

publicado por Francisco da Silva às 02:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Salário mínimo



No dia em que só se fala nos números do desemprego, o governo anunciou, de um modo semi-encapotado, que não vai haver aumento do salário mínimo. Isto porque, dizem eles, há o risco de ninguém querer empregar pessoas a receber salários baixos, se estes aumentarem um pouco. Um salário de 500 euros equivale a receber cerca de 3 euros por hora de trabalho. O governo acha que é muito.
A política PSD/CDS é uma aposta forte na redução do custo da mão-de-obra. Querem Portugal a competir com a China, Taiwan, Vietname e outros que tais. Querem que o país volte ao tempo das crianças a trabalharem nas fábricas, um regresso à cultura laboral da escravidão e da miséria. Enquanto isso, a maior parte da comunicação social, qual rádio Relvas, faz eco de tudo o que o governo diz, sem questionar ou confrontar os decisores com o que é a realidade:


"O aumento do salário mínimo tem um efeito negativo no emprego de trabalhadores com salários baixos." Esta é uma das conclusões apontada pelo Governo no documento sobre a actualização da remuneração mínima para 2012, enviada aos parceiros sociais para discutir esta sexta-feira, em concertação social.

O texto refere dois estudos que sustentam, segundo o Governo, que há poucas vantagens no crescimento da remuneração mínima para 500 euros, sobretudo ao nível da manutenção do emprego dos trabalhadores com baixos salários. 

 

 

Pesquisando na web encontrei dois artigos que dizem o oposto. Não poderiam os senhores jornalistas confrontar o governo com outros estudos, alternativas políticas, e questões pertinentes, em vez de se limitarem a copiar e colar os press-releases que recebem? 


Ficam aqui excertos dos abstracts:


This paper shows that, in an overlapping generations, model with endogenous growth, minimum wage legislation does not necessarily has negative consequences on economic performance. Such legislation can have positive effects on growth by inducing more human capital accumulation. More precisely, a low demand for unskilled labor, induced by a minimum wage, may create an incentive for workers to accumulate human capital. Moreover, it is possible that a decrease in the minimum wage lowers the welfare of each agent in the economy. 

Our computational exercises suggest that redundancy transfers and administrative dismissal restrictions have negligible unemployment effects when wages are flexible or when the minimum wage is low, but a dramatic positive impact on unemployment when there is a high minimum wage. 


publicado por Francisco da Silva às 23:55
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 15 de Maio de 2012

O governo está a obter resultados



Banco de Portugal confirma que o ajustamento promovido pela “troika” deixou marcas na economia no ano passado. O relatório do banco central considera que o processo de ajustamento está a ser bem sucedido, mas com um preço alto, especialmente quanto ao desemprego.

No entanto, esta correcção chegou com um preço: o desemprego atingiu um pico, perto dos 13%, e ainda não parou de subir, mais de metade é considerado desemprego de longa duração e quase um terço atinge os jovens.

O ano passado terminou nos 13%... entretanto já vamos nos 15 e ainda não chegámos a meio do ano:

"A taxa de desemprego subiu para 15 por cento em fevereiro, e deverá aumentar mais ainda este ano", preveem ainda os técnicos de Bruxelas.

Ou seja, o governo de direita do PSD CDS, conseguiu aumentar este ano o desemprego em 2%. Andam-se a esforçar, os rapazes. 

Obrigado ao João Vale pela correcção. 

publicado por Francisco da Silva às 14:50
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Anticonstitucional

 

Constituição: (também chamada de lei fundamental, lei suprema, lei das leis, lei maior ou magna carta) é um conjunto de normas de governo, que pode ser ou não codificada como um documento escrito, que enumera e limita os poderes e funções de uma entidade política. Essas regras formam, ou seja, constituem, o que a entidade é. No caso dos países (denominação coloquial de Estado soberano) e das regiões autônomas dos países, o termo refere-se especificamente a uma Constituição que define a política fundamental, princípios políticos, e estabelece a estrutura, procedimentos, poderes e direitos, de um governo. Ao limitar o alcance do próprio governo, a maioria das constituições garantem certos direitos para as pessoas.



