Quinta-feira, 14 de Março de 2013

O PS tem problemas em fazer gráficos

O último tempo de antena do PS traz uma novidade para os estudiosos de estatísticas.

Uma barra para demonstrar o desemprego que tem uma escala que desafia as leis da matemática (e quem sabe, se não for demasiado, da decência). Segundo a "barra do PS", o desemprego em Portugal já passou os 50%.

 

Compreendo os problemas que haverá em assumir a responsabilidade pelo trabalho recente que fizeram enquanto Governo, mas é escusado enganar as pessoas. Continuam os macaquinhos no sótão.
publicado por Nuno Moniz às 02:01
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

PS - Agência de emprego

Na semana passada, o PS de Matosinhos voltou a ser notícia na comunicação social. Muito por culpa do candidato do PS à autarquia matosinhense, que diz que parece que disse uma coisa, mas não disse, mas afinal disse mesmo, como se vê no vídeo abaixo, disponibilizado pelo blog Aventar.

 

 

 

Mas não é apenas este facto que tem alimentado algumas colunas de jornais. O afastamento de Guilherme Pinto também surge em algumas páginas e o facto é simples: o PS funciona como uma agência de emprego onde políticos profissionais encontram espaços para ganhar a vida. Por isso, José Luís Carneiro, líder da Distrital do PS do Porto, reuniu-se com Guilherme Pinto para convidá-lo a integrar as listas do PS à Assembleia da República ou ao Parlamento Europeu. Assim, à escolha do freguês. Guilherme Pinto não está, para já, inclinado a aceitar o convite, tendo António Parada já manifestado o seu apoio a uma possível migração do actual presidente da CM Matosinhos. Não é difícil perceber: António Parada é - ainda - candidato do PS à CM Matosinhos, com Guilherme Pinto fora do caminho, apenas tem de se preocupar com Narciso Miranda, que adiou para Abril uma posição sobre as autárquicas.

 

Muita gente desconhecia até então António Parada. Mas isso é apenas falta de memória. Parada ficou conhecido depois dos acontecimentos da lota nas eleições Europeias de 2004, que opôs duas facções do PS de Matosinhos, que se confrontaram na lota. Nessas eleições, António Costa era segundo na lista do PS e Manuel Seabra ascendeu a presidente da Câmara, sucedendo a Narciso Miranda, que deixou a autarquia e rumou a uma secretaria de Estado. Avizinhavam-se as autárquicas e o regressado Narciso Miranda disputava a candidatura à CM Matosinhos, pelo PS, com Manuel Seabra, que recusou abandonar o cargo após o regresso de Narciso.

 

Ora, Narciso regressou pouco tempo depois mas já foi tarde. Francisco Assis havia já lançado Manuel Seabra, avisando mesmo sobre o que viria a suceder passados alguns anos: "A concelhia tem um excelente presidente. Mas não é só Matosinhos que tem os olhos postos em ti, é grande parte do PS nacional".

 

Em 2008, quando o processo interno do PS aos acontecimentos da lota estava já no esquecimento, o ex-presidente da CM Matosinhos rumou a Lisboa, para ser chefe de gabinete de António Costa. Sim, o mesmo António Costa que era segundo nas lista do PS às Europeias de 2004.

 

Em 2009, cumpriu-se uma vontade antiga de Assis e Seabra foi candidato à Assembleia da República. Antiga de 2004: "A inclusão de Seabra na lista será uma forma de reabilitação política do vereador, depois das conclusões do inquérito aos incidentes na lota de Matosinhos, que lhe vedaram a candidatura àquela autarquia. A hipótese já terá sido abordada num contacto com Assis".

