Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Quando o governo te insulta...

 

 


 

Hoje, o Álvaro foi à Covilhã insultar a democracia. Digo insultar porque o pastel tentou, por portas e travessas, escapar ao confronto com os cidadãos que desesperam com as políticas do seu governo. Este gusano depois de não ter resposta para dar, fugiu dos cidadãos que o confrontavam e entrou no carro rapidamente, como um bandido a fugir da lei. A democracia não se esgota no voto. Quando somos representantes políticos e estamos num cargo de natureza política, temos o dever de prestar todo e qualquer esclarecimento, que o mais humilde do cidadão nos peça. É duro? Seguramente, não é fácil; chama-se servir os cidadãos. Há quem veja esta questão ao contrário, como é o caso do Álvaro: um cargo político é para se servir dele, usando e abusando da oportunidade que lhe é dada por milhares e milhares de pessoas com o seu voto. 

É bom andar de falcon e mercedes, e de outra forma nunca teria na vida hipótese de o fazer. É mau passar 10 minutos a ouvir as reclamações das pessoas a quem tem destruido a vida, uma maçada. 

 

Depois de se meter no carro, há uma mulher que se põe à frente do mesmo. O que acontece é vergonhoso: o motorista continua a avançar, empurrando a mulher com o pára-choques do carro. A dada altura, um homem põe-se também à frente do carro. A história repete-se, um carro pago pelos contribuintes, com um motorista pago pelos contribuintes, com um ministro lá dentro, pago adivinhem lá por quem, avança sobre... isso mesmo: um contribuinte. Contribuinte esse que é arrancado de cima do carro por um polícia à paisana, escusado será dizer quem lhe paga o salário. 

 

É a imagem perfeita deste governo: um governo disposto a atropelar os cidadãos, um governo cobarde, excepto quando está protegido pela blindagem dos seus carros e pelos seus esbirros. Um governo que não quer nem saber quantos portugueses vão ficar pelo caminho, com estas políticas de miséria, de fome e de destruição.

Os manifestantes tentaram fazer-se ouvir de forma pacífica! Para a próxima, o pastel pode não ter essa sorte. Se é com violência cobarde que responde a um protesto pacífico, arrisca-se a ter o troco na mesma moeda.

 

Pensa nisso, Álvaro.

 

publicado por Francisco da Silva às 18:54
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Mercado de transferências

Um dos mais proeminentes esquerdinos, até agora um jogador livre, acaba de assinar pela equipa da capital

Começou a época de transferências, vamos ver quais serão os restantes reforços. 


publicado também aqui.

publicado por Francisco da Silva às 03:04
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012

O pilha-gravadores





Ricardo Rodrigues exerce as seguintes funções:

 

Deputado na X Legislatura

Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS
Membro do Conselho Superior do Ministério Público eleito pela Assembleia da República
Membro da Comissão Permanente da Assembleia da República

Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias [Coordenador GP]
Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública [Suplente]
Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação [Suplente]

O mesmo Ricardo Rodrigues, foi hoje condenado por atentado à liberdade de imprensa. 

 

Espero que renuncie aos cargos que ocupa, por manifesta falta de condições políticas para os continuar a exercer. A alternativa, é colocar o deputado a questionar Miguel Relvas, quando este se deslocar ao parlamento no âmbito das pressões realizadas junto dos jornalistas do Público.

Se o senhor não renunciar, espero que o PS tenha o bom senso de pedir o seu afastamento, demarcando-se desta maneira de estar na política. Ter um vice-presidente de bancada condenado por atentar contra a liberdade de imprensa, é inaceitável. São estes casos, que vão permitindo ao governo atropelar a democracia, sem censura da opinião pública. "São todos iguais" e "os outros fazem o mesmo", são expressões cada vez mais em voga no léxico dos portugueses. Que legitimidade tem o PS de condenar as acções (igualmente inaceitáveis) de Miguel Relvas, se mantiver este senhor na sua bancada? 

Pelo contrário, se o PS se dignar a pedir a sua excelência que renuncie ao mandato, reúne algum capital político para voltar ao caso Miguel Relvas. 