A alarvidade do dia, é grave. Não podemos continuar a rir das idiotices que o Passos diz e faz, pois estamos a rir-nos de nós próprios, da nossa democracia.
Obviamente que temos a noção que ele é incapaz de governar um país, é uma marionete na mão do Relvas e do Gaspar. Mas isso não pode servir de desculpa para as palermices que ele diz. Não são só palermices, têm consequências graves e têm peso ideológico.
As declarações de hoje são insultuosas, é mais uma clara prova que não existe qualquer respeito pela lei neste país.
Mas, como é Portugal, segue tudo dentro da anormalidade do costume. 

O primeiro-ministro defendeu hoje que estar desempregado tem de "representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade"

Tem, por outro lado, de representar uma oportunidade para “mudar de vida”. Isto porque “nós não temos emprego para a vida inteira, como não temos empresas para a eternidade”



Como lembra, e bem, o professor Maltez, as declarações do primeiro-ministro acima referidas, violam a constituição da república portuguesa:


Artigo 58.º
Direito ao trabalho

 
1. Todos têm direito ao trabalho.
 

2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:

a) A execução de políticas de pleno emprego; 
b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais; 
c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.
 

 

Se não estamos perante um Processo Reaccionário em Curso, estamos sem dúvida no caminho certo rumo a um regime autoritário. A constituição tem sido ignorada em nome da crise, vamos estar em estado de excepção pelo menos até 2015... há que parar este governo antes que concluam o retrocesso civilizacional de 40 anos que estão a implementar alegremente.
Temo que em 2015 já seja tarde demais.


 

publicado por Francisco da Silva às 20:58
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Mocidade portuguesa






“Sobretudo à mocidade alemã, é que nos dirigimos.” ¹


Vítor Gaspar, ao melhor estilo dos regimes autoritários, vai apresentar um livro encomendado certamente por si para explicar a crise às crianças.
Há uns anos tempos fiz um artigo sobre a juventude Hitleriana, comparada aos novos escuteiros americanos, após ter lido esta notícia surreal:
Scouts Train to Fight Terrorists, and More. Para além de encontrar demasiadas similaridades, concluí que todos os regimes autoritários tendem a doutrinar as suas crianças, de modo a perpetuarem-se no poder, através da propagação de um pensamento absolutamente monista. Hitler fez isso, Mao, Salazar, Mussolini... é prática corrente em regimes destes e tem sido aplicada com relativo sucesso. 
 

Gaspar é bom no que faz e assume-se como o ideólogo deste governo, ou melhor, o enviado europeu para espalhar a ideologia tecnocrática que baseia o valor de cada homem e de cada sociedade na sua produtividade. Nada contra, pelo contrário, é bom quando um político se assume. 
Escondendo-se no papel de contabilista, vem agora explicar às crianças que independentemente de esquerda ou direita há só uma linha de pensamento: a sua. Sobre o livro diz-se o seguinte:

A peculiaridade reside no facto de a explicação ser dada de acordo com a ideologia favorita de cada leitor: se prefere as justificações defendidas pela esquerda começa a ler o livro por um lado, se prefere as justificações defendidas pela direita começa a ler o livro por outro

Ou seja, no manual do Gaspar para a mocidade portuguesa cabem todas as respostas, anulando assim qualquer crítica do livro estar inquinado de ideologia. Como bem sabemos, a não ideologia também é ideologia, e há uma "ideia por detrás da ideia" de apresentar um livro assim: mostrar às crianças que acima das opções políticas de esquerda ou de direita, o que interessa é a visão do contabilista, do tecnocrata.
A tecnocracia tem aberto o seu caminho para o poder através de diversos métodos, sendo este o mais eficaz: a tentativa de demonstrar que as opções políticas não o são, mas sim, as únicas escolhas possíveis. 

