Terça-feira, 31 de Julho de 2012

Produtividade é isto


CMVM identifica um gestor com lugar em 73 administrações

Este homem merece uma condecoração, aliás, merece toda uma parada em seu louvor.
A notícia diz que a CMVM não identifica o senhor, é pena. Todos deviam saber quem é este génio que veio redefinir a ubiquidade. A bem da nação, é imperativo que se saiba quem é este proletário incansável que merece a medalha de Lenine (ou uma fatia de bolo-rei que os tempos agora são outros).

 

Só não me surpreende porque é em Portugal.


 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:30
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Um grande salto em frente






A nova lei das rendas foi promulgada pelo Aníbal.
Doravante estão facilitados os despejos, o que faz todo o sentido. Já se facilitaram os despedimentos, facilitam-se agora os despejos, para que as pessoas se sintam, realmente, à mercê da caridadezinha.

Não me hei-de esquecer do sinistro Relvas, numa conferência no ISCSP, dizer qualquer coisa como isto: "hoje os jovens estão dispostos a aceitar condições de trabalho que há um ano atrás rejeitavam".

 

Não são só os jovens que são as vítimas, o plano desta revolução cultural é extenso e abrangente. Ao facilitar despedimentos e despejos, todos os portugueses, daqui a um ano ou menos, estarão dispostos a trabalhar por condições que não iriam aceitar de outra forma. 

Só o desespero leva a aceitar o que há, o desespero de ter um tecto para a família, de ter comida para lhes dar, de lhes conseguir pagar os transportes e os livros para escola. 

 

Portugal está uma miséria de país. É impossível continuar cada um a tentar safar-se por si, por muito que o instinto de sobrevivência nos leve a tal. É tempo de compreender que todos nós que não somos Dias Loureiros, Oliveiras e Costas, Cavacos Silvas, devemos juntarmo-nos em torno de uma causa comum: a dignidade e o direito a existir. Estes indigentes que governam têm apenas em mente uma ideia: roubar-nos o pouco que ainda temos e entregar-nos à boa vontade dos nossos credores, que já olham para nós como a China da Europa. Portugal vai voltar ao tempo das crianças a trabalhar na indústria, ao tempo do miserável mas honrado, ao tempo de Salazar. 

 

É esta revolução cultural que nos estão a querer impôr. Ou os paramos por aqui, ou isto não vai acabar nada bem.

  

publicado por Francisco da Silva às 23:28
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Que se lixe o Passos, quero o meu país de volta

 

"Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal", declarou Pedro Passos Coelho, durante um jantar do grupo parlamentar do PSD para assinalar o fim desta sessão legislativa, na Assembleia da República.

 

Passos Coelho, num jantar com os deputados do PSD, utilizou novamente uma expressão rasca no seu discurso, para dar um toque de populismo.

Não surpreende na forma, nem no conteúdo. Este é um primeiro ministro rasca, de um governo rasca, dirigindo-se a uma das mais rascas bancadas que o PSD teve a infelicidade de eleger para a Assembleia da República.

 

São estes os indigentes que chamam ao investimento na educação, justiça e saúde públicas: "gorduras do estado". Apresentam orgulhosamente esse cortes e dizem "estamos a reduzir a despesa pública". Cortam nos salários dos professores, médicos, enfermeiros e demais funcionários públicos, mas não cortam nas consultorias às sociedades de advogados dos seus correlegionários. Cortam nos nossos direitos para continuar a pagar contratos pornográficos de parcerias público privadas às empresas que sustentam as reformas dos senadores do seu partido.
São capazes de inventar as mais dúbias alterações à legislação para que os "seus" continuem a receber os subsídios que cortaram a todos. Sempre viveram à conta do estado e criam um clima de hostilização dos desempregados que recebem subsídio, para o qual descontaram do seu trabalho. Esta gentalha não presta, é do pior que Portugal produziu, e vêm sem vergonha nenhuma falar no interesse de Portugal? Confudem Portugal com as suas empresas, com os seus negócios e com as suas corrupções. Como disse um dia Sá Carneiro: "Portugal não é isto, nem tem de ser isto."

Primeiro foi a "geração rasca", seguiu-se a "à rasca", culminando tudo num governo rasca e num país enrascado que não sabe para onde se virar. Parem o país que o governo tem de sair.