A alternativa é o normal acordo de "cavalheiros(?)" entre PS e PSD: eu não falo neste assunto e tu não falas no outro. Nós ficamos calados em relação ao Rodrigues, vocês não insistem com a ida do Relvas ao Parlamento.

Vamos ver se há consequências políticas, ao contrário do que acontece habitualmente: uma mão lavar a outra e as duas lavarem o rosto.

 

Esta é uma boa hipótese para começar a credibilizar uma Assembleia da República, que é cada vez mais mal vista pelos cidadãos, por culpa deste bloco central de interesses. É bom que não a desperdicem, podem não haver muitas mais. 

 

Podem enviar, rapidamente, um e-mail ao deputado Ricardo Rodrigues a pedir a sua renúncia, ou até sensibilizar pela mesma via, António José Seguro e Carlos Zorrinho, para que hajam consequências políticas. Caso queiram contactar por telefone o grupo parlamentar, poderão encontrar o número aqui.

publicado por Francisco da Silva às 16:14
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A esquerda, livre de comunistas

Passos Coelho disse hoje, a propósito da moção de censura do PCP, o seguinte:

 

"Trata-se, portanto, mais do que uma moção de censura ao Governo,  de uma moção de censura ao mundo, de uma moção de censura à realidade"

 

 Dou por mim a concordar com o homem, coisa rara. Esta moção é sem qualquer dúvida uma moção de censura a esta realidade que Gaspar e os seus amigos estão a criar. O número recorde de desempregados merece censura. O aumento recorde do número de casais desempregados, que subiu mais de 81% no último ano, merece censura. 

Os cortes nos subsídios de férias e de Natal, nas férias e nos feriados, a facilitação dos despedimentos, o desmantelamento do serviço nacional de saúde, o fim da escola pública, os cortes na bolsas... enfim, há um sem número de razões que justificam uma censura a este governo.

Aliás, Pedro Silva Pereira no seu discurso de hoje no parlamento, enumerou bem diversas razões que justificavam a apresentação desta moção. No entanto, todas essas razões, serviram apenas para justificar mais uma abstenção violenta. 

 

O PS perdeu hoje uma excelente hipótese de promover uma coligação de esquerda, contra esta política devastadora do governo PSD/CDS. Ouço vezes sem conta dirigentes do PS falarem da impossibilidade de coligações à esquerda, que os partidos não estão disponíveis para se juntarem ao PS. Leio também outros tantos da esquerda livre, afirmarem o mesmo... No entanto, quando o PS tem essa oportunidade o que é que faz? Refugia-se no colo da direita. Claro, que nem uma linha virá escrita sobre sectarismo da parte dos socialistas, nem uma voz virá clamar contra as constantes posições políticas do PS, que indo muitas vezes contra o que é o sentimento geral da sua base, dos seus eleitores e militantes, prefere juntar-se à direita.

 

Assim, infelizmente, perde-se aquele que poderia ser o maior partido da oposição. Perde-se mais uma oportunidade de a esquerda se unir, sob a justificação sectária que "o PCP apresentou uma moção de censura ao PS, por isso não votamos favoravelmente a deles". Claro que debaixo dessa justificação, esconde-se um partido ideologicamente à deriva. Um partido que não só não tem homem do leme, como nem sequer tem leme. 

Os inúmeros votos que o PS conquistou mereciam mais respeito. As pessoas que votaram PS, mereciam mais que ter eleito uma bancada que nas questões essenciais abstém-se. Um partido cuja linha política é o não comprometimento, não é um partido. Os portugueses não mandataram os deputados do PS para serem figurantes neste filme realizado e produzido pelo PSD e CDS. 

 

Quando o maior partido da oposição está no governo, só significa que nós deste lado vamos ter de correr mais, trabalhar o dobro e suar o triplo. Nada que não se faça, já estamos habituados. Enquanto o PS não se resolver internamente, vai continuar a somar abstenções atrás de abstenções. Uns meses antes das eleições, irão representar de novo o papel de oposição e dizer que os do PSD são todos uns malandros... é uma estratégia que tem funcionado, mas as pessoas começam a ficar fartas. A começar pelos próprios militantes socialistas que olham para o seu partido entretido em guerras internas de controle de estruturas dirigentes, como um partido inútil na assembleia da república.