Não é por ser de direita que este governo está a desmantelar o Estado Social... não, eles até gostam dele. É porque não há alternativa. Não é por ser de direita que o governo está a reflectir a crise no empobrecimento dos trabalhadores em vez de a reflectir nos lucros cada vez maiores dos patrões... eles bem queriam, mas não há outra hipótese.
Agora esta semente do pensamento único vai ser plantada nas nossas crianças, vai ser uma iniciativa louvada por todos os comentadores habituais da praça. Outra vez, não é por os comentadores serem de direita... é porque os miúdos precisam de saber o que é a crise, e se for pela boca do Gaspar, melhor ainda. Como diria o Sr. Ford: "os miúdos podem escolher a ideologia que quiserem, desde que esta seja a do Gaspar".

As ditaduras chegam devagarinho, sem se dar por elas. Um dia, quando repararmos e quisermos colocar um travão a isto será provavelmente tarde demais. Por isso, não posso deixar de escrever agora, antes que seja tarde.
 

 

____________________________


¹ HITLER, Adolf, A Minha Luta - Mein Kampf, Afrodite, Lisboa, 1976


publicado por Francisco da Silva às 14:18
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Sem compromisso


Vítor Gaspar disse hoje que a hipótese de repor 25% dos subsídios em 2015 é uma mera "perspectiva técnica" e não "um compromisso"
Eu diria mais, é uma miragem, uma utopia ou uma alucinação.


 

 

publicado por Francisco da Silva às 13:22
link do post | comentar | favorito

Quem tem medo da democracia?




“Democracy means a form of government in wich, in contradistinction to monarchies and aristocracies, the people rule.” ¹

Na Grécia, é chegado o momento do Syriza tentar constituir governo. Quem não andou distraído sabe com que programa se candidataram, sabem também que foi esse programa que lhes garantiu o lugar de segundo partido mais votado.
Por cá, e um pouco por toda esta europa do pensamento único, não falta quem grite "aqui del rei" que vem aí a esquerda radical. Aquela esquerda que defende que as pessoas não são escravos dos números, que quer uma vida digna para os seus cidadãos.

 

Para muitos "democratas", a escolha política só é válida enquanto se vota nos partidos do costume. Quando os cidadãos se atrevem a votar fora do sistema é porque estão a condenar-se à miséria e por aí fora. Estes mesmos democratas, são aqueles que não se incomodam por Portugal ter um partido de extrema direita no governo. Desde que seja para servir de muleta do PS ou do PSD, dão vivas ao CDS.

O Syriza tem reunido com partidos, eleitos e não eleitos, sindicatos, e diversos outros representantes sociais. Ao contrário dos nossos governantes, recusam-se a rasgar o programa eleitoral com o qual foram eleitos em troca de governar. Recusam trair a confiança do eleitorado grego que viu nas suas ideias uma alternativa. Provavelmente, é a seriedade com que encaram esta tarefa difícil, numa conjuntura para lá de desfavorável, que faz confusão a estes nossos "democratas" de pacotilha. Não estão habituados a pessoas sérias na política, com ideias claras e com consciência do que é um contrato eleitoral. Espero, sinceramente que consigam formar governo. Um governo radical, radicalmente contra a escravatura da dívida, radicalmente contra a vergonha que tem sido a política na Grécia, radicalmente contra venderem os seus ideais e princípios.

Se não resultar, temos sempre a hipótese de voltar a dar a voz ao povo, que numa democracia verdadeira, é quem tem a palavra. 

 

_____________________________
¹  HELD, David, Models of Democracy, Stanford University Press, California, 2006

publicado por Francisco da Silva às 00:09
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

A austera idade

A Europa já passou por várias idades históricas e chegou à idade austera. É uma espécie de idade média, tanto no fechamento às ideias e à cultura, como nas relações laborais. Neste contexto tivemos duas eleições recentes em França e na Grécia, cujos resultados estão a ser escalpelizados e dissecados por tudo o que é adivinho político. Vamos então por partes:

Na Grécia, o governo era de um certo modo autoritário com alguns raros laivos democráticos, havendo a esperança que o povo legitimasse a vontade exterior nestas eleições, para que não se tenha de continuar a impor pela força, as directivas da política de austeridade.
O parlamento continua a ser o local de decisão política por excelência, embora cada vez mais o poder pareça resvalar para as ruas.
A Grécia, é hoje um estado no qual os cidadãos perderam quase toda a confiança no sistema político, porque este não consegue dar resposta aos problemas das pessoas.