 

Ainda em 2004, o PS abriu então um inquérito interno aos acontecimentos da lota, a cargo de Almeida Santos, Vera Jardim e Jorge Lacão. Daí concluiu-se, em forma de proposta, que nem Manuel Seabra nem Narciso Miranda poderiam ser candidatos à autarquia, o que veio a verificar-se:

 

"2. Delibere, desde já, em face das conclusões do presente inquérito e ainda que com reconhecimento do diverso grau de responsabilidade e culpa nele evidenciados, que nem Narciso Miranda nem Manuel Seabra estão em condições de poderem integrar as listas de candidatura do PS aos órgãos do Município de Matosinhos, nas próximas eleições autárquicas."

 

A comissão de inquérito interna não tem poder deliberativo, mas sim propositivo, ficando as possíveis sanções a cargo dos órgãos jurisdicionais do PS, que acabaram por apreciar apenas a suspensão de um funcionário do PS, no caso, Domingos Ferreira. De resto, para além do bom senso que prevaleceu ao impedir as candidaturas de Narciso e Seabra, não houve mais consequências.

 

E assim surge Guilherme Pinto, delfim de Narciso Miranda, cuja ambição era maior do que pensava o seu mentor. Narciso acreditou que Guilherme Pinto cumpriria apenas um mandato e sairia de cena. Mas não foi assim. Guilherme Pinto quis manter-se como candidato, em 2009, e Narciso avançou como independente.

 

Voltando a António Parada, são várias as referências que merece no inquérito interno, de que se extraem alguns excertos:

 

"8. Logo nos primeiros momentos da chegada à lota, pouco depois das 8.30 h. (XXI, 97; XXX, 134), teve lugar um primeiro impacto com o candidato, com destaque para o comportamento de um dos principais responsáveis da recepção, o coordenador da secção do PS de Matosinhos, António Parada, o qual, em atitude de envolvimento impetuoso, de imediato pretendeu afastar o Professor Sousa Franco de Narciso Miranda, dado que aquele se encontrava agarrado a este para melhor poder ser conduzido".

"Vários desses depoimentos avultam ainda no sentido de considerar que essa manifestação de hostilidade foi especialmente encorajada ou até orquestrada pelo principal agente coordenador da acção da visita à lota, o Presidente da secção de Matosinhos do PS, António Parada, que aliás trabalha para uma empresa de segurança que presta serviços à lota de Matosinhos."

"(...) os ânimos voltaram a recrudescer com os gritos de "Seabra, Seabra" e, menos, de "Narciso, Narciso", mais uma vez, com um grupo de mulheres, que vários e impressivos testemunhos dizem ter visto ser orientadas por António Parada, em atitude expressivamente hostil e injuriosa para Narciso Miranda."

"Do conteúdo revelador das declarações então prestadas vale a pena reter, da parte de António Parada, da secção de Matosinhos, em relação a Narciso Miranda: "Há mais de 20 anos que andei a fazer esse trabalho para o Narciso Miranda. As mobilizações aconteceram graças a mim, mas agora ele nada está a fazer, pelo menos em articulação com a concelhia de Matosinhos do partido"

"4.3.- Que as movimentações de António Parada, coordenador da secção de Matosinhos, muito auxiliado por outros militantes (...) particularmente junto do grupo de vendedeiras externas (aquelas que mantêm um conflito arrastado com a Câmara Municipal e o Presidente Narciso Miranda); e, com especial destaque, para o já descrito comportamento impetuoso"

"Ao abrigo do Artigo 100.º, n.º1 dos Estatutos, proceda à suspensão preventiva, com efeitos imediatos, de António Parada, da sua condição de militante do PS e, consequentemente, de Secretário Coordenador da Secção do PS de Matosinhos. Com base nas responsabilidades que lhe são imputadas, submeta de imediato a deliberação da suspensão do militante António Parada à ratificação da Comissão Nacional de Jurisdição bem como para efeitos de abertura do competente processo disciplinar com vista à determinação da sanção definitiva susceptível de aplicação, incluindo a possibilidade da sua exclusão do PS."