 

publicado por Francisco da Silva às 22:55
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Gaspar sempre a facturar


Para atingir o teto máximo de deduções de 250 euros no IRS, aprovado hoje em Conselho de Ministros, é necessário reunir faturas de hotelaria, oficina ou cabeleireiro, no montante de 2280 euros por mês, o que se traduz em 26.739 euros por ano, segundo as contas do Expresso.

Mais uma vez, a incompetência a vir ao de cima: se o governo tem suspeitas que estes sectores fogem aos impostos, deveria arranjar uma solução para combater a evasão fiscal. Transformar os cidadãos em agentes do fisco, dando em troca uma dedução de 250€?

É incompetência porque o governo assume-se incapaz de cobrar estes impostos. Também é incompetência, porque é uma medida sem qualquer sentido, que não vai funcionar. Gaspar acredita que alguém que gaste quase 30.000€ numa oficina, por exemplo, quando confrontado com a conhecida frase: "com factura é mais X", vai pedir a respectiva, só para receber 250€ e cumprir o seu dever para com este "governo corrupto"? 

 

Se o governo é incapaz de cobrar os devidos impostos a uma oficina, a um cabeleireiro, ou a um restaurante, imagino o grau de incapacidade para cobrar impostos às maiores fortunas do país... É esta gente que nos continua a governar? A sério? 

publicado por Francisco da Silva às 22:21
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012

UMP faz campanha pelo governo de Passos Coelho

Aqui vai uma cacha, para os nossos media, aproveitem que é de graça:


Passos foi hoje vaiado em Borba
. Os jornalistas fizeram questão de dizer que os manifestantes, mais uma vez, eram da CGTP.

 

Esqueceram-se de referir, que da parte da União de Misericórdias Portuguesas, havia uma excursão de trabalhadores voluntariamente forçados a estar presentes, na visita do Passos Coelho.

Segue-se mail interno, enviado a todos os colaboradores da UMP, a que tive acesso:

"A todos os colaboradores da UMP,

 

Boa tarde,

 

Na sequência do e-mail enviado anteriormente, vimos por este meio informar que a UMP fechará os seus serviços na Sede no próximo dia 16 de Julho com motivo da Cerimónia do Lançamento da 1ª Pedra do novo Centro de Apoio a Deficientes “Luis da Silva” em Borba.

 

Relembramos que é muito importante que todos estejamos no dia 16 de Julho, na Sede às 8:00 horas para evitarmos atrasos na viagem e podermos chegar pontualmente à Cerimónia.

 

Os colaboradores que se desloquem para a Sede no seu carro particular, nesse dia, poderão deixar o mesmo dentro da zona de estacionamento, para seguir no transporte facilitado pela UMP para o evento.

 

Atentamente

 

Com os melhores cumprimentos,

XXXXXX XXXXXXX "


O nome e contacto de quem assina está no email, vem do departamento de recursos humanos da UMP. 

É interessante verificar que o apoio ao "Querido Líder" Passos Coelho é encenado. Fala-se que a CGTP organiza protestos, manifestações... não se fala que o governo, seguindo a melhor tradição norte-coreana, obrigas as pessoas a ir prestar homenagem ao guia espiritual da nação.

 

Como diria o Fernando Pessa: "E esta hein?" 
 

publicado por Francisco da Silva às 15:27
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Médicos em greve



 


by @ricardomsantos 


Paulo Macedo, é aquele iluminado, que saiu do privado para vir ganhar rios de dinheiro para o sector público, devido à sua elevada competência e mérito. Na altura, todos diziam (incluindo o próprio) que se queríamos os melhores no sector público era necessário pagar e bem por isso.

 

Já em relação aos médicos, quanto piores as condições de trabalho e a remuneração melhor. Continua a fazer sentido, afinal de contas, nem este governo nem este ministro, querem os melhores no serviço nacional de saúde. Pelo contrário, querem degradá-lo de tal maneira, que daqui a cinco anos a qualidade seja tão miserável que não haja oposição dos cidadãos, ao seu encerramento.

Entretanto, inúmeras manifestações de inveja social têm sido promovidas: "os médicos são uns previligiados", "ganham muito", entre outras alarvidades. 

