Sábado, 16 de Junho de 2012

Moção de salvação nacional


O PS tem de fazer uma opção e não pode continuar em cima do muro.

O PCP, manifestou esta semana, a intenção de apresentar uma moção de censura ao governo. António José Seguro, classificou esta intenção como inoportuna, e que poderia criar uma crise política. Afirmou o líder socialista:

O secretário-geral do PS reforçou a sua oposição à abertura de uma crise política, considerando que isso seria "completamente inoportuno" neste momento, estando Portugal "a viver uma situação difícil, sob assistência financeira", com "compromissos que têm de ser satisfeitos", e quando estão prestes a ser tomadas "grandes decisões no seio da União Europeia".

 

Há várias razões pelas quais esta moção é apresentada, não só com oportunidade, mas com um excelente timming. O governo, ao fim de um ano, conseguiu excelentes resultados, com as suas medidas. O desemprego bate records, os impostos idem, bem como o custo de vida. O retorno dos impostos é cada vez menor: estão a acabar com o SNS, com a escola pública e com as universidades públicas e a justiça... enfim, a justiça anda pelas sarjetas da rua da amargura.
Uma moção a censurar estas políticas e este governo, faz todo o sentido, para um partido que sempre se manifestou contra estas políticas. Obviamente, só depois de haver resultados da implementação das políticas é que se torna oportuno censurar um governo, caso contrário, seria ridículo. 

A somar a isto, saiu esta semana uma sondagem favorável à esquerda, que o PCP consegue de certa forma capitalizar com esta moção de censura. Apresenta-se assim como o partido que radicaliza a luta contra o governo, tomando a iniciativa política, em relação aos restantes.

 

Juntando a isto, as eleições que de norte a sul têm decorrido para os orgãos distritais e concelhios do PS, o PCP acertou na mouche: a direcção do PS terá que responder perante estas novas caras que preparam a sua ascensão na cadeia de poder do partido. Terá de decidir se continua a apoiar o governo PSD/CDS, ou se pelo contrário, decide juntar-se aos partidos de esquerda para fazer oposição ao governo. 

Se por um lado, o PS assinou o acordo com a Troika e como tal vê-se obrigado a cumprir com o que assinou, por outro, este governo tem ido "muito além da Troika", como Passos e Cª não se fartam de afirmar. 

 

Seguro tem aqui uma oportunidade de ouro, dificilmente terá outra, de ser primeiro-ministro e de calar os seus opositores internos, mais propriamente António Costa. Se apoia a moção do PCP, passa a ter a iniciativa política à esquerda, passando o PS a ser o maior partido da oposição. Certamente que perderá o apoio dos socráticos da sua bancada... Como esse apoio nunca existiu, atrevo-me a dizer, que não perde grande coisa. No entanto, conseguiria unir o partido e abrir portas a um governo à esquerda. 

 

Se como diz, não vê oportunidade na moção, Seguro precisa de trocar a graduação dos seus óculos. Quando diz que o país não precisa de uma crise política está errado, o país precisa de uma crise política, porque este governo está a criar uma crise social que demorará gerações a reverter. O custo de uma crise política é superado largamente, pelo benefício geral das condições de vida dos portugueses. 

Com a mudança que se perspectiva na europa, com o afastamento de Sarkozy e com a subida da esquerda na Grécia, o PS afirmar-se como não estando mais ao lado de um governo que condena os portugueses à miséria, daria mais um sinal a Bruxelas e a Berlim. Mostrava que nós já estamos fartos e que um outro modelo é necessário e imperativo. A votação favorável desta moção, é a melhor hipótese que Portugal e os portugueses têm, para reverter este processo reaccionário em curso que a direita está a implementar. Teria repercurssões a nível europeu, e seria importante este sinal: Portugal deixou de ser "o bom aluno de Merkel".

 

Fazer política é isto, é comprometer-se, é tomar decisões, fazer escolhas e responder por isso. Quando os políticos deixam de se comprometer, de fazer política, o poder económico toma as rédeas. E todos sabemos o que é que isso significa. Espero que o PCP escreva um texto simples, que não dê qualquer argumento para que o PS se esquive desta votação. Sugeria, até, que o texto fosse discutido pelos líderes dos partidos de esquerda, para que não ficasse qualquer aresta por limar que possa impedir este sinal que é necessário dar à Europa: o de uma oposição unida contra as medidas de empobrecimento, de uma oposição forte e capaz de fazer frente a este governo. Chega de querer mostrar aos mercados, à senhora Merkel e afins que somos bem mandados. Está na altura de mostrar que queremos um caminho diferente, viver assim não é viver. 

 

 

publicado por Francisco da Silva às 21:04
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