Seguro está a estender uma passadeira vermelha para o senhor que se segue, nem sequer vai ser preciso tirar-lhe o tapete, ele cede-o de bom grado. Tal como cedeu o seu papel de líder do maior partido da oposição, que está aí para quem o quiser interpretar. 

A direita ter um aliado como o PS no parlamento é perigoso: dá-lhes toda a liberdade para aplicarem na totalidade as políticas este processo reaccionário em curso. 

 

O PCP fez política hoje, quanto mais não seja, merece ver esse mérito reconhecido. Já tinha saudades de ver fazer política no parlamento. A política de corredores, de mesas de restaurante, de sacristia ou maçonaria já enjoa... 



publicado por Francisco da Silva às 01:48
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Governação violenta




 

 

Número de casais desempregados sobe 81% num ano

 
Entre os 609.273 desempregados inscritos nos centros de emprego, em maio, estavam registados 7.940 casais sem emprego, o que corresponde a um aumento de 81% relativamente ao mesmo mês de 2011.

Segundo o IEFP, desde julho de 2011 que se regista um aumento em cadeia do número de casais desempregados

 

 

 Quem dá a cara perante estes casais desempregados? A menina Cristas, o menino Mota Soares, os senhores das famílias numerosas e das associações anti-aborto? São eles que vão lá a casa dar uma forcinha: "aguentem-se mais uns anos sem emprego, estamos quase lá, o país agradece." 

O Gaspar, o Álvaro e o Passos, mais o supra-ministro Relvas vão ter de responder por isto, tal como quem quiser continuar a ser conivente com as suas políticas.

 

Uma abstenção, perante as políticas deste governo não é violenta, nunca será. Violenta é esta governação! Violenta com os seus cidadãos, violenta com as famílias, com os idosos, com os jovens... Continuar a dar a mão a este governo é ser cúmplice. É ser cúmplice com a miséria, com a injustiça, com a degradação das condições de vida e dos direitos. 

 

Que mais razões serão precisas para censurar este governo? 

 

publicado por Francisco da Silva às 00:48
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2012

Jornaleiros

 


 

O jornalismo, em geral, que me perdoem os poucos mas bons jornalistas que ainda sobrevivem, é absolutamente miserável. Isto não começou agora com o Relvas, isto já vem de longe. Muitos jornalistas vivem em perfeito conluio com os políticos. Aliás, é costume as grandes figuras da política dividirem os jornalistas entre "os seus" e os outros. Estes jornalistas "ganham-se" com almoços e jantares em sítios caros e na moda, pagos usualmente com despesas de representação do político, ou seja, com os nossos impostos. Também se conseguem recrutar muitos através da sua integração nas comitivas que vão ao "estrangeiro". Por último e menos divulgado, há o método de pagamento directo, em favores, informação e até dinheiro ou presentes. 

Temos, também, muitos jornalistas na lista de pagamentos de diversas agências de comunicação, embaixadas, marcas, clubes desportivos... enfim, tudo o que precisa de um espacinho na imprensa. Os métodos de pagamento não mudam, são os mesmos a que os políticos recorrem. 

Falo disto a propósito do caso Relvas, mas este não é um caso isolado. As pressões políticas sobre os jornalistas são constantes, aceites como práticas normais, tanto pelos agentes do poder como pelos próprios jornalistas. 

 

A pergunta que falta fazer é: porque é que os políticos pressionam os jornalistas?

Se a questão é simples de colocar, também a resposta é simples: porque funciona. 

 

Há sempre um jantar a cobrar, uma viagem, um emprego que se proporcionou... há sempre alguém que conhece não sei quem, que sabe que este jornalista andou a receber daqui, dali e de além. Um primo, um irmão, um colega de infância que trabalha nesta ou naquela redacção, enfim, vocês são portugueses como eu e sabem do que estou a falar. 

Criou-se uma cultura de cadeias de pequenos favores que, todos somados, depois dão frutos. E nesta situação grande parte da culpa é dos jornalistas que entram no jogo. 