Este pensamento mesquinho de "eu estou mal, logo o outro tem de estar como eu" é miserável, mas dá frutos. É uma propaganda que pega bem, sem dúvida. 


Ainda não ouvi ninguém falar do salário e regalias dos gestores hospitalares, nomeados politicamente e com resultados para lá de duvidosos. Ainda não ouvi reclamar sobre todo os cêntimos que pagamos ao incompetente do Passos Coelho, serem cêntimos pagos a mais. 

Ouço reclamarem com os médicos, os mesmos que após um turno de 24 horas, e ao contrário do que está na lei, são obrigados a fazer mais um turno na enfermaria, para os doentes não ficarem ao abandono. 

Quando Gaspar erra nas contas públicas, diz que foi um lapso; quando um médico erra, leva um processo da ordem das centenas de milhares de euros... mas faz sentido que reclamem com os médicos. Façam um altar aos banqueiros, ou aos Mexias, Catrogas, Dias Loureiros e afins! Esses sim são os que nos tratam da saúde e fazem serviço público. 

 

Que país é este, sinceramente? Paulo Macedo veio dos grupos privados da saúde, para continuar a trabalhar para eles. Repararam que desta vez, ao contrário de quando foi para cobrador de impostos, ele não exigiu um salário milionário? Alguém duvida que, à boa imagem de outros ex-ministros, ele será premiado com uma cadeira dourada, assim que acabar o seu servicinho?

Paulo Macedo está a angariar clientes para o privado e a destruir o serviço nacional de saúde, para benefício dos seus ex e futuros patrões. Os médicos viram isso a tempo, e não querem acabar em mão de obra barata para a Médis, Multicare e afins.

 

Quem, no seu juízo perfeito, os pode censurar?  

 

publicado por Francisco da Silva às 13:51
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Terça-feira, 10 de Julho de 2012

Realmente é notável

"Em termos gerais, podemos dizer que o programa de ajustamento (português) decorre como o previsto, apesar das enormes dificuldades relacionadas com a conjuntura internacional. É verdade que o que temos visto em Portugal em termos de implementação é notável", declarou aos jornalistas Praet, membro do Comité Executivo do Banco Central Europeu (BCE), após uma conferência em Lisboa.

É notável a taxa de desemprego, a miséria, o desmantelamento peça por peça de tudo o que é serviço público. São notáveis os baixos salários, os cortes anti-constitucionais... Vivemos uma época em que o estado serve de capataz dos mercados, fornecendo bestas de carga. 

Há uns tempos dizia Relvas, numa conferência organizada pelo ISCSP, que "o governo realizou uma grande revolução a nível cultural: há um ano atrás nenhum jovem estaria disposto a trabalhar pelas condições que aceita hoje." Estou a citar de cor, mas as palavras não andaram muito longe disto.

Depois dessa frase levantei-me e saí. A outra opção seria dar com uma cadeira na cabeça do Relvas. Por muita tolerância que uma pessoa tenha, há limites. Esta gente está a criar um modelo miserabilista e ainda se dá ao luxo de gozar com isso. 

 

Quanto tempo mais vão continuar a baixar a cabeça e a embarcar na conversa do "estamos todos juntos nesta causa de salvar Portugal da dívida"?

Realmente o que temos visto em Portugal é notável, sinceramente, é mesmo digno de nota. Um povo que não se cansa de ser expoliado nos seus rendimentos directos e indirectos, um povo que vê o governo vender o seu país às peças, que desiste dos seus cidadãos e que os relega à miséria.

 

Este governo não serve, e é notável que os portugueses ainda não tenham aberto os olhos para isso. Já faltou mais. 

 

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 00:46
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

Os violadores de S. Bento



A Constituição da República Portuguesa foi violada... outra vez. Aliás, começa a ser uma não-notícia, como diria o Passos. 

Desta vez, foram os cortes nos subsídios dos funcionários públicos, que o governo promoveu, a serem considerados anti-constitucionais. 

 

Já não posso aturar a CRP. Faz tudo e mais alguma coisa para dar nas vistas. É uma provocadora, anda sempre com aquele seu ar dengoso, a rebolar as ancas, com micro-saias ou micro-calções e grandes decotes... O que é que um governo pode fazer? Também não é de ferro. A gaja estava a pedi-las, dia após dia, sempre com insinuações que as pessoas têm direitos, que há uma coisa chamada serviço nacional de saúde, outra chamada ensino tendencialmente gratuito... até diz que há um artigo referente ao direito ao trabalho, vejam lá vocês o absurdo! 