Em França, o poder continuou a ser democrático, apesar de Sarkozy não esconder a sua veia autoritária em termos de política externa. O poder não está em risco de cair nas ruas, nem há uma desconfiança nas instituições sequer parecida com a que existe na Grécia.
As pressões de Merkel, a meu ver, beneficiaram o candidato vencedor. Num país onde a extrema direita tem tanto peso político, a conivência com interferências externas é penalizador, logo Sarkozy só tinha a perder com a proximidade a Merkel.

O que muda com estas eleições?

 

Na Grécia, a não constituição de um governo e a possibilidade de novas eleições, arrasará a pouca confiança no sistema político que ainda resta aos cidadãos. Provavelmente, haverá condições para discutir uma alteração radical da forma do poder e será com certeza a rua a ter a última palavra. Quem conseguir mobilizar os gregos irá definir o que se passará posteriormente.

Em França, pouco mudará no essencial. Provavelmente, teremos uma austeridade de rosto humano, mais carinhosa para com os PIGS, mas no fundo continuará a existir uma "cooperação estratégica" entre Paris e Berlim. É uma aposta na dupla bem sucedida do "polícia bom e do polícia mau", cabendo a Hollande o papel de bonzinho. Deixará de se ouvir "ou é assim ou são corridos do Euro", haverá antes uma versão mais soft do estilo "claro que irão cumprir, visto ser a única alternativa para se manterem no euro."
Em termos de política interna francesa, dizem que este senhor acredita no estado social... pois, o Cavaco também diz que acredita. Aliás, acreditar nunca fez mal a ninguém, mas não é por eu acreditar no pai natal que ele passa a existir. É preciso que haja políticas no sentido de garantir o estado social, portanto será um ver para crer. Para mim, parece que se confirma a velha frase: "é sempre preciso mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma".

Em Portugal, o PS vê o Hollande como o Messias da esquerda, ou seja, reconhece que de Seguro pouco esperam. Esqueceram-se também de dar um apoio aos seus camaradas do PASOK, o que provavelmente explicará o desaire deste último nas eleições gregas. Ficou-lhes mal.
O PSD, no seu lambe-botismo provinciano do costume, apressou-se a adular o novo senhor do poder e as políticas que ele promete não vá isto dar para o torto. Passos é um bom capataz ao serviço do eixo Paris-Berlim e está disposto a esforçar-se ao máximo para o provar.
 

A Oeste nada de novo.

publicado por Francisco da Silva às 22:30
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 5 de Maio de 2012

Parabéns pá!


O artigo58, nasceu e cresceu na Rua Arbat, mas foi há um ano no Estoril que tudo começou.





Gosto de vos ter por cá. 
 

publicado por Francisco da Silva às 17:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Tenham medo




"Young people in search for politicall freedom and economic opportunity, weary of waking up to the same tedium day after day, rose up against their sclerotic masters." ¹

Lendo e relendo diversos artigos sobre a Primavera Árabe, vem-me à ideia aquela velha e sábia teoria que em política não há espaços vazios.
Nos países da primavera, a queda das ditaduras que foram ao longo de muitos anos pedras basilares da "pax americana", criaram um vazio.
Os jovens não tinham liberdade, dignidade, emprego, nem perspectivas de um futuro melhor. Apenas eram donos de um imenso vazio que eram os seus dias. Foram preenchendo esse espaço das suas vidas com pensamento, com querer, com ambição. Nos dias acelerados que vivemos, raramente temos tempo para ler toda a informação que está disponível e reflectir sobre ela. Daí muitas vezes se dizer que o povo é sereno, manso ou outros adjectivos parecidos. No entanto, com a taxa de desemprego a bater recordes todos os dias, os jovens começam a ter mais tempo para parar e pensar o tipo de sociedade em que vivem e o modelo desigual em que esta se baseia.

