Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

I will not work [just] for food

 


O novo governo socialista francês está a planear uma nova lei de trabalho que aumente o custo dos despedimentos. A medida estará pronta dentro de meses, segundo anunciou hoje o ministro do Trabalho, após a notícia do aumento da taxa de desemprego para 10%.

 

Entretanto, em Portugal, onde a taxa de desemprego real ultrapassa em muito os 16% oficiais:

 

Governo quer voltar a reduzir indemnizações por despedimento

 

Ainda têm dúvidas que a ideia deste governo é criar mão-de-obra escrava? 

 

publicado por Francisco da Silva às 13:57
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Crónica de uma miséria anunciada

 

 

 

As políticas do Governo estão a dar resultados: Os salários em Portugal baixaram em termos absolutos pela primeira vez em 14 anos.

 

Para quem ainda acha que os actuais ministros são um bando de incompetentes, pensem de novo. O Passos, o Álvaro, a Cristas... sim, há ali muita incompetência e muita indigência intelectual. Todos esses incompetentes servem para mascarar um programa de engenharia social que está a transformar a forma como vivemos. Ninguém acredita que tal bando de energúmenos tenha capacidade para pensar em algo assim. A ideia é mesmo essa, a criação de todo um programa que passa despercebido à maioria das pessoas. 

 

Isto não são políticas de redução de despesa pública: ela não tem sido reduzida. Não são políticas para colocar as finanças na ordem... são políticas de empobrecimento, de manipulação grosseira do valor do preço da mão-de-obra, e por arrasto, dos "mercados".

Estes liberais, que defendem que o estado tem de deixar o mercado trabalhar, estão a baixar o valor que cada trabalhador cobra pelo seu suor. É esta a solução que encontraram para combater as deslocalizações para a Ásia: se não os podemos vencer, juntamo-nos a eles.

 

Os números estão aí e demonstram-no irrefutavelmente: 

 

O número de empresas que concluiu processos de despedimento colectivo até Agosto aumentou 74% face a igual período de 2011, eliminando 5.843 empregos, segundo dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho

Todas estas políticas que visam o despedimento criam pressão sobre aqueles que trabalham fazendo com que aceitem regressões nos seus direitos e cortes nos seus salários. O recurso aos estágios é outra ferramenta de pressão, miúdos acabados de sair da faculdade, alguns deles no caso da universidade católica, têm inclusivé de pagar para ter um estágio, isto é, pagam para trabalhar. 

 

Basta! A crise tem sido uma desculpa. É preciso recentrar a discussão onde ela é importante: qual a resposta alternativa que o ocidente tem para competir com a Ásia, sem adoptar as mesmas políticas de pobreza, escravidão e miséria? A pergunta essencial é esta, o resto é folclore. Só quando houver resposta para esta pergunta é que vamos poder resolver estruturalmente o problema da crise. Já vimos que com este governo o caminho é igualar os salários na Indonésia ou na Birmânia. Precisamos de um novo governo que queira abrir os olhos às pessoas, reunir com os seus parceiros europeus, e dizer claramente que não vai salvar as grandes empresas europeias em nome da Asiatização dos seus trabalhadores. Precisamos de um governo que queira procurar outro caminho, que esteja disposto a desistir deste capitalismo autoritário alimentado a sangue, que é promovido na China e é apregoado pelo mundo fora como o exemplo da produtividade. 

Vamos continuar a enfiar a cabeça na areia e continuar preocupados em tratar os sintomas em vez de tratar a doença? 

publicado por Francisco da Silva às 21:14
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Utopia






Sempre que alguém me diz que isto de ser comunista é ser utópico, eu sorrio. 

Não consigo deixar de achar piada, confesso, a alguém que acredita que o Capitalismo é um sistema bonzinho e amiguinho das pessoas, e que se todos nos esforçarmos muito vamos ser todos ricos. Só não são ricos os mandriões, claro, só esses serão pobres para sempre. Uma espécie de castigo do deus "mercado" por trincarem a maçã da preguiça.

