Terça-feira, 3 de Julho de 2012

Relvas por um canudo


Miguel Relvas voltou a estar na ordem do dia. Desta vez, é o seu percurso académico que está em causa. Não me espanta a caça ao Relvas, pelo contrário, sou até apologista da modalidade e praticante regular. Mas há coisas que me fazem espécie, uma delas é o homem exercer cargos políticos de relevo há anos e anos, e só agora, se lembraram de questionar o seu percurso académico... Mais, os primeiros a atirar pedras foram os que na altura da licenciatura ao domingo, estavam indignados com a "baixa política" e a "pulhice" que estava a ser orquestrada, para caluniar José Sócrates. 

 

Tal como no caso das pressões aos jornalistas do Público, Relvas sai ilibado de toda e qualquer confusão à conta dos erros do passado. As pessoas dizem: "olha mais um, este é como o outro", e dizem-no com razão. 

O seguro de vida deste governo são as alarvidades feitas no governo anterior. O maior partido da oposição está preso a essas amarras, que condicionam em muito, a sua legitimidade em criticar este governo. Não é só o memorando de entendimento que vincula o PS ao governo PSD CDS; é toda uma cultura e uma forma de fazer política. 

 

Há questões que gostaria de ver melhor explicadas pelos media, no percurso de Miguel Relvas: como é que chegou onde chegou, que interesses ele representa, quais os jornalistas que tem "na mão", de onde veio o seu financiamento...? Isso sim, seria jornalismo de investigação.

Gostaria de ver as mesmas questões respondidas por políticos como Ricardo Rodrigues, Marcos Perestrello, Mário Lino, António Preto, Rui Rio e tantos tantos outros. Gostaria de saber quem recebeu dos submarinos, dos blindados, das PPP´s, dos sobreiros e de outros assuntos parecidos. Mas em Portugal, jornalismo de investigação é ir para o cabeleireiro ouvir os diz-que-disse e vender isso em prime time. O que interessa ninguém investiga, mandam-nos estas poeiras para os olhos, para o povo pensar que "afinal o Relvas não condiciona assim tanto os jornalistas, senão a notícia não saía" e que "os poderosos não estão imunes ao escrutínio da imprensa". Tretas, Relvas vai continuar a pressionar e os jornalistas vão continuar a ceder, tal como no governo anterior, e no outro antes, e no outro antes desse...

 

Há muito por onde pegar, nesta e noutras personagens da política portuguesa. Recomendo que se pegue pelas coisas que interessam, não por fait-divers que só servem para distrair as pessoas da questão essencial. Notícias destas reforçam a posição do Relvas, devido ao que o PS fez anteriormente. Há que questionar a quem serve esta agenda, é que aos portugueses não serve... Quero lá saber como é que o Relvas acabou o curso, gostava é de saber como é que acabou em Ministro.
 

publicado por Francisco da Silva às 18:00
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