Sábado, 29 de Dezembro de 2012

A comunicação obscura do amigo Pedro

O Governo de Passos, Portas e Associados está entusiasmado com a sua cruzada em chegar aos 5% de défice.

Tem sido um bom exercício para se perceber o quanto isso é mais importante do que tudo o resto: não importa como, interessa é lá chegar. Os efeitos? Tratamos disso depois, ou não tratamos simplesmente.

O amigo Pedro foi a Coimbra e segundo a imprensa disse: "O nosso convencimento é que é possível chegar à meta dos cinco por cento".

Primeiro, "convencimento de que é possível" é das coisas mais obscuras e nada certas que o Pedro pode dizer neste assunto. Mas de tanto se enganar, é de esperar essa postura.

Mas vamos à parte interessante: o efeito disso.

 

"Passos Coelho convicto de que Portugal atingirá défice de 5%" (Público)

"Passos Coelho garante que meta do défice de 2012 será alcançada" (Jornal de Negócios)

"'É possível chegar à meta de 5%' no final do ano" (DN)

 

Engraçado né?

No Público há convicção, no Jornal de Negócios há garantia e no DN há possibilidade.

Doces para todos os gostos neste fim de ano.

 

Entendamo-nos, o Pedro falou em convicção de possibilidade. Que em outras palavras quer dizer "espero muito muito muito".

Estaremos cá para ver.

publicado por Nuno Moniz às 18:22
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Ricos ganham nove vezes mais que os pobres


 

 

É a brilhante conclusão a que chegou o INE.

Os ricos não estão a ficar mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Não, a história agora é outra: os ricos estão a ficar mais ricos à custa de existirem agora mais pobres, porque há um limiar a partir do qual o pobre já não pode ser mais expoliado.

 

Conseguem perceber, agora, qual a razão da "austeridade" e do "empobrecimento" serem o desígnio deste governo em particular, e da Europa em geral?
É que para haver mais ricos é preciso haver mais pobres.

 

Simples, não é? 

publicado por Francisco da Silva às 18:15
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

LIBERTAD ALFON!

Nesta Europa a andar para trás, os sinais de perseguição a quem divirja da ideologia dominante são cada vez mas alarmantes. A Greve Geral europeia de dia 14 de Novembro teve importantes acontecimentos em todos os países. Desta vez, vamos até Espanha, mais propriamente Vallekas, em Madrid, capital do reino espanhol.

 

Vallekas mantém ainda hoje as suas tradições antifascistas, num bairro com cerca de 300.000 habitantes. O bairro dos subúrbios madrilenos foi um importante espaço de resistência à ditadura de Franco, o que lhe valeu o apelido de "pequena Rússia". O orgulho de classe continua a ter uma marca profunda e tem o seu expoente nos adeptos do clube do bairro operário, o Rayo Vallecano. Os Bukaneros, claque do Rayo, são um grupo assumidamente antifascista e, na última Greve Geral, pagaram por isso. Como poderão ver nas imagens que ilustram o texto, os Bukaneros utilizam a curva, 'la grada', para enviar mensagens políticas e sociais, pelo que começam a ser incómodos para todos os poderes.

 

 

 

Espanha: estado opressor

 

Nos últimos tempos a repressão acentuou-se generalizadamente na Europa, particularmente no país vizinho. Das detenções arbitrárias no País Basco, às acusações de apologia ao terrorismo do poeta e rapper Pablo Hasel e do produtor Marc Hijo de Sam, que lhes valeram vários dias na prisão.

 

Na noite de 13 para 14 de Novembro, Alfonso Fernández, de 21 anos, saiu de casa com a namorada para participar num piquete de greve. Perto de casa foram ambos detidos e levados para uma esquadra sem motivo aparente. Seguiram-se interrogatórios por polícias de cara tapada, ameaças a familiares e, para surpresa do próprio, uma acusação de posse de explosivos, que pode resultar numa ena de prisão entre quatro e oito anos. E mais ameaças e pressão para uma autoconfissão.