 

O tempo passou e, desde então, muita coisa mudou:

  • Narciso Miranda foi expulso do PS após a candidatura "independente" à CM Matosinhos;
  • Guilherme Pinto é presidente da CM Matosinhos e, não sendo o candidato oficial do PS, se não avançar como "independente", tem à espera a cadeira que preferir, seja no Parlamento Europeu ou na Assembleia da República;
  • António Parada é o presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos desde 2005 e candidato do PS à CM Matosinhos;
  • Francisco Assis é deputado foi líder parlamentar do PS na era Sócrates;
  • Manuel Seabra foi chefe de gabinete de António Costa na CM Lisboa e é actualmente deputado na AR.

 

 

Com o previsível avanço de António Costa para a liderança do PS, mais cedo ou mais tarde, caso este ocorra antes das Autárquicas de Outubro, é previsível que as lutas internas se reacendam em vários concelhos do país, com especial relevo para Matosinhos. Com estas novelas, lutas de poleiros e sede de poder dentro do PS, o concelho Matosinhos perdeu peso político, estrutural, identidade, submeteu-se a interesses particulares e o progresso ficou esquecido. O concelho merece mais e melhor.

publicado por rms às 17:16
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

solta antes Barrabás!

Hoje os telejornais abriram com a escandalosa notícia de um deputado do PS se atrever a ter opinião, ainda por cima contrária ao pensamento único de subserviência com o qual temos sido bombardeados todos os dias por esses mesmos canais.
Que país é este que se indigna por um deputado do PS ter ideias próprias, não era já tempo de haver um deputado do PS a pensar por si?

Pasmo-me que tenha vindo um qualquer sub-director de informação da sic afirmar que tais declarações poderiam até "provocar um incidente internacional". Mas que raio de pensamento bacoco e provinciano é este? Para além da alienação da nossa soberania e salários, também temos de ser expoliados da liberdade de opinião?
Independentemente de concordar ou não com o Pedro - tal não vem ao caso neste post - não posso deixar de me manifestar contra toda esta vergonha.
De tal modo foi o escândalo que o rapaz já veio dizer que não foi bem assim, um tanto ou quanto envergonhado pela ousadia...
Que eu me recorde, não houve um décimo da indignação em relação ao deputado que roubou os gravadores. Aliás esse senhor teve sempre todo o apoio da bancada para lamentar do PS, tal como o apoio da direcção do partido.
Voltámos à época em que a multidão pede a crucificação daquele que tem ideias diferentes, ao mesmo tempo que grita "solta antes Barrabás".
Abrir os telejornais com notícias destas é bem melhor para quem governa do que os números do desemprego ou os desastrosos indicadores da nossa economia, mas isto começa a ultrapassar os limites do rídiculo.
Enquanto nos entretemos com o circo vai aumentando o preço do pão e o Relvas e os amigos vão brincando aos governos, no entanto nada disso interessa, importante é condenar esse facínora do PS por delito de opinião.

Fico indignado com as mentiras de Passos, com as férias de Portas, com a corrupção herdada do Cavaquismo, com o desastre da governação socrática, com o corte nos subsídios e com a imposição do pensamento único tecnocrata.
Sempre defenderei que o Pedro possa dizer o que pensa, até quando ele não pensa bem naquilo que diz.



publicado por Francisco da Silva às 17:04
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

declarações para lamentares II

"Nós confiamos totalmente na apreciação que sobre isso fizer o senhor Presidente da República, seja num sentido seja noutro, nós estamos completamente de acordo", afirmou Carlos Zorrinho aos jornalistas.

Como é que o PS chegou até aqui?

publicado por Francisco da Silva às 13:56
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Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Ainda a questão dos imigrantes no comício de Évora

Primeiro as virgens ofendidas do PSD deviam pensar duas vezes antes de falar sobre o assunto, todos conhecemos a política do PSD para os bairros Municipais, onde arregimenta Portugueses que estão vulneráveis devido à sua situação sócio-económica para as suas campanhas e até para processos pouco claros de compra de votos. São célebres os relatos de camionetas das juntas de freguesias cheias de “militantes” que tanto lhes dá o partido, interessa-lhes é o almoço e o passeio. Também são célebres as campanhas em que os jovens andam de um lado para o outro movidos a “bares abertos” e festas após um dia inteiro de remunerada militância numa qualquer Jota, muitos são a prole dos dirigentes dos partidos, os barões que aprovam e incentivam este tipo de militância por parte dos seus meninos.