Não, a gaja merecia, as vizinhas já ao tempo que o andavam a dizer. "Muitos direitos, liberdade e garantias é o que é", ou então "um dia, alguém ainda vai ter que dar uma lição a essa flausina".

 

Diziam que eram precisos 2/3 dos deputados para a colocar na ordem, para a rever e tornar mais conservadora, para deixar de ser tão oferecida. Passos, Relvas e companhia, manietaram a Constituição. Cada um deles, à vez, foi violando este e aquele artigo, sem pudor, sem remorsos, sem sequer a olhar nos olhos. De nada valeram os esforços dos deputados da esquerda, não tinham força suficiente para o evitar. 

Deixaram-na, quase sem vida, na escadaria de S. Bento. 

 

Alguns deputados de esquerda encontraram-a e levaram-na o mais rapidamente possível ao hospital constitucional. Alguns fizeram-no contra a vontade do seu partido, e bem, como se pode constatar.
Hoje recebemos os primeiros relatórios médicos: ela está viva, mais conservadora em resultado do trauma, mas sobreviverá. Perdeu muitos artigos, muitas alíneas tiveram de ser cortadas para evitar a propagação de infecções, mas parece que se irá recompor. 

Boas notícias, dentro do possível... vamos ver como recupera. 

Será uma violação que não vai passar impune, pelo contrário. O tribunal já decretou que todos os que andaram a beneficiar dos prazeres que esta flausina lhes dava, terão de ser afectados por igual, sejam eles figuras públicas ou privadas. O gangue de S. Bento esfrega as mãos de contente, embora com algum receio. Pelos vistos, Passos, Relvas, Gaspar e Macedo, foram todos identificados na queixa que apresentada à polícia, pela Constituição. Há testemunhas também dos actos, há até, inclusivé, filmes feitos com telemóveis.

 

As vizinhas estão indignadas, dizem que a Constituição foi violada, porque não colaborou: "Afinal de contas, uma flausina daquelas podia ter feito o jeitinho, ninguém me convence que ela não gostou."

Quem não vai deixar passar isto em claro é o marido dela, o povo. Está a preparar a sua vingança, com calma, com classe e acima de tudo, com sentido de justiça. Esperem para ver. 


publicado por Francisco da Silva às 01:01
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2012

Abriu a caça ao Coelho



“Nem tem coragem para nos ouvir”, gritava, visivelmente irritada, uma mulher de camisola branca, junto à porta lateral da reitoria da Universidade do Minho, em Braga. Junto dela, quase uma dezena de desempregadas da indústria têxtil envergavam a mesma indumentária: t-shirt estampada com a imagem de um coelho sob uma mira. E uma mensagem: “Está aberta à caça ao coelho”. Aguardavam o primeiro-ministro, mas Pedro Passos Coelho evitou, mais do que uma vez, os protestos.

Como estas mulheres, algumas dezenas de desempregados esperaram o primeiro-ministro para fazer ouvir a sua contestação às medidas de austeridade. Entre dirigentes sindicais e trabalhadores de empresas em dificuldades na região, o protesto juntou cerca de uma centena de pessoas.

Para Passos Coelho, dirigentes sindicais, trabalhadores, desempregados e cidadãos que protestam são todos comunistas. Na Madeira de Jardim, esta táctica tem sido habitual, tal como foi habitual o recurso a ela por parte de Salazar e de outros ilustres fascistas.

“Aquilo que tem observado são manifestações organizadas que estão prontas a deslocar-se em função da deslocação de membros do Governo. Gostaria de deixar bem claro a todos os sindicatos ou a todas as organizações que estão a promover esse tipo de intervenção que nunca deixarei de aparecer no país e de contactar com os portugueses em face de protestos que queiram exercer”

 

Sempre que há manifestações ou acções de protesto, o governo diz que é a CGTP, braço do PCP, e como tal não são para serem levadas a sério.

