Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

Parem o país que o governo tem de sair

 

 

 

Circulam rumores que António Cerejo terá sido despedido do Público. No estado a que o país chegou, é uma hipótese a pôr em cima da mesa, por muito abstruza que seja ou que pareça. 

 

O caso do jornal Público é o reflexo da individualidade e egoísmo da sociedade que estamos a permitir que seja construída. Entrou em minha casa, diariamente, com o fim do Diário de Lisboa: dia trágico para o meu avô, que ainda andou indeciso entre o DN e o Público. Confesso que o amor à primeira vista que senti pela BD no final do Calvin & Hobbes, ajudou o meu velhote a decidir-se.
Com ele fui aprendendo a ler, lembro-me de um senhor com um nome esquisito que era o Wemans, e fui assim conhecendo melhor o país e a política.

Entretanto fui crescendo e percebendo melhor algumas coisas. Quando aterrei aos vinte na assembleia municipal de Oeiras e comecei a ter contacto com o mundo do jornalismo e toda a sua relação com a política, conheci também o Cerejo.

 

O homem não é meu amigo do peito, nem nunca foi. Mas dentro dos jornalistas que conheci na mesma altura, era o que tinha o critério mais apertado para se dedicar a investigar uma notícia: tinha de ser notícia. Não fazia favores, que seja do meu conhecimento, mas também não os pedia. 

Fui conhecendo vários, alguns que ganharam todo o meu respeito pelo igualmente exemplar comportamento, outros que apenas merecem o meu desprezo, pelo tão baixo que conseguem descer. Se acham que há políticos que não prestam para nada, haviam de conhecer alguns jornalistas.

 

Entre os amigos que ficaram sempre fui dizendo que me custava vê-los fazerem o papel de assessores de comunicação deste ou daquele governo. Claro que compreendia, porra se um gajo está a recibos verdes e o patrão diz que é não, é não. Não os censuro, de todo. Não era eu quem lhes ia dar de comer, e a ideologia alimenta a cabeça mas o corpo pede pão.

No entanto, sempre lhes disse: "Quando isto estiver bem encaminhado, vocês vão ser todos corridos, vão deixar de ser precisos. Estão apenas a adiar o inevitável." 

 

Claro que para além dos que são obrigados, há uma certa classe nojentinha que invade as redacções: as mulas. Os que carregam as notícias deste gabinete, daquela agência, do outro que é tio de não sei quem... em troca de almoços, jantares, promoções, integrações posteriores nos gabinetes de comunicação de um qualquer governo ou agência, e as famosas e adoradas comitivas oficiais e festarolas VIP.

Não se vendem por dinheiro, disso não conheci muito, diga-se em abono da verdade. Prostituem-se por uns bilhetes para a bola, por exemplo, coisas banais e presentinhos que vão constantemente recebendo. Por serem coisas pequenas não é visto nem como corrupção, nem como tráfico de influências... é tipo a lista de prendas do Manuel Godinho, não menos, não mais.

 

Estes miseráveis, que andaram a branquear tudo o que os governos foram fazendo às pessoas, são os que não vão ser despedidos. Seja no Público, na Lusa ou no Correio de Curral de Moinas, os bons e incómodos vão ser corridos. As prostitutas vão ficar lá todas. 

Belmiro vai fechar o seu Avante, a situação corre-lhe de feição, não precisa mais de um veículo de modelação de informação e de fazer opinião pública. Onde muitos viam prejuízo, Belmiro sabia que era um instrumento de poder bem mais barato do que poderia parecer, agora já pode prescindir dele.

 

Mas anda tudo preocupado é com as PPP´s, com o Sócrates, com o Paulo Campos. Claro que preocupa, aliás, preocupa-me que o líder do gang da Coelha seja Presidente da República. Mas, não é tempo de ajustes de contas com o passado, é tempo de impedir que o presente continue a acontecer. 

A doença está lá, cada vez mais forte, cada vez alastra mais pelo corpo da nossa Nação, que somos todos nós. Em vez de tratar a doença continuamos preocupados com os sintomas, e aberrações como esta da limpeza que se está a fazer ao que resta do jornalismo têm de nos fazer parar. Aliás, têm de fazer parar tudo: redacções, rotativas, estúdios e emissões. Está na altura de todos os jornalistas que ainda sobram usarem o imenso poder que têm para parar isto. 

 

Dizem que não há alternativa? A alternativa é juntarem-se à luta quando já estiverem todos no desemprego...

publicado por Francisco da Silva às 23:32
link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Graza a 12 de Outubro de 2012 às 19:27
Pois é, parece que é tarde. É que à conta da porcaria que foi feita pelo Público depois de V.J.Silva, perdi a confiança no Público, que lia, e parece que por arrasto nos restantes. Sobra-me a memória de um jornal que comprava pela qualidade do seu director José Leite Pereira, o JN. Quanto ao JMF, pelo mal que fez à classe, poderia manter a carteira mas não o "estatuto".

Comentar post

.autores

.pesquisar

.posts recentes

. Ainda há esperança?

. Da vergonha alheia

. Vamos a Belém - 25 de Mai...

. Carta a Amélia

. Demissão já

. O PS tem problemas em faz...

. Hasta Siempre Comandante

.arquivos

. Julho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

.tags

. todas as tags

.subscrever feeds