 

Dá-me náuseas ouvir certos jornalistas e outros profissionais que vivem dentro deste círculo de favores, a falar sobre o quão corrupta é a política e os políticos. Escrevem como se fossem os D. Quixotes da ética, moral e bons costumes. No entanto, são os primeiros a entrar abertamente neste tipo de esquemas, abertamente e sem qualquer tipo de vergonha na cara, com um ar de que "eu posso porque sou impoluto". Ora estes senhores e estas senhoras têm muita culpa no estado a que o país chegou. Gostam de fazer capas com quanto gastam os nossos governantes. Não se recordam é do quanto é gasto a pagar os seus almoços e jantares, nos restaurantes mais caros do país. Não se recordam de quanto o estado gasta, quando paga as suas viagens e estadias nas comitivas que organiza. Não se lembram da corrupção, quando são eles que beneficiam, nem se lembram de falar em pressões, quando os pressionantes são os que na semana passada, lhes deram uma notícia que fez capa. 

Tal como a classe política, também a jornalística está entranhada de um cheiro a podre. Tanto de um lado, como do outro, há pessoas sérias, firmes, com carácter e bem intencionadas. Vão é sendo cada vez menos... o sistema sente-os como uma ameaça e rejeita-os, como se de um corpo estranho se tratasse.

 

Quero eu com isto desculpar o Relvas? Não... apenas explanar algumas das razões pelas quais o Relvas se vai mantendo: porque muita gente tem comido da sua mão. Pessoas sem qualquer carácter, asquerosamente mercenários, pois servem quem quer que seja, desde que lhes paguem o preço certo. São também eles responsáveis pelo estado a que chegámos. Assobiam para o lado, chamam corruptos e ladrões a todos e vão gozando o fruto do saque. 

 

Há quem lhes chame "Presstitutes", penso que é uma designação que lhes assenta bem. 

 

publicado por Francisco da Silva às 01:20
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

Da Grécia, com amor

 

Ontem, foi dia de jogo grande na Grécia: ganhou a Nova Democracia, por meio a zero, mas ganhou. Ganhou a chantagem financeira, que pretende continuar a espremer a Grécia até à última gota. Ganhou o editorial do Financial Times, e outros tipos de chantagens e pressões, que foram exercidas sobre a opinião pública grega, ao longo destes últimos tempos. 

Ganhou o medo da população mais idosa, que ainda tem algo a perder, e por isso votou maioritariamente na Nova Democracia. Ganhou Samaras, aquele em quem, há um ano, Merkel não acreditava na sua palavra, apesar de serem ambos membros do mesmo partido europeu. 

 

Quem perdeu? Perdeu a SYRIZA, ao ficar em segundo lugar, por meio a zero, mas perdeu. Perdeu a esperança de um presente diferente para a Grécia e para os gregos. Perderam os jovens, que na sua maioria votaram SYRIZA, perdeu Tsipras e a esquerda. Perdeu o pensamento diferente, fora do unanimismo generalizado. 

 

Há mais para além disto, muito mais. Senão, vejamos:

 

A europa toda tem, hoje, noção do que não existia há uns meses: uma alternativa. O tal "medo que o medo acabe" começa aqui, as pessoas já aceitam que não há só um caminho coisa que há um ano atrás não existia. Boa ou má? Ainda não se debruçaram o suficiente sobre ela, mas saber da sua existência, é meio caminho andado para o medo acabar. Olham para Tsipras como um louco? Ok, até podem olhar, mas respeitam-no e o seu nome é agora conhecido, desde o Cabo da Roca até Moscovo. Atravessou o atlântico, via entrevista do NYTimes, o seu nome andou nas bocas de todos, bem como o nome da SYRIZA e a ideia de "um outro caminho é possível".

 

Tentaram colar a extrema esquerda à extrema direita, como se fosse comparável uma política pelo fim da austeridade, com uma política de ódio, de um partido que inclui nas suas práticas militantes, o assassinato de imigrantes.