 

Nas diligências efectuadas em casa de Alfon nada foi encontrado. Alfon serviu também de desculpa para uma invasão policial de um dos pontos onde os Bukaneros costumam reunir-se. E, mais uma vez, nada de incriminatório foi encontrado.

 

 

Acabar com os Bukaneros?

 

É convicção generalizada entre os membros dos Bukaneros que Alfon está a servir de bode expiatório para uma possível ilegalização do grupo de adeptos. Estes têm-se destacado na denúncia da corrupção do futebol moderno, contra os horários absurdos dos jogos do campeonato espanhol e os jogos do campeonato às quintas-feiras. Tudo a bem do interesse económico das televisões e das direcções dos clubes e contra o que o futebol deve ser: uma festa de adeptos para os adeptos.

 

 

 

Marcha proibida

Os Bukaneros, a IU, associações sindicais e movimentos sociais organizaram uma série de eventos de solidariedade, que culminariam com uma marcha, no dia 15 de Dezembro, até aos estabelecimento prisional onde está Alfon. A marcha foi considerada ilegal e acabou por não se realizar. Alfon estava proibido de efectuar telefonemas desde a quarta-feira anterior. Curiosamente, no sábado, a sua mãe recebeu um telefonema. Era Alfon. Avisava a sua mãe que, caso a marcha se realizasse, seria enviado para as Canárias... O direito de manifestação está ameaçado também em Espanha.

 

 

 

Alfon continua detido

Alfon está ainda hoje detido, em prisão preventiva. É o único detido em toda a Europa por eventos relacionados com a Greve Geral. Primeiro, devido a pressões de altas instâncias judiciais, o argumento utilizado era a possibilidade de fuga, que foi depois descartada. Agora, continua detido por, supostamente, ser uma ameaça à paz social. Todo o contacto que tem com familiares, amigos e mesmo advogados tem a presença de elementos policiais. O amigos que lhe escreveram para a cadeia estão a ser perseguidos e investigados pela polícia.

 

 

Silêncio mediático, UE calada

Parece incrível mas estamos a falar de um estado da União Europeia, que deveria ser o farol das liberdades e garantias dos seus cidadãos. Que não o é já todos sabemos. Só não estávamos habituados a que não o fosse tão descaradamente. Os media mainstream também não dão importância ao caso. Apenas blogs e redes sociais vão impedindo que este caso caia no esquecimento e que um jovem permaneça na cadeia por ter consciência de classe, por ser inconformado, por não se resignar.

 

Pablo Hasel, também ele ex-detido, fez este poema em homenagem a Alfon, onde consta também o testemunho da mãe do jovem.

 

 

 

Toda a informação aqui: LIBERTAD ALFON!

Também no Facebook: ALFON LIBERTAD!

 

Espero, em breve, ver nas curvas portuguesas uma tarja que seja a solidarizar-se com Alfon.

 

Partilha e divulga!

publicado por rms às 10:05
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

Aníbal, o sarrafeiro

 

"Não comento declarações de outros membros do Governo"

 

Se o Passos deu uma "canelada" no Aníbal, este brindou-o com uma entrada a pés juntos.

 

Sei que estamos em Portugal e já vimos de tudo, mas um Presidente da República assumir-se como membro do governo, é coisa que não lembra a ninguém. Infelizmente, os jornalistas começaram a deixar de prestar atenção aos pormenores, já ninguém repara na fina ironia do Sr. Bolo-Rei.

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:48
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012

Isto é Portugal


Clica na imagempara ver a reportagem - Na imagem, a jovem tem 19 anos e um filho de 16 meses. Todas as noites percorre, com o filho, 16 contentores do lixo à procura de roupas.


Ontem a RTP fez serviço público. Esta reportagem de 40 minutos é o reflexo de um país a que fechamos os olhos. Eu obrigaria todos a verem esta reportagem. Querem fazer cidadania? Vejam esta reportagem. E pensem. Não consigo escrever ou descrever mais sobre o que vi ontem.

