Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

Na refunda

 

 

O Governo decidiu reunir meia dúzia de opinion-makers para fazer aquilo que em política se chama "dar linha política".

Assim, ao longo de dois dias, reúnem com uns vaidosos da nossa praça em troca de lhes dar importância, tempo de antena, almoços, jantares e cocktails.

Depois desta conferência, chamemos-lhe assim para não ser deselegante, os apóstolos estão preparados para evangelizar os portugueses na TV, nas rádios, nos jornais e redes sociais.

Entretanto, decidiram exercer o direito a silenciar os jornalistas presentes na sala, para que os nomes não sejam associados às declarações e se possa debater o futuro de Portugal à vontade. 

Como disse, e bem, uma jornalista da SIC da qual não me recordo o nome, a organização vai distribuir cerca de dois minutos de imagens seleccionadas e editadas por si, ou seja, pelo Governo.

 

Resumindo, neste debate da sociedade civil percebem-se 3 coisas:

 

A primeira é que para o Governo nós somos o resto, a sociedade civil está lá, quem está de fora não conta. OK, grande novidade.

 

A segunda é que o Governo está com dificuldades em uniformizar o discurso e a linha política, e precisa de chamar os fantoches de serviço directamente, porque não confia nos intermediários. Ou seja, há uma clivagem enorme entre o que é o Governo e o que é o PSD, o aparelho não está a funcionar e foi preciso realizar um bypass.

 

A terceira, e mais importante, é que o Relvas já não tem os jornalistas na mão. Os despedimentos no Público e na Lusa acordaram esta classe há muito adormecida e aburguesada na vida fácil de assessor de imprensa do Poder instituído, fosse ele qual fosse, salvo raras e honrosas excepções. Faço questão de de me curvar perante essas pessoas, porque sei que ser jornalista a sério não é fácil. Ainda sou do tempo em que o Relvas ia ao ISCSP e dizia aos "jornas" avençados na sua lista de mimos o que podiam ou não publicar. Esses dias acabaram.

 

Não posso deixar de mencionar a Sofia Galvão. Conheço-a há algum tempo, vale a pena verem quem é, ou melhor, o que é que ela representa.

O caríssimo Carlos Moedas, não vá ele sentir-se ostracizado, também merece a minha atenção: Sou só eu que acho que o Moedas e o Nilton são siameses? Tanto no aspecto físico, como na profunda indigência intelectual que pova aqueles dois espíritos? 

 

Desperdiçam dinheiro público com cada idiotice...

 

 

publicado por Francisco da Silva às 22:59
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2 comentários:
De Francisco Castelo Branco a 16 de Janeiro de 2013 às 11:23
O governo tem todo o direito de ter feito aquilo. A presença dos jornalistas não é necessária e só atrapalha o debate, nos países mais desenvolvidos também é assim.
Leia o que disse Henrique Monteiro no seu blogue do expresso.
Os jornalistas não têm de ter acesso a tudo e mais alguma coisa.
De O Principe a 18 de Janeiro de 2013 às 09:53
Com o seu convite li o Artigo 58, gostei sinceramente e é uma visão clara, objectiva e certeira sobre a dita Conferência Evangelizadora do Governo! Linkei no meu twitter para que mais possas ler e participar e já divulguei nos meus contactos Acho muito meritório e concordo com a generalidade da opinião proferida nos artigos e sou apologista que cada vez mais a sociedade participe e tenha opinião.
Espero também que leia o meu e comente http://mordidela.blogs.sapo.pt/

Um abraço

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