Terça-feira, 1 de Maio de 2012

1º de Maio


Hoje, passei pela Alameda, como outros milhares de pessoas, tendo como certeza que a comunicação social apenas iria dar notoriedade a outro evento.
Tanto me dá, honestamente, farto de ir a manifestações que não têm o mínimo de eco nos media estou eu. 
Aproveitei para dar e receber uns abraços, beber um copo e comer umas bifanas com um amigo de direita que quis ir ver as vistas e pensar um bocado sobre o significado deste dia, ou melhor, o significado que este dia tem para mim.

1º de Maio para mim é "A Mãe" do Gorki, é subir a Almirante Reis a caminho da Alameda e também é encontrar o pessoal com o qual partilhei lutas, e beber um copo com eles, celebrando um reencontro alegre. Normalmente quando estamos juntos é em greves, em plenários, a "fazer política", situações de tensão, crispação... Neste dia paramos todos um bocado, celebramos mais um ano em que estivemos do lado dos nossos, da nossa classe.

Sempre preferi o 1º de Maio ao 25 de Abril, desde miúdo. O 25 de Abril era aquela cerimónia respeitosa para com todos os que tombaram pela nossa liberdade, já o dia do trabalhador era isso mesmo: um dia de festa, um dia em que os trabalhadores se aburguesam e sentam-se na relva a comer bifanas, sardinhas, chouriços e azeitonas. Tudo regado a tinto, daquele das festas populares que todos dizemos mal, mas do qual temos saudades assim que saímos por uns dias do país. É dia de festa, de celebrar os dias que passaram e os dias que aí vêm e não vão ser fáceis, mas é o nosso dia. 

Nós, que nos assumimos como proletários, aqueles cuja única posse é a sua prole, temos um dia que é de festa.
Os outros 364 são de luta, de exploração, de cortes os salários, de roubo nos subsídios e salário indirecto, de injustiça e de prepotência.

Fica-me sempre algo na cabeça neste dia: os desempregados, aqueles que não têm um único dia para celebrar.
São cada vez mais e não há políticas de criação de emprego, o governo a única resposta que tem é "habituem-se"
Não dá, não é possível habituarmo-nos a isto.


publicado por Francisco da Silva às 23:50
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1 comentário:
De Sonia a 31 de Janeiro de 2014 às 19:08
No dia 1 de Maio lembro-me sempre de todos aqueles que não têm o direito a trabalhar - refugiados à espera de asilo ou gente "invisivel" - os ilegalizados. Sim, muito verdade. O melhor será mesmo comer bifanas e beber uma cerveja com os camaradas - e com um ou outro que se enquadre nestes "sem-dia-para-comemorar" e... por quee não... pagar-lhes uma super bock? ;)

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