Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013

Sismo Social

 

Hoje há uma notícia que vai ficar na história do nosso país:

1 em cada dois jovens está desempregado.

Fora os que emigraram e os que não estão inscritos no centro de emprego. 

 

Em termos gerais, atingimos perto dos 17% de desemprego oficial, mais uma vez, fora os que já cá não moram e os que já não têm vontade nem esperança para se inscreverem nos centros de (des)emprego.

Aliás, é doentio continuar a denominar os ditos centros assim, quando o que oferecem é exactamente o contrário.

 

Desta enorme fatia da nossa população, deste exército de desempregados, cerca de 57% não recebem subsídio. 

Aumentam a carga fiscal para quem trabalha e nem quem mais precisa tem apoio?

É para esta sociedade do cada um por si que andamos a pagar impostos? 

Mais vale então assumir de uma vez que isto não é uma sociedade, é uma selva, onde cada um luta pelo seu bocado.

Assuma-se isso, e deixem de nos roubar com mais impostos para financiarem os bancos e os negócios obscuros entre os amigos do partido e os do avental.

 

É aterrador pensar que cada vez que me cruzo com um jovem na rua, provavelmente ele está desempregado, porque ainda tenho a sorte de fazer parte da metade que tem emprego.

Pensem nisto, porra, um em cada dois dos nossos jovens, dos vossos filhos, irmãos, amigos, netos, o que quer que seja, estão desempregados.

Podemos fechar os olhos e fingir que não é connosco. No entanto, se continuamos a tolerar esta política de miséria, brevemente, o desemprego jovem passa de metade a três quartos da população, e um dia é o nosso dia de engrossar as estatísticas.

 

Declare-se o estado de calamidade pública e invoque-se o mesmo para renegociar a dívida e acabar com esta miséria, já.

publicado por Francisco da Silva às 21:51
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Quinta-feira, 22 de Março de 2012

greve geral




 

Hoje é dia de greve geral e como tal muitos dos habituais transportes, empresas e serviços não estarão a funcionar como nos outros dias. Para muitos será um incómodo, sem dúvida. Faz sentido que assim seja. Todos temos noção que na maior parte das indústrias o stock é suficiente para aguentar um dia sem produção, uma coisa era a greve durante a revolução industrial outra coisa é hoje em dia, o resultado é muito menos palpável do que então.
Também sabemos que em todas as outras àreas não é um dia de greve com serviços mínimos garantidos que irá trazer a queda do capitalismo até porque na maior parte das empresas, as pessoas têm medo de fazer greve. Têm medo porque os sucessivos governos criaram um exército de desempregados cada vez mais pobres dispostos a substituir alguém no seu posto de trabalho por metade do salário e dos direitos laborais. As pessoas sabem que na primeira oportunidade serão eles a receber a temida chamada dos recursos humanos e rumar ao desemprego por tempo indeterminado.

Resumindo, a greve é apenas uma birra de uns meninos mimados que querem ter mais direitos que os outros. Direitos esses que nem os deviam ter, porque isto está tão mau que todos devíamos estar no mesmo barco da miséria.
A isto chama-se manipular os remediados contra os pobres, criar inveja social. É um velho método usado pela elite para conseguir manipular as massas e continuar no topo da pirâmide social.

Porque é que se faz greve, perguntaram-me ontem várias vezes e bem.

Greve faz-se para mim, por uma simples razão: as massas perceberem que são elas que fazem o país funcionar. Quando paramos todos o País pára e essa é a ideia que alimenta a consciência de que na realidade somos nós que escolhemos o nosso caminho.
Não é a Troika, não é o Passos nem o Aníbal, ou o Relvas e o Seguro, somos nós. Se paramos mostramos aos que ainda não acreditam que é imaginária a corrente que nos prende à miséria e a uma vida sem dignidade. Se paramos hoje, amanhã mais vão dizer para consigo: "Mas porra se eu faço a diferença porque é que continuo vergado a isto?".
Fazer a greve é fazer a diferença, é consciencializar, é educar socialmente sem formatar sem outra ideologia que a da liberdade.

Perguntaram-me também se paralelamente ao direito à greve, não existe também o direito a não a fazer.

Mais uma vez, na minha opinião cada qual é livre de aderir ou não. Não acredito em ideias impostas mas em ideias aceites porque foram compreendidas. Nunca fui de rebanhos e carneiradas e não é o meu objectivo substituir ovelhas laranjas por ovelhas vermelhas.
No entanto, espero que cada uma dessas pessoas que não possa ou legitimamente não queira aderir à greve tenha plena consciência que está a ser conivente, cúmplice e capataz de um sistema que mais cedo ou mais tarde acabará por a engolir também. 
Se hoje o mercado dá valor ao que fazes, logo logo vai haver alguém algures do outro lado do mundo a fazer o mesmo por 1/10 do custo.
A luta por melhores salários e mais direitos laborais tem de ser global para acabar com a escravidão que resulta da deslocalização da produção para o mercado Asiático. Mas para ser global, tem de primeiro ser local. Hoje um vídeo chega ao outro lado do mundo em menos de nada, pode ser que um dia as lutas também e resultem numa globalização de direitos laborais e salários justos.
Tenham consciência que os que não fazem greve estão a fazer pressão sobre os grevistas, como o exército de desempregados faz sobre os trabalhadores. Ao não fazerem greve estão a entalar os vossos colegas que estão a lutar pelos vossos direitos. Têm toda a legitimidade para o fazerem, mas façam-no conscientemente. 


Obrigado ao @ManuelCastro. O tweet dele diz tudo. 

 

publicado por Francisco da Silva às 05:10
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