A reportagem foi também ouvir Isabel Jonet. E cada um que tire as suas conclusões. Eu tirei as minhas e continuam a corroer-me por dentro.

Isabel Jonet: "Eu penso que é mais correcto falar-se em carências alimentares, porque há que relativizar até a situação que se passa nos países mais desenvolvidos e o que se passa nos países subdesenvolvidos, como África. E, portanto, temos que relativizar e falarem carências alimentares".

Jornalista: "Mas estas mães que encontrámos nas escolas falam-nos em fome..."

Isabel Jonet: "Pois, porque é tudo um olhar relativo sobre a situação que tinham previsto ter. Se for para África, há pessoas que não comem mais do que uma tigela de arroz por dia. De facto, esses têm fome. Há muitas famílias cá em Portugal que não têm uma refeição completa por dia. Há mutitos idosos, nomeadamente idosos, que vivem sozinhos, que não comem uma refeição completa todos os dias".

Jornalista: "Mas isso não é fome..."

Isabel Jonet: Isso não é fome. Mas são os idosos. No caso das crianças, todas aquelas crianças que podem ir às cantinas escolares ou que são apoiadas... que frequentam ATL, Instituições de Solidariedade Social, ATL, cheches, etc, é-lhes garantida uma refeição na, na , na insituição durante o dia. Muitas chegam a casa e já não jantam.

Jornalista: "Mas isso é uma carência alimentar, não é fome..."

Isabel Jonet: Não é. Eu acho que é uma carência alimentar.

publicado por rms às 11:19
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Soares no seu labirinto

 

Que me perdoe Gabo, que nem Soares é Bolívar, nem eu sou Gabo, mas o labirinto em que Mário Soares se move é digno de um romance. É um personagem dado a sentimentos extremos, de todos os quadrantes. Amado ou odiado. Dentro e fora dos vários PS, entre o que levantou Alegre e o que o apoiou com Sócrates. Soares tem debitado tudo o que lhe vem à cabeça seja na página cheia de caracteres que tem no DN, seja em entrevistas que, de vez em quando, vai dando por aí.

 

Nós temos esta coisa de condescender os mais velhos. Deve ser do fado. A culpa é do fado. "Abaixo o fado", já dizia Vasco Santana, n'A Canção de Lisboa. Nós temos, mas eu não gosto, nem condescendo. Soares tem demasiadas responsabilidades para que possa fazê-lo.

 

Ontem voltou a dar cartas numa entrevista à TVI24 e o que fica não é digno de quem foi Presidente da República durante dez anos, Primeiro-ministro e deputado no Parlamento Europeu, e, mais que isso, de alguém que terá combatido o fascismo de Salazar.

 

Dizer que "nem no tempo de Salazar viu tanta fome no país" é mentiroso. E perigoso. Não perigoso no sentido em que pode incendiar ainda mais os ânimos - para mim, o ponto de ruptura estará em 2013 -, mas no sentido de banalizar aquilo que foi o regime de Salazar. Soares acordou agora de um sono profundo da era Sócrates, em que os amanhãs cantavam e o país prosperava, mas isso não pode dar-lhe o direito de dizer tudo.

 

Não nos equivoquemos: eu tenho tanta simpatia por este governo como Mário Soares. É, de facto, um governo criminoso, económica e socialmente, a miséria é real e aprofunda-se diariamente. Hoje mesmo, com a indemnização por despedimento a baixar para 12 dias por ano de trabalho. Ou seja, quando se pretende baixar a despesa com as funções sociais do Estado, empurram-se as pessoas para essa dependência.

 

Soares não se lembra de não haver gente sem dinheiro para o pão no tempo de Salazar, como não se lembrará do que significou para o país a entrada na UE e o fim de tudo o que era produção nacional. Mais grave, Soares não se lembra de que era Primeiro-ministro nas duas anteriores intervenções do FMI em Portugal, em 1977 e 1983. Na altura, como hoje, o que existiu foram redução de salários, subida de impostos, cortes no subsídio de Natal, entre outras medidas que hoje já não nos parecem estranhas. O que foi a fome em todo o país e particularmente na península de Setúbal naqueles anos.