Dou por mim a pensar: para este governo, ser um trabalhador sindicalizado na CGTP, equivale a uma redução dos direitos liberdades e garantias? Aliás, pergunto-me até se ser da CGTP é crime? Por uma pessoa ser sindicalizada, pertencer a um partido ou movimento social, não pode ter opinião política e expressá-la publicamente? A sua opinião não é válida? O seu protesto não é justo e honesto? 

 

A única coisa boa que retiro das palavras e acções de Passos Coelho é que ele tem medo. Tem medo dos que protestam, tem medo dos trabalhadores, tem medo dos desempregados, tem medo dos sindicalistas e sindicalizados, tem medo dos comunistas... é um cobarde. Aliás, já a sua postura em relação aos restantes líderes europeus o tinha denunciado. 

E é bom que ele tenha medo, que ele sinta que as pessoas querem a sua pele. As pessoas também têm medo do governo e das suas políticas, têm medo por si, pelos seus pais, filhos e netos; têm medo de não conseguir pagar a renda, as propinas, a comida e a saúde. Têm medo de perder o emprego, medo de se manifestarem, medo da polícia...

Essas mesmas pessoas começam a ultrapassar o medo, o desespero tem destas coisas, e a situação caótica que se vive no país por causa da austeridade, tem levado muita gente ao desespero. 

 

Passos devia ter cuidado quando faz este tipo de generalizações. Olhando para as notícias, os cidadãos também poderiam dizer que todos os corruptos são do PSD, que todos os que vivem à conta do tacho, são do PSD. Afinal de contas, foi o PSD que produziu políticos como: Aníbal Cavaco Silva, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima, Valentim Loureiro, Alberto João Jardim, António Preto, Isaltino de Morias, Macário Correia... e muitos muitos mais. Foi no PSD de Cavaco que nasceu uma certa cultura, uma certa forma de fazer política, responsável pelos maiores desfalques e compadrios, por práticas mais que duvidosas e censuráveis. 

 

No entanto, há pessoas honestas no PSD, que não merecem serem apelidadas de ladrões, corruptos, vigaristas e afins. Tal como nas manifestações e protestos, há mais do que comunistas, ou pessoas da CGTP. Passos, há pessoas com fome para que tu e os teus compadres das empresas e da banca tenham a mesa farta. Chega de tentar fazer as pessoas de parvas, feliz ou infelizmente, nem todos os que protestam são comunistas. Há pessoas das mais diversas ideologias, crenças e clubes. Todas têm uma coisa em comum: querem a tua pele. Isso é o que devias dizer à comunicação social. Foges porque tens medo, sabes que a situação de desespero é tão grande, que se te apanham cozinham-te para terem algo que comer. 

 

Não tenhas vergonha de o assumir, é bom sinal teres medo, significa que começas a ter alguma noção da realidade. 

 

publicado por Francisco da Silva às 17:38
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Terça-feira, 3 de Julho de 2012

Relvas por um canudo


Miguel Relvas voltou a estar na ordem do dia. Desta vez, é o seu percurso académico que está em causa. Não me espanta a caça ao Relvas, pelo contrário, sou até apologista da modalidade e praticante regular. Mas há coisas que me fazem espécie, uma delas é o homem exercer cargos políticos de relevo há anos e anos, e só agora, se lembraram de questionar o seu percurso académico... Mais, os primeiros a atirar pedras foram os que na altura da licenciatura ao domingo, estavam indignados com a "baixa política" e a "pulhice" que estava a ser orquestrada, para caluniar José Sócrates. 

 

Tal como no caso das pressões aos jornalistas do Público, Relvas sai ilibado de toda e qualquer confusão à conta dos erros do passado. As pessoas dizem: "olha mais um, este é como o outro", e dizem-no com razão. 

O seguro de vida deste governo são as alarvidades feitas no governo anterior. O maior partido da oposição está preso a essas amarras, que condicionam em muito, a sua legitimidade em criticar este governo. Não é só o memorando de entendimento que vincula o PS ao governo PSD CDS; é toda uma cultura e uma forma de fazer política. 

 

Há questões que gostaria de ver melhor explicadas pelos media, no percurso de Miguel Relvas: como é que chegou onde chegou, que interesses ele representa, quais os jornalistas que tem "na mão", de onde veio o seu financiamento...? Isso sim, seria jornalismo de investigação.

