Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012

Ensino privado: reservado o direito de admissão


O financiamento do ensino privado por parte do estado vai continuar sem cortes. Quando se fala neste tipo de financiamento, vem logo ao de cima o superior interesse dos alunos, a quem os proprietários dos colégios privados fazem o favor de providenciar ensino. Digo ensino e não educação, porque são duas coisas distintas e que não devem ser confundidas.
Se não fosse este apoio que o estado dá aos colégios, os miúdos não poderiam lá estudar, como se de uma escola pública se tratasse. Bem hajam estes mercadores do ensino, certo? Errado. Primeiro, quem explora uma instituição de ensino privada tem um negócio, tão legítimo como qualquer outro. Logicamente, o seu objectivo é o lucro e não providenciar o melhor ensino possível, o que também é perfeitamente legítimo. O que não faz sentido aqui é o estado pagar um valor "x" para cobrir as despesas do aluno, acrescidas de um "y" que representa lucro. O estado está a pagar mais do que apenas o ensino do aluno, ou seja: sai mais caro providenciar este ensino via privado, do que apostar na escola pública.

Mas há mais...o sinistro Crato propõe um novo incentivo, porque esta malta de direita fala mal dos subsídios mas não pode viver sem eles. O incentivo do estado não é consoante a qualidade do ensino dos alunos, como seria de esperar, mas sim para as escolas "cujo projecto educativo favoreça a estabilidade e empregabilidade do corpo docente". O estado vai então majorar o subsídio aos colégios que mantiverem os seus professores, o mesmo estado que, no ensino público, está a despedir milhares de professores. Vai subsidiar o emprego dos professores no privado, ao mesmo tempo que os despede no ensino público.

 

Se isto não é destruir a escola pública, substituindo-a por empresas cujo objectivo é fazer dinheiro e não dar instrução aos nossos alunos, não sei o que é. 

Na educação, como na saúde, como no estado em geral, este governo tem um objectivo: destruir tudo o que é público e mostrar que o estado não é necessário. O objectivo é deixar-os de ser portugueses para sermos animais de trabalho, propriedade da ganadaria Champalimaud, da ganadaria Espírito Santo, da ganadaria José Eduardo dos Santos... A ideia é tornar isto tão mau, que ninguém consiga olhar em volta e perceber qual a utilidade do estado. Estão no bom caminho, as pessoas cada vez menos olham para o estado como "pessoa de bem". Olham para o estado como ladrão, corrupto, corporativista e manietado por aqueles que financiam os partidos que nos governaram desde Abril de 74. 

 

Lembrem-se que uma vez destruído o estado, vamos depender da caridadezinha do Soares dos Santos e do Belmiro de Azevedo. As pessoas não parecem muito preocupadas: tanta gente que está a perder tudo, casas incluídas, vão achar um luxo as sanzalas que estes feitores estão a preparar para nós. 

No meio disto tudo, Passos, Crato, Gaspar, Paulo Macedo e companhia, são apenas capatazes. São a face visível do chicote destes senhores. Há que lhes arrancar estes chicotes das mãos e dar caça a quem realmente manda neste país.
 

publicado por Francisco da Silva às 23:33
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