Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Do Fascismo


"Em geral, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação que é caracterizado: pela monopolização da representação política por parte de um partido único de massa, hierarquicamente organizado; por uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo; por objetivos de expansão imperialista, a alcançar em nome da luta das nações pobres contra as potências plutocráticas; pela mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime; pelo aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror; por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa;por um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado; pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais."¹


Segundo a definição dos autores, temos sete condições necessárias para que se possa caracterizar o fascismo. Há cinco delas que merecem especial destaque:

 

  • uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo
  • mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime

  • um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado

  • um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa 
  • pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações económicas, sociais, políticas e culturais.


Passos é o homem do momento, aquele a quem toda a gente presta vassalagem com medo de represálias via Relvas. Isto porque o emprego hoje, muitas vezes, depende de ficar ou não de boca fechada. Todos os cargos que dependem de nomeação política alinham neste diapasão, tal como dentro do PSD. Passos está de certa forma a vingar-se de quem o excluiu da política tanto tempo, agora o palco é seu e só seu. O contabilista Gaspar, o bobo Álvaro e o mercenário Relvas, completam a corte do Reino de Portugal.
Há um tentativa de mobilização das massas contra o inimigo externo: a dívida. É uma maneira fácil de unir as tropas, e ao ter como inimigo um unicórnio, garante-se um estado de excepção permanente. Será impossível, desta forma, derrotar a dívida. A guerra durará eternamente.
Pede-se ao povo que colabore com as elites, para todos de mãos dadas em paz e harmonia, continuarmos a encher os bolsos aos mesmos de sempre, às corporações que dominam o Estado.
O próprio Estado está a ser reorganizado, vai passar a existir um serviço nacional de saúde para os pobres, como há o passe para os pobres, e demais serviços similares. Faz sentido, pois se há coisa que este governo está a criar, é pobreza. A divisão social vai passando a existir institucionalmente, em vez do "Judeu não entra" ou "Preto não entra", pouco faltará para passarem a existir sítios onde se poderá ler "Pobre não entra" (oficialmente, porque não oficialmente já existem mais que muitos).
O Estado nada mais faz que dar directivas económicas, interferindo assim, numa economia que supostamente é baseada no mercado livre. Apregoam a não intervenção do Estado na economia, no entanto, todos os dias tentam de um modo ou de outro, interferir na mesma.
Relvas, que recebia informações de Silva Carvalho, é também o ministro da propaganda. Bate certo com o terceiro ponto acima citado, retirado da definição de fascismo. Controla as informações e controla a comunicação social mais mainstream, acabando com os programas que não lhe interessam e promovendo aqueles que bajulam quem o mantém no poder. 
Quanto ao último ponto, acho que o Catroga e o António Borges, são excelente exemplo do que é a total integração de uma lógica de controle do estado pelo partido.

Quero com isto dizer que este governo é fascista? Não, longe de mim dizer uma coisa dessas, pois apenas são factuais cinco em sete das condições para poder afirmar tal coisa. Podemos é concluir que se não são, para lá caminham, a Passos de Coelho. 
 


____________________________________________________________
¹ BOBBIO, MATTEUCCI, PASQUINO, Dicionário de Ciência Política, Brasília, Universidade de Brasília, 11ª Edição, 1998, pg. 466

publicado por Francisco da Silva às 02:09
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1 comentário:
De Paulo a 6 de Julho de 2012 às 17:10
Embora até concordando com o que descreve, permita-me algumas questões:
- PS, PCP, Bloco de Esquerda e os restantes não funcionam assim?

Quer com isto dizer que o mesmo não se passa noutros lados? talvez queira ver o conteúdo deste link: http://agrandedissidencia.blogspot.pt/2007/05/o-sol-entrevista-o-autor.html

É a isto que chama "liberdade"? pois esta "liberdade" parece-me uma "liberdade" ao estilo KGB, Gestapo, CIA ou outras do género, varia a famosa ideologia/cor política. Varia também o facto de alguns partidos não terem sido governo, mas se o fosse talvez conseguisse enquadrar mais alguns pontos como fez acima.

No entanto, e se quiser fazer este exercício ao nível não de governo mas de autarquias penso que obterá resultados semelhantes ao que fez acima, com uma diferença substancial: a variação na cor partidária.

Quererá dizer-me que acredita que este modelo é exclusivo deste governo e da cor laranja? se assim for, digo-lhe com todo o respeito, que ou é muito inocente ou mente, pois este modelo é partilhado por todas as cores políticas com mais ou menos variações.

O sistema é: "ou alinhas comigo ou estás fora"...

Isento seria denunciar todos aqueles que se valem de um determinado cargo ou posição para exercer pressão, actividades fraudulentas, medo, influências, retirar benefício próprio....

Da forma como o descreve é apenas um exercício de quem diz mal dos outros sem olhar para o seu próprio umbigo... de quem também tem telhados de vidro, embora, e repito, aquilo que escreve é genericamente correcto, mas peca, e muito, por omissão.

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