Gostaria de ver as mesmas questões respondidas por políticos como Ricardo Rodrigues, Marcos Perestrello, Mário Lino, António Preto, Rui Rio e tantos tantos outros. Gostaria de saber quem recebeu dos submarinos, dos blindados, das PPP´s, dos sobreiros e de outros assuntos parecidos. Mas em Portugal, jornalismo de investigação é ir para o cabeleireiro ouvir os diz-que-disse e vender isso em prime time. O que interessa ninguém investiga, mandam-nos estas poeiras para os olhos, para o povo pensar que "afinal o Relvas não condiciona assim tanto os jornalistas, senão a notícia não saía" e que "os poderosos não estão imunes ao escrutínio da imprensa". Tretas, Relvas vai continuar a pressionar e os jornalistas vão continuar a ceder, tal como no governo anterior, e no outro antes, e no outro antes desse...

 

Há muito por onde pegar, nesta e noutras personagens da política portuguesa. Recomendo que se pegue pelas coisas que interessam, não por fait-divers que só servem para distrair as pessoas da questão essencial. Notícias destas reforçam a posição do Relvas, devido ao que o PS fez anteriormente. Há que questionar a quem serve esta agenda, é que aos portugueses não serve... Quero lá saber como é que o Relvas acabou o curso, gostava é de saber como é que acabou em Ministro.
 

publicado por Francisco da Silva às 18:00
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Trabalhadores da limpeza ganham demasiado


Os cerca de 70 enfermeiros subcontratados a partir de hoje pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo receberão apenas mais 93 cêntimos à hora do que os empregados da limpeza abrangidos pelo contrato coletivo de trabalho deste setor que prevê, desde 2010, o pagamento do ordenado mínimo nacional.

Aos enfermeiros é proposto 3,96 euros à hora, sete horas por dia, cinco dias por semana, o que dá 554,40 euros por mês, enquanto um empregado da limpeza receberá 3,03 euros à hora, oito horas por dia, nos mesmos cinco dias por semana, ou seja, 485 euros por mês.

já escrevi, aqui, que um parquímetro tem melhor qualidade de vida, do que um trabalhador, que receba apenas o salário mínimo. Por isso, começo por dizer, que o salário que um trabalhador do sector da limpeza, é demasiado baixo.

A comparação entre estes e os enfermeiros é feita, penso eu, porque um é um trabalho indiferenciado e com baixo grau de responsabilidade, enquanto o outro é especializado e envolve risco de vida. 

 

Paulo Macedo está a fazer, a mando do governo, uma limpeza na saúde. Os auxiliares de acção médica, vão ser despedidos e substituídos pelos enfermeiros, reduzindo o salário destes últimos. Os médicos, vão passar a ganhar como enfermeiros, e fazer também algum do trabalho que estaria anteriormente destinado a estes. A ideia é retirar qualidade ao serviço nacional de saúde, e transferir esses profissionais, para o sector privado. Quando a qualidade do serviço nacional de saúde passar a ser miserável, haverá justificação para dizer que não faz qualquer sentido mantê-lo. A ideia é transformar os até agora doentes em clientes: da Médis, Multicare e afins. Aliás, Paulo Macedo tem feito um excelente trabalho neste sentido: encarece o sistema nacional de saúde para os utentes e tira-lhe qualidade. Há que reconhecer que é meio caminho andado para o encerrar. 

Perguntem aos profissionais do sector o que acham... são os primeiros a reconhecer o trabalho notável, que o governo está a fazer, para encerrar de vez este serviço público. Os médicos vão entrar em greve e é curioso que nesta altura, começam a aparecer na comunicação social imensas notícias sobre fraudes ao serviço nacional de saúde. É daquelas coisas que nos faz pensar que há uma agenda bem preparada, até ao nível da comunicação e propaganda... ou então o verão é propício à descoberta de fraudes na saúde. 

Outra coisa que me preocupa nesta notícia é a reacção do governo: vão de certeza propor a renegociação do contrato colectivo de trabalho dos trabalhadores do sector da limpeza, para baixarem o seu salário. Afinal de contas, é inadmissível ganharem o mesmo que um enfermeiro. 

 


publicado por Francisco da Silva às 18:44
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