Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Vamos a Belém - 25 de Maio






publicado por rms às 11:53
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Segunda-feira, 4 de Março de 2013

O medo mudou de lado

Estive na manifestação de 2 de Março. Não contem, ao longo deste texto, com guerras de números. O que se sentiu na rua não é mensurável - e é isto que algumas pessoas parecem não perceber, ou não querem mesmo perceber.

 

No Porto, esta foi das maiores manifestações em que estive, juntamente com a anterior, convocada pela CGTP, em Fevereiro. Na primeira reunião do movimento Que Se Lixe a Troika, em que fui convidado a participar, em Lisboa, houve uma coisa que me impressionou: o medo. Toda a gente falava no medo que o povo tinha. Era preciso vencer o medo. Não concordei com as análises, mas respeitei-as. Não acho que o povo estivesse com medo. Acho que o povo estava atordoado e intoxicado. Por aqueles que, mesmo antes da manif, anunciaram o seu fracasso. Que seria mais pequena, que não teria efeitos práticos. Que não teria efeitos políticos. Por aqueles que, diariamente, nas televisões, jornais e rádios dizem que a miséria é inevitável e que o único caminho para lá da miséria é mais miséria. Não é. Não pode ser.

 

Houve gente que li nas redes sociais e blogues em tentativas desesperadas de menorizarem a dimensão da manifestação, que não foi apenas no Porto e em Lisboa. Foi em 40 cidades, portuguesas e não só. Não sei o que os move, e, sinceramente, não me interessa. Quero lá saber o que dizem. Que fiquem, juntamente com o especialista em multidões do Expresso, a contar quadradinhos. E juntem-lhe o jornalista do Público que fez a peça de ontem.

 

O que importa o que eles dizem? Zero. Quem lá esteve sabe bem o que foi. Uma Praça da Batalha à pinha, a abarrotar, com gente de todas as cores e idades. De vários partidos, incluindo militantes do PSD, de partido nenhum e outros que se estrearam numa manifestação.

 

O que nós vimos, pá, eles nunca verão. As lágrimas de emoção de ver a Praça da Liberdade, ao longe, já cheia, quando a cabeça da manifestação estava ainda longe. E a multidãonos passeios que se juntava e engrossava as fileiras.

 

Eles nunca verão os rostos de novos, velhos, empregados, desempregados, precários, pequenos empresários, pá. Aqueles rostos que espelhavam um misto de sentimento de que algo está a acontecer e de uma raiva contida, que ninguém sabe até quando durará. Porque não podemos engolir tudo; quando transborda vem cá para fora. E veio para a rua. E virá de novo.

 

Cada um de nós, que lá esteve, que viu e sentiu a Grândola como nenhuma daquela gente que vê tudo pelo filtro que vai directo dos olhos ao umbigo viu ou sente. E há umbigos maiores do que a manifestação de 2 de Março. E a Grândola, e os cravos, e a Grândola.

 

A Grândola, caramba, que cantámos três vezes, duas delas antes de chegar à Praça. A Grândola, caramba, que devíamos estar a celebrar e estamos, afinal, a defender. A Grândola, porra, que o Zeca nos deu para abrir caminho à liberdade, à educação, à igualdade, ao trabalho com direitos. A Grândola, caramba.

 

E a Grândola das 18h30, que o país cantou. Foi a Grândola mais bonita dos meus 30 anos de vida. Os punhos, os cravos, a raiva que saía de cada verso, o braço dado com a pessoa do lado que nem se sabia quem era. As vozes já roucas, caramba, que a manifestação ia longa, mas era preciso que a Grândola se ouvisse em todo o país, porra. Novos e velhos, pá, com o peso da Grândola nos ombros, que quem a sente sabe o que pesa. A Grândola, caramba!

 

Menorizem, caramba. Desprezem, pá. A próxima será maior. E a seguinte e a outra. Porque vai cair. Este governo e a troika vai cair, porque cai ele ou caímos nós. E um povo que se deixa cair não é um povo, é uma massa que se deforma e deixa de ser aquilo que é. E nós somos o melhor povo do mundo, não somos? Somos, mas não da forma que eles querem. Fazei tudo para nos afrontar ainda mais, que o vosso estrondo, quando vocês caírem, será maior, caramba, e cantaremos a Grândola bem alto, aos vossos ouvidos, que decorareis a letra a bem ou a mal. E o conteúdo. O conteúdo da Grândola, corja de lacaios. Esse, que nem sentis nem sabeis. Vai cair. Ides cair com estrondo, caramba, a bem ou a mal.

 

O que nós vimos, eles não verão.

 

Eles engolem em seco, sabem, mas não dizem: o medo mudou de lado.

 

publicado por rms às 00:36
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

Grândola nas galerias do Parlamento

Passos ouviu, de cabeça baixa, engasgou-se e passou à frente. O Povo cantou, de cabeça erguida.

 

 

 

Amanhã há luta e continua no dia 2 de Março.





Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!


Esta manhã mais de 40 pessoas intervieram na Assembleia da República, a meio da Sessão Plenária, cantando “Grândola, Vila Morena” durante a intervenção do primeiro-ministro. 

Esta acção de protesto levou para dentro da Assembleia da República o descontentamento generalizado que se sente nas ruas perante a situação inadmissível em que este governo e a troika internacional colocaram este país, em queda livre com o maior desemprego de sempre e com uma recessão acima dos 3%! 

O protesto apela à participação nas próximas manifestações de dia 16 de Fevereiro, assim como a manifestação de dia 2 de Março em todo o país, sob o lema “Que Se Lixe a Troika, o Povo é Quem Mais Ordena!”.


Com mais de um milhão de desempregados, uma recessão profunda e todas as previsões de governo e troika mais uma vez falhadas, para pior, hoje levou-se ao Parlamento o descontentamento popular. A música de José Afonso foi a escolhida para transportar de volta ao local onde se legisla para todos o sentimento de que é necessário outro caminho, que é necessário que haja uma democracia que corresponda às necessidades do povo e não das instâncias internacionais a comandar os destinos do país.  
A mobilização popular é urgente para mudar o rumo de destruição e de austeridade que foi escolhido por governo e troika. Apelamos à participação nos grandes protestos que se avizinham, quer já amanhã no Príncipe Real, que no próximo dia 2 de Março em todo o país e no estrangeiro. A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas.  


A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!

 

publicado por rms às 12:00
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