 

Segundo: não percebo o celeuma à volta dos imigrantes, não terão eles o mesmo direito dos Portugueses que enchem carrinhas dos partidos e andam de norte a sul a correr comícios? Ou por outro lado, a direita que acha que os imigrantes andam a roubar o trabalho aos portugueses e está apostada em provar que estes também andam a roubar o lanche aos habituais papa-comícios? Ora acho que só se veio provar que os imigrantes fazem os trabalhos degradantes que os portugueses se recusam a fazer: apoiar o PS neste caso.

 

Terceira questão, os convites terem sido endereçados pelas embaixadas e supostas promessas de vistos... bem esta questão é a mais grave porque todos sabemos que assim que tiverem papéis não haverá patrão que os empregue. A ideologia por detrás destas promessas faz-me lembrar a antiga “carta de alforria” dada aos escravos por serviços prestados ao seu senhor, fazendo as embaixadas o papel de capatazes. Vi por aí um ou outro xenófobo de sangue latino a perguntar o que é feito do SEF e o que vai acontecer aos imigrantes identificados na TV como se uma caça ao imigrante resolvesse os problemas do País. Não vejo nenhum desses sérios senhores a pedir uma caça aos corruptos, aos burlões, aos que levaram o País para este buraco... isso não, arriscavam-se a ter de fazer o próximo jantar de família na prisão. Nem sequer vejo estes senhores muito preocupados com os direitos dos imigrantes a pedir a sua legalização para que não estejam à mercê de negreiros modernos que os usam como mercadoria.

 

Critico a política baseada nos “currais eleitorais”, acho que é a base do clientelismo e o princípio do fim da Democracia, critico-o no PS no PSD e em todos os partidos que o fazem. Não sou fã de comícios, penso que hoje em dia servem de pouco porque são feitos para a televisão e não para quem lá está o que lhes retira todo o seu efeito, prefiro os contactos pessoa a pessoa, olhos nos olhos e não uma missa campal em que militantes, simpatizantes e imigrantes vão embora com a sensação que só estiveram ali a fazer número para o “chefe” ficar bem na TV. Duvido até do resultado em termos de votos, sejamos pragmáticos, provenientes da realização de um comício. Compreendo que os façam e que recorram a todo o tipo de expedientes para os encher, aliás Ostrogorski e Michels já no sec. XIX descreviam estes fenómenos e na altura os cidadãos iam para os comícios a pé ou no máximo de carroça.

 

Não compreendo é que haja discriminação entre quem pode ir fazer o boneco ou não, ou melhor compreendo: ao aparecerem senhores de turbante no comício do PS meio mundo gritou aqui del Rei porque ficaram com medo que as pessoas questionem como se enchem comícios. Ninguém quer ver o seu segredo descoberto: que é a miséria, a segregação social, a desigualdade e a necessidade que fazem com que as pessoas apoiem apoiem os partidos que os colocaram nessa situação. Ao mesmo tempo percebe-se o porquê de continuarem nessa situação: os partidos precisam deles vulneráveis, precisam de comprar votos com lanches, empregos e casas. Assim cria-se um ciclo vicioso onde os cidadãos nunca vêm a sua situação melhorada, porque a miséria é a base de sustentação dos partidos ditos do “arco do poder”. Quando vendem o seu apoio ou os seus votos estão a legitimar a sua eternização na pobreza e na miséria, esta é a questão que devia ser levantada. Quem ficou espantado com esta realidade acordou agora para a política e os que acham este problema se resume aos imigrantes está a ser xenófobo.

 

By the way, ninguém referiu que o comício estava vazio.

publicado por Francisco da Silva às 15:39
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