Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Crónica de uma miséria anunciada

 

 

 

As políticas do Governo estão a dar resultados: Os salários em Portugal baixaram em termos absolutos pela primeira vez em 14 anos.

 

Para quem ainda acha que os actuais ministros são um bando de incompetentes, pensem de novo. O Passos, o Álvaro, a Cristas... sim, há ali muita incompetência e muita indigência intelectual. Todos esses incompetentes servem para mascarar um programa de engenharia social que está a transformar a forma como vivemos. Ninguém acredita que tal bando de energúmenos tenha capacidade para pensar em algo assim. A ideia é mesmo essa, a criação de todo um programa que passa despercebido à maioria das pessoas. 

 

Isto não são políticas de redução de despesa pública: ela não tem sido reduzida. Não são políticas para colocar as finanças na ordem... são políticas de empobrecimento, de manipulação grosseira do valor do preço da mão-de-obra, e por arrasto, dos "mercados".

Estes liberais, que defendem que o estado tem de deixar o mercado trabalhar, estão a baixar o valor que cada trabalhador cobra pelo seu suor. É esta a solução que encontraram para combater as deslocalizações para a Ásia: se não os podemos vencer, juntamo-nos a eles.

 

Os números estão aí e demonstram-no irrefutavelmente: 

 

O número de empresas que concluiu processos de despedimento colectivo até Agosto aumentou 74% face a igual período de 2011, eliminando 5.843 empregos, segundo dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho

Todas estas políticas que visam o despedimento criam pressão sobre aqueles que trabalham fazendo com que aceitem regressões nos seus direitos e cortes nos seus salários. O recurso aos estágios é outra ferramenta de pressão, miúdos acabados de sair da faculdade, alguns deles no caso da universidade católica, têm inclusivé de pagar para ter um estágio, isto é, pagam para trabalhar. 

 

Basta! A crise tem sido uma desculpa. É preciso recentrar a discussão onde ela é importante: qual a resposta alternativa que o ocidente tem para competir com a Ásia, sem adoptar as mesmas políticas de pobreza, escravidão e miséria? A pergunta essencial é esta, o resto é folclore. Só quando houver resposta para esta pergunta é que vamos poder resolver estruturalmente o problema da crise. Já vimos que com este governo o caminho é igualar os salários na Indonésia ou na Birmânia. Precisamos de um novo governo que queira abrir os olhos às pessoas, reunir com os seus parceiros europeus, e dizer claramente que não vai salvar as grandes empresas europeias em nome da Asiatização dos seus trabalhadores. Precisamos de um governo que queira procurar outro caminho, que esteja disposto a desistir deste capitalismo autoritário alimentado a sangue, que é promovido na China e é apregoado pelo mundo fora como o exemplo da produtividade. 

Vamos continuar a enfiar a cabeça na areia e continuar preocupados em tratar os sintomas em vez de tratar a doença? 

publicado por Francisco da Silva às 21:14
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