Soares faz agora o papel de Alegre com Sócrates. A diferença é que o PS não está no poder e não quer eleições, particularmente num ano como 2013. Não quer porque tem Seguro e Seguro não é visto como um líder, e António Costa, ao recandidatar-se a Lisboa, parece estar mais interessado em ser Presidente da República do que líder do PS para candidato a Primeiro-ministro; não quer porque é um ano de autárquicas e as lutas internas pelo poder em cada quintal vêm ao de cima.


Então, para que serve o palavreado de Soares se não é escutado dentro do seu próprio partido?


Se é certo que temos de olhar em frente, não podemos esquecer o que está para trás na história recente do país. E os vários PS, incluindo o de Soares, não estão isentos de culpas.

 

Soares está cansado e nós estamos cansados de Soares.

publicado por rms às 10:42
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

1907 - 2012

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publicado por rms às 09:58
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

O miúdo veste o quê?

 

O Tiago já deixou aqui uma compilação dos artigos dedicados pelos opinadores do Expresso ao XIX Congresso do PCP. Se as respostas dadas por mim e pelo Francisco respondem ao Daniel Oliveira e ao Henrique Monteiro, vi hoje um novo artigo relacionado com o Centro de Trabalho Vitória.

 

Com o sugestivo título "O PCP veste Prada... e Gucci!", o miúdo ali em cima, de nome João Lemos Esteves, debita uma série de lugares-comuns e factos errados que, tendo em conta o facto de escrever num blog do Expresso, poderá valer-lhe um grande futuro no grupo de Balsemão.

 

Por pontos, o escriba dedica-se a espeular sobre os comunistas; o que são, os seus Centros de Trabalho, como vivem e o que vestem. Vamos, assim, responder ponto por ponto.

 

Ponto 1 - "As crenças de criança" estão em todo o artigo. O autor ignora o facto de o PCP, quando adquire um imóvel, não poder controlar a vizinhança. É mais ou menos como nos blogs. Eu não controlo, e ainda bem, porque me divertem, os disparates que se escrevem noutros blogs. O "partido marginal" no panorama político e social é mais uma "crença de criança" do miúdo.

 

Ponto 2 - O PCP convive na Avenida da Liberdade com quem passou a existir ao seu lado. Sem qualquer preconceito que os preconceituosos anti-comunistas acham que os comunistas têm. Ao "luxuoso edifício" iremos mais à frente.

 

Ponto 3 - O miúdo acha que os Centros de Trabalho do PCP não devem ter televisão, menos ainda Sport TV. Pode parecer-lhe estranho, mas os Centros de Trabalho do PCP até têm - imagine-se - computadores com internet! Os Centro de Trabalho que reúnem condições para tal são espaços onde os militantes e não-militantes convivem. Não, ao contrário do que pensa o miúdo, a vida dos comunistas não se resume ao Partido. Até porque o Partido está em tudo o que os seus militantes fazem. No futebol também. Pode passar pela Catedral da Luz e por lá verá artigos de comunistas sobre - espante-se - futebol.

 

Ponto 4 - O miúdo delira.

 

Ponto 5 - O miúdo gostava que assim fosse.

 

Ora, voltando ao CT Vitória, a ignorância do miúdo é algo de tão atroz que serve para explicar tudo o mereceu ser replicado acima - pontos houve que só existem na cabeça do autor. Assim, aqui fica para informação:

 

Adquirindo o edifício em 1984 (graças à campanha «60 mil contos para o Vitória»), o PCP empreendeu desde então diversas obras de recuperação e reintegração do edifício no seu desenho original, bastante degradado sobretudo a partir dos anos 60. Nas obras dos anos 80 é feito um restauro de toda a fachada, repondo a pala circular sobre a entrada, que fora destruída, e reconstruindo a pérgola do terraço, que ruíra no sismo de 1969. Nas obras dos anos 90 todo o piso térreo é recuperado na base dos elementos decorativos de origem. Com a passagem a Centro de Trabalho Vitória o edifício não só ganhou uma nova e intensa vida, como recuperou toda a dignidade de um dos mais singulares edifícios da cidade de Lisboa.