Tsipras saiu sempre por cima, mostrou ao mundo que os comunistas não são um grupo de velhos bolorentos, que se reúnem numa cave aos domingos, para comer criancinhas. Tsipras acreditou e as pessoas acreditaram com ele, levando a SYRIZA a um patamar de apoio, expresso em votos e mandatos, inigualável. Acredito, sinceramente, que a vitória teria tido um impacto benéfico para os cidadãos gregos, assim como aliviaria a pressão sobre o resto dos países intervencionados, com medo que algo de parecido se passasse. Acredito também que a Grécia não iria sair da zona euro: é o poder da Alemanha que está em causa, com a desagregação deste sistema monetário, Merkel e os alemães sabem-no.

 

Não acredito no entanto, que fosse a solução dos nossos problemas, como portugueses. Estivemos juntos, estamos juntos e estaremos juntos, na maratona contra esta europa, sem dúvida alguma. Agora, se quisermos mudar a nossa realidade, não será por bandwagon. 

Há muitas diferenças a ter em conta, sendo para mim a maior, a consciência do que são estes empréstimos. 

Na Grécia, tal como em Espanha ou na Irlanda, as pessoas têm a noção clara que vivem pior, para salvar os bancos. Em Portugal, a estratégia foi melhor: a ideia que passou é que o empréstimo foi feito para o Zé Povinho pagar os copos que andou a beber fiado.

A SYRIZA teve um papel fundamental em desmistificar esta questão, em criar no gregos, consciência de classe. A própria frase de Tsipras, espelha esta ideia: "se ganharmos, vamos segunda-feira a Bruxelas renegociar". 

Com esta frase, ele explica sucintamente que isto não é uma questão de Alemanha vs. Grécia, ou vs. Portugal, Espanha e Irlanda. Trata-se de uma questão de uma parte da sociedade europeia, contra a outra, de gregos contra gregos, portugueses contra portugueses, e por aí fora.

 

Há dois tipos de países na zona euro: os intervencionados, e os por intervencionar. É preciso fazer crescer a consciência, que em cada país, são sempre os mesmos a pagar. Não há guerra entre Norte e Sul da Europa, mas sim, entre topo e base da pirâmide social, em cada país. 

Tsipras consegui isso, a SYRIZA conseguiu isso, ganharam onde a toda a esquerda tem falhado redondamente: na comunicação. 

Não se puseram com as desculpas habituais, que a comunicação social não ajuda, que o campo é inclinado... não. Cerraram os dentes, usaram as armas ao seu dispor e foram à guerra. Temos muito que aprender com eles em termos de comunicação, em vez de pensarmos que basta ganharem lá, que passados uns tempos ganhamos nós cá também. Mais uma vez, o avanço da história, está a ser feito pela guerra entre exploradores e explorados. Os fait-divers de luta de civilizações são apenas areia, para que tudo fique na mesma, é preciso manter os olhos na bola. 

 

Resumindo, tal como Portugal contra a Alemanha, o SYRIZA jogou bem mas perdeu. Agora, resta levantar a cabeça e dar o seu melhor nos próximos jogos, porque quando há trabalho feito, a vitória não tarda a aparecer. 

 

Deixo-vos uma citação de memória, de um velho camarada, comunista daqueles que metem medo:

 

"Há por aí uns armados em Che Guevara, que dizem que querem fazer a revolução... mudar isto tudo, fazer coisas bonitas. Lembrem-se que o Che não andava por aí a dar palestras e conferências enquanto mudava o mundo, não andava na televisão a dizer: "olhem para mim que estou a mudar o mundo". Querem fazer coisas bonitas camaradas? Querem mudar o mundo? Trabalhem para isso porra! Quando acabarem o vosso trabalho, aí sim, olhem para trás e vão ver que fizeram coisas bonitas, vão ver que mudaram o mundo."

 

 

publicado por Francisco da Silva às 22:04
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Sábado, 16 de Junho de 2012

Moção de salvação nacional


O PS tem de fazer uma opção e não pode continuar em cima do muro.