 

Estas pessoas acreditam que vivemos numa meritocracia, mas mais grave que isso: vendem essa ilusão aos nossos jovens. Dizem que "se estudares e trabalhares muito, um dia serás rico como o senhor António Borges". Acreditam que há uma divindade, o "mercado", que nos protege de todos os males e de todos os excessos de ganância que possam corromper o sistema. Tal como na pré-história, se isto tudo falhar, a culpa é nossa que de alguma forma atraímos a ira do "mercado" sobre nós. Sim, porque "ele" é perfeito, nós somos as suas criaturas e o resto da história vocês já sabem...

 

Voltando ao início, são estas pessoas que me acusam de querer construir uma Utopia. Estas mesmas pessoas que acreditam que a austeridade abate-se sobre nós porque pecamos, que acreditam que a TSU vai criar emprego, e que reduzir a nossa existência ao conceito de "mão de obra" é solução.

 

Não é com desdém ou escárnio que sorrio para elas, nem sequer de um modo paternalista. Sinceramente sorrio porque penso: "E o utópico aqui sou eu?!"

 

publicado por Francisco da Silva às 22:11
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

Passos, não sou teu escravo

 

O primeiro-ministro reformista Marquês de Pombal aboliu a escravidão em Portugal e nas colônias da Índia a 12 de Fevereiro de 1761, pelo que Portugal é considerado pioneiro no abolicionismo. Contudo, nas colônias portuguesas da América e África continuou sendo permitida a escravidão. Junto com a Grã-Bretanha, no começo do século XIX proibiu o comércio de escravos e em 1854 por decreto foram libertos todos os escravos do Estado nas colônias. Dois anos mais tarde, também foram libertos todos os escravos da Igreja nas colônias. A 25 de Fevereiro de 1869 produziu-se finalmente a abolição completa da escravidão no império português.

 

Finalmente, as pessoas começam a acordar para a farsa que é este governo. Em nome de sanear as contas provocam miséria, com a política da austeridade. Assim, têm mais razões para implementar mais e mais austeridade, entrando num ciclo vicioso que acaba quando Portugal for um entreposto de escravos. 

Uns dizem que é o karma: tantos escravos vendemos que acabamos a ser vendidos. Eu chamo-lhe engenharia social, ou como disse e bem o Paulo Pereira de Almeida, é o neo-feudalismo. 

 

A ideia é:  através do medo conseguir criar uma vasta população miserável, que esteja desesperada o suficiente para fazer qualquer trabalho a qualquer preço. Como muitos não irão aguentar essa situação sem se revoltarem, vamos ter um estado autoritário e militarizado, como tem a Grécia nos dias que correm. Se houver tentativas de golpe de estado, ou revoluções, melhor ainda: está justificada a lei marcial e a ditadura militar. Quando chegarmos a este ponto, é fácil de conceber que o ser humano voltará a ser vendido como qualquer outra mercadoria. "É o mercado a funcionar, estúpidos."

 

E se cada um de nós, que ainda está empregado, acha que está a salvo, desengane-se. Eles têm um plano no qual eu e tu estamos incluídos. Por muitas cunhas que tenhas, amigos, primos, cartões de partidos, isto só vai chegar para muito poucos. Foi assim na América Latina, foi assim nas ditaduras militares na Ásia, é e continuará a ser assim na China. 

 

Nós, dos vários países escolhidos no ocidente, fomos aquele que melhor tem reagido aos resultados das experiências de laboratório do Gaspar e dos seus amigos importantes na Alemanha. Melhor no sentido em que temos sido a espécie de ratos mais mansa de todo este ensaio. Ou rebentamos agora com as gaiolas, ou vamos acabar a fazer ténis numa fábrica qualquer na China, quando formos vendidos em contentores como força de trabalho. 

Se os chineses fizeram isso aos próprios não o fariam a nós? Desenganem-se, a realidade tem sido sempre mais dura que a ficção.

 

Ou isto pára aqui, pára a curto prazo e pára de vez, ou os nossos filhos irão ser gado. Estou cansado de o dizer, mas lutarei até ao fim para que não aconteça. Tal como os mais velhos esperavam viver até ao dia em que o Salazar morresse e acabasse a ditadura, também o meu sonho é ver chegar o dia em que estes bandidos paguem por toda a violência que nos têm inflingido. Mãos à obra para tornar este sonho realidade.

 

publicado por Francisco da Silva às 21:50
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