Ou seja, no PCP não há Somagues, Modernas, sobreiros, submarinos, financiamentos que passam pelo Brasil, Tecnoformas, etc. O PCP votou contra a Lei dos Partidos por entender que estes devem viver através da militância e empenho dos seus membros, com receitas próprias.


Por fim, alguém diga ao miúdo que o PCP não só tem um Centro de Trabalho na Avenida da Liberdade, em Lisboa, como tem outro na Avenida da Boavista, no Porto, e, pasme-se, uma quinta na Amora!


Aprender, aprender... sempre!

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publicado por rms às 12:29
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012

O Ensino obrigatório já é pago

 

 

O camarada Henrique Monteiro escreveu um artigo intitulado: "O Ensino obrigatório pode ser pago? Pode!"

Pensando um pouco sobre o assunto, acho que ninguém no seu perfeito juízo, poderá discordar da afirmação. O Aníbal não conta, eu disse: "perfeito juízo".

 

O ensino obrigatório pode e deve ser pago, não haja qualquer dúvida sobre isto, e quanto maior for a qualidade deste, maiores terão de ser os investimentos nesta área.

A questão é que o ensino já é pago. É pago com os nossos impostos, ou pelo menos deveria ser e se assim não acontece, temos de saber o porquê.

 

É necessário as pessoas começarem a perguntar-se para onde está a ir o dinheiro dos nossos impostos. Os aumentos que nos estão constantemente a aplicar, não são para manter a escola pública, não são para manter o sistema nacional de saúde, nem sequer são para contribuir para a sustentabilidade da segurança social. Se fossem, até seria discutível o assalto fiscal que nos tem sido feito.

 

O Henrique Monteiro diz também no seu artigo, e bem, o seguinte:

 

"Não é verdade que criámos sociedades em que as famílias tinham dinheiro para bens nada básicos e beneficiavam da gratuitidade da educação para os filhos? Não é verdade que temos um sistema em que os filhos dos mais ricos estão em colégios e depois passam para Universidades públicas onde pagam pouco, ao passo que os filhos dos mais pobres, estudando em escolas públicas, têm mais dificuldade em entrar nas universidades do Estado e vão pagar propinas mais altas nas privadas? Não é verdade que, depois dos três anos de Bolonha (que é mais ou menos o mesmo que ter o liceu quando eu era novo), o Estado se desobriga de qualquer apoio nos graus mais elevados (Mestrados, Doutoramentos) que são pagos a peso de ouro? "

 

Concordo, quase na totalidade, novamente com o que o camarada diz. Criaram sim senhor toda esse sistema perverso associado aquilo que era suposto ser a escola pública. Criaram-na a mando dos iluminados "lá de fora" que aqui os saloios sempre respeitaram porque eram os "senhores do estrangeiro", tal como agora estão a criar uma sociedade cada vez mais miserável e sem rumo aparente para os nossos jovens do que o crime ou a emigração. Criaram este novo país agora em nome dos iluminados "senhores da Troika".

 

O Henrique refere ainda que "Há 10 anos ainda havia recursos para se fazer uma reforma com jeito. Agora esses recursos escasseiam. Se deixarmos tudo ficar na mesma, a situação só tende a piorar, até ao ponto da total degradação da escolas do Estado e consequente discriminação de quem tem menos recursos."

 

Concordo, mais uma vez. Se tudo ficar como está, ou seja, se Passos e restante quadrilha da Tecnoforma continuarem no governo, não haverá escolas do Estado, haverá sim uma reconversão das escolas e universidades em reformatórios, prisões e campos de trabalho forçado.