O PCP, manifestou esta semana, a intenção de apresentar uma moção de censura ao governo. António José Seguro, classificou esta intenção como inoportuna, e que poderia criar uma crise política. Afirmou o líder socialista:

O secretário-geral do PS reforçou a sua oposição à abertura de uma crise política, considerando que isso seria "completamente inoportuno" neste momento, estando Portugal "a viver uma situação difícil, sob assistência financeira", com "compromissos que têm de ser satisfeitos", e quando estão prestes a ser tomadas "grandes decisões no seio da União Europeia".

 

Há várias razões pelas quais esta moção é apresentada, não só com oportunidade, mas com um excelente timming. O governo, ao fim de um ano, conseguiu excelentes resultados, com as suas medidas. O desemprego bate records, os impostos idem, bem como o custo de vida. O retorno dos impostos é cada vez menor: estão a acabar com o SNS, com a escola pública e com as universidades públicas e a justiça... enfim, a justiça anda pelas sarjetas da rua da amargura.
Uma moção a censurar estas políticas e este governo, faz todo o sentido, para um partido que sempre se manifestou contra estas políticas. Obviamente, só depois de haver resultados da implementação das políticas é que se torna oportuno censurar um governo, caso contrário, seria ridículo. 

A somar a isto, saiu esta semana uma sondagem favorável à esquerda, que o PCP consegue de certa forma capitalizar com esta moção de censura. Apresenta-se assim como o partido que radicaliza a luta contra o governo, tomando a iniciativa política, em relação aos restantes.

 

Juntando a isto, as eleições que de norte a sul têm decorrido para os orgãos distritais e concelhios do PS, o PCP acertou na mouche: a direcção do PS terá que responder perante estas novas caras que preparam a sua ascensão na cadeia de poder do partido. Terá de decidir se continua a apoiar o governo PSD/CDS, ou se pelo contrário, decide juntar-se aos partidos de esquerda para fazer oposição ao governo. 

Se por um lado, o PS assinou o acordo com a Troika e como tal vê-se obrigado a cumprir com o que assinou, por outro, este governo tem ido "muito além da Troika", como Passos e Cª não se fartam de afirmar. 

 

Seguro tem aqui uma oportunidade de ouro, dificilmente terá outra, de ser primeiro-ministro e de calar os seus opositores internos, mais propriamente António Costa. Se apoia a moção do PCP, passa a ter a iniciativa política à esquerda, passando o PS a ser o maior partido da oposição. Certamente que perderá o apoio dos socráticos da sua bancada... Como esse apoio nunca existiu, atrevo-me a dizer, que não perde grande coisa. No entanto, conseguiria unir o partido e abrir portas a um governo à esquerda. 

 

Se como diz, não vê oportunidade na moção, Seguro precisa de trocar a graduação dos seus óculos. Quando diz que o país não precisa de uma crise política está errado, o país precisa de uma crise política, porque este governo está a criar uma crise social que demorará gerações a reverter. O custo de uma crise política é superado largamente, pelo benefício geral das condições de vida dos portugueses. 

Com a mudança que se perspectiva na europa, com o afastamento de Sarkozy e com a subida da esquerda na Grécia, o PS afirmar-se como não estando mais ao lado de um governo que condena os portugueses à miséria, daria mais um sinal a Bruxelas e a Berlim. Mostrava que nós já estamos fartos e que um outro modelo é necessário e imperativo. A votação favorável desta moção, é a melhor hipótese que Portugal e os portugueses têm, para reverter este processo reaccionário em curso que a direita está a implementar. Teria repercurssões a nível europeu, e seria importante este sinal: Portugal deixou de ser "o bom aluno de Merkel".

 

Fazer política é isto, é comprometer-se, é tomar decisões, fazer escolhas e responder por isso. Quando os políticos deixam de se comprometer, de fazer política, o poder económico toma as rédeas. E todos sabemos o que é que isso significa. Espero que o PCP escreva um texto simples, que não dê qualquer argumento para que o PS se esquive desta votação. Sugeria, até, que o texto fosse discutido pelos líderes dos partidos de esquerda, para que não ficasse qualquer aresta por limar que possa impedir este sinal que é necessário dar à Europa: o de uma oposição unida contra as medidas de empobrecimento, de uma oposição forte e capaz de fazer frente a este governo. Chega de querer mostrar aos mercados, à senhora Merkel e afins que somos bem mandados. Está na altura de mostrar que queremos um caminho diferente, viver assim não é viver. 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:04
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2012

Até já, comandante




Nascido em 14 de Junho de 1928. Assassinado a 9 de Outubro de 1967.


