Sábado, 9 de Fevereiro de 2013

"António Costa e Pina Moura de costas voltadas"

 

Ou de como os Pina Moura de antigamente são os Antónios Costas de amanhã, e vice versa:

 

Na passada quinta-feira, durante uma reunião do grupo parlamentar o líder da bancada socialista criticou o comportamento ético do deputado. O tom foi duro e a troca de palavras entre António Costa e Pina Moura deixou bem vincada a distância entre a actual direcção e o antigo ministro de António Guterres.

Na reunião do grupo parlamentar socialista e a propósito da discussão sobre um consenso em matéria de consolidação das finanças públicas, o líder parlamentar abriu as hostilidades com referências ao facto de Pina Moura ter participado na redacção do documento, subscrito por 33 personalidades.

Para além disso António Costa criticou o comportamento ético de Pina Moura pelo facto deste ter ponderado usar os dez minutos a que todos os deputados têm direito por sessão legislativa sem ter informado previamente a direcção da bancada.

António Costa soube-o pelo próprio presidente da Assembleia e não gostou. A verdade é que Pina Moura admitiu falar durante o debate de passada quarta-feira no caso de discordar da postura assumida pelos socialistas.

 

João Ribeiro, aqui, falava de uma "deslealdade nunca vista no PS", esquecendo-se de quando António Costa se queixava do mesmo em relação a Pina Moura: 

 

As relações entre António Costa e Pina Moura azedaram depois do líder parlamentar do PS ter acusado o antigo ministro de Guterres de «deslealdade». Pina Moura foi um dos mentores do documento assinado por vários notáveis.

 

Amanhã, decorre a reunião onde António Costa deixa orfãos os já orfãos de Sócrates que procuravam uma família política de acolhimento.

Costa nunca poderia ser candidato a secretário-geral do PS antes de ganhar, novamente, a Câmara de Lisboa. Há uma coisa que se chama aparelhismo, e que nos diz que há muitas e muitos apoiantes de Costa cuja possibilidade de fazer carreira política e campanha por este, depende do seu emprego nesta Câmara, que é um dos maiores empregadores do país.

 

Como diz o Jorge Coelho: "há falta de memória na política", mas o Google não esquece.

 

 

Actualização: O Rodrigo Saraiva também sabe usar o Google, temos isso em comum.

publicado por Francisco da Silva às 22:02
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012

A esquerda, livre de comunistas

Passos Coelho disse hoje, a propósito da moção de censura do PCP, o seguinte:

 

"Trata-se, portanto, mais do que uma moção de censura ao Governo,  de uma moção de censura ao mundo, de uma moção de censura à realidade"

 

 Dou por mim a concordar com o homem, coisa rara. Esta moção é sem qualquer dúvida uma moção de censura a esta realidade que Gaspar e os seus amigos estão a criar. O número recorde de desempregados merece censura. O aumento recorde do número de casais desempregados, que subiu mais de 81% no último ano, merece censura. 

Os cortes nos subsídios de férias e de Natal, nas férias e nos feriados, a facilitação dos despedimentos, o desmantelamento do serviço nacional de saúde, o fim da escola pública, os cortes na bolsas... enfim, há um sem número de razões que justificam uma censura a este governo.

Aliás, Pedro Silva Pereira no seu discurso de hoje no parlamento, enumerou bem diversas razões que justificavam a apresentação desta moção. No entanto, todas essas razões, serviram apenas para justificar mais uma abstenção violenta. 

 

O PS perdeu hoje uma excelente hipótese de promover uma coligação de esquerda, contra esta política devastadora do governo PSD/CDS. Ouço vezes sem conta dirigentes do PS falarem da impossibilidade de coligações à esquerda, que os partidos não estão disponíveis para se juntarem ao PS. Leio também outros tantos da esquerda livre, afirmarem o mesmo... No entanto, quando o PS tem essa oportunidade o que é que faz? Refugia-se no colo da direita. Claro, que nem uma linha virá escrita sobre sectarismo da parte dos socialistas, nem uma voz virá clamar contra as constantes posições políticas do PS, que indo muitas vezes contra o que é o sentimento geral da sua base, dos seus eleitores e militantes, prefere juntar-se à direita.

 

Assim, infelizmente, perde-se aquele que poderia ser o maior partido da oposição. Perde-se mais uma oportunidade de a esquerda se unir, sob a justificação sectária que "o PCP apresentou uma moção de censura ao PS, por isso não votamos favoravelmente a deles". Claro que debaixo dessa justificação, esconde-se um partido ideologicamente à deriva. Um partido que não só não tem homem do leme, como nem sequer tem leme. 

Os inúmeros votos que o PS conquistou mereciam mais respeito. As pessoas que votaram PS, mereciam mais que ter eleito uma bancada que nas questões essenciais abstém-se. Um partido cuja linha política é o não comprometimento, não é um partido. Os portugueses não mandataram os deputados do PS para serem figurantes neste filme realizado e produzido pelo PSD e CDS. 

 

Quando o maior partido da oposição está no governo, só significa que nós deste lado vamos ter de correr mais, trabalhar o dobro e suar o triplo. Nada que não se faça, já estamos habituados. Enquanto o PS não se resolver internamente, vai continuar a somar abstenções atrás de abstenções. Uns meses antes das eleições, irão representar de novo o papel de oposição e dizer que os do PSD são todos uns malandros... é uma estratégia que tem funcionado, mas as pessoas começam a ficar fartas. A começar pelos próprios militantes socialistas que olham para o seu partido entretido em guerras internas de controle de estruturas dirigentes, como um partido inútil na assembleia da república.

Seguro está a estender uma passadeira vermelha para o senhor que se segue, nem sequer vai ser preciso tirar-lhe o tapete, ele cede-o de bom grado. Tal como cedeu o seu papel de líder do maior partido da oposição, que está aí para quem o quiser interpretar. 

A direita ter um aliado como o PS no parlamento é perigoso: dá-lhes toda a liberdade para aplicarem na totalidade as políticas este processo reaccionário em curso. 

 

O PCP fez política hoje, quanto mais não seja, merece ver esse mérito reconhecido. Já tinha saudades de ver fazer política no parlamento. A política de corredores, de mesas de restaurante, de sacristia ou maçonaria já enjoa... 



publicado por Francisco da Silva às 01:48
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