 

Com as medidas que estão a ser tomadas e mais do que pensar no que irá escrever daqui a 10 anos, peço-lhe que reflicta sobre a quantidade de jovens analfabetos que não conseguirão entender aquilo que o Henrique escreveu. O preço da ignorância é muito maior do que qualquer orçamento para a educação. Podemos voltar ao tempo em que os miúdos faziam sapatos, trabalhavam na agricultura ou da célebre frase "não dá para a escola, vai para as obras". Hum, afinal nem isso podemos, não há indústria, nem agricultura, nem obras... só mesmo o crime ou a educação para poderem emigrar é que aparentam ser solução. E a emigração é para os ricos, que puderam estudar.

 

O que vale é que tudo o que está a ser feito por este governo tem volta, não tenha dúvidas disso.

 

publicado por Francisco da Silva às 21:55
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

O funcionário de António Costa

 

Não costumo dar protagonismo a certas e determinadas personagens que vivem de vender a sua imagem, até porque há muito que percebi que as pessoas têm a importância que nós lhe damos.

No entanto, li hoje uma vergonhosa conjugação de letras, com o vergonhoso título de "O Partido dos funcionários". Chamo-lhe conjugação de letras porque não passa disso, tal como uma lista das páginas amarelas pode ser lida mas não é um livro.

Não querendo tentar responder à altura, até porque para isso teria de me agachar um bocado para ficar ao nível do passeio, tentarei apenas deixar umas pequenas considerações sobre o acima referido aglomerado de caracteres.

 

Ora diz o burguês que no PCP ou são todos funcionários, ou não podia haver maneira de os delegados do PCP começarem o seu congresso à sexta-feira.

Nesta atoarda percebe-se a ideologia da ave rara que não sabe o que é prescindir de um dia de trabalho em prol de uma causa em que se acredita, na volta porque nunca acreditou em nenhuma... 

Esta personagem, que sempre que realizou trabalho em prol do partido fê-lo como funcionário, claramente não entende nem entenderá nunca o que é ser-se militante. Escusava era de insultar todos aqueles que já o fizeram, que o fazem ou que o virão a fazer.

Tal como em dia de greve se prescinde de um dia de salário, há quem prescinda de um dia ou mais de férias para lutar por aquilo em que acredita, como o Ricardo explicou e bem no post abaixo.

Provavelmente esta ave rara nunca terá feito uma greve, há que o desculpar.

 

Tudo isto passar-me-ia ao lado, não fosse uma questão que me ficou a remoer a consciência. Na altura em que tanto se fala num governo de Esquerda, porquê vir insultar gratuitamente os delegados ao congresso do PCP?

Rapidamente me lembrei dos inúmeros caracteres que a mesma personagem tem dedicado a António José Seguro, tentando ao máximo arrasar com a sua imagem no espaço mediático, ao mesmo tempo que advoga a união das Esquerdas, em particular do Bloco de Esquerda, com o PS.

 

A resposta é simples e tem um Ricardo Costa pelo meio. Se estiverem recordados da convenção do Bloco, Ricardo Costa disse vezes sem conta que essa ave teria feito o trinado da noite, empolando exponencialmente um discurso vazio, ideologicamente e formalmente, que esteve longe de empolgar os delegados bloquistas, nos quais eu me incluía.

A tal coligação de esquerda que a ave rara defende não é com o PS, não é com o PCP, não é sequer com os militantes destes partidos. A coligação que defende é com António Costa, irmão de um dos bosses (no sentido Ostrogoskiano) do grupo Impresa, e da comunicação em Portugal. Alegadamente, claro, porque eu já conheço bem o que a casa gasta.

 

Resumindo e concluindo, Costa tem um funcionário que o ajuda a ir marcando a agenda. Já tinha o Sá Fernandes, juntou também à equipa outro oportunista de serviço. O mesmo que se apresenta como líder da oposição interna do Bloco mas que não vai na lista da moção que escreveu e subscreveu porque tem desprezo por esse detalhe democrático de ir a votos. 