Marzo 1965

A mis hijos, Queridos Hildita, Aleidita, Camilo, Celia y Ernesto:

Si alguna vez tienen que leer esta carta, será porque yo no esté entre ustedes. Casi no se acordarán de mí y los más chiquitos no recordarán nada. Su padre ha sido un hombre que actúa como piensa y, seguro, ha sido leal a sus convicciones. Crezcan como buenos revolucionarios. Estudien mucho para poder dominar la técnica que permite dominar la naturaleza. Acuérdense que la Revolución es lo importante y que cada uno de nosotros, solo, no vale nada. Sobre todo, sean siempre capaces de sentir en lo más hondo cualquier injusticia cometida contra cualquiera en cualquier parte del mundo. Es la cualidad más linda de un revolucionario. Hasta siempre hijitos, espero verlos todavía. Un beso grandote y un gran abrazo de Papá

Aqui 
 

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publicado por Francisco da Silva às 17:45
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Terça-feira, 12 de Junho de 2012

Incompetentes ou mentirosos?





Vítor Gaspar, hoje, no parlamento, disse aos portugueses: 


Desconhecer as condições em que foi feito o empréstimo de cem mil milhões de euros ao setor bancário espanhol.

 

«No quadro do Eurogrupo, não foi sequer claro qual o mecanismo europeu que será utilizado», adiantou Vítor Gaspar, que explicou que ainda é preciso «algum tempo adicional» para se saber quais os montantes, taxas e os prazos deste empréstimo.

No entanto, Passos Coelho, tinha dito que Gaspar esteve presente na reunião onde o resgate foi decidido e acordado... 

Passos Coelho referiu que o Eurogrupo analisou, no sábado, «um eventual pedido da Espanha para proceder à recapitalização da banca em Espanha» e que nessa reunião o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, transmitiu a opinião do Governo português.

E Bruxelas sublinha ainda que Portugal aceitou as condições propostas... será que houve algum erro de tradução e Vítor Gaspar não sabia o que estava a ser decidido na reunião? Ou simplesmente, tentou ludribiar os Portugueses, como tem sido o seu estilo até agora? 

 

Bruxelas lembrou hoje que Portugal participou no Eurogrupo de Sábado, aceitou o tipo de resgate espanhol e vai ter direito de voto na aprovação do memorando espanhol, podendo contribuir para as modalidades de crédito e condições a Espanha.


A questão do empréstimo espanhol está a atrapalhar deveras o nosso governo... lendo estas notícias encontra-se mais uma pérola. Passos Coelho, acha que somos todos parvos, e após ser pressionado pela oposição, mente deliberadamente aos portugueses. 

Passamos pela vergonha de ouvir um porta-voz de Bruxelas, arrasar o primeiro-ministro do nosso país. Ora vejam:

 

Passos Coelho este fim-de-semana disse que o país estava "atento" ao "programa específico para a banca espanhola" e, "se houver alguma condição excepcional que deva ser partilhada com os outros países que estão sob assistência, não tenho dúvida de que isso acontecerá".

 

A declaração causa estranheza entre responsáveis europeus. "Não sei o que o primeiro-ministro português tinha em mente quando fez essa declaração", disse um responsável esta manhã.


Resumindo, estamos entregues a incompetentes ou a mentirosos. Ainda não consegui perceber bem, qual das opções será a mais correcta. 

Na volta, dá-se o caso de serem tão incompetentes que nem mentir sabem...

 

 

publicado por Francisco da Silva às 20:03
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

Perestrello has left the building

 

 Marcos Perestrello deixou a Finertec devido a pressões.



Questões que ficam:

Porque é que a comunicação social encobriu todo este caso até agora? 

Porque é que os blogs, que falavam do caso Relvas e Finertec, nunca mencionaram o envolvimento de Marcos Perestrello?

