Quinta-feira, 1 de Março de 2012

I´ve got a feeling

"In the definition of Fascism, the first point to grasp is the comprehensive, or as Fascists say, the "totalitarian" scope of its doctrine, wich concerns itself not only with political organization and political tendency, but with the whole will and tought and feeling of the nation."¹


Um vício que tenho é o de analisar o discurso de quem governa em busca da ideologia que este representa porque a meu ver, mais do que a imagem do poder ou a sua forma, a ideologia indica para onde sopram os ventos e para onde se dirige a nau do poder.
A crise económica tem servido para muito: cortar direitos cívicos e laborais, serviços públicos, substituir governos sem recurso a eleições colocando a democracia em pausa... um sem rol de enormidades têm sido cometidas em nome da crise e da única resposta que a direita apresenta -- a austeridade.

Estas medidas receitadas pela maioria dos governos europeus que fazem parte da mesma família política, estão efectivamente a criar recessão económica. Ora esta grave recessão só pode ser ultrapassada dizem eles, com uma vontade geral dos povos em contribuir todos para a salvação da economia.
Todos somos chamados para dar o seu contributo, uma espécie de desígnio nacional.
Este sentimento tem sido incutido aos cidadãos de uma maneira contínua, acompanhada de propaganda diversa: os painéis de comentadores dos media são unanimistas, as reportagens tendenciosas e as vozes que falam em políticas alternativas são silenciadas. Note-se também a quantidade de assessores que o governo colocou que são da área da comunicação, para que nada falhe na hora de moldar a opinião pública nesta grande mobilização contra a crise.
Analisando as notícias que surgem, temos a crise como grande factor de união e de fé cega no governo e nas suas opções. Quantas vezes ouvimos ministros, outros políticos e comentadores repetirem até à exaustão que não há outra saída, o caminho é único e inquestionável, que todos temos de dar o nosso contributo... São palavras como estas que me levam a concluir que por trás destas vocalizações de pensamentos está presente uma ideologia totalitária. Uma espécie de verdade absoluta só atingida pelos eleitos, pelos iluminados como Merkel e Gaspar. 

Quer a nível europeu, quer a nível nacional, temos um presidente, um governo e uma maioria que pertencem à mesma família política. Temos também uma gigantesca máquina bem oleada que promove este desígnio de ultrapassar a grande crise de um modo totalitário na teoria e na prática, à revelia dos cidadãos ou até mesmo contra eles.
Temos à partida boas condições, segundo Geovanni Gentile, para que o Fascismo se implante e tome conta da política nacional e europeia.

___________________

¹ GENTILLE, Giovanni. 1928. "The Philosophic Basis of Fascism", Foreign Affairs, volume 91, nº1, January/February 2012, pp. 17-18 

publicado por Francisco da Silva às 18:26
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