O mesmo que tem grande proximidade com um dos mais antigos funcionários do Bloco de Esquerda, que só interrompeu o seu regime de funcionário para assumir o lugar de deputado, e que ainda hoje é funcionário do partido e que só por isso, poderia ter tido algum decoro e respeito.

Poderia ter tido algum respeito pelos inúmeros funcionários do Bloco de Esquerda que têm todo o mérito e todo o orgulho no seu trabalho, e merecem esse respeito. Mas respeito é coisa que a ele não lhe assiste. 

 

O burguês fala do funcionário como se fosse alguém de somenos importância, como o patrão fala do escravo. Fala dos funcionários como pessoas que não podem ter opinião política, como o escravo que não pode opinar contra o patrão com medo de levar umas chibatadas.

Lá que uns tenham sido toda a vida a voz do dono, não se devem indignar porque outros não o são... 

Podia ter algum respeito por si próprio e pelo seu próprio trabalho, ser funcionário de um partido não é vergonha nenhuma. Vergonha é andar a servir o senhor que se segue ao mesmo tempo que se tenta encurtar a vida ao actual senhor.

Na sua cegueira asna não consegue sequer vislumbrar que António e Ricardo Costa o descartarão assim que tiverem o que querem. Comporta-se como a amante que acredita anos e anos a fio que o seu amor se vai separar da mulher, deixar os miúdos e juntar-se a ela para cumprir o conto de fadas.

 

É pena que numa altura em que se fazem esforços para unir a Esquerda, altura histórica em que o país, a Europa e o Mundo precisam dessa união, ande por aí uma V Coluna a minar os esforços de convergência.

Da minha parte resta-me em nome pessoal, como militante do Bloco de Esquerda, pedir desculpa e dizer aos camaradas do PCP que felizmente este sectarismo é cada vez menor no seio do partido no qual milito. 

 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 22:39
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O Daniel não percebe

 

 

O Daniel Oliveira, que era há uns tempos a vanguarda da esquerda livre e democrática na blogosfera, não percebe como é que o PCP pode começar um congresso a uma sexta-feira, sendo um dia de semana. Ou melhor, percebe e conclui:

 

"Só de uma forma: se uma parte significativa desses delegados trabalharem para o partido, forem eleitos para cargos políticos com disponibilidade a tempo inteiro ou forem assalariados de organizações que lhe são próximas".

 

Há muita coisa que o Daniel Oliveira não percebe, mas, centrando-me apenas nesta, eu explico:

 

É possível começar com o exemplo da Festa do Avante!. Como podem os comunistas construir uma evento político, cultural, artístico daquela dimensão? Pela lógica do Daniel, seria através de funcionários do Partido ou de organizações que lhe são próximas. Qualquer pessoa que conheça a Festa do Avante! sabe que tal seria impossível. Então, como se faz?

 

Chama-se militância. É encarado como dever dos comunistas logo que aceitam o Programa e Estatutos do Partido. Eu utilizo dias de férias para ajudar a construir a Festa do Avante!, como fazem centenas de outros camaradas meus. Da mesma forma, muita gente utilizou um ou mais dias de férias para poderem estar no XIX Congresso.

 

Parecerá estranho ao Daniel que o tempo de cada um seja utilizado da forma que pretende, no caso, para participar num acto de cidadania que é a militância política activa?

 

Explica-se assim, de forma simples, uma mentira absoluta tida como verdade certa pelo Daniel.

 

Já agora, como foi possível organizar tantas assembleias e reuniões para que fossem discutidos o programa, estatutos e teses? Eu explico também. Por milhares de trabalhadores, estudantes, reformados que consideram importante estar na discussão do que queremos que seja o Partido.

 

Não era preciso ser muito inteligente para perceber isto. Mas estamos a falar do Daniel Oliveira.

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publicado por rms às 11:51
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