Ainda a procissão vai no adro... aguardem as cenas dos próximos capítulos. 
 

publicado por Francisco da Silva às 01:07
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Terça-feira, 5 de Junho de 2012

...

publicado por Catarina Martins às 00:46
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Um ano de governo PSD/CDS



 

Quando vi esta foto, lembrei-me dos cartazes de propaganda dos anos 30. Mas é pior, muito pior. 

Esta é toda uma caricatura deste país, tresanda a ideologia, mas tem coisas curiosas de observar.

 

Já repararam que destes 11, apenas dois jogam em Portugal e que todos os outros emigraram, porque este país não lhe oferece futuro? 

Mesmo esses dois, estão em vias de dar o salto para outro país, porque realmente os baixos salários em Portugal em comparação com a média europeia, não os satisfaz? Sabem também que, em Portugal, dificilmente terão hipótese de serem reconhecidos a nível europeu, por muito bons que sejam... Outra curiosidade: Pepe, o brasileiro melhor recebido em Portugal, como todos os seus compatriotas que imigraram para cá deveriam tê-lo sido, já saiu em busca de um futuro melhor noutras paragens. Com pena, certamente, porque tal como muitos dos brasileiros que cá estavam, adorava o país e a vida em Portugal.

 

Se este é um retrato do país? Sim, sem dúvida, mas não é o retrato do país. O retrato do país, ao fim de um ano de governo PSD/CDS, teria que incluir em cada onze, três desempregados. Dos restantes, dois deveriam aparecer de recibo verde na mão, ou em alternativa, um contrato de trabalho precário.

Provavelmente, dos seis que sobravam, 4 estariam a jogar em troca das refeições e do passe como se faz com os estagiários. 

 

Os outros dois que restam, é isso mesmo que estão a pensar: teriam contrato milionário, isenção de impostos, viveriam do dinheiro dos contribuintes e seriam destacados militantes partidários: um do PSD, outro do CDS. 
 

Onze por todos e todos por onze? Poupem-me que eu já estou velho para correr atrás da bola.

Pergunta para queijinho: quantos deles pagam impostos em Portugal? 

publicado por Francisco da Silva às 15:38
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Tsipras e Zizek




Slavoj Žižek, Alexis Tsipras e Kostas Douzinas.
publicado por Francisco da Silva às 02:57
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Domingo, 3 de Junho de 2012

Gigolo profissional



via Correio da Manhã


O economista e ex-dirigente do PSD António Borges, conselheiro do Governo para as parcerias público-privadas, defendeu, esta sexta-feira, em entrevista à Económico TV, que diminuir os salários não é uma política mas "uma urgência" e acusou o Estado de ser "um mau gestor".

Há um verbo que me ocorre:

chular 
(chulo + -ar

v. tr.
1. Viver às custas de alguém, aproveitando-se dele. 
v. tr. e intr.
2. Obter lucros indevidos ou de forma pouco lícita.

Quando se fartarem disto, avisem, é que ainda o mês passado pagámos dos nossos impostos, o salário deste iluminado
 
publicado por Francisco da Silva às 02:23
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Bilderberg 2012




The 60th Bilderberg Meeting will be held in Chantilly, Virginia, USA from 31 May - 3 June 2012. The Conference will deal mainly with political, economic and societal issues like Transatlantic Relations, Evolution of the Political Landscape in Europe and the US, Austerity and Growth in Developed Economies, Cyber Security, Energy Challenges, the Future of Democracy, Russia, China and the Middle East.
Approximately 145 participants will attend of whom about two-thirds come from Europe and the balance from North America and other countries. About one-third is from government and politics, and two-thirds are from finance, industry, labor, education, and communications. The meeting is private in order to encourage frank and open discussion.



Os artistas portugueses convidados, para a reunião de Bilderberg 2012, são:


PRT Amado, Luís Chairman, Banco Internacional do Funchal (BANIF)

PRT Moreira da Silva, Jorge First Vice-President, Partido Social Democrata (PSD)

PRT Balsemão, Francisco Pinto President and CEO, Impresa; Former Prime Minister


Veja a lista completa aqui
 

publicado por Francisco da Silva às 02:36
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