Não estou a fazer um elogio do "quanto pior melhor", longe disso. Constato apenas factos que esta devastação económico-social tem produzido. A alienação é sempre mais fácil quando há uma cenoura para o burro ir seguindo. Estes governantes, inebriados pelo poder e pela sua prepotência pensam que apenas o pau lhes bastará para continuar a conduzir a sociedade rumo ao precipício. Não basta! Há vários e variados exemplos que o aparelho repressivo do estado nao chega para manter a ordem, quando se vivem dias de desespero, de tédio e de inacção.
É contrário à natureza dos jovens a inércia, é preciso mantê-los ocupados para que não abram os olhos para a condenação a uma condição de vida miserável. 
Sim, temos medo dos bastões da polícia, das suas armas e dos seus cães. Mas temos muito mais medo de não ter futuro e de viver com medo a vida inteira.

Governantes esclerosados, tenham noção que o vosso dia chegará.

___________________
¹ AJAMI, Fouad, The Arab Spring at Once, A year of Living Dangerously, Foreign Affairs, volume 91, number 2, March/April 2012  

publicado por Francisco da Silva às 01:07
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 1 de Maio de 2012

1º de Maio


Hoje, passei pela Alameda, como outros milhares de pessoas, tendo como certeza que a comunicação social apenas iria dar notoriedade a outro evento.
Tanto me dá, honestamente, farto de ir a manifestações que não têm o mínimo de eco nos media estou eu. 
Aproveitei para dar e receber uns abraços, beber um copo e comer umas bifanas com um amigo de direita que quis ir ver as vistas e pensar um bocado sobre o significado deste dia, ou melhor, o significado que este dia tem para mim.

1º de Maio para mim é "A Mãe" do Gorki, é subir a Almirante Reis a caminho da Alameda e também é encontrar o pessoal com o qual partilhei lutas, e beber um copo com eles, celebrando um reencontro alegre. Normalmente quando estamos juntos é em greves, em plenários, a "fazer política", situações de tensão, crispação... Neste dia paramos todos um bocado, celebramos mais um ano em que estivemos do lado dos nossos, da nossa classe.

Sempre preferi o 1º de Maio ao 25 de Abril, desde miúdo. O 25 de Abril era aquela cerimónia respeitosa para com todos os que tombaram pela nossa liberdade, já o dia do trabalhador era isso mesmo: um dia de festa, um dia em que os trabalhadores se aburguesam e sentam-se na relva a comer bifanas, sardinhas, chouriços e azeitonas. Tudo regado a tinto, daquele das festas populares que todos dizemos mal, mas do qual temos saudades assim que saímos por uns dias do país. É dia de festa, de celebrar os dias que passaram e os dias que aí vêm e não vão ser fáceis, mas é o nosso dia. 

Nós, que nos assumimos como proletários, aqueles cuja única posse é a sua prole, temos um dia que é de festa.
Os outros 364 são de luta, de exploração, de cortes os salários, de roubo nos subsídios e salário indirecto, de injustiça e de prepotência.

Fica-me sempre algo na cabeça neste dia: os desempregados, aqueles que não têm um único dia para celebrar.
São cada vez mais e não há políticas de criação de emprego, o governo a única resposta que tem é "habituem-se"
Não dá, não é possível habituarmo-nos a isto.


publicado por Francisco da Silva às 23:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.autores

.pesquisar

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Ainda há esperança?

. Da vergonha alheia

. Vamos a Belém - 25 de Mai...

. Carta a Amélia

. Demissão já

. O PS tem problemas em faz...

. Hasta Siempre Comandante

.tags

. todas as tags

.subscrever feeds